CAPÍTULO XX.
O que são Significador, Querente e Perguntado, e uma Introdução ao Julgamento de uma Questão.
O Querente é quem propõe a pergunta e deseja a resposta; o Perguntado é a pessoa ou a coisa que se procura ou acerca da qual se pergunta.
O Significador não é nada mais, então, do que o Planeta que rege a casa que significa a coisa acerca da qual se pergunta; por exemplo, se Áries estiver ascendendo, Marte, sendo o Senhor de Áries, deve ser o significador do Querente, ou seja, o Signo ascendendo deve, em parte, significar sua aparência corporal ou estatura; o Senhor do Ascendente, a Lua e o Planeta que estiver no Ascendente, ou que estiver em aspecto com a Lua ou com o Senhor do Ascendente, deverão mostrar sua qualidade ou suas condições, misturadas igualmente; de modo que, qualquer que seja o Signo ascendendo, o Planeta que for o Senhor deste Signo, deve ser chamado de Senhor da Casa, ou Significador da pessoa que pergunta, etc.
De forma que, portanto, em primeiro lugar, quando qualquer Questão for proposta, o Signo ascendendo e seu Senhor são sempre dados a quem fez a pergunta.
2. Deves, então, considerar o assunto proposto, e ver a qual das doze casas ele pertence, propriamente; quando tiveres encontrado a casa, considera o Signo e o Senhor deste Signo, como, e em qual Signo e em que parte ele está localizado, o quanto está dignificado, qual aspecto ele faz com o Senhor do Ascendente, quem impede o seu Significador de agir, quem é seu amigo, ou seja, qual Planeta é, e de qual Casa ele é Senhor, ou em qual casa ele está posicionado; do homem ou da mulher significados por este Planeta, deves ser favorecido ou prejudicado; ou, da relação contigo que o Planeta significa, por ser Senhor da Casa apropriada; se Senhor da Casa que significa inimigos, ele será um inimigo de verdade; se de uma casa amigável, será amigo.
Nas palavras acima, apropriadamente compreendidas, se reflete a chave global para toda a Astrologia. Pelos exemplos seguintes eu devo tornar as coisas mais claras; não guardarei nada que possa fazer que o Aprendiz fique na ansiedade de compreender o que é útil para ele, e bom para ser conhecido, pois isso não desejo.
Em toda pergunta damos à Lua o papel de CO-SIGNIFICADOR do querente, com o Senhor do Ascendente (alguns também atribuíram este papel ao Planeta do qual a Lua se separou, o que de forma nenhuma eu aprovo, nem encontrei em minha prática nenhuma Verdade nesta afirmação).
Da mesma forma, adicionaram ao julgamento o Planeta a qual a Lua se aplicou no momento da questão, como Co-Significador, junto com o Senhor da causa da coisa que se procura ou da qual se pergunta.
Tendo bem considerado as diversas aplicações e separações dos Senhores das casas que significam tua pergunta, como também a Lua, o Local do Céu e a qualidade dos aspectos que a Lua e cada significador fazem, uns com os outros, podes começar a julgar e considera se a coisa inquirida irá acontecer, sim ou não; devido a quê, ou por que meios, o momento em que ocorrera, e se será bom para o Querente perseverar em seus intentos, sim ou não.
CAPÍTULO. XXI.
Como saber se uma coisa da qual se perguntou será levada à perfeição, sim ou não.
Os Antigos legaram a nós que há quatro modos ou meios de descobrir se uma questão, ou coisa acerca da qual se perguntou, será realizada, sim ou não.
[CONJUNÇÃO.] Em primeiro lugar, por Conjunção; quando, como por exemplo, encontrares o Senhor do Ascendente e o Senhor da Casa que significa a coisa da qual se inquiriu se dirigindo a uma Conjunção, e na primeira casa, ou em qualquer Ângulo, e os significadores se encontram sem nenhuma Proibição ou Refrenação [Eu sei que esta palavra non ecxiste, mas não consegui traduzir Refrenation de uma forma satisfatória; devo lembrar ao gentil leitor que a tradução é de boa fé e de graça. N. doT.], antes que eles atinjam a perfeição da Conjunção, deves então julgar que a coisa procurada seve acontecer sem nenhum modo de demora ou impedimento, mais cedo, se os Significadores estiverem e movimento rápido e fortes Essencial ou Acidentalmente; mas se esta Conjunção dos Significadores for em uma Casa Sucedente, ela ocorrerá, mas não tão rápido; se em Casas Cadentes, com infinita perda de tempo, alguma dificuldade, e muito esforço.
[ASPECTO SEXTIL OU TRÍGONO.] As coisas também irão ocorrer quando os significadores principais se aplicam por um aspecto Sextil ou Trígono a partir de Casa boas e locais onde eles estão essencialmente bem dignificados (e se encontram sem nenhum aspecto malévolo intervir quando eles fizerem o Sextil ou Trígono perfeito, quero dizer, o Sextil ou Trígono partil).
[ASPECTOS DE QUADRATURA E OPOSIÇÃO] As coisas também são levadas à perfeição, quando os significadores se aplicam por Quadratura, desde que cada Planeta tenha dignidade no Grau onde esteja, e eles se apliquem a partir de Casas boas e apropriadas; de outro modo, não. Às vezes, acontece que um assunto ocorre quando os Significadores se aplicam por Oposição, mas isso, sempre que ocorre, há recepção mútua por Domicílio, e a partir de casa amigas, e a Lua se separa do Significador da coisa da qual se perguntou. Eu raramente vi alguma coisa sendo levada a bom termo através de uma oposição, mas, ao contrário, o Querente na verdade desejaria que a coisa não tivesse ocorrido. Por exemplo, se a Questão for relacionada a Casamento, as partes dificilmente concordavam, mas estavam sempre discutindo e se magoando; cada um maldizendo sua escolha infeliz, culpando seu Pais ambiciosos, como se não tivessem domínio sobre si próprios; e se a Questão for sobre Porções ou Dinheiro, o querente, é verdade, recuperou seu Dinheiro ou a Porção prometida, mas isso lhe custou mais para cobrir os custos legais do que valia a dívida, etc.; e desta forma eu vi ocorrer em muitos outros casos, etc.
[TRANSLAÇÃO.] As coisas são levadas a um bom termo através da Translação de Luz e Natureza, desta forma.
Quando os Significadores, tanto do Querente quanto do Perguntado, estão separados de Conjunção, de Sextil ou de Trígono, um do outro, e um ou outro Planeta se separa de um dos Significadores, pelo qual ele é recebido tanto por Domicílio, Triplicidade ou Termo, e então esta Planeta rapidamente se aplica a uma conjunção ou aspecto com o outro Significador, antes que ele se encontre, por Conjunção ou Aspecto, com qualquer outro Planeta, ele então translada a força, a influência e a virtude do primeiro Significador para o outro, e então este Planeta que intervém (ou o homem ou mulher significado pelo Planeta) deve tomar o assunto em suas próprias mãos, para realizá-lo.
Considera de qual casa o Planeta que está se interpondo, ou transladando a natureza e a luz dos dos Planetas, é o Senhor, e o descreve, e diz ao querente, que uma pessoa com esta descrição irá auxiliar no negócio, etc.; ou seja, se ele for o Senhor da segunda, uma bolsa generosa afeta o assunto; se Senhor da terceira, um Parente ou Vizinho, e assim por diante com o resto das casas; sobre isto, diremos mais nos Julgamentos posteriores.
[COLEÇÃO.] O assunto também é levado à perfeição, quando os dois Significadores principais não se observam, mas ambos fazem seus respectivos Aspectos com um planeta mais pesado do que eles mesmos, e ambos os recebem em alguma de suas dignidades essenciais; então, o Planeta que desta forma coletar ambas as Luzes, irá levar a coisa sobre a qual se pergunta à perfeição; o que significa, na Arte, exatamente que uma Pessoa de alguma forma envolvida com ambas as partes e descrita e significada por este Planeta deverá desempenhar seu papel e concluir o assunto, que de outra forma não poderia se dar. Assim, muitas vezes vês duas pessoas que se desencontram, e nenhuma das duas consegue pensar em qualquer modo de acomodação, quando subitamente um Vizinho ou amigo acidentalmente reconcilia todas as diferenças, para o contentamento de ambas as partes. E isto é chamado de Coleção.
Em último lugar, as coisas podem às vezes ser levadas à perfeição pelo posicionamento dos Planetas nas casas, ou seja, quando o Significador da coisa da qual se inquire está casualmente localizado no Ascendente, como se alguém pergunta se obterá um certo Posto ou Dignidade, se o Senhor da décima estiver localizado no Ascendente ele deve obter o Benefício, Cargo, Posto ou Honra desejado. Esta regra dos Antigos não vale, nem concorda com a razão; exceção feita a quando a Lua, além deste posicionamento em casas, transfere a Luz do Significador da coisa desejada para o Senhor do Ascendente, pois foi bem observado que a aplicação dos Significadores mostra inclinação das partes, mas a separação, normalmente privação; ou seja, em termos mais claros, quando vires os Significadores principais do Querente e da coisa ou parte da qual se pergunta separados, há poucas esperanças de acontecimento ou perfeição da coisa desejada (apesar desta posição nas casa), mas se houver aplicação, as partes parecem inclinadas ao bom termo, e o assunto está ainda caminhando e há grande probabilidade de que ocorra, ou de que as coisas irão chegar a acordo melhor.
Em todas as Questões, observarás, de forma geral, o Método a seguir.
O Ascendente representa a pessoa do Querente, a segunda suas Posses, a terceira seus Familiares, a quarta seu Pai, a quinta suas Crianças, a sexta seus Servos ou sua Enfermidade, a sétima sua Esposa, a oitava o modo de sua Morte, a nona a sua Religião ou suas viagens, a décima sua Estima ou honra, a décima primeira seus Amigos e a décima segunda seus Inimigos secretos.
Deves também entender que, quando se pergunta sobre uma Mulher ou qualquer outra parte significada pela sétima Casa e pelo seu Senhor, que então a 7ª casa deverá ser o seu Ascendente e significar sua pessoa, a oitava suas Posses e ser a sua segunda, a nona cara deverá significar seus Irmãos e Familiares, a décima deve representar seu Pai, a décima primeira seus Filhos, ou se ela pode ter filhos, a décima segunda suas Enfermidades e seus Servos, a primeira o seu Amado, a segunda Casa a sua Morte, a terceira suas Viagens, a quarta sua Mãe, a quinta seus amigos e a sexta suas tristezas, preocupações e inimigos privados.
Seja a pergunta sobre, ou relacionada com, um Homem da Igreja, Ministro, ou Irmão da Esposa ou da Amada, a nona Casa representará cada um dos mencionados acima, mas a décima casa será a Significadora de seus Bens, a décima primeira de seus Irmãos, e assim por diante, em ordem; e assim, em todos os tipos de Perguntas, a casa que significa a parte deve ser seu Ascendente ou primeira casa, a seguinte a sua segunda Casa, e assim por diante por todo o Céu, ou pelas doze Casas.
Se uma questão for feita acerca de um Rei, a décima é sua primeira casa, a décima primeira a sua segunda, etc., segundo a ordem, mas em Natividades, o Ascendente sempre significa a parte nascida, seja ele Rei ou Mendigo; tendo compreendido as coisas precedentes, podes proceder ao julgamento, não que seja necessário que tenhas em sua memória tudo o que foi escrito de forma exata, mas que sejas apto a saber quando estás no erro e quando não estás, e quando deves julgar uma questão, e quando não o deves. Eu também deveria ter mostrado como se determina a Parte da Fortuna, mas isso eu o farei no primeiro exemplo,sendo que o uso da Parte da Fortuna varia, mas ela raramente foi entendida por qualquer autor que encontrei. No entanto, percebe que, se um Rei propuser uma Questão Astrológica, o Ascendente será dado a ele, da mesma forma que para qualquer parte mais humilde; e todas as casas, na ordem, como para qualquer pessoa vulgar; porque os Reis são terra, e nada mais que homens, e o tempo está chegando no qual, etc.
23.8.07
20.8.07
Considerações antes do julgamento - William Lilly
Como eu havia traduzido um texto do J. Frawley sobre o assunto, aqui vai o que William Lilly tinha a dizer. Está no fim do capítulo XIX, volume I, do Christian Astrology.
CONSIDERAÇÕES antes do Julgamento
Todos os Antigos que escreveram sobre as questões avisam ao Astrológo que, antes que ele dê julgamento, ele considere bem se o mapa é Radical e capaz de ser julgado; a Questão então, deve ser considerada radical, ou apropriada para ser julgada, quando o Senhor da Hora no momento de propor a questão, e erigir o Mapa, e o Senhor do Ascendente forem da mesma Triplicidade, ou da mesma natureza.
Por exemplo, seja o Senhor da Hora Marte; seja o signo ascendendo Escorpião, Câncer ou Peixes, esta Questão é então radical, porque Marte é o Senhor da Hora, e da Triplicidade da Água, ou dos Signos Câncer, Escorpião, ou Peixes.
Novamente, seja Marte o Senhor da Hora, com Áries ascendendo, a Questão é radical, porque Marte é tanto o Senhor da Hora quando do Signo ascendendo.
Seja o Senhor da Hora Marte, e o Signo Leão ascendendo; aqui, embora o Sol seja um dos Senhores da Triplicidade do Fogo, e o Senhor do Signo Leão, mesmo assim, a Questão deve ser julgada, porque o Sol, que é o Senhor do Ascendente, e Marte, que é o Senhor da Hora, são ambos da mesma natureza, ou seja, Quente e Seca.
Quando o grau 00, ou o primeiro ou segundo grau de um Signo, estiver ascendendo (especialmente para Signos de ascensão curta, ou seja, Capricórnio, Aquário, Áries, Touro, Gêmeos), não deves arriscar julgamento, a menos que o Querente seja muito jovem e sua aparência corporal, compleição, ou ainda as verrugas ou cicatrizes de seu corpo, concordem com a qualidade do Signo ascendendo.
Se os graus 27, 28 ou 29 de qualquer Signo estiverem ascendendo, não é de forma nenhuma seguro proferir julgamento, exceto se a idade do Querente, em anos, corresponder ao número de graus ascendendo, ou a menos que o Mapa seja feito em um determinado momento, ou seja, quando um homem partiu ou fugiu em um momento determinado; há a esperança que possas julgar, porque não é uma questão proposta.
Não é seguro julgar quando a Lua estiver nos últimos graus de um Signo, especialmente em Gêmeos, Escorpião ou Capricórnio, ou, como alguns dizem, quando ela estiver na Via Combusta, que é, quando ela estiver nos últimos 15 graus de Libra, ou nos quinze primeiros graus de Escorpião.
Os eventos dificilmente ocorrem, em qualquer tipo de assunto (exceto quando os significadores principais estiverem muito fortes), quando a Lua estiver fora de curso; no entanto, ela, de algum modo, desempenha sua função, se estiver fora de curso em Touro, Câncer, Sagitário ou Peixes.
Também deves cautela quando, em qualquer questão proposta, encontrares a Cúspide da sétima casa afligida, ou o Senhor desta casa Retrógrado, ou em algum impedimento, e o assunto não estiver relacionado com a sétima casa, mas pertencer a qualquer outra casa; isto é um testemunho de que o julgamento do Astrólogo dará pouco contentamento, ou não agradará, ao Querente, pois a sétima casa normalmente significa o Artista.
Os Árabes, como Alkindus e outros, propõem as regras que seguem, como muito apropriadas para serem consideradas antes que uma Questão seja julgada.
Por exemplo, se Saturno estiver no Ascendente, especialmente Retrógrado, o assunto da Questão raramente, ou nunca, ocorre de forma favorável.
Saturno na sétima ou corrompe o julgamento do Astrólogo, ou é um Sinal de que o assunto proposto ira de um infortúnio a outro.
Se o Senhor do Ascendente estiver Combusto, nem a questão proposta ocorrerá, nem o Querente se orientará pelo julgamento.
Se o Senhor da 7ª estiver afligido, ou em sua queda, ou nos Termos dos Infortúnios, o Artista dificilmente fará um julgamento sólido.
Quando os testemunhos da Fortunas e dos Infortúnios forem iguais, abstém-te de julgar; não é possível saber para qual lado a Balança irá pender; guarda tua opinião para ti até que outra questão te informe melhor.
CONSIDERAÇÕES antes do Julgamento
Todos os Antigos que escreveram sobre as questões avisam ao Astrológo que, antes que ele dê julgamento, ele considere bem se o mapa é Radical e capaz de ser julgado; a Questão então, deve ser considerada radical, ou apropriada para ser julgada, quando o Senhor da Hora no momento de propor a questão, e erigir o Mapa, e o Senhor do Ascendente forem da mesma Triplicidade, ou da mesma natureza.
Por exemplo, seja o Senhor da Hora Marte; seja o signo ascendendo Escorpião, Câncer ou Peixes, esta Questão é então radical, porque Marte é o Senhor da Hora, e da Triplicidade da Água, ou dos Signos Câncer, Escorpião, ou Peixes.
Novamente, seja Marte o Senhor da Hora, com Áries ascendendo, a Questão é radical, porque Marte é tanto o Senhor da Hora quando do Signo ascendendo.
Seja o Senhor da Hora Marte, e o Signo Leão ascendendo; aqui, embora o Sol seja um dos Senhores da Triplicidade do Fogo, e o Senhor do Signo Leão, mesmo assim, a Questão deve ser julgada, porque o Sol, que é o Senhor do Ascendente, e Marte, que é o Senhor da Hora, são ambos da mesma natureza, ou seja, Quente e Seca.
Quando o grau 00, ou o primeiro ou segundo grau de um Signo, estiver ascendendo (especialmente para Signos de ascensão curta, ou seja, Capricórnio, Aquário, Áries, Touro, Gêmeos), não deves arriscar julgamento, a menos que o Querente seja muito jovem e sua aparência corporal, compleição, ou ainda as verrugas ou cicatrizes de seu corpo, concordem com a qualidade do Signo ascendendo.
Se os graus 27, 28 ou 29 de qualquer Signo estiverem ascendendo, não é de forma nenhuma seguro proferir julgamento, exceto se a idade do Querente, em anos, corresponder ao número de graus ascendendo, ou a menos que o Mapa seja feito em um determinado momento, ou seja, quando um homem partiu ou fugiu em um momento determinado; há a esperança que possas julgar, porque não é uma questão proposta.
Não é seguro julgar quando a Lua estiver nos últimos graus de um Signo, especialmente em Gêmeos, Escorpião ou Capricórnio, ou, como alguns dizem, quando ela estiver na Via Combusta, que é, quando ela estiver nos últimos 15 graus de Libra, ou nos quinze primeiros graus de Escorpião.
Os eventos dificilmente ocorrem, em qualquer tipo de assunto (exceto quando os significadores principais estiverem muito fortes), quando a Lua estiver fora de curso; no entanto, ela, de algum modo, desempenha sua função, se estiver fora de curso em Touro, Câncer, Sagitário ou Peixes.
Também deves cautela quando, em qualquer questão proposta, encontrares a Cúspide da sétima casa afligida, ou o Senhor desta casa Retrógrado, ou em algum impedimento, e o assunto não estiver relacionado com a sétima casa, mas pertencer a qualquer outra casa; isto é um testemunho de que o julgamento do Astrólogo dará pouco contentamento, ou não agradará, ao Querente, pois a sétima casa normalmente significa o Artista.
Os Árabes, como Alkindus e outros, propõem as regras que seguem, como muito apropriadas para serem consideradas antes que uma Questão seja julgada.
Por exemplo, se Saturno estiver no Ascendente, especialmente Retrógrado, o assunto da Questão raramente, ou nunca, ocorre de forma favorável.
Saturno na sétima ou corrompe o julgamento do Astrólogo, ou é um Sinal de que o assunto proposto ira de um infortúnio a outro.
Se o Senhor do Ascendente estiver Combusto, nem a questão proposta ocorrerá, nem o Querente se orientará pelo julgamento.
Se o Senhor da 7ª estiver afligido, ou em sua queda, ou nos Termos dos Infortúnios, o Artista dificilmente fará um julgamento sólido.
Quando os testemunhos da Fortunas e dos Infortúnios forem iguais, abstém-te de julgar; não é possível saber para qual lado a Balança irá pender; guarda tua opinião para ti até que outra questão te informe melhor.
Christian Astrology, livro I, capítulos VI e VII.
CAPITULO VI.
Sobre as doze Casas do Céu, e alguns nomes ou termos de Astrologia.
A esfera do Céu, considerada em sua totalidade, é dividida em quatro partes iguais pelo Meridiano e pelo Horizonte, formando quatro quadrantes, e cada quadrante, por sua vez, é dividido em três partes, de acordo com os outros Círculos estabelecidos a partir de pontos de Seções do Meridiano e do Horizonte, mencionados acima, de modo que o Céu inteiro é dividido em doze partes iguais, que os Astrólogos chamam de Casas ou Mansões, considerando seu começo a partir do Leste.
O primeiro Quadrante é descrito do Leste ao Meio-Céu, ou da linha da primeira casa à linha da décima casa, e contém a décima segunda casa, a décima primeira e a décima; é chamado de quarto Oriental, Vernal, Masculino, Sanguíneo e Infante.
O segundo Quadrante vai da Cúspide do Meio-Céu à cúspide da sétima casa, contendo a nona, a oitava e a sétima casa, e é chamado de quarto Meridiano, Estival, Feminino, Jovem e Colérico.
O terceiro Quadrante vai da cúspide da sétima casa até a cúspide da quarta casa, e contém a sexta, a quinta e a quarta casa; é chamado de quarto Ocidental, Outonal, Masculino, Melancólico, Adulto, frio e seco.
O quarto Quadrante vai da cúspide da quarta à cúspide da primeira casa, e contém a terceira, a segunda e a primeira casa; é Norte, Feminino, Ancião, da natureza do Inverno, Fleumático.
A primeira casa, a décima, a sétima e a quarta são chamadas de ângulos, a décima primeira, segunda, oitava e quinta são chamadas de Sucedentes e a terceira, a nona, a sexta e a décima segunda são chamadas de Cadentes.
Os Ângulos são as mais poderosas, as Sucedentes lhes seguem em virtude e as Cadentes são pobres e de pouca eficácia:
As casas sucedentes seguem os Ângulos, as Cadentes vêm após as Sucedentes; em força e em virtude elas estão na seguinte ordem:
1 10 7 4 11 5 9 3 2 8 6 12
O significado disso é o seguinte: se dois Planetas estiverem igualmente dignificados, um no Ascendente, o outro na décima casa, deves julgar que o Planeta no Ascendente está com um pouco mais de força para causar o efeito do que ele Significa, do que o que está na décima:
Age da mesma forma no restante, do modo em que estão ordenadas, lembrando que Planetas em Ângulos de forma mais imperiosa mostram seus efeitos.
Quando dizemos o Senhor do Ascendente, ou Significador do querente, ou coisa da qual se pergunta, não queremos dizer outra coisa além do Planeta que é o Senhor do Signo que está ascendendo, ou Senhor do Signo de cuja casa a coisa demandada é perguntável; com relação à sétima casa, o Senhor daquele signo que esteja descendendo na sua cúspide é o Significador, e assim se dá com o resto, mas falaremos mais sobre isso nos Julgamentos a seguir.
Co-Significador é quando encontrares outro Planeta em aspecto ou conjunção com o Planeta que é o significador principal; este Planeta mencionado deve ter uma significação, maior ou menor, e auxiliar, ou não, na execução da coisa desejada; e assim, terá algo a ver com o julgamento, e deverá ser considerado: se for um Planeta amigável, ele significa o bem; se for um infortúnio, o contrário, ou seja, ou a destruição da coisa, ou perturbação em seus assuntos.
O Almútem de qualquer casa é o Planeta que tem o maior número de dignidades no signo que ascende ou descende na Cúspide de qualquer casa, da qual, ou a partir da qual, extrairás seu julgamento.
O Almútem de um Mapa é o Planeta que estiver mais forte em dignidades Essenciais e Acidentais, entre todos os do Esquema do Céu.
A Cabeça do Dragão, às vezes denominamos Anabibazon.
A Cauda do Dragão Catabibazon.
A Longitude de um Planeta é a sua distância do começo de Áries, numerada de acordo com a sucessão dos signos, até o lugar do Planeta.
Latitude é a distância de um Planeta da Eclíptica, tanto em direção ao Norte quanto em Direção ao Sul, motivo pelo qual dizemos que um Planeta tem Latitude Setentrional ou Meridional, quando ele se afasta da Eclíptica em direção ao Norte ou ao Sul
Somente o Sol se move continuamente na Eclíptica, e nunca tem latitude nenhuma.
A Declinação de um Planeta é a sua distância a partir do Equador, e à medida que ele declina em direção ao Sul ou ao Norte, ele é denominado do Norte ou do Sul.
CAPÍTULO VII.
Sobre as doze Casas, sua Natureza e sua Significação.
Já dissemos, anteriormente, que há doze signos e também doze Casas do Céu; agora, então, chegou o momento de relacionar a natureza destas doze casas, cujo conhecimento exato é tão necessário, que aquele que aprender a natureza dos Planetas e Signos sem o julgamento exato das Casas, é como um homem imprevidente, que adquiriu uma variedade de mobílias e móveis para casas, mas não tem onde as colocar.
Não há nada relacionado à vida do homem neste mundo que não tenha relação, de um modo ou de outro, com as doze Casas do Céu, e, assim como os doze signos são próprios de cada um dos membros do corpo do homem em particular, também as doze casas não somente representam as diversas partes do homem, mas suas ações, qualidade de sua vida e de seu viver, e a curiosidade e o julgamento de nossos Pais Antigos em relação à Astrologia foi de tal forma, que ele determinaram a cada casa uma significação particular, e assim distinguiram os acidentes distribuídos pelas doze casas, de modo que quem compreende as Questões relacionadas a cada uma delas, não sentirá falta de bases suficientes a partir das quais julgar ou apresentar uma resposta racional sobre qualquer acidente contingente, e seus sucessos posteriores.
Sobre a Primeira Casa e Sua Significação.
A primeira casa contém toda a parte do Céu da linha onde está o número um, até o número dois, onde começa a segunda casa.
Ela tem a significação da vida do homem, da estatura, cor, complexão, forma e figura daquele que propõe a Questão, ou nasce; em Eclipses e grandes Conjunções e com relação ao ingresso anual do Sol em Áries, ele significa o povo comum, ou o Estado geral do Reino para o qual o mapa é feito.
E como ela é a primeira casa, ela representa a cabeça e a face do homem, de modo que se Saturno, Marte ou o Nodo Sul estiverem nesta casa, no momento da Questão, ou no momento do nascimento, deves observar alguma marca na face, ou no membro apropriado ao signo que estiver, então, na cúspide desta casa: por exemplo, se Áries estiver no Ascendente, a marca, verruga ou cicatriz é, sem erro, na cabeça ou na face, e se em poucos graus do signo ascendendo, a marca será na parte superior da cabeça; se estiver no meio do signo que estiver na cúspide, a verruga, marca ou cicatriz estará no meio da face, ou perto dela; se estiver nos últimos graus ascendendo, a face será marcada perto do queixo, na direção do pescoço. Eu confirmei que isso é verdade em centenas de exemplos.
Das cores, ela tem o Branco; ou seja, se um Planeta que possuir significações de branco estiver nesta casa, a compleição do significado será mais pálida, branca e esmaecida; ou, se inquirires sobre a cor das roupas de algum homem, se seu significador estiver na primeira casa, e em um signo correspondente, o vestuário do significado será branco ou cinza, ou de algum modo próximo a esta cor; do mesmo modo, se a Questão for sobre gado, quando os seus significadores estiverem nesta casa, eles denotam que ele será desta cor, ou de uma cor próxima. A casa é Masculina.
Os Co-significadores desta casa são Áries e Saturno, pois, como esta casa é a primeira casa, da mesma forma Áries é o primeiro signo, e Saturno o primeiro dos Planetas, e portanto, quando Saturno estiver, ao menos, moderadamente bem fortificado, nesta casa, e em aspecto benevolente com Júpiter, Vênus, o Sol ou a Lua, ele promete uma constituição boa e sóbria do corpo, e normalmente vida longa. Mercúrio também tem seu júbilo nesta casa, porque ela significa a Cabeça, e ele a Língua, a Imaginação e a Memória; quando ele está bem dignificado e bem posicionado nesta casa, ele produz bons oradores Ela é chamada de Ascendente, porque quando o Sol chega à cúspide desta casa, ele ascende, ou seja, surge no Céu, e se torna visível no nosso Horizonte.
Questões relacionadas à segunda casa
A partir desta casa se requer julgamentos relacionados às posses ou à fortuna de quem faz a pergunta, ou à sua Riqueza ou Pobreza, a todos os Bens removíveis, ao Dinheiro emprestado, ao Lucro ou jogo, à perda ou ao dano; em processos de Lei, ela significa os Amigos ou Assistentes do homem; em duelos privados, o Preposto do Querente; em um Eclipse ou Grande Conjunção, a pobreza ou Abastança do povo; no ingresso do Sol em Áries, ela representa a Munição, os Aliados e o Suporte que a Comunidade deverá fornecer; ela significa suas reservas bélicas.
No homem, ela representa o pescoço e suas partes traseiras em direção aos ombros; das cores, ela representa o verde.
Assim, se alguém inquirir acerca de qualquer coisa especificada acima para esta casa, deves procurar por significação a partir dela. É uma casa feminina e Sucedente, chamada em alguns Autores Latinos de Anaphora.
Ela tem os Co-significadores Júpiter e Touro; então, se Júpiter estiver nesta casa, ou for o Senhor dela, temos um testemunho de riqueza ou fortuna; O Sol e Marte nunca estão bem posicionados nesta casa, qualquer um dos dois mostra dispersão de substância, de acordo com a capacidade e a qualidade de quem tiver nascido, ou tiver feito as perguntas.
A Terceira Casa
Tem a significação de Irmãos, Irmãs, Primos e Familiares, Vizinhos, Viagens pequenas ou Viagens ao interior, mudanças freqüentes de um lugar para outro, Cartas, Epístolas, Rumores, Mensageiros; ela rege os Ombros, os Braços, as Mãos e os Dedos.
Das cores, ela governa o Vermelho e o Amarelo, ou a cor do açafrão selvagem (laranja-amarelado), ou da canela. Ela tem como Co-Significadores Gêmeos, como Signo, Marte, como Planeta, o que é uma razão pela qual Marte, nesta casa, a menos que esteja unido com Saturno, não é muito infortunado; ela é uma casa Cadente, e é o júbilo da Lua; assim, se ela estiver posicionada nesta casa, especialmente em um signo móvel, temos um testemunho de muitas viagens, andanças, caminhadas trotes e marchas, ou de ficar pouco tempo quieto. A casa é Masculina.
A Quarta Casa.
Dá julgamento sobre os Pais em geral e sempre do Pai de quem pergunta, ou de quem nasce; sobre Terras, Casas, Moradias, Heranças, Lavoura da Terra, Tesouros escondidos, a determinação ou fim de qualquer coisa; Cidades, Vilas ou Castelos, sitiados ou não, todas as Moradas antigas, Jardins, Campos, Pastagens, Pomares, a qualidade e a natureza dos solos que se adquire, Vinhedos, Milharais, etc., e se a terra será Arbórea, Pedregosa, ou estéril.
O Signo da quarta denota a Cidade, o Senhor do Signo, o Governador; ela rege o Peito e os Pulmões.
Das cores, o Vermelho. Seu Co-significador é Câncer, e dos Planetas, o Sol; nós a chamamos de o Ângulo da Terra, ou Imum Coeli [Fundo do Céu]; ela é feminina e o Ângulo do Norte; em Natividades ou Questões, esta quarta casa representa os Pais, assim como o Sol durante o dia e Saturno, à noite; no entanto, se o Sol estiver localizado nesta casa, ele não será um infortúnio, mas na verdade aponta que o Pai será de uma disposição nobre, etc.
A Quinta Casa.
Por esta casa, julgamos sobre Crianças, Embaixadores, sobre o estado de uma Mulher grávida, sobre Banquetes, Tavernas, Casas de Bebidas, Jogos, Mensageiros ou Agentes a serviço da República; sobre a riqueza do Pai, a Munição de uma Cidade sitiada; se a Mulher grávida dará à luz um menino ou uma menina; sobre a saúde ou doença do Filho ou Filha de quem fez a Questão.
Ela rege o Estômago, o Fígado, o Coração, os Lados e as Costas, e é masculina.
Das cores, ela rege o Preto e o Branco, ou a cor do Mel, e é uma casa Sucedente. Seus Co-Significadores são Leão e Vênus, que tem seu júbilo nesta casa; portanto, é a casa do Prazer, do Deleite e da Alegria, é completamente afligida por Marte ou Saturno, e eles, posicionados nela, mostram crianças desobedientes, inconvenientes e desagradáveis.
A Sexta Casa.
Ela está relacionada com Servos, Serventes Domésticas, Escravos das Galés, Porcos, Ovelhas, Lebres, Coelhos, todos os tipos de Gado pequeno, e com lucros e perdas advindos destas; Enfermidades, suas qualidades e causas, o principal humor prejudicado, se a doença será longa ou curta; Trabalhadores diurnos, Inquilinos, Fazendeiros, Pastores de Ovelhas, de Porcos, de Gado doméstico pequeno; ela significa Tios, ou os Irmãos e Irmãs do Pai.
Ela rege a parte inferior da Barriga, e os intestinos até o Traseiro; esta casa é uma casa Feminina e Cadente, infortunada, uma vez que não faz aspecto com o Ascendente.
Das cores, as cores negras; Marte tem o seu júbilo nesta casa, mas seus Co-Significadores são Virgem, dos Signos, e Mercúrio, dos Planetas; é comum encontrarmos que Marte e Vênus em Conjunção, nesta casa, são testemunhos de um bom Médico.
A Sétima Casa.
Ela concede julgamento do Casamento, e descreve a pessoa sobre a qual se pergunta, se é Homem ou Mulher, todos os tipos de questões de Amor, nossos inimigos públicos, o Defensor em um processo de Lei; na Guerra, o Partido oposto; todas as disputas, Duelos, Processos Legais; na Astrologia, o próprio Astrólogo; na Medicina, o Médico; Ladrões e Roubos; a pessoa que roubou, se ela é Homem ou Mulher; Esposas; Pessoas Amadas, sua forma, descrição, condição, de nascimento Nobre ou ignóbil; no ingresso Annual, se podemos esperar Guerra ou Paz; da Vitória, quem sobrepuja, e quem perde; Fugitivos; Foras-da-Lei e Banidos.
Ela tem Libra e a Lua como co-significadores; Saturno ou Marte afligidos nesta casa mostram infortúnio no Casamento.
Das Cores, uma cor escura e Negra.
Ela rege as Coxas, e do Umbigo às Nádegas; é chamada de Ângulo do Oeste e é Masculina.
A Oitava Casa.
As Propriedades de Homens falecidos, Morte, sua qualidade e natureza; o Testamento, o Legado e as Vontades de Homens falecidos; Dote da Esposa, Porção da Donzela, se grande ou pequena, se fácil de ser obtida ou apenas com dificuldade.
Em duelos, representa o Preposto do Adversário; em Processos Legais, os amigos do Defensor.
Que tipo de Morte um homem terá; ela significa medo e angústia mental. Quem será o herdeiro ou desfrutará da herança do Morto.
Ela rege as Partes Pudendas. Das cores, o verde e Negro.
Ele possui Escorpião, dos Signos, como Co-Significador, e Saturno; as Hemorróidas, a Pedra na Vesícula, Incontinência Urinária e Ardume ao Urinar, Venenos e a Bexiga são regidos por esta casa; é uma casa Sucedente, e Feminina.
A Nona Casa.
Através desta Casa damos julgamento de Viagens longas ou Jornadas que atravessem o mar; de Religiosos, ou Clérigos de qualquer tipo, sejam Bispos ou Ministros inferiores; Sonhos, Visões, Países estrangeiros; de Livros, Aprendizado; dos Ganhos, Benefícios e Direitos de Nomeação Eclesiais; da família da Esposa, e das Esposas dos familiares.
Das cores ela tem o Verde e o Branco.
Do corpo humano, ela rege o Traseiro, os Quadris e as Coxas; Sagitário e Júpiter são os co-significadores desta Casa, pois se Júpiter estiver localizado nela, ele naturalmente significará um homem devoto em sua Religião, ou um de maneiras modestas; eu muitas vezes observei que quando a Cauda do Dragão, Marte, ou Saturno estiverem localizados e afligidos nesta casa, o Querente será pouco mais do que um Ateu ou um desesperado Sectarista. O Sol tem o seu júbilo nesta Casa, que é Masculina e Cadente.
A Décima Casa.
Ela normalmente representa Reis, Príncipes, Duques, Deões, Primeiros-Ministros, Comandantes-em-Chefe, tanto de Exércitos quanto de Cidades; todos os Tipos de Magistratura e Oficiais de Autoridade, Mães, Honra, Privilégio, Dignidade, Ofício, Advogados; a profissão ou Atividade que se pratica; ela significa Reinos, Impérios, Ducados, Países.
Das cores, ela tem o Vermelho e o Branco, e rege os joelhos e a parte traseira das coxas.
É chamada de Medium coeli [Meio do Céu], ou Meio-Céu e é Feminina. Seus Co-Significadores são Capricórnio e Marte; tanto Júpiter quanto o Sol são bastante afortunados nesta Casa, quando nela estão posicionados; Saturno, ou o Nodo Sul, normalmente negam a Honra, como a pessoas de qualidade, mas de pouca estima no mundo, aos olhos do vulgo, sem muita alegria em sua Profissão, Atividade ou Mistério, é um Mecânico.
A Décima Primeira Casa.
Ela naturalmente representa os Amigos e a Amizade, Esperança, Confiança, Segurança, o Louvor ou a Depreciação de alguém, a Fidelidade ou a Falsidade dos Amigos; em relação aos Reis, ela representa seus Favoritos, seus Conselheiros, seu Servos, seus Associados ou Aliados, seu Dinheiro, suas Finanças, seu Tesouro; na Guerra, sua Munição e Soldados; ela representa os Cortesãos, etc; em uma Comunidade governada por poucos Nobres e Comuns, ela representa sua assistência no Conselho: como em Londres, a décima Casa representa o Lorde Prefeito, a décima primeira o conselho dos Comuns; o Ascendente, a generalidade dos comuns desta Cidade.
Dos Membros, ela rege as pernas até os tornozelos. Das cores, ela rege o Açafrão ou o Amarelo.
Ela tem como co-significadores Aquário, dos signos, e Sol, dos planetas; Júpiter tem o seu júbilo nesta casa; é uma casa Sucedente, Masculina, e em virtude é equivalente tanto à sétima quanto à quarta Casas.
A Décima Segunda Casa.
Ela tem a significação dos Inimigos privados, das Bruxas, do gado Grande, como Cavalos, Bois, Elefantes, etc., Tristeza, Tribulação, Prisões, todas as formas de aflição, males auto-inflingidos. Etc. e de homens que maliciosamente prejudicam seus vizinhos, secretamente os delatam ou informam seus segredos às autoridades.
Ela tem como co-significadores Peixes e Vênus; Saturno tem o seu Júbilo nesta casa, porque naturalmente Saturno é o autor do Malfeito, e ela rege, no corpo humano, os pés.
Na Cor ela apresenta o Verde.
É uma casa Cadente, Feminina, e chamada, às vezes, vulgarmente, Cataphora, o que na verdade é um nome que serve a todas as Casas Cadentes.
Este é o Caráter verdadeiro das diversas Casas, de acordo com a Doutrina Ptolomaica e a minha própria experiência de alguns anos. Eu devo confessor que os Árabes realizaram diversas outras divisões das Casas, mas eu nunca, em minha prática, encontrei nenhuma verdade nestas divisões, e portanto delas nada digo.
Sobre as doze Casas do Céu, e alguns nomes ou termos de Astrologia.
A esfera do Céu, considerada em sua totalidade, é dividida em quatro partes iguais pelo Meridiano e pelo Horizonte, formando quatro quadrantes, e cada quadrante, por sua vez, é dividido em três partes, de acordo com os outros Círculos estabelecidos a partir de pontos de Seções do Meridiano e do Horizonte, mencionados acima, de modo que o Céu inteiro é dividido em doze partes iguais, que os Astrólogos chamam de Casas ou Mansões, considerando seu começo a partir do Leste.
O primeiro Quadrante é descrito do Leste ao Meio-Céu, ou da linha da primeira casa à linha da décima casa, e contém a décima segunda casa, a décima primeira e a décima; é chamado de quarto Oriental, Vernal, Masculino, Sanguíneo e Infante.
O segundo Quadrante vai da Cúspide do Meio-Céu à cúspide da sétima casa, contendo a nona, a oitava e a sétima casa, e é chamado de quarto Meridiano, Estival, Feminino, Jovem e Colérico.
O terceiro Quadrante vai da cúspide da sétima casa até a cúspide da quarta casa, e contém a sexta, a quinta e a quarta casa; é chamado de quarto Ocidental, Outonal, Masculino, Melancólico, Adulto, frio e seco.
O quarto Quadrante vai da cúspide da quarta à cúspide da primeira casa, e contém a terceira, a segunda e a primeira casa; é Norte, Feminino, Ancião, da natureza do Inverno, Fleumático.
A primeira casa, a décima, a sétima e a quarta são chamadas de ângulos, a décima primeira, segunda, oitava e quinta são chamadas de Sucedentes e a terceira, a nona, a sexta e a décima segunda são chamadas de Cadentes.
Os Ângulos são as mais poderosas, as Sucedentes lhes seguem em virtude e as Cadentes são pobres e de pouca eficácia:
As casas sucedentes seguem os Ângulos, as Cadentes vêm após as Sucedentes; em força e em virtude elas estão na seguinte ordem:
1 10 7 4 11 5 9 3 2 8 6 12
O significado disso é o seguinte: se dois Planetas estiverem igualmente dignificados, um no Ascendente, o outro na décima casa, deves julgar que o Planeta no Ascendente está com um pouco mais de força para causar o efeito do que ele Significa, do que o que está na décima:
Age da mesma forma no restante, do modo em que estão ordenadas, lembrando que Planetas em Ângulos de forma mais imperiosa mostram seus efeitos.
Quando dizemos o Senhor do Ascendente, ou Significador do querente, ou coisa da qual se pergunta, não queremos dizer outra coisa além do Planeta que é o Senhor do Signo que está ascendendo, ou Senhor do Signo de cuja casa a coisa demandada é perguntável; com relação à sétima casa, o Senhor daquele signo que esteja descendendo na sua cúspide é o Significador, e assim se dá com o resto, mas falaremos mais sobre isso nos Julgamentos a seguir.
Co-Significador é quando encontrares outro Planeta em aspecto ou conjunção com o Planeta que é o significador principal; este Planeta mencionado deve ter uma significação, maior ou menor, e auxiliar, ou não, na execução da coisa desejada; e assim, terá algo a ver com o julgamento, e deverá ser considerado: se for um Planeta amigável, ele significa o bem; se for um infortúnio, o contrário, ou seja, ou a destruição da coisa, ou perturbação em seus assuntos.
O Almútem de qualquer casa é o Planeta que tem o maior número de dignidades no signo que ascende ou descende na Cúspide de qualquer casa, da qual, ou a partir da qual, extrairás seu julgamento.
O Almútem de um Mapa é o Planeta que estiver mais forte em dignidades Essenciais e Acidentais, entre todos os do Esquema do Céu.
A Cabeça do Dragão, às vezes denominamos Anabibazon.
A Cauda do Dragão Catabibazon.
A Longitude de um Planeta é a sua distância do começo de Áries, numerada de acordo com a sucessão dos signos, até o lugar do Planeta.
Latitude é a distância de um Planeta da Eclíptica, tanto em direção ao Norte quanto em Direção ao Sul, motivo pelo qual dizemos que um Planeta tem Latitude Setentrional ou Meridional, quando ele se afasta da Eclíptica em direção ao Norte ou ao Sul
Somente o Sol se move continuamente na Eclíptica, e nunca tem latitude nenhuma.
A Declinação de um Planeta é a sua distância a partir do Equador, e à medida que ele declina em direção ao Sul ou ao Norte, ele é denominado do Norte ou do Sul.
CAPÍTULO VII.
Sobre as doze Casas, sua Natureza e sua Significação.
Já dissemos, anteriormente, que há doze signos e também doze Casas do Céu; agora, então, chegou o momento de relacionar a natureza destas doze casas, cujo conhecimento exato é tão necessário, que aquele que aprender a natureza dos Planetas e Signos sem o julgamento exato das Casas, é como um homem imprevidente, que adquiriu uma variedade de mobílias e móveis para casas, mas não tem onde as colocar.
Não há nada relacionado à vida do homem neste mundo que não tenha relação, de um modo ou de outro, com as doze Casas do Céu, e, assim como os doze signos são próprios de cada um dos membros do corpo do homem em particular, também as doze casas não somente representam as diversas partes do homem, mas suas ações, qualidade de sua vida e de seu viver, e a curiosidade e o julgamento de nossos Pais Antigos em relação à Astrologia foi de tal forma, que ele determinaram a cada casa uma significação particular, e assim distinguiram os acidentes distribuídos pelas doze casas, de modo que quem compreende as Questões relacionadas a cada uma delas, não sentirá falta de bases suficientes a partir das quais julgar ou apresentar uma resposta racional sobre qualquer acidente contingente, e seus sucessos posteriores.
Sobre a Primeira Casa e Sua Significação.
A primeira casa contém toda a parte do Céu da linha onde está o número um, até o número dois, onde começa a segunda casa.
Ela tem a significação da vida do homem, da estatura, cor, complexão, forma e figura daquele que propõe a Questão, ou nasce; em Eclipses e grandes Conjunções e com relação ao ingresso anual do Sol em Áries, ele significa o povo comum, ou o Estado geral do Reino para o qual o mapa é feito.
E como ela é a primeira casa, ela representa a cabeça e a face do homem, de modo que se Saturno, Marte ou o Nodo Sul estiverem nesta casa, no momento da Questão, ou no momento do nascimento, deves observar alguma marca na face, ou no membro apropriado ao signo que estiver, então, na cúspide desta casa: por exemplo, se Áries estiver no Ascendente, a marca, verruga ou cicatriz é, sem erro, na cabeça ou na face, e se em poucos graus do signo ascendendo, a marca será na parte superior da cabeça; se estiver no meio do signo que estiver na cúspide, a verruga, marca ou cicatriz estará no meio da face, ou perto dela; se estiver nos últimos graus ascendendo, a face será marcada perto do queixo, na direção do pescoço. Eu confirmei que isso é verdade em centenas de exemplos.
Das cores, ela tem o Branco; ou seja, se um Planeta que possuir significações de branco estiver nesta casa, a compleição do significado será mais pálida, branca e esmaecida; ou, se inquirires sobre a cor das roupas de algum homem, se seu significador estiver na primeira casa, e em um signo correspondente, o vestuário do significado será branco ou cinza, ou de algum modo próximo a esta cor; do mesmo modo, se a Questão for sobre gado, quando os seus significadores estiverem nesta casa, eles denotam que ele será desta cor, ou de uma cor próxima. A casa é Masculina.
Os Co-significadores desta casa são Áries e Saturno, pois, como esta casa é a primeira casa, da mesma forma Áries é o primeiro signo, e Saturno o primeiro dos Planetas, e portanto, quando Saturno estiver, ao menos, moderadamente bem fortificado, nesta casa, e em aspecto benevolente com Júpiter, Vênus, o Sol ou a Lua, ele promete uma constituição boa e sóbria do corpo, e normalmente vida longa. Mercúrio também tem seu júbilo nesta casa, porque ela significa a Cabeça, e ele a Língua, a Imaginação e a Memória; quando ele está bem dignificado e bem posicionado nesta casa, ele produz bons oradores Ela é chamada de Ascendente, porque quando o Sol chega à cúspide desta casa, ele ascende, ou seja, surge no Céu, e se torna visível no nosso Horizonte.
Questões relacionadas à segunda casa
A partir desta casa se requer julgamentos relacionados às posses ou à fortuna de quem faz a pergunta, ou à sua Riqueza ou Pobreza, a todos os Bens removíveis, ao Dinheiro emprestado, ao Lucro ou jogo, à perda ou ao dano; em processos de Lei, ela significa os Amigos ou Assistentes do homem; em duelos privados, o Preposto do Querente; em um Eclipse ou Grande Conjunção, a pobreza ou Abastança do povo; no ingresso do Sol em Áries, ela representa a Munição, os Aliados e o Suporte que a Comunidade deverá fornecer; ela significa suas reservas bélicas.
No homem, ela representa o pescoço e suas partes traseiras em direção aos ombros; das cores, ela representa o verde.
Assim, se alguém inquirir acerca de qualquer coisa especificada acima para esta casa, deves procurar por significação a partir dela. É uma casa feminina e Sucedente, chamada em alguns Autores Latinos de Anaphora.
Ela tem os Co-significadores Júpiter e Touro; então, se Júpiter estiver nesta casa, ou for o Senhor dela, temos um testemunho de riqueza ou fortuna; O Sol e Marte nunca estão bem posicionados nesta casa, qualquer um dos dois mostra dispersão de substância, de acordo com a capacidade e a qualidade de quem tiver nascido, ou tiver feito as perguntas.
A Terceira Casa
Tem a significação de Irmãos, Irmãs, Primos e Familiares, Vizinhos, Viagens pequenas ou Viagens ao interior, mudanças freqüentes de um lugar para outro, Cartas, Epístolas, Rumores, Mensageiros; ela rege os Ombros, os Braços, as Mãos e os Dedos.
Das cores, ela governa o Vermelho e o Amarelo, ou a cor do açafrão selvagem (laranja-amarelado), ou da canela. Ela tem como Co-Significadores Gêmeos, como Signo, Marte, como Planeta, o que é uma razão pela qual Marte, nesta casa, a menos que esteja unido com Saturno, não é muito infortunado; ela é uma casa Cadente, e é o júbilo da Lua; assim, se ela estiver posicionada nesta casa, especialmente em um signo móvel, temos um testemunho de muitas viagens, andanças, caminhadas trotes e marchas, ou de ficar pouco tempo quieto. A casa é Masculina.
A Quarta Casa.
Dá julgamento sobre os Pais em geral e sempre do Pai de quem pergunta, ou de quem nasce; sobre Terras, Casas, Moradias, Heranças, Lavoura da Terra, Tesouros escondidos, a determinação ou fim de qualquer coisa; Cidades, Vilas ou Castelos, sitiados ou não, todas as Moradas antigas, Jardins, Campos, Pastagens, Pomares, a qualidade e a natureza dos solos que se adquire, Vinhedos, Milharais, etc., e se a terra será Arbórea, Pedregosa, ou estéril.
O Signo da quarta denota a Cidade, o Senhor do Signo, o Governador; ela rege o Peito e os Pulmões.
Das cores, o Vermelho. Seu Co-significador é Câncer, e dos Planetas, o Sol; nós a chamamos de o Ângulo da Terra, ou Imum Coeli [Fundo do Céu]; ela é feminina e o Ângulo do Norte; em Natividades ou Questões, esta quarta casa representa os Pais, assim como o Sol durante o dia e Saturno, à noite; no entanto, se o Sol estiver localizado nesta casa, ele não será um infortúnio, mas na verdade aponta que o Pai será de uma disposição nobre, etc.
A Quinta Casa.
Por esta casa, julgamos sobre Crianças, Embaixadores, sobre o estado de uma Mulher grávida, sobre Banquetes, Tavernas, Casas de Bebidas, Jogos, Mensageiros ou Agentes a serviço da República; sobre a riqueza do Pai, a Munição de uma Cidade sitiada; se a Mulher grávida dará à luz um menino ou uma menina; sobre a saúde ou doença do Filho ou Filha de quem fez a Questão.
Ela rege o Estômago, o Fígado, o Coração, os Lados e as Costas, e é masculina.
Das cores, ela rege o Preto e o Branco, ou a cor do Mel, e é uma casa Sucedente. Seus Co-Significadores são Leão e Vênus, que tem seu júbilo nesta casa; portanto, é a casa do Prazer, do Deleite e da Alegria, é completamente afligida por Marte ou Saturno, e eles, posicionados nela, mostram crianças desobedientes, inconvenientes e desagradáveis.
A Sexta Casa.
Ela está relacionada com Servos, Serventes Domésticas, Escravos das Galés, Porcos, Ovelhas, Lebres, Coelhos, todos os tipos de Gado pequeno, e com lucros e perdas advindos destas; Enfermidades, suas qualidades e causas, o principal humor prejudicado, se a doença será longa ou curta; Trabalhadores diurnos, Inquilinos, Fazendeiros, Pastores de Ovelhas, de Porcos, de Gado doméstico pequeno; ela significa Tios, ou os Irmãos e Irmãs do Pai.
Ela rege a parte inferior da Barriga, e os intestinos até o Traseiro; esta casa é uma casa Feminina e Cadente, infortunada, uma vez que não faz aspecto com o Ascendente.
Das cores, as cores negras; Marte tem o seu júbilo nesta casa, mas seus Co-Significadores são Virgem, dos Signos, e Mercúrio, dos Planetas; é comum encontrarmos que Marte e Vênus em Conjunção, nesta casa, são testemunhos de um bom Médico.
A Sétima Casa.
Ela concede julgamento do Casamento, e descreve a pessoa sobre a qual se pergunta, se é Homem ou Mulher, todos os tipos de questões de Amor, nossos inimigos públicos, o Defensor em um processo de Lei; na Guerra, o Partido oposto; todas as disputas, Duelos, Processos Legais; na Astrologia, o próprio Astrólogo; na Medicina, o Médico; Ladrões e Roubos; a pessoa que roubou, se ela é Homem ou Mulher; Esposas; Pessoas Amadas, sua forma, descrição, condição, de nascimento Nobre ou ignóbil; no ingresso Annual, se podemos esperar Guerra ou Paz; da Vitória, quem sobrepuja, e quem perde; Fugitivos; Foras-da-Lei e Banidos.
Ela tem Libra e a Lua como co-significadores; Saturno ou Marte afligidos nesta casa mostram infortúnio no Casamento.
Das Cores, uma cor escura e Negra.
Ela rege as Coxas, e do Umbigo às Nádegas; é chamada de Ângulo do Oeste e é Masculina.
A Oitava Casa.
As Propriedades de Homens falecidos, Morte, sua qualidade e natureza; o Testamento, o Legado e as Vontades de Homens falecidos; Dote da Esposa, Porção da Donzela, se grande ou pequena, se fácil de ser obtida ou apenas com dificuldade.
Em duelos, representa o Preposto do Adversário; em Processos Legais, os amigos do Defensor.
Que tipo de Morte um homem terá; ela significa medo e angústia mental. Quem será o herdeiro ou desfrutará da herança do Morto.
Ela rege as Partes Pudendas. Das cores, o verde e Negro.
Ele possui Escorpião, dos Signos, como Co-Significador, e Saturno; as Hemorróidas, a Pedra na Vesícula, Incontinência Urinária e Ardume ao Urinar, Venenos e a Bexiga são regidos por esta casa; é uma casa Sucedente, e Feminina.
A Nona Casa.
Através desta Casa damos julgamento de Viagens longas ou Jornadas que atravessem o mar; de Religiosos, ou Clérigos de qualquer tipo, sejam Bispos ou Ministros inferiores; Sonhos, Visões, Países estrangeiros; de Livros, Aprendizado; dos Ganhos, Benefícios e Direitos de Nomeação Eclesiais; da família da Esposa, e das Esposas dos familiares.
Das cores ela tem o Verde e o Branco.
Do corpo humano, ela rege o Traseiro, os Quadris e as Coxas; Sagitário e Júpiter são os co-significadores desta Casa, pois se Júpiter estiver localizado nela, ele naturalmente significará um homem devoto em sua Religião, ou um de maneiras modestas; eu muitas vezes observei que quando a Cauda do Dragão, Marte, ou Saturno estiverem localizados e afligidos nesta casa, o Querente será pouco mais do que um Ateu ou um desesperado Sectarista. O Sol tem o seu júbilo nesta Casa, que é Masculina e Cadente.
A Décima Casa.
Ela normalmente representa Reis, Príncipes, Duques, Deões, Primeiros-Ministros, Comandantes-em-Chefe, tanto de Exércitos quanto de Cidades; todos os Tipos de Magistratura e Oficiais de Autoridade, Mães, Honra, Privilégio, Dignidade, Ofício, Advogados; a profissão ou Atividade que se pratica; ela significa Reinos, Impérios, Ducados, Países.
Das cores, ela tem o Vermelho e o Branco, e rege os joelhos e a parte traseira das coxas.
É chamada de Medium coeli [Meio do Céu], ou Meio-Céu e é Feminina. Seus Co-Significadores são Capricórnio e Marte; tanto Júpiter quanto o Sol são bastante afortunados nesta Casa, quando nela estão posicionados; Saturno, ou o Nodo Sul, normalmente negam a Honra, como a pessoas de qualidade, mas de pouca estima no mundo, aos olhos do vulgo, sem muita alegria em sua Profissão, Atividade ou Mistério, é um Mecânico.
A Décima Primeira Casa.
Ela naturalmente representa os Amigos e a Amizade, Esperança, Confiança, Segurança, o Louvor ou a Depreciação de alguém, a Fidelidade ou a Falsidade dos Amigos; em relação aos Reis, ela representa seus Favoritos, seus Conselheiros, seu Servos, seus Associados ou Aliados, seu Dinheiro, suas Finanças, seu Tesouro; na Guerra, sua Munição e Soldados; ela representa os Cortesãos, etc; em uma Comunidade governada por poucos Nobres e Comuns, ela representa sua assistência no Conselho: como em Londres, a décima Casa representa o Lorde Prefeito, a décima primeira o conselho dos Comuns; o Ascendente, a generalidade dos comuns desta Cidade.
Dos Membros, ela rege as pernas até os tornozelos. Das cores, ela rege o Açafrão ou o Amarelo.
Ela tem como co-significadores Aquário, dos signos, e Sol, dos planetas; Júpiter tem o seu júbilo nesta casa; é uma casa Sucedente, Masculina, e em virtude é equivalente tanto à sétima quanto à quarta Casas.
A Décima Segunda Casa.
Ela tem a significação dos Inimigos privados, das Bruxas, do gado Grande, como Cavalos, Bois, Elefantes, etc., Tristeza, Tribulação, Prisões, todas as formas de aflição, males auto-inflingidos. Etc. e de homens que maliciosamente prejudicam seus vizinhos, secretamente os delatam ou informam seus segredos às autoridades.
Ela tem como co-significadores Peixes e Vênus; Saturno tem o seu Júbilo nesta casa, porque naturalmente Saturno é o autor do Malfeito, e ela rege, no corpo humano, os pés.
Na Cor ela apresenta o Verde.
É uma casa Cadente, Feminina, e chamada, às vezes, vulgarmente, Cataphora, o que na verdade é um nome que serve a todas as Casas Cadentes.
Este é o Caráter verdadeiro das diversas Casas, de acordo com a Doutrina Ptolomaica e a minha própria experiência de alguns anos. Eu devo confessor que os Árabes realizaram diversas outras divisões das Casas, mas eu nunca, em minha prática, encontrei nenhuma verdade nestas divisões, e portanto delas nada digo.
15.8.07
Sobre os Dois "São João" - René Guénon
Sobre os Dois “São João”
Artigo originalmente publicado em “Études Traditionelles”, junho de 1949 e incluido em Symboles Fondamentaux de la Sience Sacrée, Paris, Gallimard, 1962 [Simbolos Fundamentales de la Ciencia Sagrada, Buenos Aires, Eudeba, 1969, y Barcelona, Paidós, 1996].
Apesar de o verão ser considerado, geralmente, como uma estação alegre e o inverno como uma triste, pelo fato de que o primeiro representa, de certa forma, o triunfo da luz e o segundo o da escuridão, os dois solstícios correspondentes têm, no entanto, na verdade, um caráter exatamente oposto ao indicado; pode parecer que haja nisto um paradoxo bastante estranho, mas é muito fácil compreender que seja assim desde que se possua algum conhecimento dos dados tradicionais e do curso do ciclo anual.
Com efeito, tudo o que alcançou seu próprio máximo não pode senão decrescer, e o que chegou a seu mínimo não pode, ao contrário, senão começar a crescer em seguida[1]; por isso, o solstício de verão assinala o começo da metade descendente do ano, e o solstício de inverno, inversamente, o de sua metade ascendente; e isto explica também, desde o ponto de vista de sua significação cósmica, estas palavras de São João Batista, cujo nascimento coincide com o solstício de verão: “convém que ele (Cristo, nascido no solstício de inverno) cresça, e que eu diminua”[2]. É sabido que, na tradição hindu, a fase ascendente se põe em relação com a deva-yâna, e a fase descendente, com o pitr-yâna; portanto, no Zodíaco, o signo de Câncer, correspondente ao solstício de verão, é a “porta dos homens”, que dá acesso ao pitr-yâna, e o signo de Capricórnio, correspondente ao solstício de inverno, é a “porta dos deuses”, que dá acesso ao deva-yâna. Na verdade, o período “alegre”, ou seja, benéfico e favorável, é a metade ascendente do ciclo anual, e seu período “triste”, ou seja, maléfico ou desfavorável, é sua metade descendente; e o mesmo caráter pertence, naturalmente, à porta solsticial que abre cada um dos dois períodos em que se encontra dividido o ano pelo próprio sentido do curso solar.
Sabe-se, além disso, que no Cristianismo as festas dos dois São João estão diretamente relacionadas com os dois solstícios[3], e, o que é mais notável, ainda que nunca tenhamos visto indicado em nenhuma parte, o que acabamos de recordar está expresso, de certa forma, pelo duplo sentido do próprio nome de João[4].
Com efeito, a palavra hanán, em hebraico, tem o sentido tanto de “benevolência” e “misericórdia” quanto de “louvação” (é no mínimo curioso comprovar que, na nossa língua, palavras como “graça(s)” tem exatamente essa dupla significação [N. do T. tanto em francês, língua do original, e em espanhol, tradução inicial, quanto em português, língua desta tradução]); portanto, o nome Yahanán [ou melhor, Yehohanam] pode significar tanto “misericórdia de Deus” quanto “louvor a Deus”. É fácil apontar que o primeiro deste dois sentidos parece ser apropriado a São João Batista e o segundo, a São João Evangelista; além disso, se pode dizer que a misericórdia é, evidentemente, “descendente” e a louvação, “ascendente”, o que nos reconduz à sua relação respectiva com as duas metades do ciclo anual[5].
Com relação aos dois São João e seu simbolismo solsticial, é interessante também considerar um símbolo[6] que parece peculiar da Maçonaria anglo-saxã, ou que, pelo menos, só se conservou devido a ela; é um círculo com um ponto no centro, compreendido entre duas tangentes paralelas; diz-se que estas tangentes representam os dois São João. Com efeito, o círculo é, aqui, a figura do ciclo anual, e sua significação solar se faz, por outro lado, mais manifesta pela presença do ponto no centro, pois a mesma figura é ao mesmo tempo a representação astrológica do Sol; e as duas retas paralelas são as tangentes a esse círculo nos dois pontos solsticiais, assinalando assim seu caráter de “pontos-limite”, já que esses pontos são, novamente, como os limites que o sol não pode nunca ultrapassar no curso de sua marcha; e, porque essas linhas correspondem, assim, aos dois solstícios, também se pode dizer que representam, por isso mesmo, aos dois São João.
Existe, no entanto, nesta representação, uma anomalia, pelo menos aparente: o diâmetro solsticial do céu anual deve ser considerado, como já explicamos em outras ocasiões, como relativamente vertical comparado ao diâmetro equinocial, e somente desta maneira, além disso, as duas metades do ciclo, que vão de um solstício a outro, podem aparecer real e respectivamente como ascendente e descendente; logo, os pontos solsticiais constituem o ponto mais alto e o ponto mais baixo do círculo; em tais condições, as tangentes aos extremos do diâmetro solsticial, ao serem perpendiculares a este, serão necessariamente horizontais.
No entanto, no símbolo que consideramos agora, as duas tangentes, ao contrário, estão representadas como verticais; há, pois, neste caso especial, certa modificação trazida para o simbolismo geral do ciclo anual, que de qualquer forma se explica de modo bem simples, pois é evidente que só foi possível ser produzido por uma assimilação estabelecida entre essas duas paralelas e as duas colinas (maçônicas), colunas estas que, ademais, só podem ser verticais; elas têm, além disso, em virtude de sua situação respectiva ao norte e ao meio-dia, e pelo menos desde certo ponto de vista, uma relação efetiva com o simbolismo solsticial.
Este aspecto das duas colunas se vê claramente, sobretudo, no caso do símbolo das “colunas de Hércules”[7]; o caráter de “herói solar” de Hércules e a correspondência zodiacal dos seus doze trabalhos são coisas demasiadamente conhecidas para que seja necessário insistir nelas; e é claro que precisamente este caráter solar justifica a significação solsticial das duas colunas às quais está vinculado seu nome. Sendo assim, a divisa “non plus ultra”, referida a essas colunas, aparece como dotada de dupla significação; não expressa, apenas, conforme a interpretação habitual, própria do ponto de vista terrestre, e, além disso, válida em sua ordem, que aquelas colunas assinalam os limites do mundo “conhecido”, ou seja, na verdade, que são os limites que, por razões cuja investigação poderia ser de interesse, não era permitido aos viajantes ultrapassar; mas que, ao mesmo tempo – e, sem dúvida, deveríamos dizer antes de tudo – que, desde o ponto de vista celeste, são os limites que o Sol não pode franquear e entre os quais, como entre as duas tangentes de que tratávamos linhas antes, se cumpre interiormente seu curso anual[8] . Estas últimas considerações podem parecer bastante distantes do nosso ponto de partida, mas, para dizer a verdade, não é assim, pois contribuem para a explicação de um símbolo expressamente referido aos dois São João; e, por outra parte, se pode dizer que, na forma cristã da Tradição, tudo o que diz respeito ao simbolismo solsticial está relacionado também, por isso mesmo, com ambos os Santos.
[1] Esta idéia se encontra expressa, particularmente, várias vezes e de formas diversas, no Tao-Te-Ching; nele ela é referida, mais especialmente, na tradição extremo-oriental, às vicissitudes do yin e do yang.
[2] São João, III, 30.
[3] Estas festas se situam, na verdade, um pouco depois da data exata dos solstícios, o que manifesta de modo ainda mais nítido seu caráter, já que a descida e a ascenção, nestas datas, já começaram de forma efetiva; isto corresponde, no simbolismo védico, ao fato de que as portas do Pitri-loka e do Deva-loka se consideram siutadas, respectivamente, não exatamente ao sul e ao norte, mas no sudoeste e no nordeste.
[4] Queremos nos referir, aqui, ao significado etimológico deste nome em hebraico; em relação à vinculação entre João e Jano, ainda que se deva entender que seja uma assimilação fônica sem nenhuma relação, evidentemente, com a etimologia, nem por isso é menos importante desde o ponto de vista simbólico, já que, na verdade, as festas dos dois São João substituiram as de Jano.
[5] Recordaremos também, a vinculando de forma mais especial às idéias de “tristeza” e “alegria” que indicamos no texto, a figura “folclórica” francesa, tão conhecida, mas sem dúvida nem sempre muito bem compreendida, do “João que chora” e do “João que ri”, que é no fundo uma representação equivalente à dos dois rostos de Jano; “João que chora” é o que implora a misericórdia de Deus, ou seja, São João Batista; “João que ri” é o que dirige louvores, ou seja, São João Evangelista.
[6] [já assinalado na última nota de um artigo anterior].
[7] Na representação geográfica que situa essas duas colunas nas duas partes do atual estreito de Gibraltar, é evidente que a localizada na Europa é a colina do norte e a localizada na África é a do meio-dia.
[8] Em antigas moedas espanholas, se vê uma representação das colunas de Hércules unidas por um tipo de bandeirola na qual está escrita a divisa “non plus ultra”; pois bem – coisa que parece bem pouco conhecida e que assinalaremos aqui a título de curiosidade –, desta representação deriva o símbolo usual do dólar norte-americano; no entanto, toda a importância foi dada à bandeirola, que era, primitivamente, apenas um acessório, e que foi transformada em uma letra S, cuja forma ela tinha, aproximadamente, enquanto que as duas colunas, que constituíam o elemento essencial, foram reduzidas a dois traços paralelos, verticais como as duas tangentes do círculo no simbolismo maçônico que acabamos de explicar; e a coisa não deixa de ter ironia, pois precisamente o “descobrimento” da América anulou de fato a antiga aplicação geográfica do “non plus ultra”.
Artigo originalmente publicado em “Études Traditionelles”, junho de 1949 e incluido em Symboles Fondamentaux de la Sience Sacrée, Paris, Gallimard, 1962 [Simbolos Fundamentales de la Ciencia Sagrada, Buenos Aires, Eudeba, 1969, y Barcelona, Paidós, 1996].
Apesar de o verão ser considerado, geralmente, como uma estação alegre e o inverno como uma triste, pelo fato de que o primeiro representa, de certa forma, o triunfo da luz e o segundo o da escuridão, os dois solstícios correspondentes têm, no entanto, na verdade, um caráter exatamente oposto ao indicado; pode parecer que haja nisto um paradoxo bastante estranho, mas é muito fácil compreender que seja assim desde que se possua algum conhecimento dos dados tradicionais e do curso do ciclo anual.
Com efeito, tudo o que alcançou seu próprio máximo não pode senão decrescer, e o que chegou a seu mínimo não pode, ao contrário, senão começar a crescer em seguida[1]; por isso, o solstício de verão assinala o começo da metade descendente do ano, e o solstício de inverno, inversamente, o de sua metade ascendente; e isto explica também, desde o ponto de vista de sua significação cósmica, estas palavras de São João Batista, cujo nascimento coincide com o solstício de verão: “convém que ele (Cristo, nascido no solstício de inverno) cresça, e que eu diminua”[2]. É sabido que, na tradição hindu, a fase ascendente se põe em relação com a deva-yâna, e a fase descendente, com o pitr-yâna; portanto, no Zodíaco, o signo de Câncer, correspondente ao solstício de verão, é a “porta dos homens”, que dá acesso ao pitr-yâna, e o signo de Capricórnio, correspondente ao solstício de inverno, é a “porta dos deuses”, que dá acesso ao deva-yâna. Na verdade, o período “alegre”, ou seja, benéfico e favorável, é a metade ascendente do ciclo anual, e seu período “triste”, ou seja, maléfico ou desfavorável, é sua metade descendente; e o mesmo caráter pertence, naturalmente, à porta solsticial que abre cada um dos dois períodos em que se encontra dividido o ano pelo próprio sentido do curso solar.
Sabe-se, além disso, que no Cristianismo as festas dos dois São João estão diretamente relacionadas com os dois solstícios[3], e, o que é mais notável, ainda que nunca tenhamos visto indicado em nenhuma parte, o que acabamos de recordar está expresso, de certa forma, pelo duplo sentido do próprio nome de João[4].
Com efeito, a palavra hanán, em hebraico, tem o sentido tanto de “benevolência” e “misericórdia” quanto de “louvação” (é no mínimo curioso comprovar que, na nossa língua, palavras como “graça(s)” tem exatamente essa dupla significação [N. do T. tanto em francês, língua do original, e em espanhol, tradução inicial, quanto em português, língua desta tradução]); portanto, o nome Yahanán [ou melhor, Yehohanam] pode significar tanto “misericórdia de Deus” quanto “louvor a Deus”. É fácil apontar que o primeiro deste dois sentidos parece ser apropriado a São João Batista e o segundo, a São João Evangelista; além disso, se pode dizer que a misericórdia é, evidentemente, “descendente” e a louvação, “ascendente”, o que nos reconduz à sua relação respectiva com as duas metades do ciclo anual[5].
Com relação aos dois São João e seu simbolismo solsticial, é interessante também considerar um símbolo[6] que parece peculiar da Maçonaria anglo-saxã, ou que, pelo menos, só se conservou devido a ela; é um círculo com um ponto no centro, compreendido entre duas tangentes paralelas; diz-se que estas tangentes representam os dois São João. Com efeito, o círculo é, aqui, a figura do ciclo anual, e sua significação solar se faz, por outro lado, mais manifesta pela presença do ponto no centro, pois a mesma figura é ao mesmo tempo a representação astrológica do Sol; e as duas retas paralelas são as tangentes a esse círculo nos dois pontos solsticiais, assinalando assim seu caráter de “pontos-limite”, já que esses pontos são, novamente, como os limites que o sol não pode nunca ultrapassar no curso de sua marcha; e, porque essas linhas correspondem, assim, aos dois solstícios, também se pode dizer que representam, por isso mesmo, aos dois São João.
Existe, no entanto, nesta representação, uma anomalia, pelo menos aparente: o diâmetro solsticial do céu anual deve ser considerado, como já explicamos em outras ocasiões, como relativamente vertical comparado ao diâmetro equinocial, e somente desta maneira, além disso, as duas metades do ciclo, que vão de um solstício a outro, podem aparecer real e respectivamente como ascendente e descendente; logo, os pontos solsticiais constituem o ponto mais alto e o ponto mais baixo do círculo; em tais condições, as tangentes aos extremos do diâmetro solsticial, ao serem perpendiculares a este, serão necessariamente horizontais.
No entanto, no símbolo que consideramos agora, as duas tangentes, ao contrário, estão representadas como verticais; há, pois, neste caso especial, certa modificação trazida para o simbolismo geral do ciclo anual, que de qualquer forma se explica de modo bem simples, pois é evidente que só foi possível ser produzido por uma assimilação estabelecida entre essas duas paralelas e as duas colinas (maçônicas), colunas estas que, ademais, só podem ser verticais; elas têm, além disso, em virtude de sua situação respectiva ao norte e ao meio-dia, e pelo menos desde certo ponto de vista, uma relação efetiva com o simbolismo solsticial.
Este aspecto das duas colunas se vê claramente, sobretudo, no caso do símbolo das “colunas de Hércules”[7]; o caráter de “herói solar” de Hércules e a correspondência zodiacal dos seus doze trabalhos são coisas demasiadamente conhecidas para que seja necessário insistir nelas; e é claro que precisamente este caráter solar justifica a significação solsticial das duas colunas às quais está vinculado seu nome. Sendo assim, a divisa “non plus ultra”, referida a essas colunas, aparece como dotada de dupla significação; não expressa, apenas, conforme a interpretação habitual, própria do ponto de vista terrestre, e, além disso, válida em sua ordem, que aquelas colunas assinalam os limites do mundo “conhecido”, ou seja, na verdade, que são os limites que, por razões cuja investigação poderia ser de interesse, não era permitido aos viajantes ultrapassar; mas que, ao mesmo tempo – e, sem dúvida, deveríamos dizer antes de tudo – que, desde o ponto de vista celeste, são os limites que o Sol não pode franquear e entre os quais, como entre as duas tangentes de que tratávamos linhas antes, se cumpre interiormente seu curso anual[8] . Estas últimas considerações podem parecer bastante distantes do nosso ponto de partida, mas, para dizer a verdade, não é assim, pois contribuem para a explicação de um símbolo expressamente referido aos dois São João; e, por outra parte, se pode dizer que, na forma cristã da Tradição, tudo o que diz respeito ao simbolismo solsticial está relacionado também, por isso mesmo, com ambos os Santos.
[1] Esta idéia se encontra expressa, particularmente, várias vezes e de formas diversas, no Tao-Te-Ching; nele ela é referida, mais especialmente, na tradição extremo-oriental, às vicissitudes do yin e do yang.
[2] São João, III, 30.
[3] Estas festas se situam, na verdade, um pouco depois da data exata dos solstícios, o que manifesta de modo ainda mais nítido seu caráter, já que a descida e a ascenção, nestas datas, já começaram de forma efetiva; isto corresponde, no simbolismo védico, ao fato de que as portas do Pitri-loka e do Deva-loka se consideram siutadas, respectivamente, não exatamente ao sul e ao norte, mas no sudoeste e no nordeste.
[4] Queremos nos referir, aqui, ao significado etimológico deste nome em hebraico; em relação à vinculação entre João e Jano, ainda que se deva entender que seja uma assimilação fônica sem nenhuma relação, evidentemente, com a etimologia, nem por isso é menos importante desde o ponto de vista simbólico, já que, na verdade, as festas dos dois São João substituiram as de Jano.
[5] Recordaremos também, a vinculando de forma mais especial às idéias de “tristeza” e “alegria” que indicamos no texto, a figura “folclórica” francesa, tão conhecida, mas sem dúvida nem sempre muito bem compreendida, do “João que chora” e do “João que ri”, que é no fundo uma representação equivalente à dos dois rostos de Jano; “João que chora” é o que implora a misericórdia de Deus, ou seja, São João Batista; “João que ri” é o que dirige louvores, ou seja, São João Evangelista.
[6] [já assinalado na última nota de um artigo anterior].
[7] Na representação geográfica que situa essas duas colunas nas duas partes do atual estreito de Gibraltar, é evidente que a localizada na Europa é a colina do norte e a localizada na África é a do meio-dia.
[8] Em antigas moedas espanholas, se vê uma representação das colunas de Hércules unidas por um tipo de bandeirola na qual está escrita a divisa “non plus ultra”; pois bem – coisa que parece bem pouco conhecida e que assinalaremos aqui a título de curiosidade –, desta representação deriva o símbolo usual do dólar norte-americano; no entanto, toda a importância foi dada à bandeirola, que era, primitivamente, apenas um acessório, e que foi transformada em uma letra S, cuja forma ela tinha, aproximadamente, enquanto que as duas colunas, que constituíam o elemento essencial, foram reduzidas a dois traços paralelos, verticais como as duas tangentes do círculo no simbolismo maçônico que acabamos de explicar; e a coisa não deixa de ter ironia, pois precisamente o “descobrimento” da América anulou de fato a antiga aplicação geográfica do “non plus ultra”.
14.8.07
Física de Aristóteles, Livro 2, Capítulo 3 - As Quatro Causas
Física, Livro 2, Capítulo 3.
Causas Material, Formal, Eficiente e Final
Agora que estabelecemos essas distinções, devemos começar a considerar as causas, seu caráter e número. O conhecimento é o objeto de nossa investigação, e os homens não consideram que sabem alguma coisa até terem apreendido o seu "porquê" (que é o mesmo que apreender sua causa primária). Claramente, então, também temos que proceder desta forma, em relação tanto ao vir-a-ser quanto ao deixar-de-ser, e a qualquer tipo de mudança física, de modo que, conhecendo seus princípios, possamos tentar referir a esses princípios cada um de nossos problemas.
Em um certo sentido, então (1), aquilo a partir do qual uma coisa vem a ser e que persiste, é chamado de "causa", por exemplo, o bronze da estátua, a prata da bacia, e os gêneros dos quais o bronze e a prata são espécies.
Em outro sentido (2), a forma ou o arquétipo, ou seja, o enunciado da essência, e seus gêneros, e as partes nas definições das coisas, são chamados de "causas"(por exemplo a relação 2:1, e, de forma geral, o número, são chamadas de "causas" da oitava).
Em uma terceira acepção (3), "causa" é a fonte primária da mudança ou da cessação do movimento; por exemplo, o homem que deu um conselho é uma causa, o pai é causa do filho, e de forma geral o que faz é causa do que é feito, e o que causou mudança é causa do que mudou.
Mais uma vez (4), "causa" pode ser utilizada no sentido do fim ou "aquilo em razão do que" uma coisa é feita; por exemplo, a saúde é a causa de caminharmos ("Porque ele está caminhando?", nós perguntamos. "Para ser saudável" é a resposta, e dito isso, pensamos que encontramos a causa). O mesmo é verdade também para todos os passos intermediários que surgem, enquanto alguma coisa externa age, como meios em direção a um fim; por exemplo, a redução da carne, a purgação, as drogas, ou os instrumentos cirúrgicos são meios em direção à saúde. Com efeito, todas estas coisas concorrem para o fim a que se propõem, embora elas difiram umas das outras no fato que algumas são atividades, outras são instrumentos.
Isso, talvez, esgota o número de modos em que o termo "causa" é utilizado.
Uma vez que a palavra tem diversos sentidos, se segue que há diversas causas da mesma coisa (não meramente em virtude de um atributo concomitante), ou seja, tanto a arte do escultor quanto o bronze são causas da estátua. Estas são causas da estátua qua [enquanto] estátua, e não em virtude da qualquer outra coisa que ela possa ser - apenas não o são da mesma forma, uma sendo a causa material, a outra a causa da qual o movimento vem. Algumas coisas causam umas às outras reciprocamente, por exemplo, o trabalho duro causa a boa forma e vice-versa, mas, novamente, não da mesma maneira, mas uma como o fim, e a outra como a origem da mudança. Além disso, a mesma coisa é a causa de resultados contrários, pois aquilo que, pela sua presença, gera um resultado é, às vezes, responsabilizado por gerar o resultado contrário pela sua ausência. Assim, damos como causa do naufrágio de um barco a ausência de um piloto cuja presença era a causa de sua segurança.
Todas as causas mencionadas até agora caem em quatro divisões familiares. As letras são as causas das sílabas, o material, dos produtos artificiais, o fogo e os demais elementos, dos corpos, as partes, do todo, e as premissas, da conclusão, no sentido de "aquilo do qual ele saiu". Desses pares, um grupo são as causas no sentido do substrato, por exemplo, as partes; o outro grupo, no sentido da essência - o todo e a combinação da forma. No entanto, a semente, o médico, quem aconselha, e de forma geral quem faz, são, todas, causas das quais a mudança ou a permanência se originam, enquanto as outras são causas no sentido do fim ou do bem de todo o resto; pois "aquilo pelo qual a coisa existe" significa o que é melhor e o fim das coisas que levam até ele (se estamos falando de "o bem em si", ou de "o bem aparente", não faz diferença).
Tal, então, é o número e a natureza dos tipos de causa.
Agora, os modos de causalidade são muitos, embora quando agrupados, eles também podem se reduzir a poucas variações. Porque a palavra "causa" é utilizada em diversos sentidos e mesmo dentro de um tipo um sentido pode ser anterior ao outro (por exemplo, o médico e o especialista são causas da saúde, e a relação 2:1 e o número, causas da oitava), e, sempre, o que é inclusivo para o que é particular.
Às vezes as causas e seus gêneros podem ser considerados como agindo indiretamente e por acidente. Por exemplo, em um sentido "Policleto", em outro, "escultor", são as causas da estátua, porque "ser Policleto" e "escultor" são acidentalmente co-unidos. Da mesma forma ocorre com as classes nas quais o atributo acidental é incluído; assim, pode-se dizer que "um homem" é a causa da estátua, ou, de forma geral, "uma criatura viva". Um atributo acidental também pode ser mais ou menos remoto; por exemplo, suponhamos se tenha dito que "um homem pálido" ou "um homem musical" foram a causa da estátua.
Todas as causas, tanto próprias quanto acidentais, podem ser consideradas potenciais ou atuais; por exemplo, a causa da construção de uma casa é tanto "o construtor de casas" quanto "o construtor de casas que está construindo".
Distinções similares podem ser feitas nas coisas das quais as causas são causas, por exemplo, entre "esta estátua" e "estátua" ou "imagem" de forma geral, "este bronze", e "bronze" ou "material" de forma geral. Da mesma forma pode se proceder com os atributos acidentais. Novamente, podemos utilizar uma expressão complexa para cada um e dizer, por exemplo, nem "Policleto", nem "escultor”, mas "o escultor Policleto ".
Todos esse vários usos, no entanto, se reduzem a um número de seis, sob cada um dos quais, novamente, a utilização é de dois modos. "Causa" significa tanto o que é particular ou um gênero, um atributo acidental ou seu gênero, e esses, tanto como um complexo ou cada um separadamente, e cada um desses pode ser atual ou potencial. A diferença é desta forma: causas que são atualmente ativas e particulares existem e deixam de existir simultaneamente com seus efeitos; por exemplo, esta pessoa que cura com esta pessoa que está sendo curada, e este construtor desta casa com esta casa que está sendo construída; mas isso não é sempre verdade para as causas potenciais - a casa e o construtor de casas não deixam de existir simultaneamente.
Ao investigar a causa de cada coisa é sempre necessário procurar o que é mais preciso (como também em outras coisas): assim, o homem constrói porque é um construtor, e um construtor constrói em virtude de sua arte de construção. Esta última causa é então anterior; e assim se dá de forma geral.
Além disso, efeitos genéricos deveriam ser apontados a causas genéricas e efeitos particulares a causas particulares; por exemplo, estátua a escultor, e esta estátua e este escultor; e as potências são relativas aos efeitos potenciais, e causas operando atualmente, a coisas atualmente sendo afetadas.
Isto deve ser o bastante para nossa investigação do número de causas e modos de causalidade.
Causas Material, Formal, Eficiente e Final
Agora que estabelecemos essas distinções, devemos começar a considerar as causas, seu caráter e número. O conhecimento é o objeto de nossa investigação, e os homens não consideram que sabem alguma coisa até terem apreendido o seu "porquê" (que é o mesmo que apreender sua causa primária). Claramente, então, também temos que proceder desta forma, em relação tanto ao vir-a-ser quanto ao deixar-de-ser, e a qualquer tipo de mudança física, de modo que, conhecendo seus princípios, possamos tentar referir a esses princípios cada um de nossos problemas.
Em um certo sentido, então (1), aquilo a partir do qual uma coisa vem a ser e que persiste, é chamado de "causa", por exemplo, o bronze da estátua, a prata da bacia, e os gêneros dos quais o bronze e a prata são espécies.
Em outro sentido (2), a forma ou o arquétipo, ou seja, o enunciado da essência, e seus gêneros, e as partes nas definições das coisas, são chamados de "causas"(por exemplo a relação 2:1, e, de forma geral, o número, são chamadas de "causas" da oitava).
Em uma terceira acepção (3), "causa" é a fonte primária da mudança ou da cessação do movimento; por exemplo, o homem que deu um conselho é uma causa, o pai é causa do filho, e de forma geral o que faz é causa do que é feito, e o que causou mudança é causa do que mudou.
Mais uma vez (4), "causa" pode ser utilizada no sentido do fim ou "aquilo em razão do que" uma coisa é feita; por exemplo, a saúde é a causa de caminharmos ("Porque ele está caminhando?", nós perguntamos. "Para ser saudável" é a resposta, e dito isso, pensamos que encontramos a causa). O mesmo é verdade também para todos os passos intermediários que surgem, enquanto alguma coisa externa age, como meios em direção a um fim; por exemplo, a redução da carne, a purgação, as drogas, ou os instrumentos cirúrgicos são meios em direção à saúde. Com efeito, todas estas coisas concorrem para o fim a que se propõem, embora elas difiram umas das outras no fato que algumas são atividades, outras são instrumentos.
Isso, talvez, esgota o número de modos em que o termo "causa" é utilizado.
Uma vez que a palavra tem diversos sentidos, se segue que há diversas causas da mesma coisa (não meramente em virtude de um atributo concomitante), ou seja, tanto a arte do escultor quanto o bronze são causas da estátua. Estas são causas da estátua qua [enquanto] estátua, e não em virtude da qualquer outra coisa que ela possa ser - apenas não o são da mesma forma, uma sendo a causa material, a outra a causa da qual o movimento vem. Algumas coisas causam umas às outras reciprocamente, por exemplo, o trabalho duro causa a boa forma e vice-versa, mas, novamente, não da mesma maneira, mas uma como o fim, e a outra como a origem da mudança. Além disso, a mesma coisa é a causa de resultados contrários, pois aquilo que, pela sua presença, gera um resultado é, às vezes, responsabilizado por gerar o resultado contrário pela sua ausência. Assim, damos como causa do naufrágio de um barco a ausência de um piloto cuja presença era a causa de sua segurança.
Todas as causas mencionadas até agora caem em quatro divisões familiares. As letras são as causas das sílabas, o material, dos produtos artificiais, o fogo e os demais elementos, dos corpos, as partes, do todo, e as premissas, da conclusão, no sentido de "aquilo do qual ele saiu". Desses pares, um grupo são as causas no sentido do substrato, por exemplo, as partes; o outro grupo, no sentido da essência - o todo e a combinação da forma. No entanto, a semente, o médico, quem aconselha, e de forma geral quem faz, são, todas, causas das quais a mudança ou a permanência se originam, enquanto as outras são causas no sentido do fim ou do bem de todo o resto; pois "aquilo pelo qual a coisa existe" significa o que é melhor e o fim das coisas que levam até ele (se estamos falando de "o bem em si", ou de "o bem aparente", não faz diferença).
Tal, então, é o número e a natureza dos tipos de causa.
Agora, os modos de causalidade são muitos, embora quando agrupados, eles também podem se reduzir a poucas variações. Porque a palavra "causa" é utilizada em diversos sentidos e mesmo dentro de um tipo um sentido pode ser anterior ao outro (por exemplo, o médico e o especialista são causas da saúde, e a relação 2:1 e o número, causas da oitava), e, sempre, o que é inclusivo para o que é particular.
Às vezes as causas e seus gêneros podem ser considerados como agindo indiretamente e por acidente. Por exemplo, em um sentido "Policleto", em outro, "escultor", são as causas da estátua, porque "ser Policleto" e "escultor" são acidentalmente co-unidos. Da mesma forma ocorre com as classes nas quais o atributo acidental é incluído; assim, pode-se dizer que "um homem" é a causa da estátua, ou, de forma geral, "uma criatura viva". Um atributo acidental também pode ser mais ou menos remoto; por exemplo, suponhamos se tenha dito que "um homem pálido" ou "um homem musical" foram a causa da estátua.
Todas as causas, tanto próprias quanto acidentais, podem ser consideradas potenciais ou atuais; por exemplo, a causa da construção de uma casa é tanto "o construtor de casas" quanto "o construtor de casas que está construindo".
Distinções similares podem ser feitas nas coisas das quais as causas são causas, por exemplo, entre "esta estátua" e "estátua" ou "imagem" de forma geral, "este bronze", e "bronze" ou "material" de forma geral. Da mesma forma pode se proceder com os atributos acidentais. Novamente, podemos utilizar uma expressão complexa para cada um e dizer, por exemplo, nem "Policleto", nem "escultor”, mas "o escultor Policleto ".
Todos esse vários usos, no entanto, se reduzem a um número de seis, sob cada um dos quais, novamente, a utilização é de dois modos. "Causa" significa tanto o que é particular ou um gênero, um atributo acidental ou seu gênero, e esses, tanto como um complexo ou cada um separadamente, e cada um desses pode ser atual ou potencial. A diferença é desta forma: causas que são atualmente ativas e particulares existem e deixam de existir simultaneamente com seus efeitos; por exemplo, esta pessoa que cura com esta pessoa que está sendo curada, e este construtor desta casa com esta casa que está sendo construída; mas isso não é sempre verdade para as causas potenciais - a casa e o construtor de casas não deixam de existir simultaneamente.
Ao investigar a causa de cada coisa é sempre necessário procurar o que é mais preciso (como também em outras coisas): assim, o homem constrói porque é um construtor, e um construtor constrói em virtude de sua arte de construção. Esta última causa é então anterior; e assim se dá de forma geral.
Além disso, efeitos genéricos deveriam ser apontados a causas genéricas e efeitos particulares a causas particulares; por exemplo, estátua a escultor, e esta estátua e este escultor; e as potências são relativas aos efeitos potenciais, e causas operando atualmente, a coisas atualmente sendo afetadas.
Isto deve ser o bastante para nossa investigação do número de causas e modos de causalidade.
31.7.07
Segundo artigo do Frawley - As considerações antes do julgamento
Texto da mesma fonte que o anterior: www.johnfrawley.com, na mesma edição: www.johnfrawley.com/2APPRENTICE.pdf
AS CONSIDERAÇÕES ANTES DO JULGAMENTO
Quando um paciente entra em um consultório clínico, o médico imediatamente irá observar certas coisas, mesmo antes de perguntar “Qual é o problema?”. Temos algo similar em astrologia horária. Uma vez que tenhamos confeccionado o mapa, existem alguns pontos que devemos checar antes de nos metermos a julgá-lo. Estes pontos são tradicionalmente conhecidos como as considerações antes do julgamento, e servem para proteger o astrólogo, o avisando quando for mais provável que ele cometa um erro.
No consultório, fatores óbvios como a idade e o sexo do paciente excluirão alguns diagnósticos possíveis. Para dar um exemplo simples, não importa o quanto os sintomas sugiram uma gravidez, se o paciente é homem, o médico sabe que esta seria a resposta errada. Há alguma coisa que lhe diz “tenha cuidado – pense de novo.”. Ele sabe que sua diagnose deve se ajustar ao paciente. Da mesma forma, se o paciente está pulando pela sala, radiando de saúde, o medico deve suspeitar que ele esteja apenas procurando uns dias longe do trabalho, e deve dar um desconto em tudo o que ele lhe disser.
Uma vez que o paciente começa a contar seus sintomas, outros sinais de alerta podem soar na cabeça do médico. “Isso é provavelmente uma indigestão leve”, ele pensa, “mas eu tenho que ter cuidado; pode também ser um caso de espinhela caída, uma doença grave, e é fácil confundir uma com a outra”. Haverá momentos em que ele não conseguirá diagnosticar o problema, e outros – mesmo que a doença seja apenas um resfriado – em que ele não poderá produzir a cura. Existem fatores no mapa que dão ao astrólogo o mesmo sinal de alerta: “tenha cuidado aqui, você pode errar desta vez”.
O ascendente representa a pessoa que fez a pergunta, e, portanto, é de grande importância. Um alerta tradicionalmente sério é se o ascendente cair nos primeiros graus de um signo. Menos de três graus ascendendo sugerem que seja muito cedo para julgar a questão: alguma coisa tem que acontecer antes que haja informação suficiente, mesmo no mapa. É como se a pergunta não estivesse madura ainda. Para continuar com a analogia médica, o paciente pode estar se sentindo desconfortável de uma forma geral, mas o médico não consegue dizer qual é a sua doença antes que ele comece a ficar todo pintado.
Quando os graus ascendendo são 27 ou mais, costuma-se dizer que é muito tarde para julgar: não há mais nada que possa ser feito sobre o assunto, ou ele está fora das mãos da querente. Se ela pergunta “eu conseguirei o emprego?”, por exemplo, ele pode já ter sido dado a outra pessoa, ou pode ser um daqueles empregos que são anunciados apenas pro forma, quando a decisão já foi tomada muito tempo atrás. Essa situação tardia muitas vezes reflete a opinião do querente, e não o real estado das coisas.
Esses avisos sobre os graus iniciais ou tardios vêm de uma época em que era muito mais difícil do que hoje em dia de se ter certeza exatamente qual signo estava ascendendo. Se o astrólogo pusesse o ascendente no signo errado, ele dificilmente terminaria com um julgamento correto: daí vem o conselho de evitar julgar mapas ao redor do ponto de mudança dos signos. Como diz Lilly, em um período comparativamente recente da história da astrologia, “muitas vezes o Sol não está visível, e os relógios podem falhar, é possível que você se engane e erre o Ascendente correto”. Com relógios mais acessíveis e efemérides mais acuradas, isso é muito menos relevante hoje em dia. Dito isto, graus iniciais carregam uma sensação de imaturidade e graus tardios a desesperança do fait acompli.
Esses graus iniciais ou tardios também podem nos alertar que a pergunta pode não ser sincera, que foi perguntada com a intenção de enganar o astrólogo, ou, nas palavras de Henry Coley, pupilo de Willian Lilly, que o querente andou “mexendo com outros”. E é isso o que normalmente acontece: estas são as pessoas que, quando ouvem o julgamento, dirão: “ah, mas o meu médium disse...”.
Os escritores mais antigos diziam que um mapa com 27 graus ou mais no ascendente pode ser lido com segurança se o querente tem a idade correspondente ao número de graus, e que quando o ascendente está em 3 graus ou menos, ele pode ser lido com segurança se o querente é muito jovem (não necessariamente menor de três anos). Estes são exemplos de mapas que se ajustam às circunstâncias, considerando um critério de radicalidade, embora o desejo de encontrar a descrição física do querente no ascendente e seu regente deva ser visto no contexto do trabalho do astrólogo. Isso era o seu argumento de convencimento – um modo de impressionar o cliente com sua sabedoria antes de iniciar o julgamento. A correlação aparentemente mágica entre o número de graus no ascendente e sua idade pode ter sido um modo de inspirar reverência no cliente, mas não é mais relevante do que a correlação entre os mesmos graus e o número de sua casa ou o comprimento da cauda de seu gato.
Este estabelecimento do quadro da situação às vezes é útil e pode ser impressionante; no entanto, a existência ou não de uma correspondência aparente entre o regente do ascendente e o querente não pode, no entanto, ser tomada como um critério de validade do mapa. O regente do ascendente significa o querente porque ele rege a primeira casa, não porque ele descreva o próprio ou a sua situação. Não é da nossa alçada decidir se o mapa “se ajusta” e é, portanto, “real”; o mapa é parte da realidade, tanto quanto qualquer outra coisa. Se esquecermos disso, a astrologia vira nonsense. O mapa ainda é radical, o regente do ascendente descrevendo o querente ou não.
A posição da Lua é importante. Se ela estiver na Via Combusta – o caminho que queima – de 15º de Libra a 15º de Escorpião – ou prestes a entrar nesta região, considera-se que isso seja um sinal de que o julgamento do astrólogo não será bem recebido, e que os eventos serão muito turbulentos para serem confiáveis. A Lua não fazer nenhum aspecto antes de deixar o signo onde ela está é uma forte indicação de que nada irá acontecer. Isso bem pode ser uma resposta por si só, para o bem ou para o mal: “irei conseguir o emprego?”; “minha mulher vai me deixar?”; não; nada irá ocorrer. Em Câncer ou Touro, onde a Lua é forte, ou Peixes e Sagitário, regidos por Júpiter, que é exaltado em Câncer, signo da Lua, isso não se aplica. Isso também se aplica se a Lua estiver Fora de Curso no meio de um signo. Isso demonstra um período de estagnação, que normalmente durará até que o querente tome uma ação para cessar a paralisia total – frequentemente, uma ação implícita na pergunta, mas que o cliente estava evitando.
Muitas vezes o querente, embora perfeitamente sincero, não está fazendo a pergunta que está realmente na sua cabeça. Ele pode, por exemplo, estar preocupado com um relacionamento, mas não quer perguntar sobre isso para não receber uma resposta da qual não goste. Assim, em vez de perguntar sobre isso, ele indaga sobre sua profissão. A posição da Lua muitas vezes mostra sobre o que ele realmente está pensando. Não necessariamente ele está pensando em alguma coisa completamente diferente, mas pode indicar seu interesse particular no assunto. Se ele pergunta “irei casar com esta mulher?” e a Lua está na oitava casa – o dinheiro do parceiro – isso seria uma sugestão de que, pelos menos, o lado econômico do casamento é importante para ele.
Se a Lua estiver na 12ª, a casa dos segredos, é claro que há algo mais profundo do que a questão feita, mesmo que o querente não saiba o que é. Mesmo a melhor resposta não o deixará satisfeito: é como se ele estivesse gradualmente tateando na direção do que o que ele realmente quer saber. A pergunta que ele realmente fez pode ser um passo importante na direção certa, mesmo se for somente para que ele perceba que ela não é na verdade o que está no coração do problema.
Se a pergunta é feita por outra pessoa, a sétima casa significa o astrólogo. Se Saturno estiver na sétima, ou o regente da sétima estiver localizado de forma infeliz, o alarme é de julgamento ruim. Normalmente haverá uma boa razão para isso. Suponhamos que o regente da sétima, significando o astrólogo, recebe uma quadratura de Marte, regente da sexta, a casa das doenças; isso demonstraria que o astrólogo está com uma enorme febre – ele não está no seu melhor estado, portanto seu julgamento inevitavelmente será prejudicado. Esta aflições à sétima casa podem ser ignoradas se a pergunta for sobre assuntos da própria sétima – relacionamentos, parcerias profissionais ou inimigos declarados. Neste caso, as aflições serão parte da situação que o astrólogo estará julgando. Morinus, no entanto, ressaltou que qualquer planeta afligindo a sétima casa também aflige a primeira: ele não tinha tempo para astrólogos egocêntricos que encontram a si próprios em todas as questões.
Mais do que uma sétima afligida, um alerta que se deve ouvir parecem ser as aflições de Mercúrio ou do regente da terceira casa, que representa a comunicação do cliente com o astrólogo. Isso pode indicar que, mesmo que não de forma deliberada, o cliente forneceu informações falsas. Parece ser da natureza dos objetos perdidos, por exemplo, que eles estejam exatamente no lugar onde o cliente assegurou o astrólogo que eles não estão.
Finalmente, o regente do ascendente combusto – a menos de 8,5 graus do Sol – é uma forte indicação de que o querente não seguirá o julgamento: seu senso de raciocínio foi completamente subjugado. Lilly inadvertidamente fornece um exemplo deste caso. Ele teve a oportunidade de comprar algumas casas, em uma das quais ele havia vivido e sido feliz quando era um jovem homem. Ele erigiu um mapa para a pergunta: “devo comprar estas casas?”.
O senhor do ascendente, representando o próprio Lilly, era Vênus – combusta e, pior ainda, se movendo em direção ao aumento da combustão. Para um olhar imparcial, o mapa demonstrava claramente que comprar as casas não era uma boa idéia: elas estavam em má condição e o vendedor, percebendo que Lilly estava fisgado, estava pedindo um preço desproporcionalmente alto. Em seu julgamento, Lilly, normalmente tão cuidadoso, torce toda e qualquer regra de astrologia para tentar atingir a resposta que queria. Mesmo assim, ele não consegue, ignora o mapa e compra as casas de qualquer modo.
Ao escrever seu julgamento mais ou menos treze anos depois, para incluir no Christian Astrology, Lilly admite que fez um “negócio ruim”, mas alega não ter ser arrependido. Isso é um exemplo claro de como o melhor dos astrólogos pode ser iludido por seu planeta em combustão. O Sol, neste mapa, representa a filha do vendedor. Lilly se convenceu de que ela estava do seu lado nas negociações, persuadindo seu pai a não vender as casas para mais ninguém. É mais provável que ela estivesse manipulando Lilly, o que foi a causa imediata de seu julgamento teimoso e equivocado (todos os louvores a Archie Dunlop por ressaltar este ponto).
As opiniões divergem sobre como o astrólogo deve reagir a essas considerações. Alguns se recusam a lidar com qualquer mapa nos quais elas se apliquem, o que parece com o médico que diz a metade de seus pacientes: “vá embora, você tem os sintomas errados”. Elas podem ser vistas apenas como alertas, sinais de que devemos ter cuidado e checar se não há algo que estejamos desprezando. Se ficarmos tão aterrorizados com a possibilidade do erro, não seremos capazes de julgar nada.
Se estiver em dúvida, no entanto, é completamente permitido ao astrólogo dizer “eu não sei”. Existe uma história, sobre o Rei Eduardo VII da Inglaterra, na qual ele pergunta para seu médico o que estaria errado com ele. Quando o médico respondeu “eu não sei”, dizem que o Rei falou “você deve saber. Você é o melhor médico da Inglaterra.”, ao que ele replicou “se eu não fosse um médico tão bom, eu saberia.”.
A questão do regente da hora e a sua relação com o regente do ascendente será considerada em detalhe em uma edição posterior.
Posso voltar para casa?
O cliente é um exilado político. O governo de seu país o tem tentado, dizendo que ele poderia retornar sem sofrer nenhum mal. Ele não confiava neles, e perguntou se o seu retorno seria seguro.
Imediatamente, notamos a precaução antes do julgamento: um grau muito avançado no ascendente. Neste caso, ele refletiu de forma precisa o seu desespero. A lua está na oitava casa, a casa da morte, enfatizando suas preocupações. Em uma pergunta como essa, o Nodo Sul nesta casa é um sinal muito ruim: ele tinha muito com o que se preocupar. A Lua não está no mesmo signo do que a oitava casa, no entanto, dando a ele um pouco de segurança. Ela está em Touro, sua exaltação, e está se aplicando a uma conjunção com Vênus, a regente daquele signo. Vênus rege a nona casa, viagens longas. Essa associação com a benéfica Vênus sugere que ficar em uma longa viagem, longe de casa, é o que o mantém a salvo.
O significador do querente, Mercúrio, confirma isso: lá está ele, na nona casa, um lugar apropriado para um homem no exílio. Ele está em seu próprio signo, confirmando sua segurança, mas está retrógrado, e sob os raios do Sol (a menos de 17 graus e meio do Sol). Com Mercúrio neste estado, ele não está pensando direito. Ele está andando para trás – ele está pensando em voltar – para se opor a Júpiter, o senhor da quarta casa, sua terra natal.
Se os dois significadores se encontram por oposição, a coisa sobre a qual se pergunta ocorre, mas há arrependimento depois. Nesta situação, o arrependimento pode chegar tarde demais. Felizmente, o aspecto não chega à perfeição. Mercúrio pára e volta a seu movimento à frente logo antes de atingir a oposição. É como se ele voltasse à razão e percebesse o que o espera bem em cima da hora.
As conseqüências de não conseguir realizá-lo seriam fatais. Existem dois modos diferentes de se descobrir a posição da Parte da Morte: ou se adiciona aos graus da oitava cúspide os graus de Saturno e se retira os graus da Lua, ou se adiciona aos graus do ascendente os graus da oitava cúspide e, novamente, se tira a Lua. O primeiro destes métodos dá 11,14 de Peixes: Júpiter, o regente de sua terra natal, se aplica imediatamente a este ponto por quadratura. O segundo método dá 17,41 de Virgem. Neste caso, Mercúrio, o próprio querente, se aplica em quadratura. No contexto da pergunta, a situação é perigosa.
O julgamento era claro: não vá para casa. Felizmente, Mercúrio ainda estava a alguma distância do Sol. Se ele estivesse combusto, o querente poderia ter seguido Lilly ao ignorar os alertas do mapa, com conseqüências muito mais sérias.
Isso demonstra a conexão entre livre arbítrio e predestinação, uma das maiores pedras de tropeço da astrologia. Eles não são contraditórios, mas são dois lados da mesma moeda. O querente ouviu o julgamento do mapa e decidiu, de livre vontade, não voltar para casa. Essa mudança de vontade é mostrada no mapa; por este lado, podemos dizer que o seu livre arbítrio é predestinado. Podemos dizer também, no entanto, que o seu futuro predestinado é resultado de seu livre arbítrio. Eles são as mesmas coisas, vistas de ângulos diferentes. Eu posso dizer “se eu estou predestinado a ser um cientista nuclear, posso largar a escola”, mas se eu largar a escola, não estou predestinado a ser um cientista nuclear. A lógica, neste caso, é uma faca de dois gumes. Longe de diminuir nosso livre arbítrio, a previsão na verdade aumenta nossa responsabilidade, ao nos mostrar de antemão as conseqüências de nossas ações.
AS CONSIDERAÇÕES ANTES DO JULGAMENTO
Quando um paciente entra em um consultório clínico, o médico imediatamente irá observar certas coisas, mesmo antes de perguntar “Qual é o problema?”. Temos algo similar em astrologia horária. Uma vez que tenhamos confeccionado o mapa, existem alguns pontos que devemos checar antes de nos metermos a julgá-lo. Estes pontos são tradicionalmente conhecidos como as considerações antes do julgamento, e servem para proteger o astrólogo, o avisando quando for mais provável que ele cometa um erro.
No consultório, fatores óbvios como a idade e o sexo do paciente excluirão alguns diagnósticos possíveis. Para dar um exemplo simples, não importa o quanto os sintomas sugiram uma gravidez, se o paciente é homem, o médico sabe que esta seria a resposta errada. Há alguma coisa que lhe diz “tenha cuidado – pense de novo.”. Ele sabe que sua diagnose deve se ajustar ao paciente. Da mesma forma, se o paciente está pulando pela sala, radiando de saúde, o medico deve suspeitar que ele esteja apenas procurando uns dias longe do trabalho, e deve dar um desconto em tudo o que ele lhe disser.
Uma vez que o paciente começa a contar seus sintomas, outros sinais de alerta podem soar na cabeça do médico. “Isso é provavelmente uma indigestão leve”, ele pensa, “mas eu tenho que ter cuidado; pode também ser um caso de espinhela caída, uma doença grave, e é fácil confundir uma com a outra”. Haverá momentos em que ele não conseguirá diagnosticar o problema, e outros – mesmo que a doença seja apenas um resfriado – em que ele não poderá produzir a cura. Existem fatores no mapa que dão ao astrólogo o mesmo sinal de alerta: “tenha cuidado aqui, você pode errar desta vez”.
O ascendente representa a pessoa que fez a pergunta, e, portanto, é de grande importância. Um alerta tradicionalmente sério é se o ascendente cair nos primeiros graus de um signo. Menos de três graus ascendendo sugerem que seja muito cedo para julgar a questão: alguma coisa tem que acontecer antes que haja informação suficiente, mesmo no mapa. É como se a pergunta não estivesse madura ainda. Para continuar com a analogia médica, o paciente pode estar se sentindo desconfortável de uma forma geral, mas o médico não consegue dizer qual é a sua doença antes que ele comece a ficar todo pintado.
Quando os graus ascendendo são 27 ou mais, costuma-se dizer que é muito tarde para julgar: não há mais nada que possa ser feito sobre o assunto, ou ele está fora das mãos da querente. Se ela pergunta “eu conseguirei o emprego?”, por exemplo, ele pode já ter sido dado a outra pessoa, ou pode ser um daqueles empregos que são anunciados apenas pro forma, quando a decisão já foi tomada muito tempo atrás. Essa situação tardia muitas vezes reflete a opinião do querente, e não o real estado das coisas.
Esses avisos sobre os graus iniciais ou tardios vêm de uma época em que era muito mais difícil do que hoje em dia de se ter certeza exatamente qual signo estava ascendendo. Se o astrólogo pusesse o ascendente no signo errado, ele dificilmente terminaria com um julgamento correto: daí vem o conselho de evitar julgar mapas ao redor do ponto de mudança dos signos. Como diz Lilly, em um período comparativamente recente da história da astrologia, “muitas vezes o Sol não está visível, e os relógios podem falhar, é possível que você se engane e erre o Ascendente correto”. Com relógios mais acessíveis e efemérides mais acuradas, isso é muito menos relevante hoje em dia. Dito isto, graus iniciais carregam uma sensação de imaturidade e graus tardios a desesperança do fait acompli.
Esses graus iniciais ou tardios também podem nos alertar que a pergunta pode não ser sincera, que foi perguntada com a intenção de enganar o astrólogo, ou, nas palavras de Henry Coley, pupilo de Willian Lilly, que o querente andou “mexendo com outros”. E é isso o que normalmente acontece: estas são as pessoas que, quando ouvem o julgamento, dirão: “ah, mas o meu médium disse...”.
Os escritores mais antigos diziam que um mapa com 27 graus ou mais no ascendente pode ser lido com segurança se o querente tem a idade correspondente ao número de graus, e que quando o ascendente está em 3 graus ou menos, ele pode ser lido com segurança se o querente é muito jovem (não necessariamente menor de três anos). Estes são exemplos de mapas que se ajustam às circunstâncias, considerando um critério de radicalidade, embora o desejo de encontrar a descrição física do querente no ascendente e seu regente deva ser visto no contexto do trabalho do astrólogo. Isso era o seu argumento de convencimento – um modo de impressionar o cliente com sua sabedoria antes de iniciar o julgamento. A correlação aparentemente mágica entre o número de graus no ascendente e sua idade pode ter sido um modo de inspirar reverência no cliente, mas não é mais relevante do que a correlação entre os mesmos graus e o número de sua casa ou o comprimento da cauda de seu gato.
Este estabelecimento do quadro da situação às vezes é útil e pode ser impressionante; no entanto, a existência ou não de uma correspondência aparente entre o regente do ascendente e o querente não pode, no entanto, ser tomada como um critério de validade do mapa. O regente do ascendente significa o querente porque ele rege a primeira casa, não porque ele descreva o próprio ou a sua situação. Não é da nossa alçada decidir se o mapa “se ajusta” e é, portanto, “real”; o mapa é parte da realidade, tanto quanto qualquer outra coisa. Se esquecermos disso, a astrologia vira nonsense. O mapa ainda é radical, o regente do ascendente descrevendo o querente ou não.
A posição da Lua é importante. Se ela estiver na Via Combusta – o caminho que queima – de 15º de Libra a 15º de Escorpião – ou prestes a entrar nesta região, considera-se que isso seja um sinal de que o julgamento do astrólogo não será bem recebido, e que os eventos serão muito turbulentos para serem confiáveis. A Lua não fazer nenhum aspecto antes de deixar o signo onde ela está é uma forte indicação de que nada irá acontecer. Isso bem pode ser uma resposta por si só, para o bem ou para o mal: “irei conseguir o emprego?”; “minha mulher vai me deixar?”; não; nada irá ocorrer. Em Câncer ou Touro, onde a Lua é forte, ou Peixes e Sagitário, regidos por Júpiter, que é exaltado em Câncer, signo da Lua, isso não se aplica. Isso também se aplica se a Lua estiver Fora de Curso no meio de um signo. Isso demonstra um período de estagnação, que normalmente durará até que o querente tome uma ação para cessar a paralisia total – frequentemente, uma ação implícita na pergunta, mas que o cliente estava evitando.
Muitas vezes o querente, embora perfeitamente sincero, não está fazendo a pergunta que está realmente na sua cabeça. Ele pode, por exemplo, estar preocupado com um relacionamento, mas não quer perguntar sobre isso para não receber uma resposta da qual não goste. Assim, em vez de perguntar sobre isso, ele indaga sobre sua profissão. A posição da Lua muitas vezes mostra sobre o que ele realmente está pensando. Não necessariamente ele está pensando em alguma coisa completamente diferente, mas pode indicar seu interesse particular no assunto. Se ele pergunta “irei casar com esta mulher?” e a Lua está na oitava casa – o dinheiro do parceiro – isso seria uma sugestão de que, pelos menos, o lado econômico do casamento é importante para ele.
Se a Lua estiver na 12ª, a casa dos segredos, é claro que há algo mais profundo do que a questão feita, mesmo que o querente não saiba o que é. Mesmo a melhor resposta não o deixará satisfeito: é como se ele estivesse gradualmente tateando na direção do que o que ele realmente quer saber. A pergunta que ele realmente fez pode ser um passo importante na direção certa, mesmo se for somente para que ele perceba que ela não é na verdade o que está no coração do problema.
Se a pergunta é feita por outra pessoa, a sétima casa significa o astrólogo. Se Saturno estiver na sétima, ou o regente da sétima estiver localizado de forma infeliz, o alarme é de julgamento ruim. Normalmente haverá uma boa razão para isso. Suponhamos que o regente da sétima, significando o astrólogo, recebe uma quadratura de Marte, regente da sexta, a casa das doenças; isso demonstraria que o astrólogo está com uma enorme febre – ele não está no seu melhor estado, portanto seu julgamento inevitavelmente será prejudicado. Esta aflições à sétima casa podem ser ignoradas se a pergunta for sobre assuntos da própria sétima – relacionamentos, parcerias profissionais ou inimigos declarados. Neste caso, as aflições serão parte da situação que o astrólogo estará julgando. Morinus, no entanto, ressaltou que qualquer planeta afligindo a sétima casa também aflige a primeira: ele não tinha tempo para astrólogos egocêntricos que encontram a si próprios em todas as questões.
Mais do que uma sétima afligida, um alerta que se deve ouvir parecem ser as aflições de Mercúrio ou do regente da terceira casa, que representa a comunicação do cliente com o astrólogo. Isso pode indicar que, mesmo que não de forma deliberada, o cliente forneceu informações falsas. Parece ser da natureza dos objetos perdidos, por exemplo, que eles estejam exatamente no lugar onde o cliente assegurou o astrólogo que eles não estão.
Finalmente, o regente do ascendente combusto – a menos de 8,5 graus do Sol – é uma forte indicação de que o querente não seguirá o julgamento: seu senso de raciocínio foi completamente subjugado. Lilly inadvertidamente fornece um exemplo deste caso. Ele teve a oportunidade de comprar algumas casas, em uma das quais ele havia vivido e sido feliz quando era um jovem homem. Ele erigiu um mapa para a pergunta: “devo comprar estas casas?”.
O senhor do ascendente, representando o próprio Lilly, era Vênus – combusta e, pior ainda, se movendo em direção ao aumento da combustão. Para um olhar imparcial, o mapa demonstrava claramente que comprar as casas não era uma boa idéia: elas estavam em má condição e o vendedor, percebendo que Lilly estava fisgado, estava pedindo um preço desproporcionalmente alto. Em seu julgamento, Lilly, normalmente tão cuidadoso, torce toda e qualquer regra de astrologia para tentar atingir a resposta que queria. Mesmo assim, ele não consegue, ignora o mapa e compra as casas de qualquer modo.
Ao escrever seu julgamento mais ou menos treze anos depois, para incluir no Christian Astrology, Lilly admite que fez um “negócio ruim”, mas alega não ter ser arrependido. Isso é um exemplo claro de como o melhor dos astrólogos pode ser iludido por seu planeta em combustão. O Sol, neste mapa, representa a filha do vendedor. Lilly se convenceu de que ela estava do seu lado nas negociações, persuadindo seu pai a não vender as casas para mais ninguém. É mais provável que ela estivesse manipulando Lilly, o que foi a causa imediata de seu julgamento teimoso e equivocado (todos os louvores a Archie Dunlop por ressaltar este ponto).
As opiniões divergem sobre como o astrólogo deve reagir a essas considerações. Alguns se recusam a lidar com qualquer mapa nos quais elas se apliquem, o que parece com o médico que diz a metade de seus pacientes: “vá embora, você tem os sintomas errados”. Elas podem ser vistas apenas como alertas, sinais de que devemos ter cuidado e checar se não há algo que estejamos desprezando. Se ficarmos tão aterrorizados com a possibilidade do erro, não seremos capazes de julgar nada.
Se estiver em dúvida, no entanto, é completamente permitido ao astrólogo dizer “eu não sei”. Existe uma história, sobre o Rei Eduardo VII da Inglaterra, na qual ele pergunta para seu médico o que estaria errado com ele. Quando o médico respondeu “eu não sei”, dizem que o Rei falou “você deve saber. Você é o melhor médico da Inglaterra.”, ao que ele replicou “se eu não fosse um médico tão bom, eu saberia.”.
A questão do regente da hora e a sua relação com o regente do ascendente será considerada em detalhe em uma edição posterior.
Posso voltar para casa?
O cliente é um exilado político. O governo de seu país o tem tentado, dizendo que ele poderia retornar sem sofrer nenhum mal. Ele não confiava neles, e perguntou se o seu retorno seria seguro.
Imediatamente, notamos a precaução antes do julgamento: um grau muito avançado no ascendente. Neste caso, ele refletiu de forma precisa o seu desespero. A lua está na oitava casa, a casa da morte, enfatizando suas preocupações. Em uma pergunta como essa, o Nodo Sul nesta casa é um sinal muito ruim: ele tinha muito com o que se preocupar. A Lua não está no mesmo signo do que a oitava casa, no entanto, dando a ele um pouco de segurança. Ela está em Touro, sua exaltação, e está se aplicando a uma conjunção com Vênus, a regente daquele signo. Vênus rege a nona casa, viagens longas. Essa associação com a benéfica Vênus sugere que ficar em uma longa viagem, longe de casa, é o que o mantém a salvo.
O significador do querente, Mercúrio, confirma isso: lá está ele, na nona casa, um lugar apropriado para um homem no exílio. Ele está em seu próprio signo, confirmando sua segurança, mas está retrógrado, e sob os raios do Sol (a menos de 17 graus e meio do Sol). Com Mercúrio neste estado, ele não está pensando direito. Ele está andando para trás – ele está pensando em voltar – para se opor a Júpiter, o senhor da quarta casa, sua terra natal.
Se os dois significadores se encontram por oposição, a coisa sobre a qual se pergunta ocorre, mas há arrependimento depois. Nesta situação, o arrependimento pode chegar tarde demais. Felizmente, o aspecto não chega à perfeição. Mercúrio pára e volta a seu movimento à frente logo antes de atingir a oposição. É como se ele voltasse à razão e percebesse o que o espera bem em cima da hora.
As conseqüências de não conseguir realizá-lo seriam fatais. Existem dois modos diferentes de se descobrir a posição da Parte da Morte: ou se adiciona aos graus da oitava cúspide os graus de Saturno e se retira os graus da Lua, ou se adiciona aos graus do ascendente os graus da oitava cúspide e, novamente, se tira a Lua. O primeiro destes métodos dá 11,14 de Peixes: Júpiter, o regente de sua terra natal, se aplica imediatamente a este ponto por quadratura. O segundo método dá 17,41 de Virgem. Neste caso, Mercúrio, o próprio querente, se aplica em quadratura. No contexto da pergunta, a situação é perigosa.
O julgamento era claro: não vá para casa. Felizmente, Mercúrio ainda estava a alguma distância do Sol. Se ele estivesse combusto, o querente poderia ter seguido Lilly ao ignorar os alertas do mapa, com conseqüências muito mais sérias.
Isso demonstra a conexão entre livre arbítrio e predestinação, uma das maiores pedras de tropeço da astrologia. Eles não são contraditórios, mas são dois lados da mesma moeda. O querente ouviu o julgamento do mapa e decidiu, de livre vontade, não voltar para casa. Essa mudança de vontade é mostrada no mapa; por este lado, podemos dizer que o seu livre arbítrio é predestinado. Podemos dizer também, no entanto, que o seu futuro predestinado é resultado de seu livre arbítrio. Eles são as mesmas coisas, vistas de ângulos diferentes. Eu posso dizer “se eu estou predestinado a ser um cientista nuclear, posso largar a escola”, mas se eu largar a escola, não estou predestinado a ser um cientista nuclear. A lógica, neste caso, é uma faca de dois gumes. Longe de diminuir nosso livre arbítrio, a previsão na verdade aumenta nossa responsabilidade, ao nos mostrar de antemão as conseqüências de nossas ações.
Primeiro texto do Frawley - Fortuna nas competições.
O original se encontra em: http://www.johnfrawley.com/2APPRENTICE.pdf
Este texto saiu na edição número 2 do Astrologer´s Apprentice.
Fortuna nas competições
A Parte da Fortuna é um dos fatores mais importantes no julgamento de um mapa para uma competição. Com a carta erigida para momento e o local do início da partida, e o Ascendente representando os favoritos e o Descendente os azarões, a Fortuna parece significar as esperanças de glória dos favoritos. No contexto destes mapas em particular, ela é na verdade seu “tesouro”, como sugerem os mestres.
A posição da Parte da Fortuna permanece razoavelmente estática, com relação ao Ascendente, durante os períodos de tempo que estamos considerando, e sua localização em casas ou quaisquer aspectos entre ela e o Ascendente apresentam poucos efeitos. A Fortuna caindo logo no início do descendente ou do Fundo do Céu, por exemplo, a poria sob o controle dos azarões, a tornando um testemunho forte da derrota dos favoritos. Se isso fosse assim, os favoritos em todos os jogos que ocorressem naquela tarde perderiam; isso não acontece.
O antiscion da Fortuna, ao contrário, é muito mais sensível ao tempo, pulando pelo mapa à medida que o Ascendente se move pelos signos. Sua posição é muitas vezes crítica. Caindo logo no início do IC, ou dentro ou se aproximando do Descendente, se torna um dos mais fortes indicadores de vitória para o azarão. Quanto mais perto ele estiver, mais confiáveis são seus efeitos: 2-3 graus parecem ser o máximo.
Da mesma forma, o ascendente se aplicando em trígono ou sextil ao antiscion da Fortuna é um indicador fraco da vitória dos favoritos, enquanto uma quadratura é um testemunho confiável de sua derrota.
Em relação a aspectos com os planetas, no entanto, tanto o antiscion quanto a Parte mesma devem ser considerados. A Lua se aplicando em uma oposição à Fortuna é provavelmente a maior e mais poderosa indicação da derrota dos favoritos; vale, se não sua camisa, ao menos sua jaqueta. Sua oposição ao antiscion mostra a mesma coisa, mas pode ser compensada por outros testemunhos.
A aplicação da Lua a uma conjunção com a Fortuna dá a vitória aos favoritos. Trígono ou quincôncio à Parte também mostra vitória dos favoritos; no entanto, por razões que não estão imediatamente aparentes, enquanto sua quadratura com a Parte não é confiável de forma alguma, sua quadratura com o antiscion é testemunho extremamente confiável da derrota dos favoritos.
A conjunção e a oposição são os únicos aspectos do Senhor do Ascendente à Parte que podem ser seguidos com confiança: a conjunção para a vitória, a oposição com a derrota. Nos outros casos, os aspectos com o antiscion são mais confiáveis. Surpreendentemente, sua oposição ao antiscion parece trazer vitória.
Aspectos com Saturno, se ele não for o regente do Ascendente, são aflições sérias, como deveríamos esperar. Nem combustão, nem conjunção com estrelas fixas (mesmo Caput Algol), no entanto, parecem fazer alguma diferença.
Experimentos repetidos com mapas deste tipo mostram que a Fortuna pode ser calculada como Ascendente+ Sol – Lua, tanto de dia como de noite. Parece razoável supor que isso se aplique a qualquer tipo de mapa.
Este texto saiu na edição número 2 do Astrologer´s Apprentice.
Fortuna nas competições
A Parte da Fortuna é um dos fatores mais importantes no julgamento de um mapa para uma competição. Com a carta erigida para momento e o local do início da partida, e o Ascendente representando os favoritos e o Descendente os azarões, a Fortuna parece significar as esperanças de glória dos favoritos. No contexto destes mapas em particular, ela é na verdade seu “tesouro”, como sugerem os mestres.
A posição da Parte da Fortuna permanece razoavelmente estática, com relação ao Ascendente, durante os períodos de tempo que estamos considerando, e sua localização em casas ou quaisquer aspectos entre ela e o Ascendente apresentam poucos efeitos. A Fortuna caindo logo no início do descendente ou do Fundo do Céu, por exemplo, a poria sob o controle dos azarões, a tornando um testemunho forte da derrota dos favoritos. Se isso fosse assim, os favoritos em todos os jogos que ocorressem naquela tarde perderiam; isso não acontece.
O antiscion da Fortuna, ao contrário, é muito mais sensível ao tempo, pulando pelo mapa à medida que o Ascendente se move pelos signos. Sua posição é muitas vezes crítica. Caindo logo no início do IC, ou dentro ou se aproximando do Descendente, se torna um dos mais fortes indicadores de vitória para o azarão. Quanto mais perto ele estiver, mais confiáveis são seus efeitos: 2-3 graus parecem ser o máximo.
Da mesma forma, o ascendente se aplicando em trígono ou sextil ao antiscion da Fortuna é um indicador fraco da vitória dos favoritos, enquanto uma quadratura é um testemunho confiável de sua derrota.
Em relação a aspectos com os planetas, no entanto, tanto o antiscion quanto a Parte mesma devem ser considerados. A Lua se aplicando em uma oposição à Fortuna é provavelmente a maior e mais poderosa indicação da derrota dos favoritos; vale, se não sua camisa, ao menos sua jaqueta. Sua oposição ao antiscion mostra a mesma coisa, mas pode ser compensada por outros testemunhos.
A aplicação da Lua a uma conjunção com a Fortuna dá a vitória aos favoritos. Trígono ou quincôncio à Parte também mostra vitória dos favoritos; no entanto, por razões que não estão imediatamente aparentes, enquanto sua quadratura com a Parte não é confiável de forma alguma, sua quadratura com o antiscion é testemunho extremamente confiável da derrota dos favoritos.
A conjunção e a oposição são os únicos aspectos do Senhor do Ascendente à Parte que podem ser seguidos com confiança: a conjunção para a vitória, a oposição com a derrota. Nos outros casos, os aspectos com o antiscion são mais confiáveis. Surpreendentemente, sua oposição ao antiscion parece trazer vitória.
Aspectos com Saturno, se ele não for o regente do Ascendente, são aflições sérias, como deveríamos esperar. Nem combustão, nem conjunção com estrelas fixas (mesmo Caput Algol), no entanto, parecem fazer alguma diferença.
Experimentos repetidos com mapas deste tipo mostram que a Fortuna pode ser calculada como Ascendente+ Sol – Lua, tanto de dia como de noite. Parece razoável supor que isso se aplique a qualquer tipo de mapa.
Artigos do John Frawley
John Frawley é um dos grandes nomes entre os astrólogos "tradicionais" e um dos mais famosos. Para o meu gosto, também é um dos que escreve melhor.
Comecei a traduzir alguns textos dele, a partir das edições do Astrologer's Apprentice.
Consultei o autor, ele permitiu, e, portanto, começarei a postar artigos traduzidos de Frawley aqui.
A página de John Frawley: http://www.johnfrawley.com/
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23.7.07
Tetrabiblos de novo - livro II e o começo do III
LIVRO II.
1. lntrodução.
Devemos considerar que, até agora, fornecemos, resumidamente, os detalhes mais importantes da exposição tabular necessária para a pesquisa nos prognósticos particulares. Vamos acrescentar, então, na seqüência adequada, os procedimentos para lidarmos em detalhe com aqueles assuntos que estão dentro dos limites da possibilidade deste tipo de previsão, permanecendo sempre firmes no método natural de exposição.
Uma vez, então, que a previsão por meios astronômicos está dividida em duas grandes partes principais, e uma vez que a primeira e mais universal, chamada de geral, é aquela que está relacionada com raças, países e cidades consideradas em sua totalidade, e a segunda, e mais específica, que é chamada de genetlialógica, é aquela que se refere aos homens individuais, cremos ser acertado tratarmos primeiramente da divisão geral, porque tais assuntos são normalmente influenciados por causas maiores e mais poderosas do que são os eventos particulares. E, já que as naturezas mais fracas devem ceder às mais fortes, e o particular sempre cai dentro do geral, seria sempre necessário, para aqueles que pretendem realizar uma investigação sobre um indivíduo único, ter compreendido muito antes as considerações mais gerais.
Sobre a investigação geral em si mesma, novamente, uma parte se refere a países inteiros, e uma parte se refere a cidades; além disso, uma parte lida com as condições maiores e mais periódicas, tais como as guerras, as fomes, as pestes, os terremotos, os dilúvios e coisas assim; e outra lida com os eventos menores e mais ocasionais, como por exemplo, as mudanças na temperatura nas estações do ano, e as variações na intensidade das tempestades, calor e ventos, e a qualidade, boa ou má, das colheiras, entre outros. No entanto, para cada um destes casos, é preferível proceder analisando países inteiros e as condições mais gerais, pela mesma razão de antes. Duas coisas são particularmente levadas em conta no exame destas questões: a familiaridade dos signos do zodíaco, e também das estrelas, com os diversos climas, e as significações dos corpos celestiais em suas próprias regiões em um dado momento, manifestadas pelas conjunções eclípticas do Sol e da Lua e dos trânsitos dos planetas ascendentes e em seus períodos estacionários. Devemos, portanto, em primeiro lugar, explicar a razão natural para as simpatias ditas acima, e ao mesmo tempo resumir rapidamente as peculiaridades corporais e éticas geralmente observadas em nações inteiras, que não são estranhas às características naturais das estrelas e dos signos que lhe são familiares.
2. Sobre as Características dos Habitantes dos Climas Gerais.
A demarcação de características nacionais é estabelecida em parte por paralelos e ângulos inteiros, através de sua posição relativa à eclíptica e ao Sol, pois, enquanto a região na qual habitamos é uma das regiões do norte, as pessoas que vivem sob os paralelos mais ao sul, ou seja, aqueles que vivem entre o equador e o trópico de verão, uma vez que eles têm o Sol sobre suas cabeças e são queimados por ele, possuem pele negra e cabelos grossos e como a lã, são contraídos na forma e encolhidos na estatura, de natureza sanguínea, e, quanto aos hábitos, são em sua maior parte selvagens, porque seus lares são continuamente oprimidos pelo calor; nós os chamamos pelo nome geral de Etíopes. Não apenas eles estão nesta condição, mas observamos também que o seu clima e os animais e plantas da sua região claramente fornecem evidência deste cozimento pelo Sol.
Aqueles que vivem sob os paralelos mais ao norte, aqueles, quero dizer, que tem as Ursas sobre suas cabeças, uma vez que estão muito afastados do zodíaco e do calor do Sol, são portanto resfriados; no entanto, porque eles possuem uma quantidade maior de umidade, que é mais nutritiva e não está, neste lugar, exaurida pelo calor, eles possuem a compleição branca, com os cabelos lisos, são altos e bem-nutridos, e de certa forma frios por natureza; eles também são selvagens em seus hábitos, porque seus locais de morada são continuamente frios.A característica invernal de seu clima, o tamanho de suas plantas, e a ferocidade de seus animais estão de acordo com essas qualidades. Nós os chamamos, também, por um nome geral, Citas.
Os habitantes da região entre o trópico de verão e as Ursas, no entanto, uma vez que o Sol não está nem diretamente sobre suas cabeças nem muito distante em seus trânsitos diurnos, partilham da temperatura moderada do ar, que varia, com certeza, mas não apresenta mudanças violentas do calor para o frio. Eles estão, portanto, em posição mediana na cor, possuem estatura moderada, são moderados por natureza, vivem bastante unidos, e são civilizados nos seus hábitos. Os mais ao sul entre eles são mais astutos e inventivos, e melhores versados nas coisas divinas porque seu zênite está mais perto do zodíaco e dos planetas que se movem sobre ele. Através desta afinidade os homens mesmos são caracterizados por uma atividade da alma que é sagaz, investigativa, e em conformidade com a investigação das ciências especificamente chamadas de matemáticas. Ainda a respeito deles, o grupo oriental é mais masculino, vigoroso e franco em todas as coisas, porque se poderia presumir razoavelmente que o oriente partilha da natureza do Sol. Esta região, portanto, é diurna, masculina, e destra, mesmo quando observamos que entre os animais também suas partes destras são mais conformes à força e ao vigor. Aqueles ao oeste são mais femininos, de alma mais mole, e dados a segredos, porque esta região, mais uma vez, é lunar porque é sempre no oeste que a Lua emerge e faz sua aparição após a conjunção. Por esta razão, o clima parece noturno, feminino, e, em contraste com o oriente, canhoto.
Agora, em cada uma destas regiões gerais certas condições especiais de caráter e costumes naturalmente aparecem, assim como, no caso do clima, mesmo dentro de regiões que são consideradas quentes, frias, ou temperadas, algumas localidades e países possuem peculiaridades especiais de excesso ou deficiência em razão de sua situação, altitude, localização baixa ou proximidade. Desta forma, assim como alguns povos são mais inclinados à criação de cavalos porque seu país é constituído de planícies, ou às atividades marinhas porque vivem perto do mar, ou à civilização por causa da riqueza de seu solo, do mesmo modo se descobriria traços especiais surgindo da familiaridade natural dos seus climas particulares com as estrelas nos signos do zodíaco. Esses traços, também, seriam encontrados de forma geral, mas não em todos os indivíduos. Devemos, então, tratar brevemente do assunto, na medida em que seja útil para o propósito das investigações particulares.
3. Sobre as Familiaridades entre os Países e as Triplicidades e Estrelas.
Das quatro formações triangulares reconhecidas no zodíaco, como demonstramos acima, a que consiste de Áries, Leão e Sagitário é do Noroeste, e dominada principalmente por Júpiter devido ao vento norte, mas Marte se junta a esta regência por causa do vento sudoeste. Aquela que é composta de Touro, Virgem e Capricórnio é do Sudeste, e, novamente, é governada primariamente por Vênus devido ao vento sul, mas em conjunto com Saturno por causa do vento leste. A que consiste em Gêmeos, Libra e Aquário é do Nordeste e é governada primariamente por Saturno, por causa do vento leste, e conjuntamente com Júpiter por causa do vento norte. O triângulo de Câncer, Escorpião e Peixes é do Sudoeste e é governado primariamente, devido ao vento sudoeste, por Marte, que rege conjuntamente com Vênus devido ao vento sul.
Já que as coisas são assim, e uma vez que nosso mundo habitado é divido em quatro quadrantes, igual em número aos triângulos, e é dividido latitudinalmente por nosso Mar, dos Estreitos de Hércules até o Golfo de Issus e os cumes montanhosos adjacentes no Leste, e devido a estes suas porções ao norte e ao sul são separadas; e na longitude pelo Golfo Arábico, o Mar Egeu, o Ponto e o Lago Maeotis, pelos quais as porções ao leste e ao oeste estão separadas, surgem quatro quadrantes, e estes concordam em sua posição com os triângulos. O primeiro quadrante está localizado no noroeste do mundo habitado inteiro; ele abrange a Gália Celta e damos a ele o nome geral de Europa. Oposto a esta região está o quadrante sudeste, que inclui a Etiópia do leste, que seria denominada a parte sul da Ásia Maior. Mais ainda, o quadrante nordeste do mundo habitado é o que contém a Cítia, que da mesma forma é a parte norte da Ásia Maior; e o quadrante oposto a este e na direção do vento sudeste, o quadrante da Etiópia do oeste, é o que chamamos pelo termo geral de Líbia.
Novamente, de cada um dos quadrantes mencionados acima, suas partes que estão localizadas mais próximas do centro do mundo habitado são dispostas de uma forma contrária em relação aos quadrantes que as circundam, da mesma forma que estes últimos estão em comparação com o mundo inteiro; e, uma vez que o quadrante europeu está no noroeste do mundo inteiro, as suas partes perto do centro, que estão alinhadas ao ângulo oposto, obviamente estão situadas na região sudeste do quadrante. O mesmo é verdade para todos os outros quadrantes, de forma que cada um deles está relacionado a dois triângulos situados em oposição a eles, pois, enquanto as outras partes estão em harmonia com a inclinação geral do quadrante, as porções no centro do mundo são familiares com a inclinação oposta, e, mais ainda, sobre as estrelas que governam em seus próprios triângulos, em todos os outros domicílios que elas governam sozinhas, mas nas partes próximas ao centro, da mesma forma estão com o grupo, e além disso, Mercúrio, porque ele está no meio do caminho entre os dois séqüitos e é comum a ambos.
Sob este arranjo, o restante do primeiro quadrante, ou seja, o quadrante europeu, situado no noroeste do mundo habitado, é familiar com o triângulo noroeste, Áries, Leão e Sagitário, e é governado, como se deveria esperar, pelos senhores do triângulo, Júpiter e Marte, ocidentais. Em termos de nações inteiras, estas partes consistem da Bretanha, da Gália Transalpina, Alemanha, Bastárnia,Itália, Gália Cisalpina, Apúlia, Sicília, Tirrênia, Céltica e Espanha. Como se poderia esperar, é a característica geral destas nações, em razão da predominância dos triângulos e das estrelas que se juntam em seu governo, serem independentes, amantes da liberdade, com apreço pelas armas, industriosos, muito guerreiros, com qualidades de liderança, higiênicos e magnânimos. No entanto, por causa do aspecto ocidental de Júpiter e Marte, e além disso porque as primeiras partes do triângulo mencionado acima são masculinas e as últimas femininas, eles não têm paixão por mulheres e desprezam os prazeres do amor, mais estão mais satisfeitos com e possuem maior desejo em relação a homens. E eles não consideram o ato como uma desgraça para a honra, nem, na verdade, se tornam afeminados ou moles por causa desta tendência, porque sua disposição não é pervertida, mas eles retêm em suas almas a hombridade, a utilidade, boa fé, amor do companheirismo e benevolência. Destes mesmos países, a Bretanha, a Gália Transaplina, a Alemanha e a Bastárnia são mais familiares com Áries e Marte. Assim, na maior parte dos casos, seus habitantes são mais ferozes, mais teimosos e bestiais. No entanto, a Itália, Apúlia, a Gália Cisalpina e a Sicília são mais familiares com Leão e com o Sol; portante, estes povos são mais destros, soberanos, benevolentes e cooperativos. A Tirrênia, a Céltica e a Espanha são sujeitas a Sagitário e Júpiter, de onde vêm sua independência, simplicidade e amor por limpeza. As partes deste quadrante que estão situadas ao redor do centro do mundo habitado, Trácia, Macedônia, Ilíria, Hélade, Acaia, Creta, e da mesma forma as Cíclades, e as regiões da costa da Ásia Menor e Chipre, que estão na porção sudeste do quadrante inteiro, têm, além do explicado acima, familiaridade com o triângulo do sudeste, Touro, Virgem e Capricórnio, e seus co-regentes, Vênus, Saturno e Mercúrio. Em conseqüência, os habitantes destes países são de um modo conforme com estes planetas no corpo e na alma e são de uma constituição mais combinada. Eles também possuem qualidades de liderança e são nobres e independentes, por causa de Marte; eles são amantes da liberdade e se auto-governam, são democráticos e feitores de leis, devido a Júpiter; amantes de música e do estudo, com apreço pelas competições e higiene, devido a Vênus; sociais, amigáveis em contato com o estrangeiro, amantes da justiça, com apreço pelas letras e muito eficientes na eloqüência, por causa de Mercúrio, e são particularmente viciados em demonstrações de mistérios, por causa do aspecto ocidental de Vênus. Mais uma vez, parte a parte, os deste grupo que vivem nas Cíclades e nas costas da Ásia Menor e do Chipre são mais estreitamente familiares a Touro e Vênus; por estas razões eles são, no geral, luxuriosos, limpos e atentos ao próprio corpo. Os habitantes da Hélade, da Acáia e de Creta, no entanto, têm familiaridade com Virgem e Mercúrio, e são, portanto, melhores no raciocínio e amigos do estudo, e exercitam a alma, preferentemente ao corpo. Os macedônios, trácios e ilirianos têm familiaridade com Capricórnio e Saturno, de modo que embora eles sejam perdulários, não têm uma natureza mole, nem são sociáveis em suas instituições.
Sobre o segundo quadrante, que abranje a Índia, a Ariana, a Gedrósia, a Partia, a Média, a Pérsia, a Babilônia, a Mesopotâmia e a Assíria, que estão situadas no sudeste do mundo habitado, são, como poderíamos supor, familiares ao triângulo sudeste, Touro, Virgem e Capricórnio, e são governadas por Vênus e Saturno em aspectos orientais. Portanto, veremos que as naturezas de seus habitantes estão em conformidade com os temperamentos governados por estes regentes; pois eles reverenciam a estrela de Vênus sob o nome de Ísis, e a de Saturno pelo nome de Mithras Helios. A maior parte deles, também, prediz eventos futuros, e entre eles existe a prática de consagrar os órgãos genitais, por causa do aspecto das estrelas acima mencionadas, que por natureza é generativo. Além disso, eles são ardentes, concupiscentes, e inclinados aos prazeres do amor; através da influência de Vênus eles são dançarinos, saltadores e amantes do adorno, e através da influência de Saturno, amantes da vida luxuosa. Eles realizam suas relações com as mulheres de forma aberta e não em segredo, por causa do aspecto oriental de Vênus, mas consideram detestável este tipo de relação com machos. Por estas razões muitos deles geram crianças com suas próprias mães, e eles fazem o que o peito lhes manda, em virtude do nascer matinal dos planetas e por causa da primazia do coração, que é próximo do poder do Sol. Em relação ao resto, são geralmente luxuosos e efeminados no modo de se vestir, de se adornar e em todos os hábitos relativos ao corpo, por causa de Vênus. Em suas almas e por sua predileção eles são magnânimos, nobres, e afeitos à guerra, devido às familiaridades com Saturno oriental. Parte por parte, mais uma vez, Partia, Média e Pérsia são mais estreitamente familiares com Touro e Vênus, portanto seus habitantes utilizam roupas bordadas, que cobrem todo o corpo exceto o peito, e são de uma maneira geral luxuosos e limpos. Babilônia, Mesopotâmia e Assíria são familiares a Virgem e Mercúrio, e portanto o estudo da matemática e a observação dos cinco planetas são traços especiais destes povos. Índia, Ariana e Gedrósia possuem familiaridade com Capricórnio e Saturno; portanto, os habitantes destes países são feios, sujos e bestiais. As partes restantes do quadrante, situadas próximas do centro do mundo habitado, Iduméia, Síria Coelê, Judéia, Fenícia, Caldéia, Orquínia e Arábia Felix, que estão situadas para o noroeste do quadrante inteiro, têm uma familiaridade adicional com o triângulo do noroeste, Áries, Leão e Sagitário e, além disso, possuem como co-regentes Júpiter, Marte e Mercúrio. Portanto, estes povos são, em comparação com os outros, mais hábeis no comércio e nas trocas; eles são mais inescrupulosos, covardes desprezíveis, traidores, servis e em geral inconstantes, devido ao aspecto das estrelas mencionadas. Destes, novamente os habitantes da Síria Coelê, da Iduméia e da Judéia são mais estreitamente familiares com Áries e Marte, e portanto estes povos são em geral ousados, sem Deus e armadores de esquemas. Os fenícios, caldeus e orquínios têm familiaridade com Leão e o Sol, de modo que eles são mais simples, mais afáveis, viciados em astrologia e acima de todos os outros homens adoradores do Sol. Os habitantes da Arábia Felix são familiares a Sagitário e Júpiter; isso explica a fertilidade do país, de acordo com seu nome, e sua variedade de temperos, e a graça de seus habitantes e seu livre espírito na vida diária, no comércio e nos negócios.
Sobre o terceiro quadrante, que inclui a parte norte da Ásia menor, as outras partes, incluindo a Hircânia, a Armênia, a Matiana, a Bactriana, a Caspéria, a Sérica, a Seuromática, a Oxiana, a Sogdiana e as regiões no nordeste do mundo habitado, são familiares com o triângulo nordeste, Gêmeos, Libra e Aquário, e são, como poderia se esperar, governadas por Saturno e Júpiter em aspecto oriental. Portanto, os habitantes destas terras adoram a Júpiter e Saturno, possuem muitas riquezas e ouro, e são limpos e decentes em seu viver, educados e adeptos dos assuntos de religião, justos e liberais em suas maneiras, magnânimos e nobres de alma, odiadores do mal, e passionais, e prontos para morrer por seus amigos por uma causa santa e justa. Eles são dignos e puros em suas relações sexuais, pródigos no vestir, graciosos e magnânimos; estas coisas em geral são causadas por Saturno e Júpiter em aspectos ao leste. Dessas nações, novamente, Hircânia, Armênia e Matiana são mais estreitamente familiares com Gêmeos e Mercúrio; e, portanto, são mais facilmente movidos e inclinados à trapaça. Bactriana, Casperia e Sérica são mais afins a Libra e Vênus, de modo que seus povos são ricos e seguidores das Musas, e mais luxuosos. As regiões de Sauromática, Oxiana e Sogdiana são familiares a Aquário e Saturno; estas nações são portanto menos gentis, estéreis e bestiais. As regiões remanescentes deste quadrante, que se localizam perto do centro do mundo habitado, Bitínia, Frigia, Cólquica, Síria, Commagenê, Capadócia, Lídia, Lícia, Cilícia e Panfília, uma vez que estão situadas no sudeste do quadrante, têm além disso familiaridade com o quadrante sudoeste, Câncer, Escorpião e Peixes, e seus co-regentes são Marte, Vênus e Mercúrio; portanto, aqueles que vivem nesses países geralmente adoram Vênus, como mãe dos deuses, a chamando por vários nomes, e Marte e Adônis, para quem eles também dão outros nomes, e eles celebram em sua honra certos mistérios acompanhados por lamentações. Eles são em alto grau depravados, servis, trabalhadores trapaceiros, podem ser encontrados em expedições mercenárias, pilhando e fazendo cativos, escravizando seu próprio povo, e realizando guerras destrutivas. Devido à junção de Marte e Vênus no oriente, uma vez que Marte está exaltado em Capricórnio, um signo do triângulo de Vênus, e Vênus em Peixes, um signo do triângulo de Marte, surge que suas mulheres demonstram completa boa vontade em relação a seus maridos; elas são apaixonadas, cuidam da casa, diligentes, prestativas e em todos os aspectos trabalhadoras e obedientes. Destes povos, novamente, aqueles que vivem em Bitína, Frigia e Cólquica são mais estreitamente familiares a Câncer e à Lua; portanto, os homens são geralmente cuidadosos e obedientes, e a maior parte das mulheres, devido à influência do aspecto oriental e masculino da Lua, são viris, comandantes e afeitas à guerra, como as Amazonas, que desprezam o comércio com os homens, amam as armas e desde a infância tornam masculinas todas as suas características femininas, ao cortar seus seios direitos por necessidades militares e deixando estas partes nuas na linha de batalha, para mostrarem a ausência de feminilidade em suas naturezas. Os povos da Síria, Comagenê e Capadócia são familiares a Escorpião e Marte; portanto, muita ousadia, engodo, traição e labor são encontrados entre eles. Os povos da Lídia, Cílicia e Panfíllia são familiares com Peixes e Júpiter, e portanto são mais saudáveis, comerciais, livres socialmente e confiáveis em seu acordos.
Sobre o quadrante restante, que inclui o que é chamado pelo nome comum de Líbia, as outras regiões, incluindo Numídia, Cartago, África, Fazânia, Nasamonite, Garamântica, Mauritânia, Getúlia, Metagonite e as regiões situadas no sudeste do mundo habitado estão relacionadas, devido à sua familiaridade, com o triângulo sudoeste, Câncer, Escorpião e Peixes, e são, portanto, regidos por Marte e Vênus em seu aspecto ocidental. Por esta razão, a maior parte de seus habitantes, por causa da junção mencionada acima destes planetas, é governada por um homem e sua esposa, que são irmão e irmã, o homem governante dos homens e a mulher das mulheres, e uma sucessão desta forma é mantida. Eles são extremamente ardentes e dispostos ao comércio com mulheres, de forma que mesmo seus casamentos são feitos através de abduções violentas, e frequentemente seus reis aproveitam o jus primae noctis [direito da primeira noite] com as noivas, e entre alguns deles as mulheres são comuns a todos os homens. Eles são afeitos a se embelezarem, e se adornarem com adereços femininos, devido à influência de Vênus; pela influência de Marte, no entanto, eles são viris de espírito, trapaceiros, mágicos, impostores, enganadores e despreocupados. Desses povos, novamente, os habitantes da Numídia, de Cartago e da África são mais estreitamente familiares a Câncer e à Lua. Eles são, portanto, sociais, comerciantes e vivem em grande abundância. Os que habitam Metagonite, Mauritânia e Getúlia são familiares a Escorpião e Marte; eles são, portanto, mais agressivos e amantes da guerra, comedores de carne, muito descuidados e despreocupados com a vida a tal grau que não poupam nem uns aos outros. Aqueles que vivem na Fazânia, em Nasamonite e em Garamântica são familiares a Peixes e Júpiter, e portanto são livres e simples em suas características, com vontade de trabalhar, inteligentes, limpos e independentes, de uma forma geral, e são adoradores de Júpiter pelo nome de Amôn. As partes restantes do quadrante, que estão situadas perto do centro do mundo habitado, Cirenáica, Marmárica, Egito, Tebas, o Oásis, Troglodítica, Arábia e a Etiópia Meridiana, que se voltam para o nordeste do quadrante inteiro, têm uma familiaridade adicional com o triângulo nordeste, Gêmeos, Libra e Aquário, e portanto possuem como co-regentes Saturno e Júpiter e, além desses, Mercúrio. Portanto, aqueles que vivem nestes países, porque todos eles em comum, por assim dizer, estão sujeitos à regência ocidental dos cinco planetas, são adoradores dos deuses, supersticiosos, dados a cerimônias religiosas e afeitos à lamentação; eles enterram seus mortos na terra, os pondo fora do alcance da visão, por causa do aspecto ocidental dos planetas; e eles praticam todos os tipos de usos, costumes e ritos a serviço de todos os tipos de deuses. Quando comandados eles são humildes, tímidos, penosos e suportam longos sofrimentos; quando lideram, são corajosos e magnânimos; são, no entanto, polígamos e poliândricos e dados à luxúria, casando-se até mesmo com suas próprias irmãs, e os homens têm potência na geração, as mulheres na concepção, e até sua terra é fértil. Além disso, muitos dos homens são doentes e afeminados de alma, e mesmo alguns desprezam os órgãos de geração, devido à influência do aspecto dos planetas malignos em cominação com Vênus ocidental. Destes povos, os habitantes de Cirenaica e Marmárica, e particularmente do Baixo Egito, são mais estreitamente relacionados com Gêmeos e Mercúrio; por causa disto eles são ponderados, inteligentes e têm facilidades em todas as coisas, especialmente na busca da sabedoria e na religião; eles são mágicos, realizam ritos de mistérios secretos e são em geral versados em matemática. Aqueles que vivem em Tebas, no Oásis e na Trogloditica, são familiares a Libra e Vênus, portanto são mais ardentes e vivazes de natureza e vivem na abundância. Os povos da Arábia, Azânia e Etiópia Meridional são familares a Aquário e Saturno, e por essa razão são comedores de carne, de peixe e nômades, vivendo uma vida dura e bestial.
Essa foi a nossa exposição breve das familiaridades dos planetas e dos signos do zodíaco com as diversas nações e das características gerais desses últimos. Também exporemos, para uso imediato, uma lista das diversas nações que estão em familiaridade, em cada signo, de acordo com o que já foi dito acima sobre eles. Assim:
Áries: Bretanha, Gália, Germânia, Bastárnia; no centro, Síria Coelê, Palestina, Iduméia, Judéa.
Touro: Pártia, Média, Pérsia; no centro, as Cíclades, Chipre, a região costal da Ásia Menor.
Gêmeos: Hircânia, Armênia, Matiana; no centro, Cirenaica, Marmárica, Egito Menor.
Câncer: Numídia, Cartago, África; no centro, Bifínia, Frígia, Cólquica.
Leão: Itália, Gália Cisalpina, Sicília, Apúlia; no centro, Fenícia, Caldéia, Orquênia.
Virgem: Mesopotâmia, Babilônia, Assíria; no centro, Hélas, Acaia, Creta.
Libra: Bactriana, Caspéria, Sérica; no centro, Tebas, Oásis, Troglodítica.
Escorpião: Metagonite, Mauritânia, Getúlia; no centro, Síria, Comagenê, Capadócia.
Sagitário: Tirrênia, Céltica, Espanha; no centro, Arábia Felix.
Capricórnio: Índia, Ariana, Gedrpsia; no centro, Trácia, Macedônia, Ilíria.
Aquário: Sauromática, Oxiana, Sogdiana; no centro, Arábia, Azânia, Etiópia Meridiional.
Peixes: Fazânia, Nasamonite, Garamânitca; no centro, Lídia, Cilícia, Panfília.
Agora que o assunto estudado foi apresentado, é razoável adicionar a esta seção esta consideração posterior – que cada uma das estrelas fixas tem familiaridade com os países com os quais as partes do zodíaco que têm a mesma inclinação que elas (com relação ao círculo feito através de seus pólos) exercem simpatia. Além disso, no caso de cidades metropolitanas, as regiões do zodíaco que são as mais simpáticas são as através das quais o Sol ou a Lua passaram (para os centros, especialmente o horóscopo), em sua fundação, como em uma natividade. No entanto, em casos em que o momento exato da fundação não pode ser descoberto, as regiões simpáticas são as que caem no meio do céu das natividades daqueles que tinham o poder ou eram os reis daquela época.
4. Método de Realizar Previsões Particulares.
Após esse exame introdutório, a próxima tarefa seria lidar brevemente com o procedimento das predições, e primeiramente com aqueles referentes às condições gerais dos países e das cidades. O método de investigação será o que se segue: a causa primeira e mais potente de tais eventos está nas conjunções entre o Sol e a Lua no eclipse e nos movimentos das estrelas no mesmo momento. Sobre a predição ela mesma, uma porção é regional; desta forma podemos prever para quais países ou cidades são significativos os vários eclipses, ou as estações ocasionais regulares dos planetas (ou seja, de Saturno, de Júpiter e de Marte) sempre que eles cessam o movimento, pois então eles são importantes. Outra divisão da predição é cronológica, nela, a necessidade é de prever o momento das potestades e sua duração. Uma parte, também, é genérica; através dessa, devemos compreender em quais classes o evento exercerá seus efeitos. E, finalmente, há o aspecto específico, pelo qual discerniremos a qualidade do próprio evento.
5. Sobre o Exame dos Países Afetados.
Devemos julgar a primeira porção da investigação, que é regional, da maneira seguinte: nos eclipses do Sol e da Lua, quando ocorrem, em particular aqueles mais fáceis de serem observados, devemos examinar a região do zodíaco na qual ele se dá, e os países em familiaridade com os seus triângulos, e de forma similar averiguar quais das cidades, tanto por seu horóscopo no momento de sua fundação e a posição dos luminares no momento, quanto pelo meio-céu da natividade de seus governantes, são simpáticas ao signo zodiacal do eclipse. Em quaisquer países ou cidades que descobrirmos uma familiaridade deste tipo, devemos supor que algum evento ocorrerá, que se aplique, de uma forma geral, a todos eles, particularmente àqueles que possuem uma relação com o signo zodiacal do eclipse e àqueles nos quais o eclipse, uma vez que ocorreu sobre a Terra, foi visível.
6. Sobre o Momento dos Eventos Previstos.
Pela segunda divisão, a cronológica, pela qual devemos aprender os momentos dos eventos significados e sua duração, devemos considerar o seguinte: da mesma forma que os eclipses que ocorrem ao mesmo tempo não se completam no mesmo número de horas ordinárias em todas as localidades, e uma vez que os mesmos eclipses solares não têm em toda a parte o mesmo grau de obscurecimento, nem a mesma duração, devemos em primeiro lugar estabelecer a hora do eclipse, em cada uma das localidades relacionadas, e para a altitude do pólo e dos centros, como em uma natividade; em segundo lugar, quantas horas equinociais o obscurecimento do eclipse dura em cada um. Pois, quando estes dados são examinados, se se trata de um eclipse solar, devemos compreender que os eventos previstos duram tantos anos quanto forem as horas equinociais que descobrirmos, e se se tratar de um eclipse lunar, tantos meses quanto forem as horas. A natureza dos inícios e das intensificações mais importantes dos eventos, no entanto, são deduzidas da posição do lugar do eclipse em relação aos centros. Pois, se o local do eclipse cai no horizonte leste, isso significa que o começo do evento previsto é no primeiro período de quatro meses a partir do momento do eclipse e que suas intensificações importantes caem no primeiro terço do período inteiro de sua duração; se no meio-céu, no segundo grupo de quatro meses e no terço do meio; se sobre o horizonte oeste, no terceiro grupo de quatro meses e no terço final. O começo de atenuações e intensificações particulares do evento deduzimos das conjunções que ocorrem neste meio tempo, se elas ocorrerem nas regiões importantes ou nas regiões em algum aspecto a elas, e também pelos movimentos dos planetas, se aqueles que efetivam os eventos previstos estão ou ascendendo ou se pondo ou estacionários ou na ascensão vespertina e estão ao mesmo tempo em algum aspecto com os signos zodiacais que regem a causa; porque os planetas, quando estão ascendendo ou estacionários produzem intensificações nos eventos, mas quanto estão se pondo, e sob os raios do sol, ou avançando na tarde, produzem uma atenuação.
7. Sobre a Classe dos Afetados.
A terceira parte é aquela da classificação genérica, pela qual se deve determinar quais classes o evento irá afetar. Isso é descrito pela natureza e forma especiais dos signos do zodíaco nos quais ocorrem os eclipses e nas quais estão os corpos celestes, tanto planetas quanto estrelas fixas, que governam tanto o signo do eclipse quando o do ângulo precedendo o eclipse. No caso dos planetas descobrimos a regência dessas regiões assim: aquele que tem o maior número de relações com ambas as regiões ditas acima, aquela do eclipse e aquela do ângulo no qual o eclipse segue, tanto em virtude das aplicações ou recessões visíveis mais próximas, tanto por aqueles aspectos que possuem uma relação, e além disso, por regência dos domicílios, triângulos, exaltações e termos, e somente este planeta terá a dominância. No entanto, se o mesmo planeta não é o senhor do eclipse e do ângulos, devemos considerar, juntos, os dois que possuem o maior número de familiaridades, como dito acima, para qualquer uma das regiões, dando preferência ao senhor do eclipse. Se diversos rivais forem encontrados em qualquer das contas, devemos preferir para o domínio aquele que estiver mais perto de um ângulo, ou for o mais importante, ou for o mais estreitamente unido pelo séqüito. No caso das estrelas fixas, devemos tomar a primeira das estrelas brilhantes que signifique sobre o ângulo precedente à hora real do eclipse, de acordo com os nove tipos de aspecto visível definidos em nossa primeira compilação, e a estrela que, do grupo visível no momento do eclipse, ou ascendeu ou atingiu o meridiano com o ângulo seguinte ao local do eclipse.
Quando descobrimos assim as estrelas que partilham as causas do evento, devemos também considerar as formas dos signos do zodíaco nos quais o eclipse e as estrelas dominantes estão, uma vez que a partir de suas características a qualidade das classes afetadas é normalmente descobertas. Constelações com forma humana, tanto no zodíaco quanto entre as estrelas fixas, fazem o evento estar relacionado com a raça humana. Dos signos terrestres, os de bestas de quatro patas dizem que o evento estará relacionado com bestas de quatro patas, e os signos formados com coisas rastejantes, com serpentes e animais afins. Novamente, os signos animais têm importância para os animais selvagens e para aqueles que causam dano à raça humana; os signos domésticos, com os animais úteis e domesticados, e aqueles que ajudam a se conseguir prosperidade, em consistência com suas diversas formas, por exemplo, cavalos, bois, ovelhas, e afins. Novamente, dos signos terrestres, os do norte tendem a significar terremotos súbitos e os do sul chuvas inesperadas do céu. Ainda, aquelas regiões dominantes que estão nas forma de criaturas aladas, como Virgem, Sagitário, Cygnus, Áquila, e afins, exercem um efeito sobre criaturas aladas, particularmente aquelas que são usadas para o alimento humano, e os que tem a forma de criaturas que nadam, sobre os peixes e os animais aquáticos. E destes, nas constelações que pertencem ao mar, como Câncer, Capricórnio e o Golfinho, influenciam as criaturas do mar e a partidas das esquadras. Nas constelações que pertencem a rios, como Aquário e Peixes, seus efeitos são sobre as criaturas dos rios e riachos, e em Argo eles afetam ambas as classes. Da mesma forma, as estrelas nos signos solsticiais ou equinociais têm importância em geral para as condições do ar e para as estações relacionadas a cada um destes signos, em particular eles estão relacionados à primavera e as coisas que crescem da terra, pois quando elas estão no equinócio da primavera elas afetam os novos ramos dos vegetais arbóreos, como uvas ou figos, e o que quer que amadureça com eles; no solstício de verão, a colheita e o armazenamento dos vegetais, e no Egito, peculiarmente, a cheia do Nilo, no solstício de outono elas estão relacionadas com a semeadura, o feno, e plantas gramíneas; e o equinócio de inverno os vegetais e os tipos de pássaros e peixes mais comuns nesta estação. Além disso, os signos equinociais possuem importância para os ritos sagrados e com a adoração aos deuses; os signos solsticiais, para mudanças no ar e nos costumes políticos; os signos sólidos para fundações e construções de casas; os bicorpóreos, para os homens e os reis. Da mesma forma, os que estão mais perto do oriente no momento do eclipse significam o que quer que seja relacionado à agricultura, à juventude e às fundações; aqueles perto do meio-céu acima da terra, a ritos sagrados, reis e à meia idade; e aqueles perto do ocidente, à mudança dos costumes, à velhice e àqueles que faleceram. Com relação à questão da proporção da classe envolvida que será afetada, a resposta é fornecida pela extensão do obscurecimento dos eclipses e pelas posições relativas ao lugar do eclipse no qual estejam as estrelas que se relacionam com o caso. Pois, quando elas estão ocidentais aos eclipses solares ou orientais aos lunares, os eventos usualmente afetam uma minoria; quando estão em oposição, metade; e a maioria, se elas estiverem orientais aos eclipses solares e ocidentais aos lunares.
8. Sobre a Qualidade do Evento Previsto.
O quarto tema diz respeito à qualidade do evento previsto, ou seja, se ele produz o bem ou o oposto, e de que tipo são os seus efeitos em quaisquer das direções, de acordo com o caráter peculiar das espécies. Isto se depreende da natureza da atividade dos planetas que regem os lugares dominantes e da sua combinação tanto uns com os outros quanto com os lugares nos quais eles estão. Pois o Sol e a Lua são os líderes, por assim dizer, dos outros, já que eles são responsáveis pela totalidade da força, e são as causas das regências dos planetas, e mais ainda, as causas da força ou debilidade dos planetas regentes. A observação cuidadosa das estrelas regentes demonstra a qualidade dos eventos previstos. Devemos começar com as forças ativas características dos planetas, um por um, realizando, primeiramente, no entanto, esta observação geral, como um lembrete resumido, que em geral sempre que falarmos de qualquer temperamento dos cinco planetas devemos entender que o que quer que produza a natureza em questão também deve, seja o planeta em si em sua própria condição, ou uma das estrelas fixas, ou um dos signos do zodíaco, ser considerado em relação ao temperamento que lhe seja próprio, como se as caracterizações fossem aplicadas às naturezas ou às qualidades elas mesmas, e não aos planetas; e devemos lembrar que nas combinações, novamente, não devemos considerar somente a mistura dos planetas uns com os outros, mas também sua combinação com os outros que partilham da mesma natureza; sejam eles as estrelas fixas ou signos do zodíaco, em virtude de suas afinidades com os planetas, já mencionadas.
Saturno, quando ele recebe a dominância isolada, é em geral causa de destruição pelo frio, e em particular, quando o evento está relacionado aos homens, causa doenças no pulmão, tuberculose, envelhecimento, perturbações causadas por fluidos, reumatismos, e febres quartãs, exílio, empobrecimento, prisão, temores mórbidos e morte, especialmente entre aqueles avançados em idade. Ele normalmente é importante com relação àquelas bestas que são úteis ao homem, e gera sua escassez, e a destruição corporal por doença daquelas que já existem, de modo que os homens que as utilizam são afetados de forma similar e perecem. Com relação ao clima, ele causa frio terrível, congelamento, névoa e clima pestilento; corrupção do ar, nuvens e escuridão; além disso, muitas tempestades de neve, não benéficas, mas destrutiva, das quais são produzidos os répteis prejudiciais ao homem. Com relação aos rios e mares, em geral ele causa tempestades, o naufrágio de esquadras, viagens desastrosas, a escassez e a morte dos peixes, e em particular nas marés cheias e vazantes dos mares e dos rios enchentes excessivas e poluição de suas águas. Para as plantações na terra, ele causa falta, escassez e perda, especialmente daquelas cultivadas por necessidade, seja através de vermes ou gafanhotos, ou enchentes, ou geadas, ou granizo, ou fenômenos parecidos, de forma que a fome e a destruição do homem resultam destes acontecimentos.
Quando Júpiter rege sozinho, ele produz aumento em geral, e, em particular, quando a previsão está relacionada aos homens, ele produz fama e prosperidade, abundância, existência pacífica, ou aumento das coisas necessárias à vida, saúde física e espiritual, e, além disso, benefícios e presentes dos governantes, e o aumento, grandiosidade e magnanimidade destes, e em geral ele é causa de felicidade. Com referência às bestas ele causa uma profusão e abundância daquelas que são úteis ao homem e a diminuição e a destruição daqueles do tipo oposto. Ele torna a condição do ar temperada e saudável, com ventos, úmida e favorável ao crescimento do que a terra suporta; ele causa a viagem afortunada das esquadras, a cheia moderada dos rios, a abundância das plantações, e tudo o que for similar.
Marte, quando assume sozinho a regência, é em geral a causa da destruição através da secura e, em particular, quando o evento diz respeito aos homens, causa as guerras, divisão civil, capturas, escravidão, motins, a ira dos lideres, e mortes súbitas surgindo destas causas; além disso, revers [N. do T. não achei tradução, sugestões são bem-vindas], febres terçãs, a subida do sangue, mortes rápidas e violentas, especialmente no auge da vida; da mesma forma, violência, invasões, falta de leis, incêndios criminosos e assassinato, roubos e pirataria. Com relação à condição do ar ele causa clima quente, morno, pestilento e ventos ressecantes, a queda de relâmpagos e furacões, e seca. Novamente, no mar ele causa o naufrágio súbito das esquadras através de mudança de ventos ou raios ou coisas do tipo; a falta de água em rios, o ressecamento de fontes, e contaminação das águas potáveis. Com relação às necessidades produzidas sobre a terra para o uso humano, ele causa a escassez e a perdas das bestas e das coisas que crescem sobre a terra e a perda das colheitas pela seca e em resultado do clima quente, ou por gafanhotos, ou pelo aquecimento dos ventos, ou por incêndios nos locais de estocagem.
Vênus, quando é a regente sozinha do evento, em geral causa resultados similares ao de Júpiter, mas com a adição de uma certa qualidade agradável; em particular, quando o evento está relacionado aos homens ela causa fama, honra, felicidade, abundância, casamentos felizes, muitas crianças, satisfação em toda relação mútua, o aumento das propriedades, um modo bom e bem conduzido de vida, que honre aquelas coisas que devem ser reverenciadas; além disso, ela é a causa da saúde corporal, de alianças com os líderes e elegância dos regentes; com relação aos ventos do ar, ela é causa da temperatura amena e de condições fixas de umidade e de ventos muito férteis; de bom ar, clima limpo e chuvas generosas de águas fertilizantes; ela causa a sorte das viagens das esquadras, sucessos, lucros, e a cheia completa dos rios; dos animais úteis e dos frutos da terra ela é a causa proeminente da abundância, de boas colheitas e de lucro.
Mercúrio, se recebe a regência é, de forma geral, de natureza igual aos dos outros planetas com os quais ele esteja associado. Em particular, ele é acima de tudo estimulante, em previsões relacionadas aos homens ele é bom é prático, engenhoso em qualquer situação; mas ele causa roubos, assaltos, pirataria e invasões, e além disso causa o insucesso das viagens quando está em algum aspecto com os maléficos, e gera doenças de secura, febres cotidianas, tosses, raising [N. do T.: mais uma palavra que não consegui traduzir] e tuberculose. Ele é a causa dos eventos que ocorrem em relação ao código dos sacerdotes, a veneração aos deuses, as finanças dos reis e as mudanças nos costumes e nas leis, de tempos em tempos, de acordo com sua associação com os outros planetas em cada ocasião. Em relação ao ar, uma vez que ele é muito seco e ágil por causa da sua proximidade com o Sol, e a velocidade de sua revolução, ele é particularmente apto a geral ventos mutáveis, agressivos e irregulares e, como seria de se esperar, trovões, furacões, rachaduras na terra, terremotos e raios; às vezes, desta forma, ele causa a destruição de animais e plantas úteis. Ao se pôr ele diminui as águas e os rios, ao nascer os enche.
Tais são os efeitos produzidos pelos diversos planetas, cada um por si próprio e no comando de sua própria natureza. Associado, no entanto, agora com um, agora com outro, em diferentes aspectos, pela troca dos signos, e pelas diferentes fases em relação ao Sol, e experimentando uma atenuação correspondente de seus poderes, cada um produz uma característica, em seu efeito, que é o resultado da mistura das naturezas que participaram o que é complicado. É, obviamente, uma tarefa impossível e sem esperança mencionar os resultados apropriados de cada combinação e enumerar absolutamente todos os aspectos de qualquer tipo, uma vez que podemos conceber uma enorme variedade deles. Consequentemente, questões deste tipo devem ser, de forma razoável, deixadas à iniciativa e à engenhosidade do matemático, para que faça as necessárias distinções.
É necessário observar a afinidade que existir entre os planetas que governam a previsão e os países ou cidades para os quais o evento irá ocorrer. Pois, se os planetas regentes são benéficos, e têm familiaridade com as coisas afetadas, e se não são suplantados por planetas do séqüito oposto, ele produzem os benefícios naturais a eles de forma mais poderosa; da mesma forma, quando não há familiaridade, ou quando são suplantados por seus opostos, eles são menos úteis. No entanto, quando os planetas que governam a previsão são os de temperamento maléfico, se eles possuem familiaridade com o que está sendo afligido ou são suplantados pelo séqüito oposto, eles fazem menos mal; mas se eles não são nem senhores dos países nem são suplantados por planetas que têm familiaridade com esses países, eles exercem a destrutividade de seu temperamento de forma bem mais intensa. Usualmente, no entanto, os homens são afetados pelos males gerais que, em suas próprias genituras, têm os lugares mais essenciais, quer dizer, os lugares dos luminares e dos ângulos, nos mesmos pontos dos que produzem a causa dos infortúnios gerais, ou seja, nos lugares dos eclipses ou nos lugares diretamente opostos. Destes, as posições mais perigosas e as mais difíceis de evitar são aquelas nas quais qualquer um dos luminares esteja no mesmo grau do lugar do eclipse, ou no grau oposto.
9. Sobre as Cores dos Eclipses, dos Cometas, e dos Corpos Assemelhados.
Para a previsão das condições gerais devemos também observar as cores no momento do eclipses, tanto aquelas dos luminares eles mesmos, quanto das formações que ocorrem perto deles, como caudas, halos, e outras. Porque, se eles parecem negros ou lívidos eles significam os efeitos que foram mencionados em conexão com a natureza de Saturno; de brancos, com a de Júpiter; se avermelhados, com a de Marte; se amarelos, com a de Vênus; e se multicores, com a de Mercúrio. Se a cor característica parecer cobrir o corpo inteiro do luminar ou toda a região em volta dele, o evento previsto irá afetar a maior parte dos países; entretanto, se ela se localizar em apenas uma parte, ele afetará apenas aquela parte para a qual o fenômeno se inclina.
Devemos observar, além disso, para a previsão das condições gerais, os cometas que aparecem tanto no momento do eclipse quanto em qualquer momento, por exemplo, os assim chamados “raios”, “trombetas”, “potes”, e afins, porque esses naturalmente produzem os efeitos peculiares a Marte e Mercúrio – guerras, clima quente, condições de perturbação e o que acompanha essas condições; e eles mostram, através das partes do zodíaco nas quais suas cabeças aparecem e através das direções para as quais as formas de suas caudas apontam, as regiões nas quais os infortúnios irão ocorrer.
Através da formação, por assim dizer, das suas cabeças, eles indicam o tipo de evento e a classe sobre a qual o infortúnio irá se produzir, através do tempo em que duram a duração dos eventos; e, através de sua posição relativa ao Sol, da mesma forma, seu início, pois em geral sua aparição no oriente significa eventos que se aproximam rapidamente e no ocidente, aqueles que se aproximam de forma mais lenta.
10. Com Relação à Lua Nova do Ano.
Agora que descrevemos o procedimento das previsões sobre os estados gerais dos países e das cidades, resta mencionar assuntos mais detalhados; eu me refiro a eventos que ocorrem anualmente em conexão com as estações. Na investigação deste assunto, seria apropriado, em primeiro lugar, definir a assim chamada Lua Nova do ano. Que essa deva ser, apropriadamente, o começo do curso circular do Sol em cada uma das suas revoluções é claro a partir da própria coisa, tanto por seu poder como por seu nome. Não se poderia conceber, é claro, qual ponto inicial se assumiria em um círculo, como uma proposição geral; mas no círculo que passa pelo meio do zodíaco se poderia tomar de forma apropriada como os únicos começos os pontos determinados pelo equador e pelos trópicos, ou seja, os dois equinócios e os dois solstícios. Mesmo assim, no entanto, se poderia estar confuso sobre a qual dos quatro preferir. Na verdade, em um círculo considerado de forma isolada, nenhum deles é proeminente, como seria o caso se houvesse um ponto inicial, mas aqueles que escreveram sobre esses assuntos utilizaram cada um dos quatro, de diversos modos, assumindo um como o ponto inicial, da forma como foram levados a fazer por seus próprios argumentos, e pelas características naturais dos quatros pontos. Isso não é estranho, uma vez que cada uma dessas partes tem o mesmo direito de ser considerada o ponto inicial e o único real. O equinócio da primavera pode ser preferido porque, neste momento, o dia começa a ser mais longo do que a noite e porque ele pertence à estação úmida, e esse elemento, como dissemos mais cedo, é o mais presente no início das natividades; o solstício de verão, porque nele ocorre o dia mais longo e porque para os egípcios ele significa a cheia do Nilo e a ascensão da estrela-cão, o equinócio de outono, porque todas as colheitas, quando ele ocorre, já foram feitas, e um novo começo ocorre então com a semeadura das futuras colheitas; e o solstício de verão, porque, neste momento, após diminuir, o dia começa a aumentar novamente. Parece mais próprio e natural utilizar, no entanto, os quatro pontos iniciais em investigações que lidam com o ano, observando as sizígias do Sol e da Lua na Lua Cheia e na Nova que os precedem mais de perto, e entre estes em particular as conjunções nas quais os eclipses ocorrem, de forma que do ponto inicial em Áries podemos conjeturar como será a primavera, do de Câncer, como será o verão, do de Libra, o outono, e do de Capricórnio, como será o inverno, pois o Sol cria as qualidades gerais das estações, de modo que até aqueles que são totalmente ignorantes da astrologia podem prever o futuro.
Além disso, devemos levar em consideração as qualidades especiais dos signos do zodíaco para obter prognósticos dos ventos e das naturezas mais gerais, e as variações de grau de um momento para outro são, de forma geral, novamente demonstradas pelas conjunções que ocorrem nos pontos mencionados acima e pelos aspectos dos planetas a eles e em particular, também, pelas conjunções e Luas Cheias nos diversos signos e pelo curso dos planetas. Isso pode ser chamado de investigação mensal.
Como é apropriado que para este propósito sejam enumeradas as forças naturais peculiares dos diversos signos que influenciam as condições anuais, bem como as dos diversos planetas, já explicamos, no que precedeu, a familiaridades dos planetas, e das estrelas fixas de temperamento similar, com o ar e os ventos, bem como dos signos, como um todo, com os ventos e as estações. Ainda faltaria falar da natureza dos signos, parte por parte.
11. Sobre a Natureza dos Signos, Parte por Parte, e seu Efeito sobre o Tempo.
Agora, o signo de Áries, como um todo, porque ele marca o equinócio, é caracterizado por trovão e granizo, mas, tomado parte a parte, através da variação nos graus, que é devida à qualidade especial das estrelas fixas, sua porção inicial é chuvosa e caracterizada por ventos, sua porção mediana é temperada, e parte seguinte quente e pestilenta. Suas partes ao norte são quentes e destrutivas, suas partes ao sul são caracterizadas pelo frio e pelo gelo.
O signo de Touro, como um todo, é indicativo de ambas as temperaturas e é, de certa forma, quente, mas tomado parte a parte, sua porção inicial, particularmente perto das Plêiades, é marcada por terremotos, ventos e névoas, sua parte do meio por umidade e frio, e sua parte final, perto das Híades, abrasante e produtiva de trovões e relâmpagos. Suas partes ao norte são temperadas e suas partes ao sul instáveis e irregulares.
O signo de Gêmeos, como um todo, é produtivo de uma temperatura mediana, mas tomado parte a parte sua parte inicial é úmida e destrutiva, sua parte do meio temperada, e sua parte final misturada e irregular. Suas partes ao norte são cheias de vento e causam terremotos, suas partes ao sul são secas e muito quentes.
O signo de Câncer, como um todo, é de clima quente e agradável, mas, parte por parte, sua porção inicial e a região da Manjedoura são abafados, produtores de terremotos, e enevoados; sua parte do meio, temperada, e sua parte final com ventos. Suas partes ao norte e ao sul são quentes e ressecantes.
O signo de Leão, como um todo, é quente e abafado, mas parte a parte, sua parte inicial é abafada e pestilenta, sua parte do meio temperada, e sua parte final úmida e destrutiva. Suas partes ao norte são instáveis e abrasadoras, suas partes ao sul úmidas.
O signo de Virgem é, de uma forma geral, úmido e marcado por tempestades; mas, tomado parte a parte, sua porção inicial é bastante quente e destrutiva, sua porção do meio temperada e sua porção final úmida. Suas partes ao norte são de ventos e suas partes ao sul são temperadas.
O signo de Libra, como um todo, é mutável e variável, mas tomado parte a parte, sua porção inicial e do meio são temperadas e sua porção final é úmida. Suas partes ao norte são de ventos e suas partes ao sul úmidas e pestilienciais.
O signo de Escorpião como um todo é marcado pelo trovão e pelo fogo, mas tomado parte a parte, sua porção inicial é de neve, sua porção do meio temperada, e sua porção final causa terremotos. Suas partes ao norte são quentes e as partes ao sul são úmidas.
O signo de Sagitário como um todo é de vento, mas tomado parte a parte sua parte inicial é úmida, sua parte do meio temperada e a seguinte abrasante. Suas partes ao norte são de vento, suas partes ao sul úmidas e mutáveis.
O signo de Capricórnio como um todo é úmido, mas tomado parte a parte, sua porção inicial é marcada pelo tempo quente e é destrutiva; sua porção do meio é temperada e a porção seguinte levanta tempestades. Suas porções ao norte e ao sul são úmidas e destrutivas.
O signo de Aquário como um todo é frio e úmido, mas tomado parte a parte sua porção inicial é úmida, sua porção do meio é temperada, suas porção seguinte de ventos. Suas partes ao norte trazem clima quente e sua parte ao sul nuvens.
O signo de Peixes como um todo é frio e de ventos, mas, tomado parte a parte sua porção inicial é temperada, sua porção do meio é úmida, e sua porção seguinte é quente. Suas partes ao norte são de ventos e suas partes ao sul são úmidas.
12. Sobre a Investigação do Clima em Detalhe.
Já que estes fatos foram estabelecidos na introdução, o método de lidar com as significações em detalhe envolve o seguinte procedimento. Um método é o que é mais geralmente concebido, com relação aos quadrantes, que exigirá, como já dissemos, que nós observemos as Luas Novas ou Luas Cheias que precedem mais de perto os signos solsticiais e equinociais, e que, à medida em que o grau da Lua nova ou Lua cheia caia em cada latitude investigada, disponhamos os ângulos como em uma natividade. Será necessário, então, determinar os regentes do lugar da Lua nova ou da Lua cheia, e o ângulo que o segue, da forma explicada por nós nas seções precedentes, que lidavam com os eclipses, e assim julgar a situação geral a partir da natureza especial dos quadrantes e determinar a questão do grau de intensificação e relaxamento da natureza dos planetas regentes, de suas qualidades, e dos tipos de clima que eles produzem.
O segundo modo de proceder é baseado no mês. Neste, será necessário examinarmos da mesma forma as Luas novas ou Cheias que ocorrem, nos diversos signos, observando apenas que, se uma Lua Nova ocorre mais perto do signo solsticial ou equinocial imediatamente anterior, devemos utilizar as Luas Novas que ocorrem até o próximo quadrante, e no caso de uma Lua Cheia, utilizamos as Luas Cheias.
Será necessário, de forma similar, que observemos os ângulos e os regentes de ambos os locais, e especialmente as aparições mais próximas dos planetas, e suas aplicações e recessões, as propriedades peculiares dos planetas e de seus lugares, e os ventos que são produzidos tanto pelos próprios planetas quanto pelas partes dos signos nos quais eles estejam; além disso, para qual vento a latitude da Lua está inclinada através da obliqüidade da eclíptica. De todos estes fatos, pelo princípio da prevalência, podemos prever as condições gerais do clima e os ventos dos meses.
O terceiro passo é observar as indicações mais detalhadas, por minúsculas que sejam, de relaxamento e intensificação. Esta observação é baseada nas configurações do Sol e da Lua sucessivamente, não somente das Luas Cheias e Novas, mas também das Meia-Luas, e neste caso as mudanças significadas geralmente começam três dias antes, e algumas vezes três dias depois, do momento em que os progressos da Lua passam a corresponder aos do Sol. Ela é baseada, também, nos seus aspectos com os planetas, quando eles estiverem em cada uma das posições deste tipo, ou outras parecidas, como o trígono e o sextil. Pois é concorde à natureza destes aspectos que a qualidade especial da mudança seja apreendida, em harmonia com as afinidades naturais dos planetas envolvidos e dos signos do zodíaco, para o ambiente e para os ventos.
As intensificações diárias destas qualidades particulares se produzem, principalmente, quando as estrelas fixas mais brilhantes e mais poderosas fazem suas aparições, matutinas ou vespertinas, ao amanhecer ou ao pôr-do-sol, em relação ao Sol. Pois, normalmente, elas modulam as condições particulares para que concordem com suas próprias naturezas, e da mesma forma quando os luminares estão passando por sobre um dos ângulos.
As intensificações e relaxamentos horários do clima variam em resposta às posições das estrelas, mencionadas anteriormente, da mesma forma que a cheia e a vazante das marés respondem às fases da Lua, e as mudanças nas correntes de ar se produzem especialmente nestas aparições dos luminares nos ângulos, na direção dos ventos aos quais a latitude da Lua se incline. Em todo caso, no entanto, deve-se tirar conclusões utilizando o princípio que as causas universais e primárias têm precedência e que as causas dos eventos particulares lhe são secundárias, e que a força é mais segura e aumentada quando as estrelas, que são os senhores das naturezas universais, estão em configuração com as causas particulares.
13. Sobre a Significação dos Sinais Atmosféricos.
Observações dos sinais que possam ser vistos ao redor do Sol, da Lua e dos planetas também seriam úteis para um conhecimento prévio dos eventos particulares significados. Devemos, então, observar o Sol ao nascer para determinar o clima durante o dia e ao se pôr para determinar o clima de noite, e seus aspectos com a Lua para determinar as condições climáticas de maior duração, sob o pressuposto de que cada aspecto, em geral, prediz a condição que perdurará até o próximo. Pois, quando o Sol nasce ou se põe, claro, sem obscurecimentos, firme e sem nuvens, a previsão é de tempo bom, mas se o seu disco é multicor ou avermelhado ou emite raios vermelhos ou róseos, tanto voltados diretamente para seu exterior quanto voltados para si próprio, ou se ele apresenta as assim chamadas nuvens periélicas de um lado, ou formações de nuvens amareladas, e parece emitir raios longos, a previsão é de ventos fortes, do tipo que vêm dos ângulos para os quais os sinais ditos acima apontam. Se ao nascer ou ao se pôr ele estiver escuro ou lívido, sendo acompanhado por nuvens, ou se tiver halos ao seu redor em um lado, ou nuvens periélicas em ambos os lados, e emitir raios ou lívidos ou lusco-fusco, a previsão é de chuvas e tempestades.
Devemos observar a Lua em seu curso, três dias antes ou três dias depois da Lua Nova, da Lua Cheia, da Lua Crescente e da Lua Minguante. Pois, quando ela aparece fina e clara e não há nada ao seu redor, ela significa tempo claro. Se ela está fina e avermelhada, e o disco inteiro da porção não iluminada está visível e de certa forma perturbado, ela indica ventos, na direção para a qual ela estiver particularmente inclinada. Se se observar que ela esteja escura, ou pálida, ou grossa, ela é significadora de tempestades e chuvas. Também devemos observar os halos ao redor da Lua. Pois, se houver um, e ele for claro, e for sumindo gradualmente, a previsão é de tempo bom; se houver dois ou três, tempestades; se eles forem amarelados, e, aparentemente, quebrados, as tempestades serão acompanhadas de ventos fortes; se eles forem grossos e enevoados, tempestades de neve; pálidos, ou lusco-fusco, e quebrados, tempestades com tanto ventos fortes quanto neve; e quanto mais deles houver, mais severas serão as tempestades. E aos halos que se agrupam ao redor das estrelas, tanto dos planetas quanto das estrelas fixas brilhantes, significam o que á apropriado a suas cores e às naturezas dos luminares os quais eles envolvem. Quanto às estrelas fixas, aquelas que estão, próximas, juntas em um certo número, devemos observar suas cores e suas magnitudes. Pois, se elas aparecerem mais brilhantes e maiores do que o normal, em qualquer parte do céu na qual estiverem, elas indicam os ventos que sopram de sua própria região. Quanto aos aglomerados em sentido estrito, no entanto, como a Manjedoura e outros assim, sempre que em um céu claro seus aglomerados parecerem com o brilho enfraquecido, como se estivessem invisíveis, ou mais grossos, eles significam uma grande queda de água; mês se eles estiverem limpos e se cintilarem constantemente, significam ventos fortes. Sempre que, das estrelas chamadas de Jumentos, em cada lado da Manjedoura, aquela ao norte se tornar invisível, quer dizer que o vento norte soprará; e caso seja a do sul, o vento sul soprará. Sobre os fenômenos ocasionais na atmosfera superior, os cometas geralmente predizem secas ou ventos, e quanto maior for o número de partes que forem encontradas em suas cabeças e quanto maior for o seu tamanho, mais severos serão os ventos. Estrelas móveis e cadentes, se vierem de um ângulo, denotam que o vento virá daquela direção, mas se vierem de ângulos opostos, uma confusão de ventos, e se vierem dos quatro ângulos, tempestades de todos os tipos, incluindo trovões, relâmpagos e fenômenos assemelhados. Da mesma forma, nuvens que se assemelhem a flocos de lã são, às vezes, significadoras de chuva. E os arco-íris que aparecem de tempos em tempos significam tempestades após tempo bom e tempo bom após tempestades. Para sumarizar todo o assunto, os fenômenos visíveis, que aparecem com cores peculiares às suas próprias na atmosfera, em geral, indicam resultados similares àqueles produzidos por suas próprias ocorrências, da forma já explicada anteriormente. Vamos, então, considerar que até agora, em linhas gerais, se apresentou um relato da investigação das questões gerais, tanto em seus aspectos mais universais quanto em detalhes particulares. A seguir deveremos fornecer na ordem devida o procedimento para a previsão que segue a forma genetlialógica.
Livro III.
1. Introdução.
Como no que precedeu nós apresentamos a teoria dos eventos universais, porque ela vem primeiro e tem, em grande parte, poder para controlar das previsões que dizem respeito à natureza especial de cada indivíduo (a parte dos prognósticos que denominamos arte genetlialógica), devemos acreditar que as duas divisões têm uma e a mesma força tanto na prática quanto na teoria. Pois a causa, tanto dos eventos universais quanto dos particulares, é o movimento dos planetas, do Sol e da Lua; e a arte de realizar prognósticos é a observação científica precisamente das mudanças nas naturezas dos sujeitos que correspondem aos movimentos paralelos dos corpos celestes através dos céus que nos envolvem, exceto que as condições universais são maiores e independentes, e as particulares, não. Não devemos, no entanto, considerar que ambas as divisões empregam os mesmos pontos iniciais, a partir dos quais, através da percepção da disposição dos corpos celestes, tentamos prever os eventos significados por seus aspectos naquele momento. Pelo contrário, no caso dos universais devemos tomar muitos pontos de partida, uma vez que não temos um ponto inicial para o universo; e estes, também, não são sempre tomados a partir dos próprios objetos de investigação, mas também a partir dos elementos que os auxiliam e carregam com eles as causas; pois nós investigamos praticamente todos os pontos iniciais apresentados pelos eclipses mais completos e as passagens significativas dos planetas. Em previsões afetando os homens individuais, no entanto, temos tanto um quanto muitos pontos iniciais. O um é o início dos próprios temperamentos, pois neste caso temos o ponto inicial, e os muitos são as significações sucessivas dos ambientes que são relativos a este primeiro começo, embora, com certeza, o ponto inicial único seja, naturalmente, neste caso, de maior importância porque ele produz os outros. Assim, as características dos temperamentos são determinadas a partir do primeiro ponto inicial, enquanto através dos outros nós prevemos os eventos que surgirão em momentos específicos e variarão em grau, de acordo com as assim chamadas idades da vida.
Uma vez que o ponto inicial cronológico das natividades humanas é o momento mesmo da concepção, mas potencialmente e acidentalmente o momento do nascimento, nos casos para os quais o momento exato da concepção é conhecido tanto por acaso quanto por observação, é mais acertado que o utilizemos para determinar a natureza especial do corpo e da alma, examinando a força efetiva da configuração das estrelas naquele momento. Pois, para a semente, são dadas de uma vez por todas no começo tais e tais qualidades devidas ao ambiente, e mesmo embora este possa mudar à medida que o corpo subsequentemente cresce, uma vez que por processos naturais só se combina com si mesmo a matéria que é afim a si, assim o corpo se parecerá ainda mais com o tipo de sua qualidade inicial.
No entanto, se não se sabe o momento da concepção, o que normalmente é o caso, devemos seguir o ponto inicial fornecido pelo momento do nascimento e a este ponto prestar atenção, pois ele, também, é de grande importância e é segundo ao anterior apenas em um aspecto, é que pelo anterior se pode prever também eventos anteriores ao nascimento. Pois se alguém denominar o anterior de “fonte”, por assim dizer, e o outro, “início”, sua importância no tempo, na verdade, é secundária, mas é igual ou até mesmo mais perfeita em potencialidade, e com razoável propriedade o primeiro seria chamado de gênese da semente humana e o último de gênese de um homem. Pois criança, ao nascer, e sua forma corporal recebem muitos atributos que não possuíam antes, quando estavam no útero, aqueles próprios atributos, na verdade, que pertencem à natureza humana isolada; e mesmo se parecer que o ambiente no momento do nascimento não contribui nada para a sua qualidade, ao menos o próprio fato de a criança vir à luz sob a conformação apropriada dos céus contribui, uma vez que a natureza, após a criança estar perfeitamente formada, gera o impulso para o seu nascimento sob uma configuração de forma similar àquela que governou a formação da criança em detalhe, em primeiro lugar. Da mesma forma, pode-se com razão acreditar que a posição das estrelas no momento do nascimento é importante para coisas deste tipo, mas não, no entanto, pela razão de que seja causativo no sentido completo, mas que, por necessidade e por natureza ela tem, potencialmente, força causativa muito similar.
Uma vez que nosso propósito atual é tratar esta divisão, da mesma forma, sistematicamente, com base na discussão introduzida no início deste compêndio, sobre a possibilidade de previsão deste tipo, devemos evitar apresentar o antigo método de previsão, que utiliza a combinação de todas ou da maior parte das estrelas, porque este método é multifacetado e, na prática, infinito, se alguém tenta relatá-lo em detalhe. Além disso, ele depende muito mais das tentativas particulares daqueles que realizam suas investigações diretamente a partir da natureza, do que daqueles que podem teorizar com base nas tradições, e além do mais devemos omiti-lo por causa da dificuldade em utilizá-lo e em segui-lo. Estes procedimentos, através dos quais cada tipo de coisa é apreendida pelo método prático, e pelas influências ativas das estrelas, tanto especiais quanto gerais, devemos expor, na medida do possível, de forma breve e consistente, de acordo com a conjectura natural. Nosso prefácio deverá ser um relato dos locais nos céus aos quais se faz referência quando eventos humanos particulares são considerados teoricamente, um tipo de marca a qual se deve dirigir antes de proceder; a isso devemos adicionar uma discussão geral das forças ativas dos corpos celestiais que recebem familiaridades com estes lugares ao dominarem-nos – a soltura da flecha, por assim dizer-; mas o evento previsto, a resultante da soma da combinação de diversos elementos aplicados à forma subjacente, devemos deixar, como para um arqueiro mais habilitado, aos cálculos daquele que conduz a investigação. Em primeiro lugar, então, devemos discutir na seqüência adequada os assuntos gerais cuja consideração é conseguida através do momento do nascimento, tomado como o ponto inicial, pois, como havíamos dito, ele fornece uma explicação de todos os eventos naturais, mas, se se estiver com vontade de fazer o esforço adicional, pelo mesmo raciocínio as propriedades que caírem no momento da concepção também serão úteis para assegurar as qualidades peculiares que se aplicam diretamente à combinação.
2. Sobre o Grau do Ponto Horoscópico [Ascendente]
Com relação ao primeiro e mais importante fato, ou seja, a fração da hora do nascimento, uma dificuldade normalmente surge; pois, em geral, somente a observação através de astrolábios horoscópicos no momento do nascimento pode, para observadores científicos, dar o minuto exato, enquanto que praticamente todos os outros instrumentos horoscópicos com os quais a maioria dos praticantes mais cuidadosos contam são, com freqüência, capazes de errar, os instrumentos solares, pela mudança ocasional de suas posições ou de da inclinação de seu ponteiro, e os relógios de água por paradas e irregularidades no fluxo de água por diferentes causas e por mero acaso.
Seria, então, necessário, que em primeiro lugar se desse um relato de como se pode, por raciocínio natural e consistente, descobrir o grau do zodíaco que esteja ascendendo, dado o grau da hora conhecida mais próxima do evento, o que se descobre pelo método das ascensões.
Devemos, então, realizar a sizígia mais recente anterior ao nascimento, seja ela uma Lua Nova ou Cheia; e, da mesma forma, tendo determinado precisamente o grau, de ambos os luminares, caso a Lua seja Nova, e caso a Lua seja Cheia do que, entre eles, estiver acima da Terra, deveremos observar quais estrelas o regem no momento do nascimento.
Em geral, o modo do domínio é considerado como caindo em uma destas cinco formas: triplicidade, domicílio, exaltação, termo e fase ou aspecto; ou seja, se o ponto zodiacal em questão está relacionado em um, ou diversos, ou todos os modos, com a estrela que seja a regente.
Se, então, descobrimos que uma estrela é familiar com o grau em todos ou na maioria destes aspectos, qualquer grau, determinado por observação precisa, que esta estrela esteja ocupando no signo pelo qual esteja passando, devemos julgar que o grau correspondente está ascendendo no momento da natividade no signo que esteja mais próximo, pelo método das ascensões. Mas se descobrirmos dois ou mais co-regentes, devemos utilizar o número de graus apresentado por qualquer um deles que esteja, no momento do nascimento, passando pelo grau que esteja mais perto do que esteja ascendendo, de acordo com o método de ascensões. No entanto, se dois ou mais estiverem próximos no número de graus, devemos seguir aquele que for mais proximamente relacionado com os centros e o séqüito. Se, no entanto, a distância do grau ocupado pelo regente até o grau do horóscopo geral for maior do que sua distância até o meio-céu correspondente, devemos utilizar o mesmo número para constituir o nível médio e portanto estabelecer os outros ângulos.
1. lntrodução.
Devemos considerar que, até agora, fornecemos, resumidamente, os detalhes mais importantes da exposição tabular necessária para a pesquisa nos prognósticos particulares. Vamos acrescentar, então, na seqüência adequada, os procedimentos para lidarmos em detalhe com aqueles assuntos que estão dentro dos limites da possibilidade deste tipo de previsão, permanecendo sempre firmes no método natural de exposição.
Uma vez, então, que a previsão por meios astronômicos está dividida em duas grandes partes principais, e uma vez que a primeira e mais universal, chamada de geral, é aquela que está relacionada com raças, países e cidades consideradas em sua totalidade, e a segunda, e mais específica, que é chamada de genetlialógica, é aquela que se refere aos homens individuais, cremos ser acertado tratarmos primeiramente da divisão geral, porque tais assuntos são normalmente influenciados por causas maiores e mais poderosas do que são os eventos particulares. E, já que as naturezas mais fracas devem ceder às mais fortes, e o particular sempre cai dentro do geral, seria sempre necessário, para aqueles que pretendem realizar uma investigação sobre um indivíduo único, ter compreendido muito antes as considerações mais gerais.
Sobre a investigação geral em si mesma, novamente, uma parte se refere a países inteiros, e uma parte se refere a cidades; além disso, uma parte lida com as condições maiores e mais periódicas, tais como as guerras, as fomes, as pestes, os terremotos, os dilúvios e coisas assim; e outra lida com os eventos menores e mais ocasionais, como por exemplo, as mudanças na temperatura nas estações do ano, e as variações na intensidade das tempestades, calor e ventos, e a qualidade, boa ou má, das colheiras, entre outros. No entanto, para cada um destes casos, é preferível proceder analisando países inteiros e as condições mais gerais, pela mesma razão de antes. Duas coisas são particularmente levadas em conta no exame destas questões: a familiaridade dos signos do zodíaco, e também das estrelas, com os diversos climas, e as significações dos corpos celestiais em suas próprias regiões em um dado momento, manifestadas pelas conjunções eclípticas do Sol e da Lua e dos trânsitos dos planetas ascendentes e em seus períodos estacionários. Devemos, portanto, em primeiro lugar, explicar a razão natural para as simpatias ditas acima, e ao mesmo tempo resumir rapidamente as peculiaridades corporais e éticas geralmente observadas em nações inteiras, que não são estranhas às características naturais das estrelas e dos signos que lhe são familiares.
2. Sobre as Características dos Habitantes dos Climas Gerais.
A demarcação de características nacionais é estabelecida em parte por paralelos e ângulos inteiros, através de sua posição relativa à eclíptica e ao Sol, pois, enquanto a região na qual habitamos é uma das regiões do norte, as pessoas que vivem sob os paralelos mais ao sul, ou seja, aqueles que vivem entre o equador e o trópico de verão, uma vez que eles têm o Sol sobre suas cabeças e são queimados por ele, possuem pele negra e cabelos grossos e como a lã, são contraídos na forma e encolhidos na estatura, de natureza sanguínea, e, quanto aos hábitos, são em sua maior parte selvagens, porque seus lares são continuamente oprimidos pelo calor; nós os chamamos pelo nome geral de Etíopes. Não apenas eles estão nesta condição, mas observamos também que o seu clima e os animais e plantas da sua região claramente fornecem evidência deste cozimento pelo Sol.
Aqueles que vivem sob os paralelos mais ao norte, aqueles, quero dizer, que tem as Ursas sobre suas cabeças, uma vez que estão muito afastados do zodíaco e do calor do Sol, são portanto resfriados; no entanto, porque eles possuem uma quantidade maior de umidade, que é mais nutritiva e não está, neste lugar, exaurida pelo calor, eles possuem a compleição branca, com os cabelos lisos, são altos e bem-nutridos, e de certa forma frios por natureza; eles também são selvagens em seus hábitos, porque seus locais de morada são continuamente frios.A característica invernal de seu clima, o tamanho de suas plantas, e a ferocidade de seus animais estão de acordo com essas qualidades. Nós os chamamos, também, por um nome geral, Citas.
Os habitantes da região entre o trópico de verão e as Ursas, no entanto, uma vez que o Sol não está nem diretamente sobre suas cabeças nem muito distante em seus trânsitos diurnos, partilham da temperatura moderada do ar, que varia, com certeza, mas não apresenta mudanças violentas do calor para o frio. Eles estão, portanto, em posição mediana na cor, possuem estatura moderada, são moderados por natureza, vivem bastante unidos, e são civilizados nos seus hábitos. Os mais ao sul entre eles são mais astutos e inventivos, e melhores versados nas coisas divinas porque seu zênite está mais perto do zodíaco e dos planetas que se movem sobre ele. Através desta afinidade os homens mesmos são caracterizados por uma atividade da alma que é sagaz, investigativa, e em conformidade com a investigação das ciências especificamente chamadas de matemáticas. Ainda a respeito deles, o grupo oriental é mais masculino, vigoroso e franco em todas as coisas, porque se poderia presumir razoavelmente que o oriente partilha da natureza do Sol. Esta região, portanto, é diurna, masculina, e destra, mesmo quando observamos que entre os animais também suas partes destras são mais conformes à força e ao vigor. Aqueles ao oeste são mais femininos, de alma mais mole, e dados a segredos, porque esta região, mais uma vez, é lunar porque é sempre no oeste que a Lua emerge e faz sua aparição após a conjunção. Por esta razão, o clima parece noturno, feminino, e, em contraste com o oriente, canhoto.
Agora, em cada uma destas regiões gerais certas condições especiais de caráter e costumes naturalmente aparecem, assim como, no caso do clima, mesmo dentro de regiões que são consideradas quentes, frias, ou temperadas, algumas localidades e países possuem peculiaridades especiais de excesso ou deficiência em razão de sua situação, altitude, localização baixa ou proximidade. Desta forma, assim como alguns povos são mais inclinados à criação de cavalos porque seu país é constituído de planícies, ou às atividades marinhas porque vivem perto do mar, ou à civilização por causa da riqueza de seu solo, do mesmo modo se descobriria traços especiais surgindo da familiaridade natural dos seus climas particulares com as estrelas nos signos do zodíaco. Esses traços, também, seriam encontrados de forma geral, mas não em todos os indivíduos. Devemos, então, tratar brevemente do assunto, na medida em que seja útil para o propósito das investigações particulares.
3. Sobre as Familiaridades entre os Países e as Triplicidades e Estrelas.
Das quatro formações triangulares reconhecidas no zodíaco, como demonstramos acima, a que consiste de Áries, Leão e Sagitário é do Noroeste, e dominada principalmente por Júpiter devido ao vento norte, mas Marte se junta a esta regência por causa do vento sudoeste. Aquela que é composta de Touro, Virgem e Capricórnio é do Sudeste, e, novamente, é governada primariamente por Vênus devido ao vento sul, mas em conjunto com Saturno por causa do vento leste. A que consiste em Gêmeos, Libra e Aquário é do Nordeste e é governada primariamente por Saturno, por causa do vento leste, e conjuntamente com Júpiter por causa do vento norte. O triângulo de Câncer, Escorpião e Peixes é do Sudoeste e é governado primariamente, devido ao vento sudoeste, por Marte, que rege conjuntamente com Vênus devido ao vento sul.
Já que as coisas são assim, e uma vez que nosso mundo habitado é divido em quatro quadrantes, igual em número aos triângulos, e é dividido latitudinalmente por nosso Mar, dos Estreitos de Hércules até o Golfo de Issus e os cumes montanhosos adjacentes no Leste, e devido a estes suas porções ao norte e ao sul são separadas; e na longitude pelo Golfo Arábico, o Mar Egeu, o Ponto e o Lago Maeotis, pelos quais as porções ao leste e ao oeste estão separadas, surgem quatro quadrantes, e estes concordam em sua posição com os triângulos. O primeiro quadrante está localizado no noroeste do mundo habitado inteiro; ele abrange a Gália Celta e damos a ele o nome geral de Europa. Oposto a esta região está o quadrante sudeste, que inclui a Etiópia do leste, que seria denominada a parte sul da Ásia Maior. Mais ainda, o quadrante nordeste do mundo habitado é o que contém a Cítia, que da mesma forma é a parte norte da Ásia Maior; e o quadrante oposto a este e na direção do vento sudeste, o quadrante da Etiópia do oeste, é o que chamamos pelo termo geral de Líbia.
Novamente, de cada um dos quadrantes mencionados acima, suas partes que estão localizadas mais próximas do centro do mundo habitado são dispostas de uma forma contrária em relação aos quadrantes que as circundam, da mesma forma que estes últimos estão em comparação com o mundo inteiro; e, uma vez que o quadrante europeu está no noroeste do mundo inteiro, as suas partes perto do centro, que estão alinhadas ao ângulo oposto, obviamente estão situadas na região sudeste do quadrante. O mesmo é verdade para todos os outros quadrantes, de forma que cada um deles está relacionado a dois triângulos situados em oposição a eles, pois, enquanto as outras partes estão em harmonia com a inclinação geral do quadrante, as porções no centro do mundo são familiares com a inclinação oposta, e, mais ainda, sobre as estrelas que governam em seus próprios triângulos, em todos os outros domicílios que elas governam sozinhas, mas nas partes próximas ao centro, da mesma forma estão com o grupo, e além disso, Mercúrio, porque ele está no meio do caminho entre os dois séqüitos e é comum a ambos.
Sob este arranjo, o restante do primeiro quadrante, ou seja, o quadrante europeu, situado no noroeste do mundo habitado, é familiar com o triângulo noroeste, Áries, Leão e Sagitário, e é governado, como se deveria esperar, pelos senhores do triângulo, Júpiter e Marte, ocidentais. Em termos de nações inteiras, estas partes consistem da Bretanha, da Gália Transalpina, Alemanha, Bastárnia,Itália, Gália Cisalpina, Apúlia, Sicília, Tirrênia, Céltica e Espanha. Como se poderia esperar, é a característica geral destas nações, em razão da predominância dos triângulos e das estrelas que se juntam em seu governo, serem independentes, amantes da liberdade, com apreço pelas armas, industriosos, muito guerreiros, com qualidades de liderança, higiênicos e magnânimos. No entanto, por causa do aspecto ocidental de Júpiter e Marte, e além disso porque as primeiras partes do triângulo mencionado acima são masculinas e as últimas femininas, eles não têm paixão por mulheres e desprezam os prazeres do amor, mais estão mais satisfeitos com e possuem maior desejo em relação a homens. E eles não consideram o ato como uma desgraça para a honra, nem, na verdade, se tornam afeminados ou moles por causa desta tendência, porque sua disposição não é pervertida, mas eles retêm em suas almas a hombridade, a utilidade, boa fé, amor do companheirismo e benevolência. Destes mesmos países, a Bretanha, a Gália Transaplina, a Alemanha e a Bastárnia são mais familiares com Áries e Marte. Assim, na maior parte dos casos, seus habitantes são mais ferozes, mais teimosos e bestiais. No entanto, a Itália, Apúlia, a Gália Cisalpina e a Sicília são mais familiares com Leão e com o Sol; portante, estes povos são mais destros, soberanos, benevolentes e cooperativos. A Tirrênia, a Céltica e a Espanha são sujeitas a Sagitário e Júpiter, de onde vêm sua independência, simplicidade e amor por limpeza. As partes deste quadrante que estão situadas ao redor do centro do mundo habitado, Trácia, Macedônia, Ilíria, Hélade, Acaia, Creta, e da mesma forma as Cíclades, e as regiões da costa da Ásia Menor e Chipre, que estão na porção sudeste do quadrante inteiro, têm, além do explicado acima, familiaridade com o triângulo do sudeste, Touro, Virgem e Capricórnio, e seus co-regentes, Vênus, Saturno e Mercúrio. Em conseqüência, os habitantes destes países são de um modo conforme com estes planetas no corpo e na alma e são de uma constituição mais combinada. Eles também possuem qualidades de liderança e são nobres e independentes, por causa de Marte; eles são amantes da liberdade e se auto-governam, são democráticos e feitores de leis, devido a Júpiter; amantes de música e do estudo, com apreço pelas competições e higiene, devido a Vênus; sociais, amigáveis em contato com o estrangeiro, amantes da justiça, com apreço pelas letras e muito eficientes na eloqüência, por causa de Mercúrio, e são particularmente viciados em demonstrações de mistérios, por causa do aspecto ocidental de Vênus. Mais uma vez, parte a parte, os deste grupo que vivem nas Cíclades e nas costas da Ásia Menor e do Chipre são mais estreitamente familiares a Touro e Vênus; por estas razões eles são, no geral, luxuriosos, limpos e atentos ao próprio corpo. Os habitantes da Hélade, da Acáia e de Creta, no entanto, têm familiaridade com Virgem e Mercúrio, e são, portanto, melhores no raciocínio e amigos do estudo, e exercitam a alma, preferentemente ao corpo. Os macedônios, trácios e ilirianos têm familiaridade com Capricórnio e Saturno, de modo que embora eles sejam perdulários, não têm uma natureza mole, nem são sociáveis em suas instituições.
Sobre o segundo quadrante, que abranje a Índia, a Ariana, a Gedrósia, a Partia, a Média, a Pérsia, a Babilônia, a Mesopotâmia e a Assíria, que estão situadas no sudeste do mundo habitado, são, como poderíamos supor, familiares ao triângulo sudeste, Touro, Virgem e Capricórnio, e são governadas por Vênus e Saturno em aspectos orientais. Portanto, veremos que as naturezas de seus habitantes estão em conformidade com os temperamentos governados por estes regentes; pois eles reverenciam a estrela de Vênus sob o nome de Ísis, e a de Saturno pelo nome de Mithras Helios. A maior parte deles, também, prediz eventos futuros, e entre eles existe a prática de consagrar os órgãos genitais, por causa do aspecto das estrelas acima mencionadas, que por natureza é generativo. Além disso, eles são ardentes, concupiscentes, e inclinados aos prazeres do amor; através da influência de Vênus eles são dançarinos, saltadores e amantes do adorno, e através da influência de Saturno, amantes da vida luxuosa. Eles realizam suas relações com as mulheres de forma aberta e não em segredo, por causa do aspecto oriental de Vênus, mas consideram detestável este tipo de relação com machos. Por estas razões muitos deles geram crianças com suas próprias mães, e eles fazem o que o peito lhes manda, em virtude do nascer matinal dos planetas e por causa da primazia do coração, que é próximo do poder do Sol. Em relação ao resto, são geralmente luxuosos e efeminados no modo de se vestir, de se adornar e em todos os hábitos relativos ao corpo, por causa de Vênus. Em suas almas e por sua predileção eles são magnânimos, nobres, e afeitos à guerra, devido às familiaridades com Saturno oriental. Parte por parte, mais uma vez, Partia, Média e Pérsia são mais estreitamente familiares com Touro e Vênus, portanto seus habitantes utilizam roupas bordadas, que cobrem todo o corpo exceto o peito, e são de uma maneira geral luxuosos e limpos. Babilônia, Mesopotâmia e Assíria são familiares a Virgem e Mercúrio, e portanto o estudo da matemática e a observação dos cinco planetas são traços especiais destes povos. Índia, Ariana e Gedrósia possuem familiaridade com Capricórnio e Saturno; portanto, os habitantes destes países são feios, sujos e bestiais. As partes restantes do quadrante, situadas próximas do centro do mundo habitado, Iduméia, Síria Coelê, Judéia, Fenícia, Caldéia, Orquínia e Arábia Felix, que estão situadas para o noroeste do quadrante inteiro, têm uma familiaridade adicional com o triângulo do noroeste, Áries, Leão e Sagitário e, além disso, possuem como co-regentes Júpiter, Marte e Mercúrio. Portanto, estes povos são, em comparação com os outros, mais hábeis no comércio e nas trocas; eles são mais inescrupulosos, covardes desprezíveis, traidores, servis e em geral inconstantes, devido ao aspecto das estrelas mencionadas. Destes, novamente os habitantes da Síria Coelê, da Iduméia e da Judéia são mais estreitamente familiares com Áries e Marte, e portanto estes povos são em geral ousados, sem Deus e armadores de esquemas. Os fenícios, caldeus e orquínios têm familiaridade com Leão e o Sol, de modo que eles são mais simples, mais afáveis, viciados em astrologia e acima de todos os outros homens adoradores do Sol. Os habitantes da Arábia Felix são familiares a Sagitário e Júpiter; isso explica a fertilidade do país, de acordo com seu nome, e sua variedade de temperos, e a graça de seus habitantes e seu livre espírito na vida diária, no comércio e nos negócios.
Sobre o terceiro quadrante, que inclui a parte norte da Ásia menor, as outras partes, incluindo a Hircânia, a Armênia, a Matiana, a Bactriana, a Caspéria, a Sérica, a Seuromática, a Oxiana, a Sogdiana e as regiões no nordeste do mundo habitado, são familiares com o triângulo nordeste, Gêmeos, Libra e Aquário, e são, como poderia se esperar, governadas por Saturno e Júpiter em aspecto oriental. Portanto, os habitantes destas terras adoram a Júpiter e Saturno, possuem muitas riquezas e ouro, e são limpos e decentes em seu viver, educados e adeptos dos assuntos de religião, justos e liberais em suas maneiras, magnânimos e nobres de alma, odiadores do mal, e passionais, e prontos para morrer por seus amigos por uma causa santa e justa. Eles são dignos e puros em suas relações sexuais, pródigos no vestir, graciosos e magnânimos; estas coisas em geral são causadas por Saturno e Júpiter em aspectos ao leste. Dessas nações, novamente, Hircânia, Armênia e Matiana são mais estreitamente familiares com Gêmeos e Mercúrio; e, portanto, são mais facilmente movidos e inclinados à trapaça. Bactriana, Casperia e Sérica são mais afins a Libra e Vênus, de modo que seus povos são ricos e seguidores das Musas, e mais luxuosos. As regiões de Sauromática, Oxiana e Sogdiana são familiares a Aquário e Saturno; estas nações são portanto menos gentis, estéreis e bestiais. As regiões remanescentes deste quadrante, que se localizam perto do centro do mundo habitado, Bitínia, Frigia, Cólquica, Síria, Commagenê, Capadócia, Lídia, Lícia, Cilícia e Panfília, uma vez que estão situadas no sudeste do quadrante, têm além disso familiaridade com o quadrante sudoeste, Câncer, Escorpião e Peixes, e seus co-regentes são Marte, Vênus e Mercúrio; portanto, aqueles que vivem nesses países geralmente adoram Vênus, como mãe dos deuses, a chamando por vários nomes, e Marte e Adônis, para quem eles também dão outros nomes, e eles celebram em sua honra certos mistérios acompanhados por lamentações. Eles são em alto grau depravados, servis, trabalhadores trapaceiros, podem ser encontrados em expedições mercenárias, pilhando e fazendo cativos, escravizando seu próprio povo, e realizando guerras destrutivas. Devido à junção de Marte e Vênus no oriente, uma vez que Marte está exaltado em Capricórnio, um signo do triângulo de Vênus, e Vênus em Peixes, um signo do triângulo de Marte, surge que suas mulheres demonstram completa boa vontade em relação a seus maridos; elas são apaixonadas, cuidam da casa, diligentes, prestativas e em todos os aspectos trabalhadoras e obedientes. Destes povos, novamente, aqueles que vivem em Bitína, Frigia e Cólquica são mais estreitamente familiares a Câncer e à Lua; portanto, os homens são geralmente cuidadosos e obedientes, e a maior parte das mulheres, devido à influência do aspecto oriental e masculino da Lua, são viris, comandantes e afeitas à guerra, como as Amazonas, que desprezam o comércio com os homens, amam as armas e desde a infância tornam masculinas todas as suas características femininas, ao cortar seus seios direitos por necessidades militares e deixando estas partes nuas na linha de batalha, para mostrarem a ausência de feminilidade em suas naturezas. Os povos da Síria, Comagenê e Capadócia são familiares a Escorpião e Marte; portanto, muita ousadia, engodo, traição e labor são encontrados entre eles. Os povos da Lídia, Cílicia e Panfíllia são familiares com Peixes e Júpiter, e portanto são mais saudáveis, comerciais, livres socialmente e confiáveis em seu acordos.
Sobre o quadrante restante, que inclui o que é chamado pelo nome comum de Líbia, as outras regiões, incluindo Numídia, Cartago, África, Fazânia, Nasamonite, Garamântica, Mauritânia, Getúlia, Metagonite e as regiões situadas no sudeste do mundo habitado estão relacionadas, devido à sua familiaridade, com o triângulo sudoeste, Câncer, Escorpião e Peixes, e são, portanto, regidos por Marte e Vênus em seu aspecto ocidental. Por esta razão, a maior parte de seus habitantes, por causa da junção mencionada acima destes planetas, é governada por um homem e sua esposa, que são irmão e irmã, o homem governante dos homens e a mulher das mulheres, e uma sucessão desta forma é mantida. Eles são extremamente ardentes e dispostos ao comércio com mulheres, de forma que mesmo seus casamentos são feitos através de abduções violentas, e frequentemente seus reis aproveitam o jus primae noctis [direito da primeira noite] com as noivas, e entre alguns deles as mulheres são comuns a todos os homens. Eles são afeitos a se embelezarem, e se adornarem com adereços femininos, devido à influência de Vênus; pela influência de Marte, no entanto, eles são viris de espírito, trapaceiros, mágicos, impostores, enganadores e despreocupados. Desses povos, novamente, os habitantes da Numídia, de Cartago e da África são mais estreitamente familiares a Câncer e à Lua. Eles são, portanto, sociais, comerciantes e vivem em grande abundância. Os que habitam Metagonite, Mauritânia e Getúlia são familiares a Escorpião e Marte; eles são, portanto, mais agressivos e amantes da guerra, comedores de carne, muito descuidados e despreocupados com a vida a tal grau que não poupam nem uns aos outros. Aqueles que vivem na Fazânia, em Nasamonite e em Garamântica são familiares a Peixes e Júpiter, e portanto são livres e simples em suas características, com vontade de trabalhar, inteligentes, limpos e independentes, de uma forma geral, e são adoradores de Júpiter pelo nome de Amôn. As partes restantes do quadrante, que estão situadas perto do centro do mundo habitado, Cirenáica, Marmárica, Egito, Tebas, o Oásis, Troglodítica, Arábia e a Etiópia Meridiana, que se voltam para o nordeste do quadrante inteiro, têm uma familiaridade adicional com o triângulo nordeste, Gêmeos, Libra e Aquário, e portanto possuem como co-regentes Saturno e Júpiter e, além desses, Mercúrio. Portanto, aqueles que vivem nestes países, porque todos eles em comum, por assim dizer, estão sujeitos à regência ocidental dos cinco planetas, são adoradores dos deuses, supersticiosos, dados a cerimônias religiosas e afeitos à lamentação; eles enterram seus mortos na terra, os pondo fora do alcance da visão, por causa do aspecto ocidental dos planetas; e eles praticam todos os tipos de usos, costumes e ritos a serviço de todos os tipos de deuses. Quando comandados eles são humildes, tímidos, penosos e suportam longos sofrimentos; quando lideram, são corajosos e magnânimos; são, no entanto, polígamos e poliândricos e dados à luxúria, casando-se até mesmo com suas próprias irmãs, e os homens têm potência na geração, as mulheres na concepção, e até sua terra é fértil. Além disso, muitos dos homens são doentes e afeminados de alma, e mesmo alguns desprezam os órgãos de geração, devido à influência do aspecto dos planetas malignos em cominação com Vênus ocidental. Destes povos, os habitantes de Cirenaica e Marmárica, e particularmente do Baixo Egito, são mais estreitamente relacionados com Gêmeos e Mercúrio; por causa disto eles são ponderados, inteligentes e têm facilidades em todas as coisas, especialmente na busca da sabedoria e na religião; eles são mágicos, realizam ritos de mistérios secretos e são em geral versados em matemática. Aqueles que vivem em Tebas, no Oásis e na Trogloditica, são familiares a Libra e Vênus, portanto são mais ardentes e vivazes de natureza e vivem na abundância. Os povos da Arábia, Azânia e Etiópia Meridional são familares a Aquário e Saturno, e por essa razão são comedores de carne, de peixe e nômades, vivendo uma vida dura e bestial.
Essa foi a nossa exposição breve das familiaridades dos planetas e dos signos do zodíaco com as diversas nações e das características gerais desses últimos. Também exporemos, para uso imediato, uma lista das diversas nações que estão em familiaridade, em cada signo, de acordo com o que já foi dito acima sobre eles. Assim:
Áries: Bretanha, Gália, Germânia, Bastárnia; no centro, Síria Coelê, Palestina, Iduméia, Judéa.
Touro: Pártia, Média, Pérsia; no centro, as Cíclades, Chipre, a região costal da Ásia Menor.
Gêmeos: Hircânia, Armênia, Matiana; no centro, Cirenaica, Marmárica, Egito Menor.
Câncer: Numídia, Cartago, África; no centro, Bifínia, Frígia, Cólquica.
Leão: Itália, Gália Cisalpina, Sicília, Apúlia; no centro, Fenícia, Caldéia, Orquênia.
Virgem: Mesopotâmia, Babilônia, Assíria; no centro, Hélas, Acaia, Creta.
Libra: Bactriana, Caspéria, Sérica; no centro, Tebas, Oásis, Troglodítica.
Escorpião: Metagonite, Mauritânia, Getúlia; no centro, Síria, Comagenê, Capadócia.
Sagitário: Tirrênia, Céltica, Espanha; no centro, Arábia Felix.
Capricórnio: Índia, Ariana, Gedrpsia; no centro, Trácia, Macedônia, Ilíria.
Aquário: Sauromática, Oxiana, Sogdiana; no centro, Arábia, Azânia, Etiópia Meridiional.
Peixes: Fazânia, Nasamonite, Garamânitca; no centro, Lídia, Cilícia, Panfília.
Agora que o assunto estudado foi apresentado, é razoável adicionar a esta seção esta consideração posterior – que cada uma das estrelas fixas tem familiaridade com os países com os quais as partes do zodíaco que têm a mesma inclinação que elas (com relação ao círculo feito através de seus pólos) exercem simpatia. Além disso, no caso de cidades metropolitanas, as regiões do zodíaco que são as mais simpáticas são as através das quais o Sol ou a Lua passaram (para os centros, especialmente o horóscopo), em sua fundação, como em uma natividade. No entanto, em casos em que o momento exato da fundação não pode ser descoberto, as regiões simpáticas são as que caem no meio do céu das natividades daqueles que tinham o poder ou eram os reis daquela época.
4. Método de Realizar Previsões Particulares.
Após esse exame introdutório, a próxima tarefa seria lidar brevemente com o procedimento das predições, e primeiramente com aqueles referentes às condições gerais dos países e das cidades. O método de investigação será o que se segue: a causa primeira e mais potente de tais eventos está nas conjunções entre o Sol e a Lua no eclipse e nos movimentos das estrelas no mesmo momento. Sobre a predição ela mesma, uma porção é regional; desta forma podemos prever para quais países ou cidades são significativos os vários eclipses, ou as estações ocasionais regulares dos planetas (ou seja, de Saturno, de Júpiter e de Marte) sempre que eles cessam o movimento, pois então eles são importantes. Outra divisão da predição é cronológica, nela, a necessidade é de prever o momento das potestades e sua duração. Uma parte, também, é genérica; através dessa, devemos compreender em quais classes o evento exercerá seus efeitos. E, finalmente, há o aspecto específico, pelo qual discerniremos a qualidade do próprio evento.
5. Sobre o Exame dos Países Afetados.
Devemos julgar a primeira porção da investigação, que é regional, da maneira seguinte: nos eclipses do Sol e da Lua, quando ocorrem, em particular aqueles mais fáceis de serem observados, devemos examinar a região do zodíaco na qual ele se dá, e os países em familiaridade com os seus triângulos, e de forma similar averiguar quais das cidades, tanto por seu horóscopo no momento de sua fundação e a posição dos luminares no momento, quanto pelo meio-céu da natividade de seus governantes, são simpáticas ao signo zodiacal do eclipse. Em quaisquer países ou cidades que descobrirmos uma familiaridade deste tipo, devemos supor que algum evento ocorrerá, que se aplique, de uma forma geral, a todos eles, particularmente àqueles que possuem uma relação com o signo zodiacal do eclipse e àqueles nos quais o eclipse, uma vez que ocorreu sobre a Terra, foi visível.
6. Sobre o Momento dos Eventos Previstos.
Pela segunda divisão, a cronológica, pela qual devemos aprender os momentos dos eventos significados e sua duração, devemos considerar o seguinte: da mesma forma que os eclipses que ocorrem ao mesmo tempo não se completam no mesmo número de horas ordinárias em todas as localidades, e uma vez que os mesmos eclipses solares não têm em toda a parte o mesmo grau de obscurecimento, nem a mesma duração, devemos em primeiro lugar estabelecer a hora do eclipse, em cada uma das localidades relacionadas, e para a altitude do pólo e dos centros, como em uma natividade; em segundo lugar, quantas horas equinociais o obscurecimento do eclipse dura em cada um. Pois, quando estes dados são examinados, se se trata de um eclipse solar, devemos compreender que os eventos previstos duram tantos anos quanto forem as horas equinociais que descobrirmos, e se se tratar de um eclipse lunar, tantos meses quanto forem as horas. A natureza dos inícios e das intensificações mais importantes dos eventos, no entanto, são deduzidas da posição do lugar do eclipse em relação aos centros. Pois, se o local do eclipse cai no horizonte leste, isso significa que o começo do evento previsto é no primeiro período de quatro meses a partir do momento do eclipse e que suas intensificações importantes caem no primeiro terço do período inteiro de sua duração; se no meio-céu, no segundo grupo de quatro meses e no terço do meio; se sobre o horizonte oeste, no terceiro grupo de quatro meses e no terço final. O começo de atenuações e intensificações particulares do evento deduzimos das conjunções que ocorrem neste meio tempo, se elas ocorrerem nas regiões importantes ou nas regiões em algum aspecto a elas, e também pelos movimentos dos planetas, se aqueles que efetivam os eventos previstos estão ou ascendendo ou se pondo ou estacionários ou na ascensão vespertina e estão ao mesmo tempo em algum aspecto com os signos zodiacais que regem a causa; porque os planetas, quando estão ascendendo ou estacionários produzem intensificações nos eventos, mas quanto estão se pondo, e sob os raios do sol, ou avançando na tarde, produzem uma atenuação.
7. Sobre a Classe dos Afetados.
A terceira parte é aquela da classificação genérica, pela qual se deve determinar quais classes o evento irá afetar. Isso é descrito pela natureza e forma especiais dos signos do zodíaco nos quais ocorrem os eclipses e nas quais estão os corpos celestes, tanto planetas quanto estrelas fixas, que governam tanto o signo do eclipse quando o do ângulo precedendo o eclipse. No caso dos planetas descobrimos a regência dessas regiões assim: aquele que tem o maior número de relações com ambas as regiões ditas acima, aquela do eclipse e aquela do ângulo no qual o eclipse segue, tanto em virtude das aplicações ou recessões visíveis mais próximas, tanto por aqueles aspectos que possuem uma relação, e além disso, por regência dos domicílios, triângulos, exaltações e termos, e somente este planeta terá a dominância. No entanto, se o mesmo planeta não é o senhor do eclipse e do ângulos, devemos considerar, juntos, os dois que possuem o maior número de familiaridades, como dito acima, para qualquer uma das regiões, dando preferência ao senhor do eclipse. Se diversos rivais forem encontrados em qualquer das contas, devemos preferir para o domínio aquele que estiver mais perto de um ângulo, ou for o mais importante, ou for o mais estreitamente unido pelo séqüito. No caso das estrelas fixas, devemos tomar a primeira das estrelas brilhantes que signifique sobre o ângulo precedente à hora real do eclipse, de acordo com os nove tipos de aspecto visível definidos em nossa primeira compilação, e a estrela que, do grupo visível no momento do eclipse, ou ascendeu ou atingiu o meridiano com o ângulo seguinte ao local do eclipse.
Quando descobrimos assim as estrelas que partilham as causas do evento, devemos também considerar as formas dos signos do zodíaco nos quais o eclipse e as estrelas dominantes estão, uma vez que a partir de suas características a qualidade das classes afetadas é normalmente descobertas. Constelações com forma humana, tanto no zodíaco quanto entre as estrelas fixas, fazem o evento estar relacionado com a raça humana. Dos signos terrestres, os de bestas de quatro patas dizem que o evento estará relacionado com bestas de quatro patas, e os signos formados com coisas rastejantes, com serpentes e animais afins. Novamente, os signos animais têm importância para os animais selvagens e para aqueles que causam dano à raça humana; os signos domésticos, com os animais úteis e domesticados, e aqueles que ajudam a se conseguir prosperidade, em consistência com suas diversas formas, por exemplo, cavalos, bois, ovelhas, e afins. Novamente, dos signos terrestres, os do norte tendem a significar terremotos súbitos e os do sul chuvas inesperadas do céu. Ainda, aquelas regiões dominantes que estão nas forma de criaturas aladas, como Virgem, Sagitário, Cygnus, Áquila, e afins, exercem um efeito sobre criaturas aladas, particularmente aquelas que são usadas para o alimento humano, e os que tem a forma de criaturas que nadam, sobre os peixes e os animais aquáticos. E destes, nas constelações que pertencem ao mar, como Câncer, Capricórnio e o Golfinho, influenciam as criaturas do mar e a partidas das esquadras. Nas constelações que pertencem a rios, como Aquário e Peixes, seus efeitos são sobre as criaturas dos rios e riachos, e em Argo eles afetam ambas as classes. Da mesma forma, as estrelas nos signos solsticiais ou equinociais têm importância em geral para as condições do ar e para as estações relacionadas a cada um destes signos, em particular eles estão relacionados à primavera e as coisas que crescem da terra, pois quando elas estão no equinócio da primavera elas afetam os novos ramos dos vegetais arbóreos, como uvas ou figos, e o que quer que amadureça com eles; no solstício de verão, a colheita e o armazenamento dos vegetais, e no Egito, peculiarmente, a cheia do Nilo, no solstício de outono elas estão relacionadas com a semeadura, o feno, e plantas gramíneas; e o equinócio de inverno os vegetais e os tipos de pássaros e peixes mais comuns nesta estação. Além disso, os signos equinociais possuem importância para os ritos sagrados e com a adoração aos deuses; os signos solsticiais, para mudanças no ar e nos costumes políticos; os signos sólidos para fundações e construções de casas; os bicorpóreos, para os homens e os reis. Da mesma forma, os que estão mais perto do oriente no momento do eclipse significam o que quer que seja relacionado à agricultura, à juventude e às fundações; aqueles perto do meio-céu acima da terra, a ritos sagrados, reis e à meia idade; e aqueles perto do ocidente, à mudança dos costumes, à velhice e àqueles que faleceram. Com relação à questão da proporção da classe envolvida que será afetada, a resposta é fornecida pela extensão do obscurecimento dos eclipses e pelas posições relativas ao lugar do eclipse no qual estejam as estrelas que se relacionam com o caso. Pois, quando elas estão ocidentais aos eclipses solares ou orientais aos lunares, os eventos usualmente afetam uma minoria; quando estão em oposição, metade; e a maioria, se elas estiverem orientais aos eclipses solares e ocidentais aos lunares.
8. Sobre a Qualidade do Evento Previsto.
O quarto tema diz respeito à qualidade do evento previsto, ou seja, se ele produz o bem ou o oposto, e de que tipo são os seus efeitos em quaisquer das direções, de acordo com o caráter peculiar das espécies. Isto se depreende da natureza da atividade dos planetas que regem os lugares dominantes e da sua combinação tanto uns com os outros quanto com os lugares nos quais eles estão. Pois o Sol e a Lua são os líderes, por assim dizer, dos outros, já que eles são responsáveis pela totalidade da força, e são as causas das regências dos planetas, e mais ainda, as causas da força ou debilidade dos planetas regentes. A observação cuidadosa das estrelas regentes demonstra a qualidade dos eventos previstos. Devemos começar com as forças ativas características dos planetas, um por um, realizando, primeiramente, no entanto, esta observação geral, como um lembrete resumido, que em geral sempre que falarmos de qualquer temperamento dos cinco planetas devemos entender que o que quer que produza a natureza em questão também deve, seja o planeta em si em sua própria condição, ou uma das estrelas fixas, ou um dos signos do zodíaco, ser considerado em relação ao temperamento que lhe seja próprio, como se as caracterizações fossem aplicadas às naturezas ou às qualidades elas mesmas, e não aos planetas; e devemos lembrar que nas combinações, novamente, não devemos considerar somente a mistura dos planetas uns com os outros, mas também sua combinação com os outros que partilham da mesma natureza; sejam eles as estrelas fixas ou signos do zodíaco, em virtude de suas afinidades com os planetas, já mencionadas.
Saturno, quando ele recebe a dominância isolada, é em geral causa de destruição pelo frio, e em particular, quando o evento está relacionado aos homens, causa doenças no pulmão, tuberculose, envelhecimento, perturbações causadas por fluidos, reumatismos, e febres quartãs, exílio, empobrecimento, prisão, temores mórbidos e morte, especialmente entre aqueles avançados em idade. Ele normalmente é importante com relação àquelas bestas que são úteis ao homem, e gera sua escassez, e a destruição corporal por doença daquelas que já existem, de modo que os homens que as utilizam são afetados de forma similar e perecem. Com relação ao clima, ele causa frio terrível, congelamento, névoa e clima pestilento; corrupção do ar, nuvens e escuridão; além disso, muitas tempestades de neve, não benéficas, mas destrutiva, das quais são produzidos os répteis prejudiciais ao homem. Com relação aos rios e mares, em geral ele causa tempestades, o naufrágio de esquadras, viagens desastrosas, a escassez e a morte dos peixes, e em particular nas marés cheias e vazantes dos mares e dos rios enchentes excessivas e poluição de suas águas. Para as plantações na terra, ele causa falta, escassez e perda, especialmente daquelas cultivadas por necessidade, seja através de vermes ou gafanhotos, ou enchentes, ou geadas, ou granizo, ou fenômenos parecidos, de forma que a fome e a destruição do homem resultam destes acontecimentos.
Quando Júpiter rege sozinho, ele produz aumento em geral, e, em particular, quando a previsão está relacionada aos homens, ele produz fama e prosperidade, abundância, existência pacífica, ou aumento das coisas necessárias à vida, saúde física e espiritual, e, além disso, benefícios e presentes dos governantes, e o aumento, grandiosidade e magnanimidade destes, e em geral ele é causa de felicidade. Com referência às bestas ele causa uma profusão e abundância daquelas que são úteis ao homem e a diminuição e a destruição daqueles do tipo oposto. Ele torna a condição do ar temperada e saudável, com ventos, úmida e favorável ao crescimento do que a terra suporta; ele causa a viagem afortunada das esquadras, a cheia moderada dos rios, a abundância das plantações, e tudo o que for similar.
Marte, quando assume sozinho a regência, é em geral a causa da destruição através da secura e, em particular, quando o evento diz respeito aos homens, causa as guerras, divisão civil, capturas, escravidão, motins, a ira dos lideres, e mortes súbitas surgindo destas causas; além disso, revers [N. do T. não achei tradução, sugestões são bem-vindas], febres terçãs, a subida do sangue, mortes rápidas e violentas, especialmente no auge da vida; da mesma forma, violência, invasões, falta de leis, incêndios criminosos e assassinato, roubos e pirataria. Com relação à condição do ar ele causa clima quente, morno, pestilento e ventos ressecantes, a queda de relâmpagos e furacões, e seca. Novamente, no mar ele causa o naufrágio súbito das esquadras através de mudança de ventos ou raios ou coisas do tipo; a falta de água em rios, o ressecamento de fontes, e contaminação das águas potáveis. Com relação às necessidades produzidas sobre a terra para o uso humano, ele causa a escassez e a perdas das bestas e das coisas que crescem sobre a terra e a perda das colheitas pela seca e em resultado do clima quente, ou por gafanhotos, ou pelo aquecimento dos ventos, ou por incêndios nos locais de estocagem.
Vênus, quando é a regente sozinha do evento, em geral causa resultados similares ao de Júpiter, mas com a adição de uma certa qualidade agradável; em particular, quando o evento está relacionado aos homens ela causa fama, honra, felicidade, abundância, casamentos felizes, muitas crianças, satisfação em toda relação mútua, o aumento das propriedades, um modo bom e bem conduzido de vida, que honre aquelas coisas que devem ser reverenciadas; além disso, ela é a causa da saúde corporal, de alianças com os líderes e elegância dos regentes; com relação aos ventos do ar, ela é causa da temperatura amena e de condições fixas de umidade e de ventos muito férteis; de bom ar, clima limpo e chuvas generosas de águas fertilizantes; ela causa a sorte das viagens das esquadras, sucessos, lucros, e a cheia completa dos rios; dos animais úteis e dos frutos da terra ela é a causa proeminente da abundância, de boas colheitas e de lucro.
Mercúrio, se recebe a regência é, de forma geral, de natureza igual aos dos outros planetas com os quais ele esteja associado. Em particular, ele é acima de tudo estimulante, em previsões relacionadas aos homens ele é bom é prático, engenhoso em qualquer situação; mas ele causa roubos, assaltos, pirataria e invasões, e além disso causa o insucesso das viagens quando está em algum aspecto com os maléficos, e gera doenças de secura, febres cotidianas, tosses, raising [N. do T.: mais uma palavra que não consegui traduzir] e tuberculose. Ele é a causa dos eventos que ocorrem em relação ao código dos sacerdotes, a veneração aos deuses, as finanças dos reis e as mudanças nos costumes e nas leis, de tempos em tempos, de acordo com sua associação com os outros planetas em cada ocasião. Em relação ao ar, uma vez que ele é muito seco e ágil por causa da sua proximidade com o Sol, e a velocidade de sua revolução, ele é particularmente apto a geral ventos mutáveis, agressivos e irregulares e, como seria de se esperar, trovões, furacões, rachaduras na terra, terremotos e raios; às vezes, desta forma, ele causa a destruição de animais e plantas úteis. Ao se pôr ele diminui as águas e os rios, ao nascer os enche.
Tais são os efeitos produzidos pelos diversos planetas, cada um por si próprio e no comando de sua própria natureza. Associado, no entanto, agora com um, agora com outro, em diferentes aspectos, pela troca dos signos, e pelas diferentes fases em relação ao Sol, e experimentando uma atenuação correspondente de seus poderes, cada um produz uma característica, em seu efeito, que é o resultado da mistura das naturezas que participaram o que é complicado. É, obviamente, uma tarefa impossível e sem esperança mencionar os resultados apropriados de cada combinação e enumerar absolutamente todos os aspectos de qualquer tipo, uma vez que podemos conceber uma enorme variedade deles. Consequentemente, questões deste tipo devem ser, de forma razoável, deixadas à iniciativa e à engenhosidade do matemático, para que faça as necessárias distinções.
É necessário observar a afinidade que existir entre os planetas que governam a previsão e os países ou cidades para os quais o evento irá ocorrer. Pois, se os planetas regentes são benéficos, e têm familiaridade com as coisas afetadas, e se não são suplantados por planetas do séqüito oposto, ele produzem os benefícios naturais a eles de forma mais poderosa; da mesma forma, quando não há familiaridade, ou quando são suplantados por seus opostos, eles são menos úteis. No entanto, quando os planetas que governam a previsão são os de temperamento maléfico, se eles possuem familiaridade com o que está sendo afligido ou são suplantados pelo séqüito oposto, eles fazem menos mal; mas se eles não são nem senhores dos países nem são suplantados por planetas que têm familiaridade com esses países, eles exercem a destrutividade de seu temperamento de forma bem mais intensa. Usualmente, no entanto, os homens são afetados pelos males gerais que, em suas próprias genituras, têm os lugares mais essenciais, quer dizer, os lugares dos luminares e dos ângulos, nos mesmos pontos dos que produzem a causa dos infortúnios gerais, ou seja, nos lugares dos eclipses ou nos lugares diretamente opostos. Destes, as posições mais perigosas e as mais difíceis de evitar são aquelas nas quais qualquer um dos luminares esteja no mesmo grau do lugar do eclipse, ou no grau oposto.
9. Sobre as Cores dos Eclipses, dos Cometas, e dos Corpos Assemelhados.
Para a previsão das condições gerais devemos também observar as cores no momento do eclipses, tanto aquelas dos luminares eles mesmos, quanto das formações que ocorrem perto deles, como caudas, halos, e outras. Porque, se eles parecem negros ou lívidos eles significam os efeitos que foram mencionados em conexão com a natureza de Saturno; de brancos, com a de Júpiter; se avermelhados, com a de Marte; se amarelos, com a de Vênus; e se multicores, com a de Mercúrio. Se a cor característica parecer cobrir o corpo inteiro do luminar ou toda a região em volta dele, o evento previsto irá afetar a maior parte dos países; entretanto, se ela se localizar em apenas uma parte, ele afetará apenas aquela parte para a qual o fenômeno se inclina.
Devemos observar, além disso, para a previsão das condições gerais, os cometas que aparecem tanto no momento do eclipse quanto em qualquer momento, por exemplo, os assim chamados “raios”, “trombetas”, “potes”, e afins, porque esses naturalmente produzem os efeitos peculiares a Marte e Mercúrio – guerras, clima quente, condições de perturbação e o que acompanha essas condições; e eles mostram, através das partes do zodíaco nas quais suas cabeças aparecem e através das direções para as quais as formas de suas caudas apontam, as regiões nas quais os infortúnios irão ocorrer.
Através da formação, por assim dizer, das suas cabeças, eles indicam o tipo de evento e a classe sobre a qual o infortúnio irá se produzir, através do tempo em que duram a duração dos eventos; e, através de sua posição relativa ao Sol, da mesma forma, seu início, pois em geral sua aparição no oriente significa eventos que se aproximam rapidamente e no ocidente, aqueles que se aproximam de forma mais lenta.
10. Com Relação à Lua Nova do Ano.
Agora que descrevemos o procedimento das previsões sobre os estados gerais dos países e das cidades, resta mencionar assuntos mais detalhados; eu me refiro a eventos que ocorrem anualmente em conexão com as estações. Na investigação deste assunto, seria apropriado, em primeiro lugar, definir a assim chamada Lua Nova do ano. Que essa deva ser, apropriadamente, o começo do curso circular do Sol em cada uma das suas revoluções é claro a partir da própria coisa, tanto por seu poder como por seu nome. Não se poderia conceber, é claro, qual ponto inicial se assumiria em um círculo, como uma proposição geral; mas no círculo que passa pelo meio do zodíaco se poderia tomar de forma apropriada como os únicos começos os pontos determinados pelo equador e pelos trópicos, ou seja, os dois equinócios e os dois solstícios. Mesmo assim, no entanto, se poderia estar confuso sobre a qual dos quatro preferir. Na verdade, em um círculo considerado de forma isolada, nenhum deles é proeminente, como seria o caso se houvesse um ponto inicial, mas aqueles que escreveram sobre esses assuntos utilizaram cada um dos quatro, de diversos modos, assumindo um como o ponto inicial, da forma como foram levados a fazer por seus próprios argumentos, e pelas características naturais dos quatros pontos. Isso não é estranho, uma vez que cada uma dessas partes tem o mesmo direito de ser considerada o ponto inicial e o único real. O equinócio da primavera pode ser preferido porque, neste momento, o dia começa a ser mais longo do que a noite e porque ele pertence à estação úmida, e esse elemento, como dissemos mais cedo, é o mais presente no início das natividades; o solstício de verão, porque nele ocorre o dia mais longo e porque para os egípcios ele significa a cheia do Nilo e a ascensão da estrela-cão, o equinócio de outono, porque todas as colheitas, quando ele ocorre, já foram feitas, e um novo começo ocorre então com a semeadura das futuras colheitas; e o solstício de verão, porque, neste momento, após diminuir, o dia começa a aumentar novamente. Parece mais próprio e natural utilizar, no entanto, os quatro pontos iniciais em investigações que lidam com o ano, observando as sizígias do Sol e da Lua na Lua Cheia e na Nova que os precedem mais de perto, e entre estes em particular as conjunções nas quais os eclipses ocorrem, de forma que do ponto inicial em Áries podemos conjeturar como será a primavera, do de Câncer, como será o verão, do de Libra, o outono, e do de Capricórnio, como será o inverno, pois o Sol cria as qualidades gerais das estações, de modo que até aqueles que são totalmente ignorantes da astrologia podem prever o futuro.
Além disso, devemos levar em consideração as qualidades especiais dos signos do zodíaco para obter prognósticos dos ventos e das naturezas mais gerais, e as variações de grau de um momento para outro são, de forma geral, novamente demonstradas pelas conjunções que ocorrem nos pontos mencionados acima e pelos aspectos dos planetas a eles e em particular, também, pelas conjunções e Luas Cheias nos diversos signos e pelo curso dos planetas. Isso pode ser chamado de investigação mensal.
Como é apropriado que para este propósito sejam enumeradas as forças naturais peculiares dos diversos signos que influenciam as condições anuais, bem como as dos diversos planetas, já explicamos, no que precedeu, a familiaridades dos planetas, e das estrelas fixas de temperamento similar, com o ar e os ventos, bem como dos signos, como um todo, com os ventos e as estações. Ainda faltaria falar da natureza dos signos, parte por parte.
11. Sobre a Natureza dos Signos, Parte por Parte, e seu Efeito sobre o Tempo.
Agora, o signo de Áries, como um todo, porque ele marca o equinócio, é caracterizado por trovão e granizo, mas, tomado parte a parte, através da variação nos graus, que é devida à qualidade especial das estrelas fixas, sua porção inicial é chuvosa e caracterizada por ventos, sua porção mediana é temperada, e parte seguinte quente e pestilenta. Suas partes ao norte são quentes e destrutivas, suas partes ao sul são caracterizadas pelo frio e pelo gelo.
O signo de Touro, como um todo, é indicativo de ambas as temperaturas e é, de certa forma, quente, mas tomado parte a parte, sua porção inicial, particularmente perto das Plêiades, é marcada por terremotos, ventos e névoas, sua parte do meio por umidade e frio, e sua parte final, perto das Híades, abrasante e produtiva de trovões e relâmpagos. Suas partes ao norte são temperadas e suas partes ao sul instáveis e irregulares.
O signo de Gêmeos, como um todo, é produtivo de uma temperatura mediana, mas tomado parte a parte sua parte inicial é úmida e destrutiva, sua parte do meio temperada, e sua parte final misturada e irregular. Suas partes ao norte são cheias de vento e causam terremotos, suas partes ao sul são secas e muito quentes.
O signo de Câncer, como um todo, é de clima quente e agradável, mas, parte por parte, sua porção inicial e a região da Manjedoura são abafados, produtores de terremotos, e enevoados; sua parte do meio, temperada, e sua parte final com ventos. Suas partes ao norte e ao sul são quentes e ressecantes.
O signo de Leão, como um todo, é quente e abafado, mas parte a parte, sua parte inicial é abafada e pestilenta, sua parte do meio temperada, e sua parte final úmida e destrutiva. Suas partes ao norte são instáveis e abrasadoras, suas partes ao sul úmidas.
O signo de Virgem é, de uma forma geral, úmido e marcado por tempestades; mas, tomado parte a parte, sua porção inicial é bastante quente e destrutiva, sua porção do meio temperada e sua porção final úmida. Suas partes ao norte são de ventos e suas partes ao sul são temperadas.
O signo de Libra, como um todo, é mutável e variável, mas tomado parte a parte, sua porção inicial e do meio são temperadas e sua porção final é úmida. Suas partes ao norte são de ventos e suas partes ao sul úmidas e pestilienciais.
O signo de Escorpião como um todo é marcado pelo trovão e pelo fogo, mas tomado parte a parte, sua porção inicial é de neve, sua porção do meio temperada, e sua porção final causa terremotos. Suas partes ao norte são quentes e as partes ao sul são úmidas.
O signo de Sagitário como um todo é de vento, mas tomado parte a parte sua parte inicial é úmida, sua parte do meio temperada e a seguinte abrasante. Suas partes ao norte são de vento, suas partes ao sul úmidas e mutáveis.
O signo de Capricórnio como um todo é úmido, mas tomado parte a parte, sua porção inicial é marcada pelo tempo quente e é destrutiva; sua porção do meio é temperada e a porção seguinte levanta tempestades. Suas porções ao norte e ao sul são úmidas e destrutivas.
O signo de Aquário como um todo é frio e úmido, mas tomado parte a parte sua porção inicial é úmida, sua porção do meio é temperada, suas porção seguinte de ventos. Suas partes ao norte trazem clima quente e sua parte ao sul nuvens.
O signo de Peixes como um todo é frio e de ventos, mas, tomado parte a parte sua porção inicial é temperada, sua porção do meio é úmida, e sua porção seguinte é quente. Suas partes ao norte são de ventos e suas partes ao sul são úmidas.
12. Sobre a Investigação do Clima em Detalhe.
Já que estes fatos foram estabelecidos na introdução, o método de lidar com as significações em detalhe envolve o seguinte procedimento. Um método é o que é mais geralmente concebido, com relação aos quadrantes, que exigirá, como já dissemos, que nós observemos as Luas Novas ou Luas Cheias que precedem mais de perto os signos solsticiais e equinociais, e que, à medida em que o grau da Lua nova ou Lua cheia caia em cada latitude investigada, disponhamos os ângulos como em uma natividade. Será necessário, então, determinar os regentes do lugar da Lua nova ou da Lua cheia, e o ângulo que o segue, da forma explicada por nós nas seções precedentes, que lidavam com os eclipses, e assim julgar a situação geral a partir da natureza especial dos quadrantes e determinar a questão do grau de intensificação e relaxamento da natureza dos planetas regentes, de suas qualidades, e dos tipos de clima que eles produzem.
O segundo modo de proceder é baseado no mês. Neste, será necessário examinarmos da mesma forma as Luas novas ou Cheias que ocorrem, nos diversos signos, observando apenas que, se uma Lua Nova ocorre mais perto do signo solsticial ou equinocial imediatamente anterior, devemos utilizar as Luas Novas que ocorrem até o próximo quadrante, e no caso de uma Lua Cheia, utilizamos as Luas Cheias.
Será necessário, de forma similar, que observemos os ângulos e os regentes de ambos os locais, e especialmente as aparições mais próximas dos planetas, e suas aplicações e recessões, as propriedades peculiares dos planetas e de seus lugares, e os ventos que são produzidos tanto pelos próprios planetas quanto pelas partes dos signos nos quais eles estejam; além disso, para qual vento a latitude da Lua está inclinada através da obliqüidade da eclíptica. De todos estes fatos, pelo princípio da prevalência, podemos prever as condições gerais do clima e os ventos dos meses.
O terceiro passo é observar as indicações mais detalhadas, por minúsculas que sejam, de relaxamento e intensificação. Esta observação é baseada nas configurações do Sol e da Lua sucessivamente, não somente das Luas Cheias e Novas, mas também das Meia-Luas, e neste caso as mudanças significadas geralmente começam três dias antes, e algumas vezes três dias depois, do momento em que os progressos da Lua passam a corresponder aos do Sol. Ela é baseada, também, nos seus aspectos com os planetas, quando eles estiverem em cada uma das posições deste tipo, ou outras parecidas, como o trígono e o sextil. Pois é concorde à natureza destes aspectos que a qualidade especial da mudança seja apreendida, em harmonia com as afinidades naturais dos planetas envolvidos e dos signos do zodíaco, para o ambiente e para os ventos.
As intensificações diárias destas qualidades particulares se produzem, principalmente, quando as estrelas fixas mais brilhantes e mais poderosas fazem suas aparições, matutinas ou vespertinas, ao amanhecer ou ao pôr-do-sol, em relação ao Sol. Pois, normalmente, elas modulam as condições particulares para que concordem com suas próprias naturezas, e da mesma forma quando os luminares estão passando por sobre um dos ângulos.
As intensificações e relaxamentos horários do clima variam em resposta às posições das estrelas, mencionadas anteriormente, da mesma forma que a cheia e a vazante das marés respondem às fases da Lua, e as mudanças nas correntes de ar se produzem especialmente nestas aparições dos luminares nos ângulos, na direção dos ventos aos quais a latitude da Lua se incline. Em todo caso, no entanto, deve-se tirar conclusões utilizando o princípio que as causas universais e primárias têm precedência e que as causas dos eventos particulares lhe são secundárias, e que a força é mais segura e aumentada quando as estrelas, que são os senhores das naturezas universais, estão em configuração com as causas particulares.
13. Sobre a Significação dos Sinais Atmosféricos.
Observações dos sinais que possam ser vistos ao redor do Sol, da Lua e dos planetas também seriam úteis para um conhecimento prévio dos eventos particulares significados. Devemos, então, observar o Sol ao nascer para determinar o clima durante o dia e ao se pôr para determinar o clima de noite, e seus aspectos com a Lua para determinar as condições climáticas de maior duração, sob o pressuposto de que cada aspecto, em geral, prediz a condição que perdurará até o próximo. Pois, quando o Sol nasce ou se põe, claro, sem obscurecimentos, firme e sem nuvens, a previsão é de tempo bom, mas se o seu disco é multicor ou avermelhado ou emite raios vermelhos ou róseos, tanto voltados diretamente para seu exterior quanto voltados para si próprio, ou se ele apresenta as assim chamadas nuvens periélicas de um lado, ou formações de nuvens amareladas, e parece emitir raios longos, a previsão é de ventos fortes, do tipo que vêm dos ângulos para os quais os sinais ditos acima apontam. Se ao nascer ou ao se pôr ele estiver escuro ou lívido, sendo acompanhado por nuvens, ou se tiver halos ao seu redor em um lado, ou nuvens periélicas em ambos os lados, e emitir raios ou lívidos ou lusco-fusco, a previsão é de chuvas e tempestades.
Devemos observar a Lua em seu curso, três dias antes ou três dias depois da Lua Nova, da Lua Cheia, da Lua Crescente e da Lua Minguante. Pois, quando ela aparece fina e clara e não há nada ao seu redor, ela significa tempo claro. Se ela está fina e avermelhada, e o disco inteiro da porção não iluminada está visível e de certa forma perturbado, ela indica ventos, na direção para a qual ela estiver particularmente inclinada. Se se observar que ela esteja escura, ou pálida, ou grossa, ela é significadora de tempestades e chuvas. Também devemos observar os halos ao redor da Lua. Pois, se houver um, e ele for claro, e for sumindo gradualmente, a previsão é de tempo bom; se houver dois ou três, tempestades; se eles forem amarelados, e, aparentemente, quebrados, as tempestades serão acompanhadas de ventos fortes; se eles forem grossos e enevoados, tempestades de neve; pálidos, ou lusco-fusco, e quebrados, tempestades com tanto ventos fortes quanto neve; e quanto mais deles houver, mais severas serão as tempestades. E aos halos que se agrupam ao redor das estrelas, tanto dos planetas quanto das estrelas fixas brilhantes, significam o que á apropriado a suas cores e às naturezas dos luminares os quais eles envolvem. Quanto às estrelas fixas, aquelas que estão, próximas, juntas em um certo número, devemos observar suas cores e suas magnitudes. Pois, se elas aparecerem mais brilhantes e maiores do que o normal, em qualquer parte do céu na qual estiverem, elas indicam os ventos que sopram de sua própria região. Quanto aos aglomerados em sentido estrito, no entanto, como a Manjedoura e outros assim, sempre que em um céu claro seus aglomerados parecerem com o brilho enfraquecido, como se estivessem invisíveis, ou mais grossos, eles significam uma grande queda de água; mês se eles estiverem limpos e se cintilarem constantemente, significam ventos fortes. Sempre que, das estrelas chamadas de Jumentos, em cada lado da Manjedoura, aquela ao norte se tornar invisível, quer dizer que o vento norte soprará; e caso seja a do sul, o vento sul soprará. Sobre os fenômenos ocasionais na atmosfera superior, os cometas geralmente predizem secas ou ventos, e quanto maior for o número de partes que forem encontradas em suas cabeças e quanto maior for o seu tamanho, mais severos serão os ventos. Estrelas móveis e cadentes, se vierem de um ângulo, denotam que o vento virá daquela direção, mas se vierem de ângulos opostos, uma confusão de ventos, e se vierem dos quatro ângulos, tempestades de todos os tipos, incluindo trovões, relâmpagos e fenômenos assemelhados. Da mesma forma, nuvens que se assemelhem a flocos de lã são, às vezes, significadoras de chuva. E os arco-íris que aparecem de tempos em tempos significam tempestades após tempo bom e tempo bom após tempestades. Para sumarizar todo o assunto, os fenômenos visíveis, que aparecem com cores peculiares às suas próprias na atmosfera, em geral, indicam resultados similares àqueles produzidos por suas próprias ocorrências, da forma já explicada anteriormente. Vamos, então, considerar que até agora, em linhas gerais, se apresentou um relato da investigação das questões gerais, tanto em seus aspectos mais universais quanto em detalhes particulares. A seguir deveremos fornecer na ordem devida o procedimento para a previsão que segue a forma genetlialógica.
Livro III.
1. Introdução.
Como no que precedeu nós apresentamos a teoria dos eventos universais, porque ela vem primeiro e tem, em grande parte, poder para controlar das previsões que dizem respeito à natureza especial de cada indivíduo (a parte dos prognósticos que denominamos arte genetlialógica), devemos acreditar que as duas divisões têm uma e a mesma força tanto na prática quanto na teoria. Pois a causa, tanto dos eventos universais quanto dos particulares, é o movimento dos planetas, do Sol e da Lua; e a arte de realizar prognósticos é a observação científica precisamente das mudanças nas naturezas dos sujeitos que correspondem aos movimentos paralelos dos corpos celestes através dos céus que nos envolvem, exceto que as condições universais são maiores e independentes, e as particulares, não. Não devemos, no entanto, considerar que ambas as divisões empregam os mesmos pontos iniciais, a partir dos quais, através da percepção da disposição dos corpos celestes, tentamos prever os eventos significados por seus aspectos naquele momento. Pelo contrário, no caso dos universais devemos tomar muitos pontos de partida, uma vez que não temos um ponto inicial para o universo; e estes, também, não são sempre tomados a partir dos próprios objetos de investigação, mas também a partir dos elementos que os auxiliam e carregam com eles as causas; pois nós investigamos praticamente todos os pontos iniciais apresentados pelos eclipses mais completos e as passagens significativas dos planetas. Em previsões afetando os homens individuais, no entanto, temos tanto um quanto muitos pontos iniciais. O um é o início dos próprios temperamentos, pois neste caso temos o ponto inicial, e os muitos são as significações sucessivas dos ambientes que são relativos a este primeiro começo, embora, com certeza, o ponto inicial único seja, naturalmente, neste caso, de maior importância porque ele produz os outros. Assim, as características dos temperamentos são determinadas a partir do primeiro ponto inicial, enquanto através dos outros nós prevemos os eventos que surgirão em momentos específicos e variarão em grau, de acordo com as assim chamadas idades da vida.
Uma vez que o ponto inicial cronológico das natividades humanas é o momento mesmo da concepção, mas potencialmente e acidentalmente o momento do nascimento, nos casos para os quais o momento exato da concepção é conhecido tanto por acaso quanto por observação, é mais acertado que o utilizemos para determinar a natureza especial do corpo e da alma, examinando a força efetiva da configuração das estrelas naquele momento. Pois, para a semente, são dadas de uma vez por todas no começo tais e tais qualidades devidas ao ambiente, e mesmo embora este possa mudar à medida que o corpo subsequentemente cresce, uma vez que por processos naturais só se combina com si mesmo a matéria que é afim a si, assim o corpo se parecerá ainda mais com o tipo de sua qualidade inicial.
No entanto, se não se sabe o momento da concepção, o que normalmente é o caso, devemos seguir o ponto inicial fornecido pelo momento do nascimento e a este ponto prestar atenção, pois ele, também, é de grande importância e é segundo ao anterior apenas em um aspecto, é que pelo anterior se pode prever também eventos anteriores ao nascimento. Pois se alguém denominar o anterior de “fonte”, por assim dizer, e o outro, “início”, sua importância no tempo, na verdade, é secundária, mas é igual ou até mesmo mais perfeita em potencialidade, e com razoável propriedade o primeiro seria chamado de gênese da semente humana e o último de gênese de um homem. Pois criança, ao nascer, e sua forma corporal recebem muitos atributos que não possuíam antes, quando estavam no útero, aqueles próprios atributos, na verdade, que pertencem à natureza humana isolada; e mesmo se parecer que o ambiente no momento do nascimento não contribui nada para a sua qualidade, ao menos o próprio fato de a criança vir à luz sob a conformação apropriada dos céus contribui, uma vez que a natureza, após a criança estar perfeitamente formada, gera o impulso para o seu nascimento sob uma configuração de forma similar àquela que governou a formação da criança em detalhe, em primeiro lugar. Da mesma forma, pode-se com razão acreditar que a posição das estrelas no momento do nascimento é importante para coisas deste tipo, mas não, no entanto, pela razão de que seja causativo no sentido completo, mas que, por necessidade e por natureza ela tem, potencialmente, força causativa muito similar.
Uma vez que nosso propósito atual é tratar esta divisão, da mesma forma, sistematicamente, com base na discussão introduzida no início deste compêndio, sobre a possibilidade de previsão deste tipo, devemos evitar apresentar o antigo método de previsão, que utiliza a combinação de todas ou da maior parte das estrelas, porque este método é multifacetado e, na prática, infinito, se alguém tenta relatá-lo em detalhe. Além disso, ele depende muito mais das tentativas particulares daqueles que realizam suas investigações diretamente a partir da natureza, do que daqueles que podem teorizar com base nas tradições, e além do mais devemos omiti-lo por causa da dificuldade em utilizá-lo e em segui-lo. Estes procedimentos, através dos quais cada tipo de coisa é apreendida pelo método prático, e pelas influências ativas das estrelas, tanto especiais quanto gerais, devemos expor, na medida do possível, de forma breve e consistente, de acordo com a conjectura natural. Nosso prefácio deverá ser um relato dos locais nos céus aos quais se faz referência quando eventos humanos particulares são considerados teoricamente, um tipo de marca a qual se deve dirigir antes de proceder; a isso devemos adicionar uma discussão geral das forças ativas dos corpos celestiais que recebem familiaridades com estes lugares ao dominarem-nos – a soltura da flecha, por assim dizer-; mas o evento previsto, a resultante da soma da combinação de diversos elementos aplicados à forma subjacente, devemos deixar, como para um arqueiro mais habilitado, aos cálculos daquele que conduz a investigação. Em primeiro lugar, então, devemos discutir na seqüência adequada os assuntos gerais cuja consideração é conseguida através do momento do nascimento, tomado como o ponto inicial, pois, como havíamos dito, ele fornece uma explicação de todos os eventos naturais, mas, se se estiver com vontade de fazer o esforço adicional, pelo mesmo raciocínio as propriedades que caírem no momento da concepção também serão úteis para assegurar as qualidades peculiares que se aplicam diretamente à combinação.
2. Sobre o Grau do Ponto Horoscópico [Ascendente]
Com relação ao primeiro e mais importante fato, ou seja, a fração da hora do nascimento, uma dificuldade normalmente surge; pois, em geral, somente a observação através de astrolábios horoscópicos no momento do nascimento pode, para observadores científicos, dar o minuto exato, enquanto que praticamente todos os outros instrumentos horoscópicos com os quais a maioria dos praticantes mais cuidadosos contam são, com freqüência, capazes de errar, os instrumentos solares, pela mudança ocasional de suas posições ou de da inclinação de seu ponteiro, e os relógios de água por paradas e irregularidades no fluxo de água por diferentes causas e por mero acaso.
Seria, então, necessário, que em primeiro lugar se desse um relato de como se pode, por raciocínio natural e consistente, descobrir o grau do zodíaco que esteja ascendendo, dado o grau da hora conhecida mais próxima do evento, o que se descobre pelo método das ascensões.
Devemos, então, realizar a sizígia mais recente anterior ao nascimento, seja ela uma Lua Nova ou Cheia; e, da mesma forma, tendo determinado precisamente o grau, de ambos os luminares, caso a Lua seja Nova, e caso a Lua seja Cheia do que, entre eles, estiver acima da Terra, deveremos observar quais estrelas o regem no momento do nascimento.
Em geral, o modo do domínio é considerado como caindo em uma destas cinco formas: triplicidade, domicílio, exaltação, termo e fase ou aspecto; ou seja, se o ponto zodiacal em questão está relacionado em um, ou diversos, ou todos os modos, com a estrela que seja a regente.
Se, então, descobrimos que uma estrela é familiar com o grau em todos ou na maioria destes aspectos, qualquer grau, determinado por observação precisa, que esta estrela esteja ocupando no signo pelo qual esteja passando, devemos julgar que o grau correspondente está ascendendo no momento da natividade no signo que esteja mais próximo, pelo método das ascensões. Mas se descobrirmos dois ou mais co-regentes, devemos utilizar o número de graus apresentado por qualquer um deles que esteja, no momento do nascimento, passando pelo grau que esteja mais perto do que esteja ascendendo, de acordo com o método de ascensões. No entanto, se dois ou mais estiverem próximos no número de graus, devemos seguir aquele que for mais proximamente relacionado com os centros e o séqüito. Se, no entanto, a distância do grau ocupado pelo regente até o grau do horóscopo geral for maior do que sua distância até o meio-céu correspondente, devemos utilizar o mesmo número para constituir o nível médio e portanto estabelecer os outros ângulos.
18.7.07
Tetrabiblos, III - o final do livro 1.
18. Sobre os Triângulos [Triplicidades].
A familiaridade dos triângulos é a seguinte. Na medida em que a forma triangular eqüilateral é a mais harmoniosa em si mesma, o zodíaco também é limitado por três círculos, o equinocial e os dois trópicos, e suas doze partes são divididas em quatro triângulos eqüilaterais.
O primeiro deles, que passa por Áries, Leão e Sagitário, é composto de três signos masculinos e inclui os domicílios do Sol, de Marte e de Júpiter. Esse triângulo foi dado ao Sol e a Júpiter, uma vez que Marte não é do séquito solar. O Sol assume a governança primeiramente durante o dia e Júpiter durante a noite. Além disso, Áries está próximo do círculo equinocial, Leão do solstício de verão e Sagitário do solstício de inverno. Este triângulo é preeminentemente do norte por causa da partilha de seu governo com Júpiter, uma vez que Júpiter é fecundo e causador de ventos similares aos ventos do norte. No entanto, por causa do domicílio de Marte ele sofre uma mistura de sudoeste e é Borrolibycon, misto, porque Marte causa esses ventos e também por causa do séquito da Lua e da qualidade feminina do ocidente.
O segundo triângulo, que é o que é desenhado através de Touro, Virgem e Capricórnio, é composto por três signos femininos, e consequentemente foi dado à Lua e Vênus; a Lua o governa de noite e Vênus de dia. Touro está perto do trópico de verão; Virgem, do equinócio, e Capricórnio do trópico de inverno. Este triângulo é principalmente do sul por causa da dominância de Vênus, uma vez que é esta estrela, através do calor e da umidade, que produz ventos similares aos do sul; no entanto, como ele recebe uma mistura de Apeliotes já que o domicílio de Saturno, Capricórnio, está incluído nele, ele é Notapeliotes, misto, em contraste com o primeiro triângulo, uma vez que Saturno produz ventos deste modo e está relacionado ao elenco porque participa do séquito do Sol.
O terceiro triângulo é o desenhado através de Gêmeos, Libra e Aquário, compostos por três signos masculinos, e não tendo nenhuma relação com Marte mas ao contrário com Saturno e Mercúrio por causa de seus domicílios. Ele foi dado, por sua vez, a eles, com Saturno governando durante o dia devido a seu séquito e Mercúrio durante a noite. O signo de Gêmeos se localiza próximo ao trópico de verão, Libra ao equinócio e Aquário ao trópico de inverno. Este triângulo também é primariamente de constituição leste, por causa de Saturno, mas por mistura nordeste, porque o séquito de Júpiter tem familiaridade com Saturno, na medida em que ele é diurno.
O quarto triângulo, o que é desenhado através de Câncer, Escorpião e Peixes, foi deixado ao único planeta remanescente, Marte, que está relacionado a ele através de seu domicílio, Escorpião; e junto com ele, devido a seu séqüito e à feminilidade dos signos, a Lua durante o dia e Vênus durante a noite são seus co-regentes. Câncer está próximo do círculo do verão, Escorpião ao círculo de inverno e Peixes ao equinócio. Este triângulo é constituído preeminentemente de oeste, porque ele está dominado por Marte e a Lua; no entanto, por mistura ele se torna sudoeste através da dominação de Vênus.
19. Sobre as Exaltações.
As assim chamadas exaltações dos planetas têm a seguinte explicação. Uma vez que o Sol, quando está em Áries, está fazendo sua transição para o semicírculo maior e mais ao norte, e em Libra ele está passando para o semicírculo menor e mais ao sul, os antigos de forma acertada deram Áries para ele como sua exaltação, uma vez que lá a duração do dia e seu poder de aquecimento começam a crescer, e Libra como sua depressão pelas razões opostas.
Novamente, Saturno, de forma a ter uma posição oposta à do Sol, como também é no assunto de seus domicílios, considera, ao contrário, Libra como sua exaltação e Áries como sua depressão, pois quando o calor aumenta o frio diminui, e onde o primeiro diminui, o frio ao contrário aumenta.
Uma vez que a Lua, se fizer uma conjunção com o Sol na exaltação deste, Áries, irá mostrar sua primeira fase e começará a aumentar sua luz e, por assim dizer, sua altura, no primeiro signo de seu próprio triângulo, Touro, este foi denominado sua exaltação, e o signo diametralmente oposto, Escorpião, como sua depressão.
Júpiter, então, que produz os fecundos ventos do norte, atinge sua posição mais ao norte em Câncer e aí leva sua própria força à completude; assim tornaram este signo sua exaltação e Capricórnio sua depressão.
Marte, que por sua natureza é abrasante e se torna mais ainda assim quando está em Capricórnio porque nele ele está mais afastado ao sul, naturalmente recebeu Capricórnio como sua exaltação, e ao contrário de Júpiter, Câncer como sua depressão.
Vênus, no entanto, já que ela é úmida por natureza e aumenta seu próprio poder da forma mais forte em Peixes, onde o começo da úmida primavera é indicado, têm a sua exaltação em Peixes e a sua depressão em Virgem.
Mercúrio, pelo contrário, uma vez que ele é mais árido, em contraste é naturalmente exaltado, por assim dizer, em Virgem, no qual o seco outono é significado, e é deprimido em Peixes.
20. Sobre a disposição dos Termos.
Com relação aos termos, dois sistemas principais estão mais em circulação; o primeiro é egípcio, o qual está baseado primeiramente no governo dos domicílios, e o segundo é caldeu, que se baseia no governo das triplicidades.
Pois bem, o sistema egípcio dos temos comumente aceitos não preserva de forma alguma a consistência nem da ordem nem da quantidade individual, pois, em primeiro lugar, na questão da ordem, eles às vezes deram o primeiro lugar para os senhores dos domicílios e às vezes para os senhores das triplicidades, e às vezes ainda para os senhores das exaltações. Por exemplo, se é verdade que eles seguiram os domicílios, porque eles deram precedência a Saturno, por exemplo, em Libra, e não a Vênus, e porque a Júpiter em Áries, e não a Marte? E se eles seguiram as triplicidades, porque deram a Mercúrio, e não a Vênus, o primeiro lugar em Capricórnio? Ou caso tenham seguido as exaltações, porque dar a Marte, e não a Júpiter, a precedência em Câncer; e se eles observaram os planetas que tem o maior número dessas qualificações, porque deram o primeiro lugar em Aquário em Mercúrio, que tem apenas a sua triplicidade ali, e não a Saturno, pois ele é tanto o domicílio quanto a triplicidade deste planeta? Ou porque eles deram o primeiro lugar a Mercúrio em Capricórnio, acima de tudo, uma vez que ele não tem nenhuma relação de governo com este signo? É possível encontrar o mesmo tipo de coisas no resto do sistema.
Em segundo lugar, o numero de termos manifestamente não possui consistência, porque o número derivado de cada planeta a partir da adição de seus termos em todos os signos, de acordo com o que eles dizem que os planetas determinam anos de vida, não fornece nenhum argumento adequado ou aceitável. No entanto, mesmo se confiarmos no número derivado desta soma, de acordo com essa simples proposição dos egípcios, descobriríamos que a soma seria a mesma, mesmo que as quantidades, signo a signo, frequentemente mudem de várias formas. E em relação à afirmação espúria e sofista sobre eles que alguns tentam fazer, ou seja, que o número de vezes dadas a cada planeta individual pelo esquema de ascensões em todos os climas se soma a essa mesma quantia, ela é falsa, pois, em primeiro lugar, eles seguem o método comum, baseado em aumentos regularmente maiores nas acentues, o que não está nem perto da verdade. De acordo com este esquema, cada um dos signos Virgem e Libra, no paralelo que corta o Baixo Egito, ascenderiam em 38 vezes e 1/3, e Leão e Escorpião, cada um, em 35, embora esteja demonstrado pelas tabelas que esses signos ascendem em mais de 35 vezes e Vigem e Libra em menos. Além do mais, aqueles que tentaram estabelecer esta teoria nem mesmo parecem seguir o número comumente aceito de termos, e são compelidos a realizar diversas falsas afirmações, e ele até mesmo utilizaram a parte não inteira das frações em uma tentativa de salvar sua hipótese, que, como dissemos, nem é em si mesma verdadeira.
No entanto, os termos mais geralmente aceitos sob a autoridade da tradição antiga são dados da seguinte forma:
Termos de Acordo com os Egípcios.
Áries: Júpiter = 6; Vênus = 6; Mercúrio = 8; Marte = 5; Saturno = 5;
Touro: Venus = 8; Mercúrio = 6; Júpiter = 8; Saturno = 5; Marte = 3;
Gêmeos: Mercúrio = 6; Júpiter = 6; Vênus =5; Marte = 7; Saturno = 6;
Câncer: Marte = 7; Vênus = 6; Mercúrio = 6; Júpiter = 7; Saturno = 4;
Leão: Júpiter = 6; Vênus = 5; Saturno = 7; Mercúrio = 6; Marte = 6;
Virgem: Mercúrio = 7; Vênus = 10; Júpiter = 4; Marte = 7; Saturno = 2;
Libra: Saturno = 6; Mercúrio =8; Júpiter = 7; Vênus = 7; Marte = 2;
Escorpião: Marte = 7; Vênus = 4; Mercúrio = 8; Júpiter = 5; Saturno = 6;
Sagitário : Júpiter = 12; Vênus = 5; Mercúrio = 4; Saturno = 5; Marte = 4;
Capricórnio : Mercúrio = 7; Júpiter = 7; Vênus = 8; Saturno = 4; Marte = 4;
Aquário : Mercúrio = 7; Vênus = 6; Júpiter = 7; Marte = 5; Saturno = 5;
Peixes : Vênus = 12; Júpiter = 4; Mercúrio = 3; Marte = 9; Saturno = 2;.
21. De Acordo com os Caldeus.
O método caldeu envolve uma seqüência, simples, com certeza, e mais plausível, embora não tão auto-suficiente em relação ao governo das triplicidades e à disposição da quantidade, de forma que, ao contrário, ela fosse facilmente inteligível mesmo sem um diagrama. Pois na primeira triplicidade, Áries, Leão e Sagitário, que tem neste caso as mesmas divisões por signos que no sistema dos egípcios, o senhor da triplicidade, Júpiter, é o primeiro a receber termos, e então o senhor do próximo triângulo, Vênus, e então o senhor do triângulo de Gêmeos, Saturno, e Mercúrio, e finalmente o senhor da triplicidade restante, Marte. Na segunda triplicidade, Touro, Virgem e Capricórnio, que novamente tem a mesma divisão por signos, Vênus vem primeiro, então Saturno, e então Mercúrio, após esses, Marte, e finalmente, Júpiter. Esse arranjo de uma forma geral é observado também nas duas triplicidades restantes. Sobre os dois senhores da mesma triplicidade, no entanto, Saturno e Mercúrio, de dia Saturno toma o primeiro lugar na ordem de posse, à noite, Mercúrio. O número designado a cada um também é uma questão simples, pois para que o número de termos de cada planeta seja sempre menor em um grau do que o precedente, para corresponder com a ordem descendente no qual o primeiro lugar é decidido, eles sempre dão 8° ao primeiro, 7° ao segundo, 6° ao terceiro, 5° ao quarto e 4° ao último; assim se completam os 30° de um signo. A soma do número de graus assim dados a Saturno é de 78 durante o dia e 66 à noite, a Júpiter 72, a Marte 69, a Vênus 75, a Mercúrio 66 durante o dia e 78 à noite; o total é de 360 graus.
Pois bem, desses termos aqueles que são constituídos pelo método egípcio são, como dissemos, mais dignos de crédito, tanto devido à forma na qual eles foram coletados pelos escritores egípcios que os julgaram dignos de registro devido à sua utilidade, quanto por causa de na maior parte do tempo os graus desses termos foram consistentes com as natividades que foram registradas por eles como exemplos. Como estes mesmos escritores, no entanto, não explicam em nenhum lugar a disposição de seus números, sua incapacidade de concordar em uma explicação do sistema pode bem se tornar objeto de suspeita e alvo de críticas. Recentemente, no entanto, chegou até nós um manuscrito antigo, muito danificado, que contém uma explicação natural e consistente de sua ordem e número, e ao mesmo tempo percebemos que os graus relatados nas natividades acima mencionadas e os números dados nas somas concordaram com a tabulação dos antigos. O livro era muito alongado em suas expressões, muito excessivo em suas demonstrações, e seu estado danificado o tornou difícil de ler, de modo que eu mal pude fazer uma idéia de seu propósito geral; e isso apesar da ajuda fornecida pelas tabulações dos termos, melhor preservadas porque estavam localizadas no fim do livro. Com relação ao seu arranjo dentro de cada signo, as exaltações, as triplicidades e os domicílios foram levados em consideração. Pois, de maneira geral, a estrela que tiver duas regências deste tipo no mesmo signo é posta em primeiro lugar, mesmo que ela seja maleficiente. Entretanto, onde quer que esta condição não exista, os planetas maleficientes são sempre postos por último, e os senhores da exaltação em primeiro, os senhores da triplicidade em seguida, e então os do domicílio, seguindo a ordem dos signos. E, novamente, em ordem, aqueles que têm duas senhorias têm preferência sobre os que têm apenas uma no mesmo signo. Uma vez que não se dá termos para os luminares, no entanto, Câncer e Leão, os domicílios do Sol e da Lua, são dados aos planetas maléficos porque eles foram privados de sua parte na ordem, Câncer a Marte e Leão a Saturno; nestes a ordem apropriada a eles é preservada. Com relação ao número dos termos, quando não há nenhuma estrela com duas prerrogativas, nem no signo mesmo nem nos que o seguem dentro do quadrante, são concedidos a cada um dos benéficos, ou seja, Júpiter e Vênus, 7º, aos maléficos, Saturno e Marte, 5º cada e a Mercúrio, que é comum 6º, de forma que o total perfaz 30º. Entretanto, uma vez que alguns sempre têm duas prerrogativas, pois Vênus sozinha se torna a regente da triplicidade de Touro, já que a Lua não participa nos termos, é dado a cada um dos planetas nesta condição, seja no mesmo signo ou nos signos seguintes no mesmo quadrante, um grau extra; esses foram marcados com pontos; os graus, no entanto, adicionados por causa da prerrogativa dupla são retirados dos outros, que têm somente uma, e de forma geral, de Saturno e de Júpiter porque eles têm o movimento mais lento.
Esses termos estão da seguinte forma:
Termos de acordo com Ptolomeu:
Áries : Júpiter = 6; Vênus = 8; Mercúrio = 7; Marte = 5; Saturno = 4;
Touro : Vênus = 8; Mercúrio = 7; Júpiter = 7; Saturno = 2; Marte = 6;
Gêmeos : Mercúrio = 7; Júpiter = 6; Vênus = 7; Marte = 6; Saturno = 4;
Câncer : Marte = 6; Júpiter = 7; Mercúrio = 7; Vênus = 7; Saturno = 3;
Leão : Júpiter = 6; Mercúrio = 7; Saturno = 6; Vênus = 6; Marte = 5;
Virgem : Mercúrio = 7; Vênus = 6; Júpiter = ; Saturno = 6; Marte = 6;
Libra : Saturno = 6; Vênus = 5; Mercúrio = 5; Júpiter = 8; Marte = 6;
Escorpião : Marte = 6; Vênus = 7 ; Júpiter = 8; Mercúrio = 6; Saturno = 3;
Sagitário : Júpiter = 8; Vênus = 6; Mercúrio = 5; Saturno = 6; Marte= 5;
Capricórnio : Vênus = 6; Mercúrio = 6; Júpiter = 7; Saturno = 6; Marte = 5;
Aquário : Saturno = 6; Mercúrio = 6; Vênus = 8; Júpiter = 5; Marte = 5;
Peixes : Vênus = 8; Júpiter = 6; Mercúrio = 6; Marte = 5; Saturno = 5;
22. Sobre os Lugares e os Graus.
Alguns ainda realizaram divisões mais finas de regência do que essas, utilizando os termos “lugares” e “graus”. Definindo “lugar” como a décima segunda parte de um signo, ou 2 1/2°, deram o domínio sobre eles aos signos, na ordem. Outros seguem outras ordens ilógicas; e novamente deram a cada “grau” a partir do começo a cada um dos planetas de cada signo de acordo com a ordem caldéia de termos. Iremos omitir esses assuntos, já que foram apresentados a seu favor argumentos apenas plausíveis e não naturais, mas ao contrário, sem fundamentos. Não devemos ignorar o assunto seguinte, no entanto, sobre o qual vale a pena permanecer um certo tempo, que é o fato de ser razoável que consideremos os inícios dos signos também a partir dos equinócios e solstícios, em parte porque os escritores deixaram este ponto bem claro, e em parte porque, a partir de nossas demonstrações anteriores, observamos que suas naturezas, poderes e familiaridades têm sua causa nos pontos iniciais dos solstícios e dos equinócios, e de nenhuma outra fonte. Pois, se outros pontos iniciais são presumidos, não seremos mais compelidos a utilizar as naturezas dos signos para prognósticos, ou, se as utilizarmos, estaremos errados, uma vez que os espaços do zodíaco que conferem os poderes aos planetas os passariam a outros e se tornariam, então, alienados.
23. Sobre as Faces, Carruagens e Assemelhados.
Tais são, então, as afinidades naturais das estrelas e dos signos do zodíaco. Dizem que os planetas estão em sua “própria face” quando um planeta individual mantém com a Lua ou o Sol o mesmo aspecto que o seu domicílio mantém com os seus domicílios; por exemplo, quando Vênus está em sextil com os luminares, desde que ela esteja ocidental ao Sol e oriental à Lua, de acordo com o arranjo natural de seus domicílios. Considera-se que eles estejam em sua própria “carruagem” e “trono” e coisas similares quando acontece que eles tenham familiaridade em dois ou mais modos com os lugares nos quais se encontram; pois então a efetividade do seu poder aumenta bastante devido à similaridade e à cooperação das propriedades familiares dos signos que os contêm. Considera-se que eles se “alegrem” quando, mesmo que os signos que os contenham não possuam familiaridades com as estrelas em si, no entanto eles as possuem com estrelas do mesmo séquito; desta forma, a simpatia surge menos diretamente. Eles compartilham, no entanto, da similaridade da mesma forma; assim como, ao contrário, quando eles se encontram em regiões estranhas pertencentes ao séqüito oposto, uma grande parte de seus próprios poderes é paralisada, porque o temperamento que surge da dissimilaridade dos signos produz uma natureza diferente e adulterada.
24. Sobre as Aplicações e Separações e os outros Poderes.
Em geral, aqueles que precedem são considerados como “se aplicando” a aqueles que se seguem, e aqueles que se seguem como “se separando” daqueles que precedem, quando o intervalo entre eles não é grande. Considera-se que uma relação como essa exista tanto se ocorrer uma conjunção corporal quanto se ocorrer um dos aspectos tradicionais, exceto que em relação às aplicações e separações corporais dos astros celestes é útil, também, observar suas latitudes, de modo que apenas aquelas passagens que forem do mesmo lado da eclíptica possam ser aceitas. No caso das aplicações e separações por aspecto, no entanto, essa prática é supérflua, porque todos os raios sempre caem de qualquer direção e convergem da mesma forma para o mesmo ponto, ou seja, para o centro da Terra. De tudo isto, então, é fácil ver que a qualidade de cada uma das estrelas deve ser examinada com relação tanto às suas próprias características quanto com relação aos signos que as incluem, ou do mesmo modo com relação à característica de seus aspectos com o sol e com os ângulos, da forma como explicamos. Seus poderes devem ser determinados, em primeiro lugar, do fato de que eles estejam orientais e aumentando seu próprio movimento – pois eles estão então mais poderosos – ou ocidentais e diminuindo em velocidade, pois então sua energia é menor. Em segundo lugar, deve ser determinada da sua posição relativa ao horizonte; pois elas estão mais poderosas quando estão no meio do céu ou se aproximando dele, e depois quando eles estão exatamente no horizonte ou no local sucedente, seu poder é maior quando eles estão no oriente, e menor quando eles culminam abaixo da terra ou estão em algum outro aspecto ao oriente; se eles não fizerem nenhum aspecto com o oriente, eles estão totalmente sem poder.
A familiaridade dos triângulos é a seguinte. Na medida em que a forma triangular eqüilateral é a mais harmoniosa em si mesma, o zodíaco também é limitado por três círculos, o equinocial e os dois trópicos, e suas doze partes são divididas em quatro triângulos eqüilaterais.
O primeiro deles, que passa por Áries, Leão e Sagitário, é composto de três signos masculinos e inclui os domicílios do Sol, de Marte e de Júpiter. Esse triângulo foi dado ao Sol e a Júpiter, uma vez que Marte não é do séquito solar. O Sol assume a governança primeiramente durante o dia e Júpiter durante a noite. Além disso, Áries está próximo do círculo equinocial, Leão do solstício de verão e Sagitário do solstício de inverno. Este triângulo é preeminentemente do norte por causa da partilha de seu governo com Júpiter, uma vez que Júpiter é fecundo e causador de ventos similares aos ventos do norte. No entanto, por causa do domicílio de Marte ele sofre uma mistura de sudoeste e é Borrolibycon, misto, porque Marte causa esses ventos e também por causa do séquito da Lua e da qualidade feminina do ocidente.
O segundo triângulo, que é o que é desenhado através de Touro, Virgem e Capricórnio, é composto por três signos femininos, e consequentemente foi dado à Lua e Vênus; a Lua o governa de noite e Vênus de dia. Touro está perto do trópico de verão; Virgem, do equinócio, e Capricórnio do trópico de inverno. Este triângulo é principalmente do sul por causa da dominância de Vênus, uma vez que é esta estrela, através do calor e da umidade, que produz ventos similares aos do sul; no entanto, como ele recebe uma mistura de Apeliotes já que o domicílio de Saturno, Capricórnio, está incluído nele, ele é Notapeliotes, misto, em contraste com o primeiro triângulo, uma vez que Saturno produz ventos deste modo e está relacionado ao elenco porque participa do séquito do Sol.
O terceiro triângulo é o desenhado através de Gêmeos, Libra e Aquário, compostos por três signos masculinos, e não tendo nenhuma relação com Marte mas ao contrário com Saturno e Mercúrio por causa de seus domicílios. Ele foi dado, por sua vez, a eles, com Saturno governando durante o dia devido a seu séquito e Mercúrio durante a noite. O signo de Gêmeos se localiza próximo ao trópico de verão, Libra ao equinócio e Aquário ao trópico de inverno. Este triângulo também é primariamente de constituição leste, por causa de Saturno, mas por mistura nordeste, porque o séquito de Júpiter tem familiaridade com Saturno, na medida em que ele é diurno.
O quarto triângulo, o que é desenhado através de Câncer, Escorpião e Peixes, foi deixado ao único planeta remanescente, Marte, que está relacionado a ele através de seu domicílio, Escorpião; e junto com ele, devido a seu séqüito e à feminilidade dos signos, a Lua durante o dia e Vênus durante a noite são seus co-regentes. Câncer está próximo do círculo do verão, Escorpião ao círculo de inverno e Peixes ao equinócio. Este triângulo é constituído preeminentemente de oeste, porque ele está dominado por Marte e a Lua; no entanto, por mistura ele se torna sudoeste através da dominação de Vênus.
19. Sobre as Exaltações.
As assim chamadas exaltações dos planetas têm a seguinte explicação. Uma vez que o Sol, quando está em Áries, está fazendo sua transição para o semicírculo maior e mais ao norte, e em Libra ele está passando para o semicírculo menor e mais ao sul, os antigos de forma acertada deram Áries para ele como sua exaltação, uma vez que lá a duração do dia e seu poder de aquecimento começam a crescer, e Libra como sua depressão pelas razões opostas.
Novamente, Saturno, de forma a ter uma posição oposta à do Sol, como também é no assunto de seus domicílios, considera, ao contrário, Libra como sua exaltação e Áries como sua depressão, pois quando o calor aumenta o frio diminui, e onde o primeiro diminui, o frio ao contrário aumenta.
Uma vez que a Lua, se fizer uma conjunção com o Sol na exaltação deste, Áries, irá mostrar sua primeira fase e começará a aumentar sua luz e, por assim dizer, sua altura, no primeiro signo de seu próprio triângulo, Touro, este foi denominado sua exaltação, e o signo diametralmente oposto, Escorpião, como sua depressão.
Júpiter, então, que produz os fecundos ventos do norte, atinge sua posição mais ao norte em Câncer e aí leva sua própria força à completude; assim tornaram este signo sua exaltação e Capricórnio sua depressão.
Marte, que por sua natureza é abrasante e se torna mais ainda assim quando está em Capricórnio porque nele ele está mais afastado ao sul, naturalmente recebeu Capricórnio como sua exaltação, e ao contrário de Júpiter, Câncer como sua depressão.
Vênus, no entanto, já que ela é úmida por natureza e aumenta seu próprio poder da forma mais forte em Peixes, onde o começo da úmida primavera é indicado, têm a sua exaltação em Peixes e a sua depressão em Virgem.
Mercúrio, pelo contrário, uma vez que ele é mais árido, em contraste é naturalmente exaltado, por assim dizer, em Virgem, no qual o seco outono é significado, e é deprimido em Peixes.
20. Sobre a disposição dos Termos.
Com relação aos termos, dois sistemas principais estão mais em circulação; o primeiro é egípcio, o qual está baseado primeiramente no governo dos domicílios, e o segundo é caldeu, que se baseia no governo das triplicidades.
Pois bem, o sistema egípcio dos temos comumente aceitos não preserva de forma alguma a consistência nem da ordem nem da quantidade individual, pois, em primeiro lugar, na questão da ordem, eles às vezes deram o primeiro lugar para os senhores dos domicílios e às vezes para os senhores das triplicidades, e às vezes ainda para os senhores das exaltações. Por exemplo, se é verdade que eles seguiram os domicílios, porque eles deram precedência a Saturno, por exemplo, em Libra, e não a Vênus, e porque a Júpiter em Áries, e não a Marte? E se eles seguiram as triplicidades, porque deram a Mercúrio, e não a Vênus, o primeiro lugar em Capricórnio? Ou caso tenham seguido as exaltações, porque dar a Marte, e não a Júpiter, a precedência em Câncer; e se eles observaram os planetas que tem o maior número dessas qualificações, porque deram o primeiro lugar em Aquário em Mercúrio, que tem apenas a sua triplicidade ali, e não a Saturno, pois ele é tanto o domicílio quanto a triplicidade deste planeta? Ou porque eles deram o primeiro lugar a Mercúrio em Capricórnio, acima de tudo, uma vez que ele não tem nenhuma relação de governo com este signo? É possível encontrar o mesmo tipo de coisas no resto do sistema.
Em segundo lugar, o numero de termos manifestamente não possui consistência, porque o número derivado de cada planeta a partir da adição de seus termos em todos os signos, de acordo com o que eles dizem que os planetas determinam anos de vida, não fornece nenhum argumento adequado ou aceitável. No entanto, mesmo se confiarmos no número derivado desta soma, de acordo com essa simples proposição dos egípcios, descobriríamos que a soma seria a mesma, mesmo que as quantidades, signo a signo, frequentemente mudem de várias formas. E em relação à afirmação espúria e sofista sobre eles que alguns tentam fazer, ou seja, que o número de vezes dadas a cada planeta individual pelo esquema de ascensões em todos os climas se soma a essa mesma quantia, ela é falsa, pois, em primeiro lugar, eles seguem o método comum, baseado em aumentos regularmente maiores nas acentues, o que não está nem perto da verdade. De acordo com este esquema, cada um dos signos Virgem e Libra, no paralelo que corta o Baixo Egito, ascenderiam em 38 vezes e 1/3, e Leão e Escorpião, cada um, em 35, embora esteja demonstrado pelas tabelas que esses signos ascendem em mais de 35 vezes e Vigem e Libra em menos. Além do mais, aqueles que tentaram estabelecer esta teoria nem mesmo parecem seguir o número comumente aceito de termos, e são compelidos a realizar diversas falsas afirmações, e ele até mesmo utilizaram a parte não inteira das frações em uma tentativa de salvar sua hipótese, que, como dissemos, nem é em si mesma verdadeira.
No entanto, os termos mais geralmente aceitos sob a autoridade da tradição antiga são dados da seguinte forma:
Termos de Acordo com os Egípcios.
Áries: Júpiter = 6; Vênus = 6; Mercúrio = 8; Marte = 5; Saturno = 5;
Touro: Venus = 8; Mercúrio = 6; Júpiter = 8; Saturno = 5; Marte = 3;
Gêmeos: Mercúrio = 6; Júpiter = 6; Vênus =5; Marte = 7; Saturno = 6;
Câncer: Marte = 7; Vênus = 6; Mercúrio = 6; Júpiter = 7; Saturno = 4;
Leão: Júpiter = 6; Vênus = 5; Saturno = 7; Mercúrio = 6; Marte = 6;
Virgem: Mercúrio = 7; Vênus = 10; Júpiter = 4; Marte = 7; Saturno = 2;
Libra: Saturno = 6; Mercúrio =8; Júpiter = 7; Vênus = 7; Marte = 2;
Escorpião: Marte = 7; Vênus = 4; Mercúrio = 8; Júpiter = 5; Saturno = 6;
Sagitário : Júpiter = 12; Vênus = 5; Mercúrio = 4; Saturno = 5; Marte = 4;
Capricórnio : Mercúrio = 7; Júpiter = 7; Vênus = 8; Saturno = 4; Marte = 4;
Aquário : Mercúrio = 7; Vênus = 6; Júpiter = 7; Marte = 5; Saturno = 5;
Peixes : Vênus = 12; Júpiter = 4; Mercúrio = 3; Marte = 9; Saturno = 2;.
21. De Acordo com os Caldeus.
O método caldeu envolve uma seqüência, simples, com certeza, e mais plausível, embora não tão auto-suficiente em relação ao governo das triplicidades e à disposição da quantidade, de forma que, ao contrário, ela fosse facilmente inteligível mesmo sem um diagrama. Pois na primeira triplicidade, Áries, Leão e Sagitário, que tem neste caso as mesmas divisões por signos que no sistema dos egípcios, o senhor da triplicidade, Júpiter, é o primeiro a receber termos, e então o senhor do próximo triângulo, Vênus, e então o senhor do triângulo de Gêmeos, Saturno, e Mercúrio, e finalmente o senhor da triplicidade restante, Marte. Na segunda triplicidade, Touro, Virgem e Capricórnio, que novamente tem a mesma divisão por signos, Vênus vem primeiro, então Saturno, e então Mercúrio, após esses, Marte, e finalmente, Júpiter. Esse arranjo de uma forma geral é observado também nas duas triplicidades restantes. Sobre os dois senhores da mesma triplicidade, no entanto, Saturno e Mercúrio, de dia Saturno toma o primeiro lugar na ordem de posse, à noite, Mercúrio. O número designado a cada um também é uma questão simples, pois para que o número de termos de cada planeta seja sempre menor em um grau do que o precedente, para corresponder com a ordem descendente no qual o primeiro lugar é decidido, eles sempre dão 8° ao primeiro, 7° ao segundo, 6° ao terceiro, 5° ao quarto e 4° ao último; assim se completam os 30° de um signo. A soma do número de graus assim dados a Saturno é de 78 durante o dia e 66 à noite, a Júpiter 72, a Marte 69, a Vênus 75, a Mercúrio 66 durante o dia e 78 à noite; o total é de 360 graus.
Pois bem, desses termos aqueles que são constituídos pelo método egípcio são, como dissemos, mais dignos de crédito, tanto devido à forma na qual eles foram coletados pelos escritores egípcios que os julgaram dignos de registro devido à sua utilidade, quanto por causa de na maior parte do tempo os graus desses termos foram consistentes com as natividades que foram registradas por eles como exemplos. Como estes mesmos escritores, no entanto, não explicam em nenhum lugar a disposição de seus números, sua incapacidade de concordar em uma explicação do sistema pode bem se tornar objeto de suspeita e alvo de críticas. Recentemente, no entanto, chegou até nós um manuscrito antigo, muito danificado, que contém uma explicação natural e consistente de sua ordem e número, e ao mesmo tempo percebemos que os graus relatados nas natividades acima mencionadas e os números dados nas somas concordaram com a tabulação dos antigos. O livro era muito alongado em suas expressões, muito excessivo em suas demonstrações, e seu estado danificado o tornou difícil de ler, de modo que eu mal pude fazer uma idéia de seu propósito geral; e isso apesar da ajuda fornecida pelas tabulações dos termos, melhor preservadas porque estavam localizadas no fim do livro. Com relação ao seu arranjo dentro de cada signo, as exaltações, as triplicidades e os domicílios foram levados em consideração. Pois, de maneira geral, a estrela que tiver duas regências deste tipo no mesmo signo é posta em primeiro lugar, mesmo que ela seja maleficiente. Entretanto, onde quer que esta condição não exista, os planetas maleficientes são sempre postos por último, e os senhores da exaltação em primeiro, os senhores da triplicidade em seguida, e então os do domicílio, seguindo a ordem dos signos. E, novamente, em ordem, aqueles que têm duas senhorias têm preferência sobre os que têm apenas uma no mesmo signo. Uma vez que não se dá termos para os luminares, no entanto, Câncer e Leão, os domicílios do Sol e da Lua, são dados aos planetas maléficos porque eles foram privados de sua parte na ordem, Câncer a Marte e Leão a Saturno; nestes a ordem apropriada a eles é preservada. Com relação ao número dos termos, quando não há nenhuma estrela com duas prerrogativas, nem no signo mesmo nem nos que o seguem dentro do quadrante, são concedidos a cada um dos benéficos, ou seja, Júpiter e Vênus, 7º, aos maléficos, Saturno e Marte, 5º cada e a Mercúrio, que é comum 6º, de forma que o total perfaz 30º. Entretanto, uma vez que alguns sempre têm duas prerrogativas, pois Vênus sozinha se torna a regente da triplicidade de Touro, já que a Lua não participa nos termos, é dado a cada um dos planetas nesta condição, seja no mesmo signo ou nos signos seguintes no mesmo quadrante, um grau extra; esses foram marcados com pontos; os graus, no entanto, adicionados por causa da prerrogativa dupla são retirados dos outros, que têm somente uma, e de forma geral, de Saturno e de Júpiter porque eles têm o movimento mais lento.
Esses termos estão da seguinte forma:
Termos de acordo com Ptolomeu:
Áries : Júpiter = 6; Vênus = 8; Mercúrio = 7; Marte = 5; Saturno = 4;
Touro : Vênus = 8; Mercúrio = 7; Júpiter = 7; Saturno = 2; Marte = 6;
Gêmeos : Mercúrio = 7; Júpiter = 6; Vênus = 7; Marte = 6; Saturno = 4;
Câncer : Marte = 6; Júpiter = 7; Mercúrio = 7; Vênus = 7; Saturno = 3;
Leão : Júpiter = 6; Mercúrio = 7; Saturno = 6; Vênus = 6; Marte = 5;
Virgem : Mercúrio = 7; Vênus = 6; Júpiter = ; Saturno = 6; Marte = 6;
Libra : Saturno = 6; Vênus = 5; Mercúrio = 5; Júpiter = 8; Marte = 6;
Escorpião : Marte = 6; Vênus = 7 ; Júpiter = 8; Mercúrio = 6; Saturno = 3;
Sagitário : Júpiter = 8; Vênus = 6; Mercúrio = 5; Saturno = 6; Marte= 5;
Capricórnio : Vênus = 6; Mercúrio = 6; Júpiter = 7; Saturno = 6; Marte = 5;
Aquário : Saturno = 6; Mercúrio = 6; Vênus = 8; Júpiter = 5; Marte = 5;
Peixes : Vênus = 8; Júpiter = 6; Mercúrio = 6; Marte = 5; Saturno = 5;
22. Sobre os Lugares e os Graus.
Alguns ainda realizaram divisões mais finas de regência do que essas, utilizando os termos “lugares” e “graus”. Definindo “lugar” como a décima segunda parte de um signo, ou 2 1/2°, deram o domínio sobre eles aos signos, na ordem. Outros seguem outras ordens ilógicas; e novamente deram a cada “grau” a partir do começo a cada um dos planetas de cada signo de acordo com a ordem caldéia de termos. Iremos omitir esses assuntos, já que foram apresentados a seu favor argumentos apenas plausíveis e não naturais, mas ao contrário, sem fundamentos. Não devemos ignorar o assunto seguinte, no entanto, sobre o qual vale a pena permanecer um certo tempo, que é o fato de ser razoável que consideremos os inícios dos signos também a partir dos equinócios e solstícios, em parte porque os escritores deixaram este ponto bem claro, e em parte porque, a partir de nossas demonstrações anteriores, observamos que suas naturezas, poderes e familiaridades têm sua causa nos pontos iniciais dos solstícios e dos equinócios, e de nenhuma outra fonte. Pois, se outros pontos iniciais são presumidos, não seremos mais compelidos a utilizar as naturezas dos signos para prognósticos, ou, se as utilizarmos, estaremos errados, uma vez que os espaços do zodíaco que conferem os poderes aos planetas os passariam a outros e se tornariam, então, alienados.
23. Sobre as Faces, Carruagens e Assemelhados.
Tais são, então, as afinidades naturais das estrelas e dos signos do zodíaco. Dizem que os planetas estão em sua “própria face” quando um planeta individual mantém com a Lua ou o Sol o mesmo aspecto que o seu domicílio mantém com os seus domicílios; por exemplo, quando Vênus está em sextil com os luminares, desde que ela esteja ocidental ao Sol e oriental à Lua, de acordo com o arranjo natural de seus domicílios. Considera-se que eles estejam em sua própria “carruagem” e “trono” e coisas similares quando acontece que eles tenham familiaridade em dois ou mais modos com os lugares nos quais se encontram; pois então a efetividade do seu poder aumenta bastante devido à similaridade e à cooperação das propriedades familiares dos signos que os contêm. Considera-se que eles se “alegrem” quando, mesmo que os signos que os contenham não possuam familiaridades com as estrelas em si, no entanto eles as possuem com estrelas do mesmo séquito; desta forma, a simpatia surge menos diretamente. Eles compartilham, no entanto, da similaridade da mesma forma; assim como, ao contrário, quando eles se encontram em regiões estranhas pertencentes ao séqüito oposto, uma grande parte de seus próprios poderes é paralisada, porque o temperamento que surge da dissimilaridade dos signos produz uma natureza diferente e adulterada.
24. Sobre as Aplicações e Separações e os outros Poderes.
Em geral, aqueles que precedem são considerados como “se aplicando” a aqueles que se seguem, e aqueles que se seguem como “se separando” daqueles que precedem, quando o intervalo entre eles não é grande. Considera-se que uma relação como essa exista tanto se ocorrer uma conjunção corporal quanto se ocorrer um dos aspectos tradicionais, exceto que em relação às aplicações e separações corporais dos astros celestes é útil, também, observar suas latitudes, de modo que apenas aquelas passagens que forem do mesmo lado da eclíptica possam ser aceitas. No caso das aplicações e separações por aspecto, no entanto, essa prática é supérflua, porque todos os raios sempre caem de qualquer direção e convergem da mesma forma para o mesmo ponto, ou seja, para o centro da Terra. De tudo isto, então, é fácil ver que a qualidade de cada uma das estrelas deve ser examinada com relação tanto às suas próprias características quanto com relação aos signos que as incluem, ou do mesmo modo com relação à característica de seus aspectos com o sol e com os ângulos, da forma como explicamos. Seus poderes devem ser determinados, em primeiro lugar, do fato de que eles estejam orientais e aumentando seu próprio movimento – pois eles estão então mais poderosos – ou ocidentais e diminuindo em velocidade, pois então sua energia é menor. Em segundo lugar, deve ser determinada da sua posição relativa ao horizonte; pois elas estão mais poderosas quando estão no meio do céu ou se aproximando dele, e depois quando eles estão exatamente no horizonte ou no local sucedente, seu poder é maior quando eles estão no oriente, e menor quando eles culminam abaixo da terra ou estão em algum outro aspecto ao oriente; se eles não fizerem nenhum aspecto com o oriente, eles estão totalmente sem poder.
6.7.07
Tetrabiblos, II
Mais um trechinho. Quando eu terminar tudo, organizo em um post só o livro todo.
10. Sobre os Efeitos das Estações e dos Quatro Ângulos.
Das quatro estações do ano, primavera, verão, outono e inverno, a primavera excede em umidade por causa da sua difusão após o frio ter ido e porque o aquecimento está se estabelecendo; o verão, em calor, por causa da proximidade do sol com o zênite; o outono, em secura, por causa da absorção da umidade durante a estação quente que a precedeu; e o inverno excede no frio, porque o sol está no ponto mais distante do zênite. Por esta razão, embora não haja um início natural do zodíaco, sendo ele um círculo, assume-se que o signo que começa com o equinócio vernal, ou seja, o de Áries, seja o ponto inicial de todos, tornando a umidade excessiva da primavera a primeira parte do zodíaco, como se ele fosse uma criatura vivente, e tomando por ordem em seguida as estações remanescentes, porque em todas as criaturas, as idades mais jovens, como a primavera, tem uma maior quantidade de umidade e são mais tenras e ainda delicadas. A segunda idade, até o ápice da vida, excede em calor, como o verão; a terceira, quando o ápice já passou e se está no início do declínio, há um excesso de secura, como no outono; e a última, que se aproxima da dissolução, excede no frio, como o inverno.
De forma similar, das quatro regiões e ângulos do horizonte, dos quais, a partir dos pontos cardeais, os ventos se originam, o leste do mesmo modo excede em secura porque, quando o sol está nesta região, qualquer coisa que tenha sido umedecida pela noite começa então a secar, e os ventos que sopram desta região, os quais chamamos de Apeliotes, em geral, são sem umidade e de efeito secante. A região ao sul é a mais quente por causa do calor abrasivo das passagens do sol pelo meio do céu e porque essas passagens, por causa da inclinação do nosso mundo habitado, se voltam mais, e os ventos que sopram de lá são chamados pelo nome geral de Notus e são quentes e rarefeitos. A região ao oeste é ela mesma úmida, porque quando o sol está lá as coisas que secaram durante o dia começam então a se umedecer; da mesma forma, os ventos que ventam desta parte, que chamamos pelo nome geral de Zephyrus, são frescos e úmidos. A região ao norte é a mais fria, porque através da inclinação do nosso mundo habitado ela é muito afastada das causas de aquecimento que surgem pela culminação do sol, e quando o sol está lá, também está em sua culminação mínima; e os ventos que ventam de lá, que são chamados pelo nome geral de Boreas, são frios e de efeito condensador.
O conhecimento destes fatos é útil para permitir que se forme um julgamento completo das temperaturas em exemplos individuais. Pois é facilmente reconhecido que, junto com condições como essas, de estações, de idades, ou de ângulos, há uma variação correspondente na potência das faculdades das estrelas, sendo que em condições similares a elas sua qualidade é mais pura e sua eficiência mais forte, como por exemplo aquelas que por sua natureza aquecem, por exemplo, no calor, e aquelas que por sua natureza umedecem, na umidade, enquanto que sob condições opostas seu poder fica adulterado e mais fraco. Assim, as estrelas que aquecem nos períodos frios e as estrelas que umedecem nos períodos secos ficam mais fracas, e de forma similar nos outros casos, de acordo com a qualidade produzida pela mistura.
11. Sobre os signos Solsticiais, Equinociais, Sólidos e Bicorpóreos.
Após a explicação destas matérias o próximo assunto a ser exposto seriam as características naturais dos próprios signos zodiacais, da forma que foram estabelecidas pela tradição. Pois, embora seus temperamentos mais gerais sejam, cada um, análogos às estações que ocorrem neles, algumas qualidades peculiares suas surgem de sua relação com o Sol, a Lua e os planetas, como iremos relatar no que se segue, primeiro expondo os poderes isolados dos próprios signos sozinhos, considerados tanto absolutamente como em relação uns com os outros.
As primeiras distinções, então, são entre os assim chamados signos solsticiais, equinociais, sólidos e bicorpóreos.
Pois existem dois signos solsticiais, o primeiro intervalo de 30° a partir do solstício de verão, o signo de Câncer, e o primeiro a partir do solstício de inverno, Capricórnio; e eles receberam seus nomes do que ocorre neles, porque o Sol retorna quando ele está no começo de um desses signos e reverte seu progresso latitudinal, causando o verão em Câncer e o inverno em Capricórnio.
Dois signos são chamados de equinociais, o que é o primeiro a partir do equinócio da primavera, Áries, e o que começa com o equinócio do outono, Libra; e eles também recebem este nome devido ao que acontece neles, porque quando o sol está no começo destes signos ele faz as noites terem a exata mesma duração dos dias.
Dos signos restantes, quatro são chamados sólidos e quatro são chamados bicorpóreos.
Os signos sólidos, Touro, Leão, Escorpião e Aquário, são aqueles que seguem os signos solsticiais e equinociais; e eles são chamados assim porque quando o Sol está neles a umidade, o calor, a secura e o frio das estações que começam nos signos precedentes nos toca de forma mais firme, não que o clima seja naturalmente de qualquer modo menos ameno nesta época, mas nós é que estamos mais acostumados a eles e por esta razão somos mais sensíveis a seu poder.
Os signos bicorpóreos, Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes, são aqueles que seguem os signos sólidos, e são chamados assim porque eles estão entre os signos sólidos e os solsticiais e equinociais e compartilham, por assim dizer, no começo e no final, as propriedades naturais dos dois estados do clima.
12. Sobre os Signos Masculinos e Femininos.
Novamente, da mesma forma, os antigos apontaram seis dos signos como de natureza masculina e diurna e um número igual como da natureza feminina e noturna. Uma ordem alternante foi imposta a eles porque o dia sempre domina a noite e está sempre próximo dela, e do mesmo modo são a fêmea e o macho. Assim, como Áries é considerado o ponto inicial pelas razões que mencionamos, e como o macho da mesma forma comanda e possui o primeiro lugar, uma vez que, também, o ativo é sempre superior ao passivo em poder, os signos de Áries e Libra foram considerados como masculinos e diurnos, sendo que uma razão adicional é o fato de que o círculo equinocial que é inscrito através deles completa o movimento mais poderoso e primário de todo o universo. Os signos em sucessão após eles correspondem, como dissemos, em ordem alternada.
Alguns, no entanto, empregam uma ordem de signos masculinos e femininos pala qual o masculino se inicia com o signo que está ascendendo, chamado de horóscopo. Pois, da mesma forma que alguns começam os signos solsticiais com o signo da Lua porque a Lua muda de direção de forma mais rápida do que o resto, da mesma forma eles começam os signos masculinos com o horóscopo porque ele está mais para o leste, alguns, como antes, utilizando a ordem alternada dos signos, e outros os dividindo por quadrantes inteiros, e designando como matutinos e masculinos os signos do quadrante do horóscopo ao meio do céu e os do quadrante oposto, do ocidente ao fundo do céu, e como vespertinos e femininos os outros dois quadrantes. Também apuseram outras descrições para os signos, derivadas de seus formatos: eu me refiro, por exemplo, a “de quatro patas”, “terrestres”, “comandantes”, fecundos”, e designações similares. Consideramos que a enumeração destas denominações, já que sua razão e sua significação são diretamente deriváveis, são supérfluas, uma vez que a qualidade resultante destas conformações pode ser explicada em conexão com as predições onde isto for claramente útil.
13. Sobre os Aspectos dos Signos.
Das partes do zodíaco, as que são mais familiares umas com as outras são as que estão em aspecto. Estes são os que estão em oposição, que compreende dois ângulos retos, seis signos, e 180 graus; os que estão em trígono, que compreende um ângulo reto e um terço, quatro signos, e 120 graus; os que se diz que estão em quartil, compreendendo um ângulo reto, três signos, e 90 graus, e finalmente os que ocupam a posição de sextil, que compreende dois terços de um ângulo reto, dois signos e 60 graus.
Iremos aprender, do que se segue, porque apenas estes intervalos foram levados em consideração. A explicação da oposição é imediatamente óbvia, porque ela faz com que os signos estejam em uma linha reta. Mas se tomarmos as duas frações e os dois superparticulares mais importantes em música, e se as frações um meio e um terço forem aplicadas à oposição, compostas de dois ângulos retos, o meio faz o quartil e o terço o sextil e o trígono. Dos superparticulares, se o sesquialter e o serquitertian forem aplicados ao intervalo de quartil de um ângulo reto, que se posiciona entre eles, o sesquialter produz a proporção do quartil para o sextil e o sesquitertian a proporção do trígono para o quartil. Destes aspectos, o trígono e o sextil são chamados de harmônicos porque eles são compostos de signos do mesmo tipo, tanto completamente de signos femininos ou completamente de signos masculinos; enquanto o quartil e a oposição são inarmônicos porque são compostos de signos de tipos opostos.
14. Sobre Os Signos Comandantes e Obedientes.
Da mesma forma, os nomes “comandantes” e “obedientes” se aplicam às divisões do zodíaco que se dispõem em distâncias iguais do mesmo signo equinocial, qualquer que seja, porque eles ascendem em um período igual de tempo e estão em paralelos iguais. Destes, os que estão no hemisfério de verão são chamados de “comandantes”, enquanto os que estão no hemisfério de inverno, “obedientes”, porque o sol faz o dia mais longo que a noite quando ele está no hemisfério de verão, e mais curto no inverno.
15. Sobre os Signos que se Observam e sobre os Signos de Mesmo Poder.
Mais uma vez, dizem que as partes que estão igualmente afastadas do mesmo signo tropical, qualquer que seja, têm o mesmo poder, porque quando o Sol entra em qualquer um deles, os dias são iguais aos dias e as noites às noites, e as durações das suas próprias horas são iguais. Eles também são considerados como “observando” uns aos outros tanto pelas razões apresentadas quanto pelo fato de que o par ascende pela mesma parte do horizonte e se põe na mesma parte.
16. Sobre os Signos Disjuntos.
Signos "disjuntos" e "estranhos” são os nomes aplicados para aquelas divisões do zodíaco que não têm quaisquer das familiaridades mencionadas acima uns com os outros. Esses são os signos que não pertencem nem à classe dos signos Comandantes ou Obedientes, nem à classe dos que se observam ou que têm o mesmo poder, e além disso eles estão completamente desprovidos dos quatro aspectos mencionados acima, oposição, trígono, quartil e sextil, e estão um ou cinco signos distantes um do outro, pois aqueles que estão um signo distantes uns dos outros são como se tivessem aversão uns aos outros, e, embora sejam dois, estão ligados ao ângulo de um, e aqueles que estão cinco signos distantes uns dos outros dividem o círculo inteiro em partes diferentes, enquanto que os outros aspectos perfazem uma divisão eqüitativa do perímetro.
17. Sobre os Domicílios dos Diversos Planetas.
Os planetas também têm familiaridade com as partes do zodíaco, que devido a isso são denominadas seus domicílios, triângulos [triplicidades], exaltações, termos, entre outros. O sistema de domicílios é da seguinte natureza. Uma vez que dos doze signos os mais ao norte, que estão mais próximos do que os outros do nosso zênite e são portanto mais produtores de calor são Câncer e Leão, designaram estes dois signos como domicílios dos maiores e mais poderosos corpos celestiais, ou seja, os luminares, Leão, que é masculino, ao Sol e Câncer, que é feminino, à Lua. Com o mesmo raciocínio, consideraram o semicírculo de Leão a Capricórnio como solar e o de Aquário a Câncer como lunar, de forma que em cada um dos semicírculos um signo seria consignado a cada um dos cinco planetas como seu, um signo fazendo aspecto com o Sol e outro com a Lua, consistentemente com as esferas de seu movimento e as peculiaridades de suas naturezas. Pois a Saturno, em cuja natureza o frio prevalece, em oposição ao calor, e que ocupa a órbita mais alta e mais distante dos luminares, foram designados os signos opostos a Câncer e Leão, especificamente Capricórnio e Aquário, com a razão adicional que estes signos são frios e invernais, e além disso seu aspecto diamétrico não é consistente com a beneficência. A Júpiter, que é moderado e está abaixo da esfera de Saturno, foram designados os dois signos próximos dos anteriores, fecundos e com bastante vento, Sagitário e Peixes, em um aspecto triangular com os luminares, que é uma configuração harmoniosa e beneficiente. Então, a Marte, que é seco por natureza e ocupa uma esfera abaixo da de Júpiter, foram designados novamente os signos contíguos aos anteriores, Escorpião e Áries, que possuem uma natureza similar e, de forma concordante com a Natureza destrutiva e desarmoniosa de Marte, em aspecto de quartil com os luminares. A Vênus, que é temperada e está abaixo de Marte, foram dados os dois signos seguintes, que são extremamente férteis, Libra e Touro. Estes dois preservam a harmonia do aspecto sextil; outra razão é que este planeta nunca está mais de sois signos afastado do Sol, em qualquer direção. Finalmente, foram dados a Mercúrio, que nunca está mais de um signo afastado do Sol em qualquer direção e está abaixo dos outros e mais perto de certa forma de ambos os luminares, os dois signos remanescentes, Gêmeos e Virgem, que estão próximos dos domicílios dos luminares.
10. Sobre os Efeitos das Estações e dos Quatro Ângulos.
Das quatro estações do ano, primavera, verão, outono e inverno, a primavera excede em umidade por causa da sua difusão após o frio ter ido e porque o aquecimento está se estabelecendo; o verão, em calor, por causa da proximidade do sol com o zênite; o outono, em secura, por causa da absorção da umidade durante a estação quente que a precedeu; e o inverno excede no frio, porque o sol está no ponto mais distante do zênite. Por esta razão, embora não haja um início natural do zodíaco, sendo ele um círculo, assume-se que o signo que começa com o equinócio vernal, ou seja, o de Áries, seja o ponto inicial de todos, tornando a umidade excessiva da primavera a primeira parte do zodíaco, como se ele fosse uma criatura vivente, e tomando por ordem em seguida as estações remanescentes, porque em todas as criaturas, as idades mais jovens, como a primavera, tem uma maior quantidade de umidade e são mais tenras e ainda delicadas. A segunda idade, até o ápice da vida, excede em calor, como o verão; a terceira, quando o ápice já passou e se está no início do declínio, há um excesso de secura, como no outono; e a última, que se aproxima da dissolução, excede no frio, como o inverno.
De forma similar, das quatro regiões e ângulos do horizonte, dos quais, a partir dos pontos cardeais, os ventos se originam, o leste do mesmo modo excede em secura porque, quando o sol está nesta região, qualquer coisa que tenha sido umedecida pela noite começa então a secar, e os ventos que sopram desta região, os quais chamamos de Apeliotes, em geral, são sem umidade e de efeito secante. A região ao sul é a mais quente por causa do calor abrasivo das passagens do sol pelo meio do céu e porque essas passagens, por causa da inclinação do nosso mundo habitado, se voltam mais, e os ventos que sopram de lá são chamados pelo nome geral de Notus e são quentes e rarefeitos. A região ao oeste é ela mesma úmida, porque quando o sol está lá as coisas que secaram durante o dia começam então a se umedecer; da mesma forma, os ventos que ventam desta parte, que chamamos pelo nome geral de Zephyrus, são frescos e úmidos. A região ao norte é a mais fria, porque através da inclinação do nosso mundo habitado ela é muito afastada das causas de aquecimento que surgem pela culminação do sol, e quando o sol está lá, também está em sua culminação mínima; e os ventos que ventam de lá, que são chamados pelo nome geral de Boreas, são frios e de efeito condensador.
O conhecimento destes fatos é útil para permitir que se forme um julgamento completo das temperaturas em exemplos individuais. Pois é facilmente reconhecido que, junto com condições como essas, de estações, de idades, ou de ângulos, há uma variação correspondente na potência das faculdades das estrelas, sendo que em condições similares a elas sua qualidade é mais pura e sua eficiência mais forte, como por exemplo aquelas que por sua natureza aquecem, por exemplo, no calor, e aquelas que por sua natureza umedecem, na umidade, enquanto que sob condições opostas seu poder fica adulterado e mais fraco. Assim, as estrelas que aquecem nos períodos frios e as estrelas que umedecem nos períodos secos ficam mais fracas, e de forma similar nos outros casos, de acordo com a qualidade produzida pela mistura.
11. Sobre os signos Solsticiais, Equinociais, Sólidos e Bicorpóreos.
Após a explicação destas matérias o próximo assunto a ser exposto seriam as características naturais dos próprios signos zodiacais, da forma que foram estabelecidas pela tradição. Pois, embora seus temperamentos mais gerais sejam, cada um, análogos às estações que ocorrem neles, algumas qualidades peculiares suas surgem de sua relação com o Sol, a Lua e os planetas, como iremos relatar no que se segue, primeiro expondo os poderes isolados dos próprios signos sozinhos, considerados tanto absolutamente como em relação uns com os outros.
As primeiras distinções, então, são entre os assim chamados signos solsticiais, equinociais, sólidos e bicorpóreos.
Pois existem dois signos solsticiais, o primeiro intervalo de 30° a partir do solstício de verão, o signo de Câncer, e o primeiro a partir do solstício de inverno, Capricórnio; e eles receberam seus nomes do que ocorre neles, porque o Sol retorna quando ele está no começo de um desses signos e reverte seu progresso latitudinal, causando o verão em Câncer e o inverno em Capricórnio.
Dois signos são chamados de equinociais, o que é o primeiro a partir do equinócio da primavera, Áries, e o que começa com o equinócio do outono, Libra; e eles também recebem este nome devido ao que acontece neles, porque quando o sol está no começo destes signos ele faz as noites terem a exata mesma duração dos dias.
Dos signos restantes, quatro são chamados sólidos e quatro são chamados bicorpóreos.
Os signos sólidos, Touro, Leão, Escorpião e Aquário, são aqueles que seguem os signos solsticiais e equinociais; e eles são chamados assim porque quando o Sol está neles a umidade, o calor, a secura e o frio das estações que começam nos signos precedentes nos toca de forma mais firme, não que o clima seja naturalmente de qualquer modo menos ameno nesta época, mas nós é que estamos mais acostumados a eles e por esta razão somos mais sensíveis a seu poder.
Os signos bicorpóreos, Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes, são aqueles que seguem os signos sólidos, e são chamados assim porque eles estão entre os signos sólidos e os solsticiais e equinociais e compartilham, por assim dizer, no começo e no final, as propriedades naturais dos dois estados do clima.
12. Sobre os Signos Masculinos e Femininos.
Novamente, da mesma forma, os antigos apontaram seis dos signos como de natureza masculina e diurna e um número igual como da natureza feminina e noturna. Uma ordem alternante foi imposta a eles porque o dia sempre domina a noite e está sempre próximo dela, e do mesmo modo são a fêmea e o macho. Assim, como Áries é considerado o ponto inicial pelas razões que mencionamos, e como o macho da mesma forma comanda e possui o primeiro lugar, uma vez que, também, o ativo é sempre superior ao passivo em poder, os signos de Áries e Libra foram considerados como masculinos e diurnos, sendo que uma razão adicional é o fato de que o círculo equinocial que é inscrito através deles completa o movimento mais poderoso e primário de todo o universo. Os signos em sucessão após eles correspondem, como dissemos, em ordem alternada.
Alguns, no entanto, empregam uma ordem de signos masculinos e femininos pala qual o masculino se inicia com o signo que está ascendendo, chamado de horóscopo. Pois, da mesma forma que alguns começam os signos solsticiais com o signo da Lua porque a Lua muda de direção de forma mais rápida do que o resto, da mesma forma eles começam os signos masculinos com o horóscopo porque ele está mais para o leste, alguns, como antes, utilizando a ordem alternada dos signos, e outros os dividindo por quadrantes inteiros, e designando como matutinos e masculinos os signos do quadrante do horóscopo ao meio do céu e os do quadrante oposto, do ocidente ao fundo do céu, e como vespertinos e femininos os outros dois quadrantes. Também apuseram outras descrições para os signos, derivadas de seus formatos: eu me refiro, por exemplo, a “de quatro patas”, “terrestres”, “comandantes”, fecundos”, e designações similares. Consideramos que a enumeração destas denominações, já que sua razão e sua significação são diretamente deriváveis, são supérfluas, uma vez que a qualidade resultante destas conformações pode ser explicada em conexão com as predições onde isto for claramente útil.
13. Sobre os Aspectos dos Signos.
Das partes do zodíaco, as que são mais familiares umas com as outras são as que estão em aspecto. Estes são os que estão em oposição, que compreende dois ângulos retos, seis signos, e 180 graus; os que estão em trígono, que compreende um ângulo reto e um terço, quatro signos, e 120 graus; os que se diz que estão em quartil, compreendendo um ângulo reto, três signos, e 90 graus, e finalmente os que ocupam a posição de sextil, que compreende dois terços de um ângulo reto, dois signos e 60 graus.
Iremos aprender, do que se segue, porque apenas estes intervalos foram levados em consideração. A explicação da oposição é imediatamente óbvia, porque ela faz com que os signos estejam em uma linha reta. Mas se tomarmos as duas frações e os dois superparticulares mais importantes em música, e se as frações um meio e um terço forem aplicadas à oposição, compostas de dois ângulos retos, o meio faz o quartil e o terço o sextil e o trígono. Dos superparticulares, se o sesquialter e o serquitertian forem aplicados ao intervalo de quartil de um ângulo reto, que se posiciona entre eles, o sesquialter produz a proporção do quartil para o sextil e o sesquitertian a proporção do trígono para o quartil. Destes aspectos, o trígono e o sextil são chamados de harmônicos porque eles são compostos de signos do mesmo tipo, tanto completamente de signos femininos ou completamente de signos masculinos; enquanto o quartil e a oposição são inarmônicos porque são compostos de signos de tipos opostos.
14. Sobre Os Signos Comandantes e Obedientes.
Da mesma forma, os nomes “comandantes” e “obedientes” se aplicam às divisões do zodíaco que se dispõem em distâncias iguais do mesmo signo equinocial, qualquer que seja, porque eles ascendem em um período igual de tempo e estão em paralelos iguais. Destes, os que estão no hemisfério de verão são chamados de “comandantes”, enquanto os que estão no hemisfério de inverno, “obedientes”, porque o sol faz o dia mais longo que a noite quando ele está no hemisfério de verão, e mais curto no inverno.
15. Sobre os Signos que se Observam e sobre os Signos de Mesmo Poder.
Mais uma vez, dizem que as partes que estão igualmente afastadas do mesmo signo tropical, qualquer que seja, têm o mesmo poder, porque quando o Sol entra em qualquer um deles, os dias são iguais aos dias e as noites às noites, e as durações das suas próprias horas são iguais. Eles também são considerados como “observando” uns aos outros tanto pelas razões apresentadas quanto pelo fato de que o par ascende pela mesma parte do horizonte e se põe na mesma parte.
16. Sobre os Signos Disjuntos.
Signos "disjuntos" e "estranhos” são os nomes aplicados para aquelas divisões do zodíaco que não têm quaisquer das familiaridades mencionadas acima uns com os outros. Esses são os signos que não pertencem nem à classe dos signos Comandantes ou Obedientes, nem à classe dos que se observam ou que têm o mesmo poder, e além disso eles estão completamente desprovidos dos quatro aspectos mencionados acima, oposição, trígono, quartil e sextil, e estão um ou cinco signos distantes um do outro, pois aqueles que estão um signo distantes uns dos outros são como se tivessem aversão uns aos outros, e, embora sejam dois, estão ligados ao ângulo de um, e aqueles que estão cinco signos distantes uns dos outros dividem o círculo inteiro em partes diferentes, enquanto que os outros aspectos perfazem uma divisão eqüitativa do perímetro.
17. Sobre os Domicílios dos Diversos Planetas.
Os planetas também têm familiaridade com as partes do zodíaco, que devido a isso são denominadas seus domicílios, triângulos [triplicidades], exaltações, termos, entre outros. O sistema de domicílios é da seguinte natureza. Uma vez que dos doze signos os mais ao norte, que estão mais próximos do que os outros do nosso zênite e são portanto mais produtores de calor são Câncer e Leão, designaram estes dois signos como domicílios dos maiores e mais poderosos corpos celestiais, ou seja, os luminares, Leão, que é masculino, ao Sol e Câncer, que é feminino, à Lua. Com o mesmo raciocínio, consideraram o semicírculo de Leão a Capricórnio como solar e o de Aquário a Câncer como lunar, de forma que em cada um dos semicírculos um signo seria consignado a cada um dos cinco planetas como seu, um signo fazendo aspecto com o Sol e outro com a Lua, consistentemente com as esferas de seu movimento e as peculiaridades de suas naturezas. Pois a Saturno, em cuja natureza o frio prevalece, em oposição ao calor, e que ocupa a órbita mais alta e mais distante dos luminares, foram designados os signos opostos a Câncer e Leão, especificamente Capricórnio e Aquário, com a razão adicional que estes signos são frios e invernais, e além disso seu aspecto diamétrico não é consistente com a beneficência. A Júpiter, que é moderado e está abaixo da esfera de Saturno, foram designados os dois signos próximos dos anteriores, fecundos e com bastante vento, Sagitário e Peixes, em um aspecto triangular com os luminares, que é uma configuração harmoniosa e beneficiente. Então, a Marte, que é seco por natureza e ocupa uma esfera abaixo da de Júpiter, foram designados novamente os signos contíguos aos anteriores, Escorpião e Áries, que possuem uma natureza similar e, de forma concordante com a Natureza destrutiva e desarmoniosa de Marte, em aspecto de quartil com os luminares. A Vênus, que é temperada e está abaixo de Marte, foram dados os dois signos seguintes, que são extremamente férteis, Libra e Touro. Estes dois preservam a harmonia do aspecto sextil; outra razão é que este planeta nunca está mais de sois signos afastado do Sol, em qualquer direção. Finalmente, foram dados a Mercúrio, que nunca está mais de um signo afastado do Sol em qualquer direção e está abaixo dos outros e mais perto de certa forma de ambos os luminares, os dois signos remanescentes, Gêmeos e Virgem, que estão próximos dos domicílios dos luminares.
1.6.07
Tetrabilbos, Claudio Ptolomeu
Vou começar a traduzir a edição online em inglês do Tetrabiblos, do Ptolomeu, e vou postar aqui por partes. Por favor, críticas serão sempre bem vindas.
TETRABIBLOS
CLAUDIO PTOLOMEU
Ou o Tratado Matemático Quadripartite
Quatro livros sobre a influência das estrelas
Traduzido da paráfrase grega de Proclo por J. M. Ashmand
Londres. Davis and Dickson
[1822]
Traduzido para o português a partir da versão cortesia encontrada em www.classicalastrologer.com/
[nota do tradutor para o português: sempre que eu for obrigado a inserir algum texto meu, este estará dentro de colchetes e devidamente identificado e precedido pelas letras N. do T.]
Prefácio
É justo dizer que Cláudio Ptolomeu deu a maior contribuição individual à transmissão e à preservação do conhecimento astrológico e astronômico do mundo Clássico e do Antigo. Nenhum estudo de astrologia tradicional pode ignorar a importância e a influência deste trabalho enciclopédico. Ele fala não somente das estrelas, mas também de uma cosmologia distinta que prevaleceu até o até o século XVIII. Ironicamente, é fácil zombar de alguém que pensa que a terra é o centro cósmico e se refere a ela como a esfera sublunar. No entanto, nosso conhecimento atual nos diz que o Universo é infinito, até onde sabemos. Parece-me que, em um universo infinito, qualquer ponto dado pode ser o centro. Às vezes os cientistas não são tão científicos. O fato é que ele ainda nos serve para os nossos propósitos.
Em termos práticos, a Lua realmente tem o efeito mais imediato na Terra que é, no final das contas, nosso ponto de referência. Ele muda as marés, influencia o crescimento vegetativo e os ciclos menstruais. Na verdade, ela influencia o próprio clima.
O que veio a ser conhecido como o Universo Ptolomaico consistia de círculos concêntricos emanando a partir da Terra até a oitava esfera das Estrelas Fixas, também conhecido como o Empíreo. Esta cosmologia é tanto espiritual quanto física. É, decididamente, uma cosmologia moral. Não se pede desculpas pela incorreção política.
Ptolomeu foi, principalmente e antes de tudo, um antologista. Este conhecimento chegou a ele do Egito, da Grécia, da Caldéia, da Babilônia e de mais longe. Mais precisamente, ele estava na invejável posição de estar em Alexandria durante o cume de sua eminência. Alexandria estava em ebulição espiritual e intelectual. Ptolomeu está claramente utilizando um grande leque de fontes no Tetrabiblos. Sua cosmologia articulada passou a ser chamada pelo seu próprio nome. Quaisquer que sejam as suas opiniões acerca do status de Ptolomeu, ele permanece leitura obrigatória para qualquer um interessado na história das artes celestes. Sua influência sobre os astrólogos renascentistas foi profunda em si e por si própria.
Política Editorial
Neste como em qualquer texto, sempre há discussões sobre qual tradução é a definitiva. Esta edição de 1822 já foi, anteriormente, difícil de ser encontrada em um formato digital prático e legível. O estilo é às vezes excêntrico; mas para qualquer um interessado no assunto, isso será rapidamente perdoado.
Havia uma legião de erros tipográficos no original, chegando à casa das centenas. Estes erros foram corrigidos onde não havia dúvida sobre a palavra pretendida. Os arcaísmos permaneceram intactos. Alguns erros gramaticais, como um ponto no lugar de uma vírgula, quando a palavra seguinte não começava com maiúscula, foram editados para fazer mais sentido, não para mudar o conteúdo. Palavras faltantes foram adicionadas entre colchetes para indicar que elas não estão no original. Eu não fiz nenhum esforço parra manter a paginação original neste formato.
Sempre que o significado pretendido não era claro eu deixei a frase do jeito que estava. Um exemplo disso é o uso da palavra “lang”, que pode estar no lugar tanto de “long” [N. do T.: longo, demorado] como “lung” [N. do T.: pulmão] quando se refere a Saturno e enfermidades. Estes pontos foram confiados ao discernimento do leitor. De resto, o texto original permaneceu inalterado [N. do T.: em caso de dúvida, o texto em português trará o sentido mais provável. Aqueles que realmente quiserem ter acesso ao pensamento original, sem distorções de tradução, de Ptolomeu, sintam-se à vontade para ler o original. Esta é uma tradução de uma tradução de uma tradução de um texto bastante antigo].
Essa edição e formato foram primeiramente concebidos para meus estudantes on-line do Traditional Astrology Course. O texto prestou-se bem para este fim. Eu convido o leitor a distribuir livremente este e-book, com o conhecimento de que o texto, incluindo os créditos, devem permanecer intactos. Confiram as versões atualizadas em minha página na web, de tempos em tempos.
Victoria, Columbia Britânica, Fevereiro de 2006.
Prof. Peter J. Clark
http://www.classicalastrologer.com/
AVISO
O uso recente da Astrologia no maquinário poético de alguns trabalhos de gênio (os quais gozam da mais alta popularidade, e estão acima de qualquer louvor) parece ter excitado em todo o mundo um desejo de aprender algo dos mistérios desta ciência, que tem, em todas as eras passadas, se não nestes dias, suscitado, ora maior, ora menor, reverência e crença. A existência aparente de tal desejo causou a realização da seguinte Tradução, e sua apresentação ao público; embora ela tenha sido realizada, originalmente, apenas em parte, e meramente para satisfazer o desejo de dois ou três indivíduos a respeito dos fundamentos sobre os quais as agora negligenciadas doutrinas da Astrologia obtiveram um crédito tão duradouro e tão completamente mantido.
SUMÁRIO
Livro I
Livro I – Introdução
Conhecimento por Meios Astronômicos
Que ele também é benéfico
Poderes dos Planetas
Planetas Benéficos e Maléficos
Planetas Masculinos e Femininos
Planetas Diurnos e Noturnos
Poderes dos Aspectos com o Sol
Poderes das Estrelas Fixas.
Efeito das Estações e dos Quatro Ângulos
Signos Solsticiais, Equinociais, Sólidos e Bicorpóreos
Signos Masculinos e Femininos
Aspectos dos Signos
Signos Comandantes e Obedientes
Signos que se Observam e Signos de Mesmo Poder
Signos Disjuntos
Domicílios dos Diversos Planetas
Triângulos (Triplicidades)
Exaltações
Disposições dos Termos
De Acordo com os Caldeus
Lugares e Graus
Faces, Carruagens e Assemelhados
Aplicações e Separações e os outros Poderes
Livro II
Livro II – Introdução
Características dos Habitantes dos Climas Gerais
Familiaridades entre os Países e as Triplicidades e as Estrelas
Método de Realizar Predições Particulares
Exame dos Países Afetados
Momento dos Eventos Previstos
Classe dos Afetados
Qualidade do Evento Previsto
Cores dos Eclipses, Cometas e dos Corpos Assemelhados
Lua Nova do Ano
Natureza dos Signos, Parte por Parte, e seu Efeito sobre o Clima
Investigação do Clima em Detalhe
Importância dos Signos Atmosféricos
Livro III
Livro III – Introdução
Grau do Ponto do Horóscopo
Subdivisão da Ciência das Natividades
Pais
Irmãos e Irmãs
Machos e Fêmeas
Gêmeos
Monstros
Crianças que Não São Criadas
Duração da Vida
Forma Corporal e Temperamento
Danos Corporais e Doenças
Qualidade da Alma
Doenças da Alma
Livro IV
Livro IV – Introdução
Fortuna Material
Fortuna de Dignidade
Qualidade da Ação
Casamento
Filhos
Amigos e Inimigos
Viagem ao Estrangeiro
Qualidade da Morte
Divisão dos Tempos
PROÊMIO
Os estudos preliminares à realização de prognósticos pela Astronomia, ó Ciro, são dois: o primeiro, equivalente em ordem e poder, leva ao conhecimento dos posicionamentos do Sol, da Lua, e das estrelas, e dos seus aspectos relativos uns aos outros, e à Terra; o outro leva em consideração as mudanças que esses aspectos criam, por meio de suas propriedades naturais, nos objetos sob sua influência.
O primeiro estudo mencionado já foi explicado na Sintaxe da forma mais extensa possível, pois ele é completo em si mesmo, e de utilidade essencial mesmo sem ser combinado com o segundo, ao qual este estudo será devotado, e que não é igualmente auto-suficiente. O presente trabalho deve, no entanto, ser regulado pela devida atenção à verdade que a filosofia exige; e, uma vez que a qualidade material dos objetos que sofrem a ação dos astros os torna fracos e variáveis, e difíceis de ser apreendidos de forma acurada, não podem ser apresentadas aqui regras positivas ou infalíveis (como foram apresentadas ao detalharmos a primeira doutrina, que é sempre governada pelas mesmas leis imutáveis); enquanto, por outro lado, não devemos omitir uma observação cuidadosa da maioria daqueles eventos gerais cujas causas podem ser evidentemente rastreadas até o Ambiente.
No entanto, é uma prática constante do vulgo desdenhar de tudo que seja difícil de perceber, e com certeza aqueles que condenam o primeiro destes dois estudos devem ser considerados completamente cegos, quaisquer que sejam os argumentos produzidos para sustentar a opinião daqueles que impugnam o segundo. Também há pessoas que imaginam que o que quer que eles não sejam capazes de apreender deve estar completamente além do alcance de todo o entendimento; enquanto outros ainda considerarão como inútil qualquer ciência que (mesmo que tenham sido muitas vezes instruídos nela) não tenham conseguido recordar-se, devido à sua dificuldade de retenção. Com relação a essas opiniões, portanto, será feita uma tentativa de investigar em que medida a realização de prognósticos pela astronomia é praticável, além de útil, antes de detalhar as minúcias da doutrina.
LIVRO 1.
1. Introdução.
Dos meios de predição através da astronomia, ó Ciro, dois são os mais importantes e válidos. Um, que é o primeiro tanto na ordem como na eficácia, é o pelo qual apreendemos os aspectos dos movimentos do Sol, da Lua e das estrelas em relação uns aos outros e à Terra, à medida em que eles ocorrem de tempos em tempos; o segundo é aquele no qual, por meio da característica natural desses aspectos em si mesmos, investigamos as mudanças que eles trazem ao que eles abrangem. O primeiro destes, que possui sua própria ciência, desejável por si mesma ainda que não atinja o resultado dado por sua combinação com a segunda, foi exposto a você o melhor que pudemos em um tratado próprio pelo método demonstrativo. Devemos agora apresentar um relato do segundo e menos auto-suficiente método de um modo propriamente filosófico, de forma que alguém cujo objetivo seja a verdade nunca compare as percepções relativas a este com a certeza da primeira ciência (que é invariável), pois ele atribuiria a ela a fraqueza e a imprevisibilidade das qualidades materiais encontradas nas coisas individuais, nem tampouco se abstenha dessa investigação enquanto ela esteja dentro dos limites das possibilidades, quando é tão evidente que a maioria dos eventos de natureza geral tem suas causas nos céus que nos envolvem. No entanto, uma vez que normalmente os homens em geral atacam tudo o que é difícil de perceber, e no caso das duas disciplinas mencionadas anteriormente alegações contra a primeira podem ser feitas apenas pelos cegos, enquanto há fundamentos para as levantadas contra a segunda – pois sua dificuldade em certas partes os fizeram considerá-la completamente incompreensível, ou a dificuldade de escapar ao que é sabido fez com que seu próprio objeto fosse considerado inútil – devemos tentar examinar brevemente a extensão tanto da possibilidade quanto da utilidade desse tipo de prognóstico antes de oferecer instruções mais detalhadas sobre o assunto. Em primeiro lugar, sobre a sua possibilidade.
2. Que o conhecimento por meios astronômicos é possível de ser obtido, e em que extensão.
Algumas poucas considerações tornariam aparente a todos que um certo poder emanando da substância eterna etérea está disperso, permeando toda a região acima da Terra, a qual é em toda sua extensão sujeita a mudanças, uma vez que, dos elementos sublunares primários, o fogo e o ar são circundados e sofrem mudanças pelos movimentos do éter, e por sua vez circundam e mudam todo o mais, a Terra, a água e os animais e plantas nelas contidos. Pois o Sol, junto com o ambiente, está sempre da mesma forma afetando tudo na Terra, não só pelas mudanças que acompanham as estações do ano para produzir a geração dos animais, a produtividade das plantas, o fluxo das águas e as mudanças nos corpos, mas também por suas revoluções diárias, que levam calor, umidade, secura e frio em ordem regular e em correspondência com as posições relativas ao zênite. A Lua, também, uma vez que é o corpo celeste mais próximo da Terra, exerce sua influência da forma mais abundante sobre as coisas mundanas, pois elas, em sua maioria, animadas ou inanimadas, são simpáticas a ela e com ela mudam conjuntamente; os rios aumentam e diminuem seu volume de acordo com sua luz, os mares geram suas próprias marés de acordo com seu nascer e seu poente, e as plantas e os animais no todo ou em uma mesma parte crescem e minguam com ela. Além disso, as passagens das estrelas fixas e dos planetas pelo céu muitas vezes significam que as condições do ar serão de calor, de vento ou de neve, e as coisas mundanas são afetadas da mesma forma. Então, seus aspectos uns com os outros, pelo encontro e pela mistura de seus eflúvios, produzem muitas mudanças complicadas, pois embora o poder do Sol prevaleça no ordenamento geral da qualidade, os outros corpos celestes ajudam ou se opõem a ele em detalhes particulares, a Lua de forma mais óbvia e contínua, como por exemplo quando está nova, crescente ou cheia, e as estrelas a intervalos maiores e de forma mais obscura, como quando de seus aparecimentos, ocultações e aproximações. Se esses assuntos fossem considerados desta forma, todos julgariam que necessariamente não apenas as coisas já compostas devem ser afetadas do mesmo modo pelo movimento destes corpos celestes, mas da mesma forma a germinação e a fruição da semente deve ser moldada e conformada à qualidade própria dos céus naquele momento. Os fazendeiros e criadores de gado mais observadores, na verdade, conjeturam, a partir dos ventos que prevaleçam no momento da reprodução ou da semeadura, a qualidade do que resultará, e de forma geral vemos que as conseqüências mais importantes significadas pelas configurações mais óbvias do Sol, da Lua e das estrelas são normalmente conhecidas de antemão, mesmo por aqueles que investigam, não por meios científicos, mas somente por observação. Aquelas que têm conseqüências sobre as maiores forças e as ordens naturais mais simples, como as variações anuais das estações e dos ventos, são compreendidas mesmo por homens muito ignorantes, não, até mesmo por algumas bestas; porque o Sol é geralmente responsável por estes fenômenos. As coisas que não são de uma natureza tão geral, no entanto, são entendidas por aqueles que por necessidade se acostumaram a realizar observações, já que, por exemplo, os marinheiros conhecem os sinais especiais das tempestades e dos ventos que surgem periodicamente por meio dos aspectos da a Lua e das estrelas fixas com o Sol. No entanto, porque eles não conseguem, em sua ignorância, saber de forma precisa os momentos e os locais destes fenômenos, nem os movimentos periódicos dos planetas, que contribuem de forma importante para o efeito, acontece que eles frequentemente erram. Se, então, um homem souber de forma precisa os movimentos de todas as estrelas, do Sol, e da Lua, de forma a que nem o lugar nem o momento de nenhuma de suas configurações escapem de sua atenção, e se ele distinguiu suas naturezas em geral como o resultado de um estudo continuado prévio, e que ele possa mesmo discernir, não suas qualidades essenciais, mas apenas suas qualidades potencialmente efetivas, como o poder de aquecimento do Sol e de causar umidade da Lua, e da mesma forma com os outros, e se ele for capaz de determinar, tendo em vista todos estes dados, tanto de forma científica quanto por conjeturas sucessivas, a marca distintiva da qualidade que resulta da combinação de todos os fatores, o que o iria impedir de ser capaz de afirmar em cada ocasião as características do ar, a partir das relações dos fenômenos no momento; por exemplo, que ele esquentaria ou se tornaria mais úmido? Porque ele também não poderia, em relação a um homem individual, perceber a qualidade geral do seu temperamento a partir do ambiente no momento de seu nascimento, como por exemplo dizer que ele é assim e assim de corpo, e assim e assim de alma, e prever eventos ocasionais, utilizando o fato de que tal e tal ambiente seja condizente com tal e tal temperamento e seja favorável à prosperidade, enquanto que outro não seja tão condizente e conduza a danos? É o bastante, no entanto, com relação à possibilidade de que esse conhecimento possa ser compreendido a partir deste argumento e de similares.
As considerações seguintes podem nos levar a observar que a crítica a essa ciência com base na sua impossibilidade foi abundante, mas inválida. Em primeiro lugar, os erros daqueles que foram instruídos de forma eficiente nesta prática, e eles são muitos, como se poderia esperar em uma arte importante e multifacetada, geraram a crença de que mesmo suas previsões verdadeiras dependiam do acaso, o que é incorreto. Pois uma coisa como essa é uma impotência, não da ciência, mas daqueles que a praticam. Em segundo lugar, a maioria, visando o lucro, advoga crédito para outra arte no nome desta, e engana o vulgo, pois tem a reputação de prever muitas coisas, mesmo aquelas que não podem ser naturalmente conhecidas de antemão, enquanto que esta maioria deu oportunidade para que pessoas com maior discernimento apresentassem julgamentos igualmente desfavoráveis sobre os assuntos naturais da profecia, o que não é correto. Ocorre o mesmo com a filosofia – não necessitamos aboli-la porque há trapaceiros evidentes entre aqueles que aqueles que a professam. No entanto, é claro que mesmo que se aborde a astrologia com o espírito mais inquisitivo e legítimo possível, pode-se frequentemente errar, não pelos motivos já apresentados, mas porque pela própria natureza da coisa e pela própria fraqueza da pessoa em comparação com a magnitude de sua profissão. Pois, em geral, além do fato de que toda ciência que lida com a qualidade material de seu objeto é conjetural e não pode ser afirmada de forma absoluta, particularmente uma que é composta de diversos elementos díspares, é também verdade que as configurações antigas dos planetas, com base nas quais ligamos os aspectos similares de nossos dias aos efeitos observados pelos antigos nos deles, podem ser mais ou menos similares aos aspectos modernos, e isso, também, a intervalos longos, mas não idênticos, uma vez que o retorno idêntico de todos os corpos celestes e a Terra às mesmas posições, a menos que se sustente opiniões vãs sobre a própria habilidade de compreender e conhecer o incompreensível, ou não ocorre de maneira nenhuma ou não ocorre ao menos no período de tempo compreendido na experiência do homem; desta forma, por esta razão, suas previsões às vezes falham, devido à disparidade dos exemplos nos quais eles se baseiam. Com relação à investigação dos fenômenos atmosféricos, isso seria a única dificuldade, uma vez que não se leva em consideração outra causa além do movimento dos corpos celestes. Entretanto, em uma investigação sobre natividades e temperamentos individuais em geral, pode-se ver que há circunstâncias de grande importância e de caráter não trivial, que se juntam para causar as qualidades especiais dos que nascem. Assim, diferenças na semente exercem uma influência muito grande nos traços especiais do gênero, já que, se o ambiente e o horizonte são os mesmos, cada semente expressa prevalentemente sua própria forma, por exemplo homem, cavalo, e assim por diante, e os locais de nascimento produzem uma variação nada desprezível no que é produzido, porque se a semente é genericamente a mesma, a humana por exemplo, e as condições do ambiente são as mesmas, aqueles que nascem diferem muito, tanto no corpo quanto na alma, de acordo com as diferenças entre os países. Além disso, todas as condições mencionadas acima sendo iguais, a criação e os costumes contribuem para influenciar o modo particular no qual uma vida é vivida. A menos que cada uma dessas coisas seja examinada juntamente com as causas que são derivadas do ambiente, mesmo que se conceda a esta última a maior influência exercida (pois o ambiente é uma das causas deles serem o que são, enquanto por sua vez eles não exercem nenhuma influência sobre ele), elas podem causa muita dificuldade para aqueles que acreditam que nestes casos tudo pode ser compreendido, mesmo as coisas que não estejam completamente sob a sua jurisdição, a partir somente do movimento dos corpos celestes.
Uma vez que este seja o caso, não se deveria dispensar todo prognóstico deste tipo porque ele pode, às vezes, ser feito de maneira incorreta, uma vez que não negamos crédito à arte do piloto devido a seus muitos erros, mas como quando as questões são grandes, assim como quando são divinas, sevemos dar boas vindas ao que é possível dizer e considerá-lo suficiente. Nem, além disso, devemos, às cegas e de forma humana, exigir tudo da arte, mas ao contrário se juntar a ela na apreciação da beleza, mesmo em ocasiões em ela não possa fornecer a resposta completa; e, da mesma forma que não encontramos falha nos médicos, quando eles, ao examinar alguém, falam ao mesmo tempo da doença em si e das idiossincrasias do paciente, assim também neste caso não devemos objetar que se use como base para os cálculos a nacionalidade, o país e a criação da pessoa em questão, ou quaisquer outras qualidades acidentais existentes.
3. Que ele também é benéfico.
De uma forma um pouco resumida demonstrou-se como o prognóstico por meios astronômicos é possível, e que ele não pode ir além do que acontece no ambiente e de suas conseqüências para o homem de tais causas – ou seja, ele enfoca os surgimentos originais das faculdades e atividades da alma e do corpo, suas doenças ocasionais, suas durações por um período longo ou curto, e, além disso, todas as circunstâncias externas que têm uma conexão diretiva e natural com os dons originais da natureza, como propriedade e casamento no caso do corpo e honra e dignidades no caso da alma, e finalmente o que lhes acontece de tempos em tempos. A parte restante de nosso projeto seria investigar brevemente sobre sua utilidade, em primeiro lugar distinguindo como e com qual fim em vista nós devemos utilizar o significado da palavra utilidade. Porque, se olharmos para os bens da alma, o que poderia conduzir melhor ao bem viver, ao prazer e à satisfação em geral do que este tipo de previsão, pelo qual adquirimos uma visão completa das coisas humanas e divinas? E se olharmos para os bens corporais, tal conhecimento, melhor do que qualquer outra coisa, diria o que é conveniente e produtivo para as capacidades de cada temperamento. Mas se ele não ajuda na aquisição de riqueza, fama, e coisas afins, devemos ser capazes de dizer o mesmo de toda a filosofia, pois ela não fornece nenhuma dessas coisas por si só. Não estaríamos, no entanto, por esta razão, certos em condenar tanto a filosofia quanto esta arte, desprezando suas grandes vantagens.
Em um exame geral pareceria que aqueles que vêem um defeito na inutilidade do prognóstico não se interessam pelos assuntos mais importantes, mas apenas por isso – que o conhecimento prévio dos eventos que irão acontecer de qualquer forma é supérfluo; isso, também, é dito sem reservas e sem o devido discernimento. Pois, em primeiro lugar, devemos considerar que mesmo com eventos que necessariamente ocorrerão, sua imprevisibilidade facilmente causa pânico excessivo e alegria delirante, enquanto o conhecimento prévio acostuma e acalma a alma pela experiência de eventos distantes como se eles estivessem presentes, e a prepara para acolher com calma e serenidade o que vier. Uma segunda razão é que não devemos acreditar que eventos separados ocorram para a humanidade, como resultado da causa celestial, como se eles tivessem sido ordenados originalmente para cada pessoa por um comando divino irrevogável e destinados a acontecer sem a possibilidade de nenhuma outra causa, qualquer que seja, intervir. Ao contrário, é verdade que o movimento dos corpos celestes, com certeza, é realizado eternamente de acordo com um destino divino e imutável, enquanto que a mudança nas coisas terrenas está sujeita a um ritmo natural e mutável, que, mesmo recebendo suas causas primeiras do alto, é governado pelo acaso e pela seqüência natural. Além disso, algumas coisas acontecem à humanidade através de circunstâncias gerais e não como resultado das propensões naturais do indivíduo – por exemplo, quando os homens perecem em multidões devido à conflagração de uma peste ou cataclismo, por mudanças monstruosas e inescapáveis no ambiente, pois a causa subordinada sempre deve dar lugar à maior e mais forte; outras ocorrências, no entanto, estão de acordo com o próprio temperamento individual, através de antipatias menores e fortuitas do ambiente. Pois, se estas distinções são assim feitas, é claro que tanto no geral quanto em particular quaisquer que sejam os eventos que dependam de uma primeira causa, que seja irresistível e mais poderosa que qualquer uma que se oponha a ela, estes devem acontecer de qualquer modo; por outro lado, dos eventos que não têm esta característica, aqueles que possuem forças que lhe resistam, são facilmente evitados, enquanto aqueles que não são, seguem as causas primarias naturais, é claro, mas isso é devido à ignorância e não à necessidade de um poder superior. Deve-se observar a mesma coisa acontecendo em todos os eventos que tenham causas naturais. Pois, mesmo em se tratando de pedras, plantas, e animais, e também de feridas, acidentes e doenças, algumas são de natureza que devem agir necessariamente, outras que devem agir se nenhuma outra coisa oposta interferir. Deve-se portanto acreditar que os filósofos da natureza prevêem o que deve acontecer ao homem, tendo o conhecimento prévio desta característica, e não abordam a sua tarefa sob falsas impressões; pois algumas coisas, porque suas causas eficientes são numerosas e poderosas, são inevitáveis, mas outras pelas razões contrárias podem ser evitadas. Da mesma forma, aqueles médicos que podem reconhecer doenças sabem quais são sempre fatais e quais que admitem tratamento. No caso de eventos que podem ser modificados devemos dar crédito ao astrólogo, quando, por exemplo, ele diz que para tal e tal temperamento, com tal e tal característica do ambiente, se as proporções fundamentais diminuírem ou aumentarem, tal e tal afeição resultará. Da mesma forma, devemos acreditar no médico, quando ele diz que esta inflamação se espalhará ou causará putrefação, e no mineiro, por exemplo, quando ele diz que a magnetita atrai o ferro. Da mesma forma que cada um destes, se deixado a si mesmo pela ignorância das forças opostas, inevitavelmente se desenvolverá do modo que sua natureza original o compelir, mas nem a inflamação se espalhará ou causará putrefação, se receber tratamento preventivo, nem a magnetita atrairá o ferro, se for esfregada com alho, e estas próprias medidas repressivas também tem sua força de resistência naturalmente e devida ao destino; portanto, também nos outros casos, se acontecimentos futuros em relação ao homem não forem conhecidos, ou se eles forem conhecidos e os remédios não forem aplicados, eles necessariamente irão seguir o curso de sua natureza primária; mas se eles forem reconhecidos antes do tempo e os remédios forem providenciados, novamente completamente de acordo com a natureza e o destino, eles ou não ocorrerão de forma nenhuma ou serão menos severos. E, em geral, uma vez que esse poder é o mesmo se for aplicado a coisas consideradas universalmente ou particularmente, é de se admirar que todos acreditem na eficácia da previsão em assuntos universais, e em sua utilidade em preservar interesses particulares (pois a maior parte das pessoas admite que tem conhecimento prévio das estações, da significação das constelações, e das fases da Lua, e raciocinam com bastante antecedência para se salvaguardar, sempre obtendo meios de se resfriar para se proteger do verão e de se aquecer durante o inverno, e em geral preparando suas próprias naturezas, tendo a moderação como um objetivo; além do mais, para garantir a segurança das estações e de suas viagens marítimas eles observam os significados das estrelas fixas, e para o início da reprodução e da semeadura, os aspectos da luz da Lua quando está cheia, e ninguém nunca condena estas práticas como impossíveis ou inúteis); mas, por outro lado, quando se considera assuntos particulares e aqueles que dependem da mistura de outras qualidades – como as previsões de aumento ou diminuição, de frio ou calor, e do temperamento individual – algumas pessoas não acreditam nem que o conhecimento prévio seja possível nem que seus conselhos possam ser seguidos em alguns casos. Mesmo assim, uma vez que é óbvio que, se por acaso nos refrescarmos para contrabalançar o calor em geral, nós sofreremos menos com ele, medidas similares podem se provar eficientes contra forças particulares que aumentam este temperamento particular para uma quantidade desproporcional de calor, pois a causa deste erro é a dificuldade e a falta de familiaridade com a arte de prognosticar em particular, um motivo que em diversas outras situações gera descrédito. E, uma vez que para a grande maioria a faculdade de resistir não está associada com o prognóstico, uma vez que uma disposição tão perfeita é rara, e uma vez que a força da natureza segue o seu curso sem restrições no que diz respeito às naturezas primárias, produziu-se uma opinião de que todos os eventos futuros, sem exceção, são inevitáveis e inescapáveis.
No entanto, creio eu, de mesma forma que, com a previsão, mesmo se não inteiramente infalível, ao menos suas possibilidades merecerão a maior consideração, também no caso da prática defensiva, mesmo que não proveja um remédio para tudo, sua autoridade, em alguns casos ao menos, mesmo que poucos ou não importantes, deveriam ser bem-vindos e estimados, e considerados como aproveitáveis em um modo não usual.
Reconhecendo, aparentemente, que essas coisas são desta forma, aqueles que mais avançaram este aspecto da arte, os egípcios, uniram completamente a medicina e a predição astronômica. Pois eles nunca teriam desenvolvido certos meios de evitar, repelir ou remediar as condições universais e particulares que virão ou que já estejam presentes devido ao ambiente, se eles acreditassem que o futuro não pode ser modificado ou movido. Mas, na verdade, eles põem a faculdade de resistir por métodos ordenados naturais em segundo lugar com relação aos decretos do destino, e reconheceram na possibilidade de previsão sua faculdade útil e benéfica, através do que eles chamam de seus sistemas iatromatemáticos (astrologia médica), de modo que por meio da astronomia eles podem ter sucesso em aprender as qualidades das temperaturas subjacentes, os eventos que irão ocorrem no futuro devido ao ambiente, e suas causas especiais, escorados no fato de que sem este conhecimento quaisquer medidas de ajuda irão, na maior parte dos casos, falhar, porque não se aplicam a todos os corpos ou doenças; e, por outro lado, pelos meios da medicina, pelo seu conhecimento do que seja propriamente simpático ou antipático em cada caso, eles, na medida do possível, tomam as medidas de precaução contra as doenças que estão para se manifestar e prescrevem tratamentos infalíveis para as doenças já existentes.
Deixemos que este seja, neste ponto, nosso esboço preliminar resumidamente exposto. Devemos agora conduzir nossa discussão nos moldes de uma introdução, começando com as características de cada um dos corpos celestes em relação a seu poder ativo, de acordo com as observações físicas agregadas a eles pelos antigos, e em primeiro lugar os poderes dos planetas, do Sol e da Lua.
4. Sobre o Poder dos Planetas
Observa-se que o poder ativo da natureza essencial do Sol é aquecer e, em algum grau, secar. Isso se torna ainda mais fácil de perceber no caso do Sol do que para qualquer outro corpo celeste, devido a seu tamanho e à obviedade de suas mudanças sazonais, pois quanto mais ele se aproxima do zênite mais ele nos afeta desta forma. O poder da Lua consiste principalmente em umedecer, claramente porque ela está perto da Terra e por causa das exalações úmidas que vêm daí. Sua ação então é precisamente esta, na maior parte, amolecer e causar putrefação em corpos, mas ela também tem, moderadamente, a sua parte no poder de aquecer por causa da luz que ela recebe do Sol.
A qualidade de Saturno é principalmente de esfriar e mais raramente, secar, provavelmente porque ele está mais afastado tanto do calor do sol como das exalações úmidas da Terra. Tanto no caso de Saturno quanto no caso dos outros planetas existem poderes, também, que aparecem através da observação de seus aspectos com o Sol e com a Lua, porque alguns deles parecem modificar as condições do ambiente de uma forma, alguns de outra, por aumento ou diminuição.
A natureza de Marte é principalmente secar e queimar, em conformidade com sua coloração abrasiva e em razão da sua proximidade com o Sol, pois a esfera do Sol está localizada logo abaixo dele.
Júpiter possui uma força ativa temperada, porque seu movimento ocorre entre a influência fria de Saturno e o poder incinerador de Marte. Ele aquece e também umedece, e porque seu poder de cura é o maior em razão das esferas subjacentes, ele produz ventos fertilizantes.
Vênus tem os mesmos poderes e a mesma natureza temperada de Júpiter, mas age de forma oposta, pois ela aquece moderadamente por causa da sua proximidade do Sol, mas umedece principalmente, do mesmo modo como a Lua, por causa da quantidade da sua própria luz e porque ela se apropria das exalações da atmosfera úmida que envolve a Terra.
Mercúrio, em geral, em alguns momentos seca e absorve a umidade, porque ele nunca está muito longe, em longitude, do calor do Sol, e então umedece, porque está próximo, logo acima, da esfera da Lua, que está mais próxima da Terra; e muda rapidamente de uma ação para a outra, inspirado, por assim dizer, pela velocidade de seu movimento nas proximidades do próprio Sol.
5. Sobre os Planetas Benéficos e Maléficos
Uma vez que o que se segue é verdade, porque dois dos quatro humores são férteis e ativos, o quente e o úmido (porque todas as coisas são unidas e aumentadas por eles), e dois são destrutivos e passivos, o seco e o frio, através dos quais, mais uma vez, todas as coisas são separadas e destruídas, os antigos aceitavam dois dos planetas, Júpiter e Vênus, junto com a Lua, como benéficos por causa de sua natureza temperada e porque eles abundam no calor e na umidade, e Saturno e Marte como produzindo efeitos da natureza oposta, um por causa de seu frio excessivo e o outro por sua secura excessiva: o Sol e Mercúrio, no entanto, são considerados como possuindo ambos os poderes, porque eles possuem uma natureza comum, e juntam suas influências com quaisquer dos outros planetas com os quais eles são associados.
6. Sobre os Planetas Masculinos e Femininos.
Mais uma vez, já que há dois tipos primários de natureza, masculino e feminino, e das forças já mencionadas a da umidade é especialmente feminina – pois de uma forma geral este elemento está presente em um grau maior em todas as fêmeas, e as outras estão mais presentes nos machos, de forma acertada a visão que nos foi passada é que a Lua e Vênus são femininas, porque elas compartilham em um grau maior da umidade, e que o Sol, Saturno, Júpiter e Marte são masculinos, e Mercúrio comum aos dois gêneros, pois ele produz tanto secura quanto umidade. Dizem também que as estrelas se tornam masculinas ou femininas de acordo com seus aspectos com o Sol, pois quando elas são estrelas da manhã e precedem o Sol elas se tornam masculinas, e femininas quando são estrelas da tarde e seguem o Sol. Isso também ocorre ainda com sua posição relativa ao horizonte, pois quando elas estão em posições entre o oriente e o meio-céu, ou ainda ente o ocidente e o fundo do céu, eles se tornam masculinas porque estão orientais, mas nos dois outros quadrantes, como estrelas ocidentais, elas se tornam femininas.
7. Sobre os Planetas Diurnos e Noturnos.
De modo similar, já que dos dois intervalos mais óbvios entre aqueles que compõem o tempo, o dia é mais masculino por causa do seu calor e da sua força ativa, e a noite mais feminina por causa da sua umidade e do seu dom de repouso, a tradição em conseqüência estabeleceu que a Lua e Vênus são noturnos, o Sol e Júpiter diurnos, e Mercúrio comum do mesmo modo que antes, diurno quando ele é uma estrela da manhã e noturno quando dele é uma estrela da tarde. Eles também associaram a cada um dos séqüitos as duas estrelas destrutivas, mas não, desta vez, com base no princípio das naturezas similares, mas em seu oposto: pois, quando estrelas com a mesma características são unidas com aquelas de bom temperamento sua influência benéfica é aumentada, mas se estrelas dissimilares forem associadas com as destrutivas grande parte do seu poder de causar dano é aniquilado. Assim eles associaram Saturno, que é frio, ao calor do dia, e Marte, que é seco, à umidade da noite, pois desta forma cada um deles atinge uma boa proporção por mistura e se torna um membro efetivo do séqüito, o que concede moderação.
8. Sobre o Poder dos Aspectos com o Sol.
Agora, preste atenção, da mesma forma, de acordo com seus aspectos com o Sol, a Lua e três de outros planetas sofrem aumentos e diminuições de seus próprios poderes. Pois ao aumentar da Lua Nova para o quarto crescente a Lua é mais produtora de umidade; na sua passagem de crescente para cheia, de calor; de cheia para minguante, de secura; de minguante para a ocultação, de frio. Os planetas, no aspecto oriental, somente, são mais produtivos de umidade do nascente até a sua primeira estação, de calor da primeira estação ao nascer da tarde, de secura do nascer da tarde à segunda estação, de frio da segunda estação ao poente, e é claro que quando eles estão associados uns com os outros eles produzem muitas variações de qualidade no nosso ambiente, sendo a própria força de cada um na maior parte do tempo persistente, mas sendo modificada na quantidade pela força das estrelas que dividem a configuração.
9. Sobre o Poder das Estrelas Fixas.
Como o próximo ponto, na ordem, é relatar as naturezas das estrelas fixas, com referência a seus poderes especiais, devemos afirmar suas características observadas em uma exposição como a das naturezas dos planetas, e em primeiro lugar aquelas que ocupam as figuras do próprio zodíaco.
As estrelas na cabeça de Áries, portanto, tem um efeito como o de Marte e de Saturno, misturados; as da boca, igual ao de Mercúrio e moderadamente o de Saturno; as da pata traseira igual ao de Marte e as da cauda igual ao de Vênus.
Sobre as estrelas de Touro, as que estão ao longo da linha onde a figura é cortada têm uma temperatura como a de Vênus e em certa medida como a de Saturno; as das Plêiades, como a da Lua e a de Júpiter; das estrelas na cabeça, a mais brilhante e de certa forma avermelhada das Híades, chamada a Tocha, tem uma temperatura como a de Marte; as outras, como a de Saturno e, moderadamente, como a de Mercúrio; aquelas da ponta dos chifres, como a de Marte.
Sobre as estrelas de Gêmeos, aquelas nos pés compartilham da mesma qualidade que Mercúrio e, em um grau menos, Vênus; as estrelas brilhantes nas coxas, a mesma de Saturno; sobre as duas estrelas brilhantes nas cabeças, a da cabeça da frente tem a mesma de Mercúrio; ela também é chamada a estrela de Apolo; a da cabeça que segue a primeira, a mesma qualidade que Marte; ela também é chamada a estrela de Hércules.
Sobre as estrelas de Câncer, as duas nos olhos produzem o mesmo efeito que Mercúrio, e, em um menor grau, Marte; aquelas das patas, o mesmo que Saturno e Mercúrio; o aglomerado parecido com uma nuvem no peito, chamado de a Manjedoura, o mesmo que Marte e a Lua; e as duas de cada lado dele, que são chamadas de Asses, o mesmo que Marte e o Sol.
Das de Leão, as duas na cabeça agem da mesma forma que Saturno, e em menor grau, Marte; as três na garganta, da mesma forma que Saturno e em menor grau, Mercúrio; a estrela brilhante no coração, chamada Regulus, da mesma forma que Marte e Júpiter; aquelas nos quadris e a estrela brilhante na cauda, da mesma forma que Saturno e Vênus; e aquelas nas coxas, da mesma forma que Vênus e, em menor grau, Mercúrio.
Sobre as estrelas de Virgem, aquelas na cabeça e aquela sobre a ponta da asa do sul têm um efeito como o de Mercúrio, e, em menor grau, como o de Marte; as outras estrelas brilhantes da asa e as da guirlanda como o de Mercúrio, e em certa medida, o de Vênus; a estrela brilhante na asa do norte, chamada de Vindemiator, como o de Saturno e Mercúrio; a assim chamada Spica, como o de Vênus e em um menor grau, de Marte; aquelas nas pontas dos pés e do trem como o de Mercúrio e em um menor grau, Marte.
Sobre as estrelas das Garras do Escorpião, as que estão bem na extremidade exercem a mesma influência que Júpiter e Mercúrio; aquelas nas partes do meio o mesmo que Saturno e, em um menor grau, Marte.
Sobre as estrelas do corpo do Escorpião, as estrelas brilhantes da fronte agem da mesma forma que Marte em certo grau, Saturno; as três no corpo, sendo que a do meio é avermelhada e bastante brilhante e se chama Antares, o mesmo efeito de Marte e em algum grau, Júpiter; aquelas das juntas, o mesmo efeito de Saturno e, em algum grau, Vênus; aquelas no ferrão, o mesmo de Mercúrio e Marte; e o assim chamado aglomerado com aparência de nuvem, o mesmo de Marte e da Lua.
Sobre as estrelas em Sagitário, aquelas na ponta da sua flecha têm um efeito como o de Marte e da Lua; aquelas no arco e no ponto onde sua mão agarra o arco, como o de Júpiter e Marte; o aglomerado em sua fronte, como o do Sol e de Marte; aquelas no manto e em suas costas, como o de Júpiter e, em menor grau, de Mercúrio; aquelas em seus pés, como o de Júpiter e Saturno; o quadrado sobre a sua cauda, como o de Vênus e, em menor grau, de Saturno.
Sobre as estrelas de Capricórnio, aquelas nos chifres agem da mesma forma que Vênus, e em algum grau, Marte; aquelas na boca, como Saturno e, em algum grau, Vênus; aquelas nos pés e na barriga, como Marte e Mercúrio; e aquelas na cauda, como Saturno e Júpiter.
Sobre as estrelas em Aquário, aquelas nos ombros exercem uma influência como a de Saturno e a da Mercúrio, juntamente com aquelas do braço esquerdo e do manto; aquelas nas coxas, como a de Mercúrio em um maior grau e como a de Saturno em menor grau; aquelas no fluxo d’água, como a de Saturno e, em algum grau, como a de Júpiter.
Sobre as estrelas de Peixes, aquelas na cabeça do peixe mais ao sul agem da mesma forma que Mercúrio e de alguma forma como Saturno; aquelas no corpo, como Júpiter e Mercúrio; aquelas na cauda e na corda do sul, como Saturno, e em algum grau, Mercúrio; aquelas no corpo e na espinha dorsal do peixe do norte, como Júpiter e, em algum grau, Vênus; aquelas na parte norte da corda, como Saturno e Júpiter; e a estrela brilhante no nó, como Marte e, em algum grau, Mercúrio.
Sobre as estrelas em configurações ao norte do zodíaco, as estrelas brilhantes de Ursa Menor tem uma qualidade similar à de Saturno e, em menor grau, a de Vênus; aquelas na Ursa Maior, similar à de Marte; e o aglomerado da Coma Berenices sob a cauda do Urso, à da Lua e de Vênus; as estrelas brilhantes em Draco, à de Saturno, Marte e Júpiter; aquelas de Cepheus, à de Saturno e Júpiter: aquelas de Boötes, à de Mercúrio e de Saturno; a estrela chamada Arcturo, avermelhada brilhante, à de Júpiter e Marte; a estrela na Corona Septentrionalis, à de Vênus e Mercúrio; aquelas no Geniculator, à de Mercúrio; aquelas em Lyra, à de Vênus e Mercúrio; e da mesma forma aquelas em Cygnus. As estrelas em Cassiopeia têm os efeitos de Saturno e Vênus; aquelas em Perseus, de Júpiter e Saturno; o aglomerado no cabo da espada, de Marte e Mercúrio; a estrela brilhante em Auriga, de Marte e Mercúrio; aquelas em Ophiuchus, de Saturno e, em algum grau, Vênus; aquelas na sua serpente, de Saturno e Marte; aquelas em Sagitta, de Marte e, em algum grau, de Vênus; aquelas em Aquila, de Marte e Júpiter; aquelas em Delphinus, de Saturno e Marte; as estrelas brilhantes no Cavalo, de Marte e Mercúrio; aquelas em Andrômeda, de Vênus; aquelas no Triangulum, de Mercúrio.
Sobre as estrelas nas formações ao sul do zodíaco, a estrela brilhante na boca do Piscis Australis tem uma influência similar à de Vênus e Mercúrio; aquelas em Cetus, similar à de Saturno; sobre aquelas em Órion, as estrelas em seus ombros têm influências similares à Marte e Mercúrio; e as outras estrelas brilhantes são similares à de Júpiter e Saturno; das estrelas em Eridanus, a última brilhante tem uma influência como a de Júpiter e as outras, como a de Saturno; a estrela em Lepus, como a de Saturno e Mercúrio; das em Canis, as demais como a de Vênus, e a brilhante na boca, como a de Júpiter e, em menor grau, Marte; a estrela brilhante Procyon, como a de Mercúrio e, em menor grau, a de Marte; as estrelas brilhantes em Hydra, como a de Saturno e Vênus; aquelas em Crater, como a de Vênus, e em um menor grau, de Mercúrio; aquelas em Corvus, como a de Marte e a de Saturno; as estrelas brilhantes de Argo, como a de Saturno e Júpiter; das estrelas de Centaurus, as no corpo humano, como a de Saturno e Júpiter, e as brilhantes no corpo eqüino como a de Vênus e Júpiter; as estrelas brilhantes em Lupus, como a de Saturno e, em menor grau, a de Marte; aquelas em Ara, como a de Vênus e, em menor grau, Mercúrio; e as estrelas brilhantes em Corona Austrais, como a de Saturno e Mercúrio.
Assim, então, são as observações dos efeitos das próprias estrelas como feitas pelos nossos predecessores.
TETRABIBLOS
CLAUDIO PTOLOMEU
Ou o Tratado Matemático Quadripartite
Quatro livros sobre a influência das estrelas
Traduzido da paráfrase grega de Proclo por J. M. Ashmand
Londres. Davis and Dickson
[1822]
Traduzido para o português a partir da versão cortesia encontrada em www.classicalastrologer.com/
[nota do tradutor para o português: sempre que eu for obrigado a inserir algum texto meu, este estará dentro de colchetes e devidamente identificado e precedido pelas letras N. do T.]
Prefácio
É justo dizer que Cláudio Ptolomeu deu a maior contribuição individual à transmissão e à preservação do conhecimento astrológico e astronômico do mundo Clássico e do Antigo. Nenhum estudo de astrologia tradicional pode ignorar a importância e a influência deste trabalho enciclopédico. Ele fala não somente das estrelas, mas também de uma cosmologia distinta que prevaleceu até o até o século XVIII. Ironicamente, é fácil zombar de alguém que pensa que a terra é o centro cósmico e se refere a ela como a esfera sublunar. No entanto, nosso conhecimento atual nos diz que o Universo é infinito, até onde sabemos. Parece-me que, em um universo infinito, qualquer ponto dado pode ser o centro. Às vezes os cientistas não são tão científicos. O fato é que ele ainda nos serve para os nossos propósitos.
Em termos práticos, a Lua realmente tem o efeito mais imediato na Terra que é, no final das contas, nosso ponto de referência. Ele muda as marés, influencia o crescimento vegetativo e os ciclos menstruais. Na verdade, ela influencia o próprio clima.
O que veio a ser conhecido como o Universo Ptolomaico consistia de círculos concêntricos emanando a partir da Terra até a oitava esfera das Estrelas Fixas, também conhecido como o Empíreo. Esta cosmologia é tanto espiritual quanto física. É, decididamente, uma cosmologia moral. Não se pede desculpas pela incorreção política.
Ptolomeu foi, principalmente e antes de tudo, um antologista. Este conhecimento chegou a ele do Egito, da Grécia, da Caldéia, da Babilônia e de mais longe. Mais precisamente, ele estava na invejável posição de estar em Alexandria durante o cume de sua eminência. Alexandria estava em ebulição espiritual e intelectual. Ptolomeu está claramente utilizando um grande leque de fontes no Tetrabiblos. Sua cosmologia articulada passou a ser chamada pelo seu próprio nome. Quaisquer que sejam as suas opiniões acerca do status de Ptolomeu, ele permanece leitura obrigatória para qualquer um interessado na história das artes celestes. Sua influência sobre os astrólogos renascentistas foi profunda em si e por si própria.
Política Editorial
Neste como em qualquer texto, sempre há discussões sobre qual tradução é a definitiva. Esta edição de 1822 já foi, anteriormente, difícil de ser encontrada em um formato digital prático e legível. O estilo é às vezes excêntrico; mas para qualquer um interessado no assunto, isso será rapidamente perdoado.
Havia uma legião de erros tipográficos no original, chegando à casa das centenas. Estes erros foram corrigidos onde não havia dúvida sobre a palavra pretendida. Os arcaísmos permaneceram intactos. Alguns erros gramaticais, como um ponto no lugar de uma vírgula, quando a palavra seguinte não começava com maiúscula, foram editados para fazer mais sentido, não para mudar o conteúdo. Palavras faltantes foram adicionadas entre colchetes para indicar que elas não estão no original. Eu não fiz nenhum esforço parra manter a paginação original neste formato.
Sempre que o significado pretendido não era claro eu deixei a frase do jeito que estava. Um exemplo disso é o uso da palavra “lang”, que pode estar no lugar tanto de “long” [N. do T.: longo, demorado] como “lung” [N. do T.: pulmão] quando se refere a Saturno e enfermidades. Estes pontos foram confiados ao discernimento do leitor. De resto, o texto original permaneceu inalterado [N. do T.: em caso de dúvida, o texto em português trará o sentido mais provável. Aqueles que realmente quiserem ter acesso ao pensamento original, sem distorções de tradução, de Ptolomeu, sintam-se à vontade para ler o original. Esta é uma tradução de uma tradução de uma tradução de um texto bastante antigo].
Essa edição e formato foram primeiramente concebidos para meus estudantes on-line do Traditional Astrology Course. O texto prestou-se bem para este fim. Eu convido o leitor a distribuir livremente este e-book, com o conhecimento de que o texto, incluindo os créditos, devem permanecer intactos. Confiram as versões atualizadas em minha página na web, de tempos em tempos.
Victoria, Columbia Britânica, Fevereiro de 2006.
Prof. Peter J. Clark
http://www.classicalastrologer.com/
AVISO
O uso recente da Astrologia no maquinário poético de alguns trabalhos de gênio (os quais gozam da mais alta popularidade, e estão acima de qualquer louvor) parece ter excitado em todo o mundo um desejo de aprender algo dos mistérios desta ciência, que tem, em todas as eras passadas, se não nestes dias, suscitado, ora maior, ora menor, reverência e crença. A existência aparente de tal desejo causou a realização da seguinte Tradução, e sua apresentação ao público; embora ela tenha sido realizada, originalmente, apenas em parte, e meramente para satisfazer o desejo de dois ou três indivíduos a respeito dos fundamentos sobre os quais as agora negligenciadas doutrinas da Astrologia obtiveram um crédito tão duradouro e tão completamente mantido.
SUMÁRIO
Livro I
Livro I – Introdução
Conhecimento por Meios Astronômicos
Que ele também é benéfico
Poderes dos Planetas
Planetas Benéficos e Maléficos
Planetas Masculinos e Femininos
Planetas Diurnos e Noturnos
Poderes dos Aspectos com o Sol
Poderes das Estrelas Fixas.
Efeito das Estações e dos Quatro Ângulos
Signos Solsticiais, Equinociais, Sólidos e Bicorpóreos
Signos Masculinos e Femininos
Aspectos dos Signos
Signos Comandantes e Obedientes
Signos que se Observam e Signos de Mesmo Poder
Signos Disjuntos
Domicílios dos Diversos Planetas
Triângulos (Triplicidades)
Exaltações
Disposições dos Termos
De Acordo com os Caldeus
Lugares e Graus
Faces, Carruagens e Assemelhados
Aplicações e Separações e os outros Poderes
Livro II
Livro II – Introdução
Características dos Habitantes dos Climas Gerais
Familiaridades entre os Países e as Triplicidades e as Estrelas
Método de Realizar Predições Particulares
Exame dos Países Afetados
Momento dos Eventos Previstos
Classe dos Afetados
Qualidade do Evento Previsto
Cores dos Eclipses, Cometas e dos Corpos Assemelhados
Lua Nova do Ano
Natureza dos Signos, Parte por Parte, e seu Efeito sobre o Clima
Investigação do Clima em Detalhe
Importância dos Signos Atmosféricos
Livro III
Livro III – Introdução
Grau do Ponto do Horóscopo
Subdivisão da Ciência das Natividades
Pais
Irmãos e Irmãs
Machos e Fêmeas
Gêmeos
Monstros
Crianças que Não São Criadas
Duração da Vida
Forma Corporal e Temperamento
Danos Corporais e Doenças
Qualidade da Alma
Doenças da Alma
Livro IV
Livro IV – Introdução
Fortuna Material
Fortuna de Dignidade
Qualidade da Ação
Casamento
Filhos
Amigos e Inimigos
Viagem ao Estrangeiro
Qualidade da Morte
Divisão dos Tempos
PROÊMIO
Os estudos preliminares à realização de prognósticos pela Astronomia, ó Ciro, são dois: o primeiro, equivalente em ordem e poder, leva ao conhecimento dos posicionamentos do Sol, da Lua, e das estrelas, e dos seus aspectos relativos uns aos outros, e à Terra; o outro leva em consideração as mudanças que esses aspectos criam, por meio de suas propriedades naturais, nos objetos sob sua influência.
O primeiro estudo mencionado já foi explicado na Sintaxe da forma mais extensa possível, pois ele é completo em si mesmo, e de utilidade essencial mesmo sem ser combinado com o segundo, ao qual este estudo será devotado, e que não é igualmente auto-suficiente. O presente trabalho deve, no entanto, ser regulado pela devida atenção à verdade que a filosofia exige; e, uma vez que a qualidade material dos objetos que sofrem a ação dos astros os torna fracos e variáveis, e difíceis de ser apreendidos de forma acurada, não podem ser apresentadas aqui regras positivas ou infalíveis (como foram apresentadas ao detalharmos a primeira doutrina, que é sempre governada pelas mesmas leis imutáveis); enquanto, por outro lado, não devemos omitir uma observação cuidadosa da maioria daqueles eventos gerais cujas causas podem ser evidentemente rastreadas até o Ambiente.
No entanto, é uma prática constante do vulgo desdenhar de tudo que seja difícil de perceber, e com certeza aqueles que condenam o primeiro destes dois estudos devem ser considerados completamente cegos, quaisquer que sejam os argumentos produzidos para sustentar a opinião daqueles que impugnam o segundo. Também há pessoas que imaginam que o que quer que eles não sejam capazes de apreender deve estar completamente além do alcance de todo o entendimento; enquanto outros ainda considerarão como inútil qualquer ciência que (mesmo que tenham sido muitas vezes instruídos nela) não tenham conseguido recordar-se, devido à sua dificuldade de retenção. Com relação a essas opiniões, portanto, será feita uma tentativa de investigar em que medida a realização de prognósticos pela astronomia é praticável, além de útil, antes de detalhar as minúcias da doutrina.
LIVRO 1.
1. Introdução.
Dos meios de predição através da astronomia, ó Ciro, dois são os mais importantes e válidos. Um, que é o primeiro tanto na ordem como na eficácia, é o pelo qual apreendemos os aspectos dos movimentos do Sol, da Lua e das estrelas em relação uns aos outros e à Terra, à medida em que eles ocorrem de tempos em tempos; o segundo é aquele no qual, por meio da característica natural desses aspectos em si mesmos, investigamos as mudanças que eles trazem ao que eles abrangem. O primeiro destes, que possui sua própria ciência, desejável por si mesma ainda que não atinja o resultado dado por sua combinação com a segunda, foi exposto a você o melhor que pudemos em um tratado próprio pelo método demonstrativo. Devemos agora apresentar um relato do segundo e menos auto-suficiente método de um modo propriamente filosófico, de forma que alguém cujo objetivo seja a verdade nunca compare as percepções relativas a este com a certeza da primeira ciência (que é invariável), pois ele atribuiria a ela a fraqueza e a imprevisibilidade das qualidades materiais encontradas nas coisas individuais, nem tampouco se abstenha dessa investigação enquanto ela esteja dentro dos limites das possibilidades, quando é tão evidente que a maioria dos eventos de natureza geral tem suas causas nos céus que nos envolvem. No entanto, uma vez que normalmente os homens em geral atacam tudo o que é difícil de perceber, e no caso das duas disciplinas mencionadas anteriormente alegações contra a primeira podem ser feitas apenas pelos cegos, enquanto há fundamentos para as levantadas contra a segunda – pois sua dificuldade em certas partes os fizeram considerá-la completamente incompreensível, ou a dificuldade de escapar ao que é sabido fez com que seu próprio objeto fosse considerado inútil – devemos tentar examinar brevemente a extensão tanto da possibilidade quanto da utilidade desse tipo de prognóstico antes de oferecer instruções mais detalhadas sobre o assunto. Em primeiro lugar, sobre a sua possibilidade.
2. Que o conhecimento por meios astronômicos é possível de ser obtido, e em que extensão.
Algumas poucas considerações tornariam aparente a todos que um certo poder emanando da substância eterna etérea está disperso, permeando toda a região acima da Terra, a qual é em toda sua extensão sujeita a mudanças, uma vez que, dos elementos sublunares primários, o fogo e o ar são circundados e sofrem mudanças pelos movimentos do éter, e por sua vez circundam e mudam todo o mais, a Terra, a água e os animais e plantas nelas contidos. Pois o Sol, junto com o ambiente, está sempre da mesma forma afetando tudo na Terra, não só pelas mudanças que acompanham as estações do ano para produzir a geração dos animais, a produtividade das plantas, o fluxo das águas e as mudanças nos corpos, mas também por suas revoluções diárias, que levam calor, umidade, secura e frio em ordem regular e em correspondência com as posições relativas ao zênite. A Lua, também, uma vez que é o corpo celeste mais próximo da Terra, exerce sua influência da forma mais abundante sobre as coisas mundanas, pois elas, em sua maioria, animadas ou inanimadas, são simpáticas a ela e com ela mudam conjuntamente; os rios aumentam e diminuem seu volume de acordo com sua luz, os mares geram suas próprias marés de acordo com seu nascer e seu poente, e as plantas e os animais no todo ou em uma mesma parte crescem e minguam com ela. Além disso, as passagens das estrelas fixas e dos planetas pelo céu muitas vezes significam que as condições do ar serão de calor, de vento ou de neve, e as coisas mundanas são afetadas da mesma forma. Então, seus aspectos uns com os outros, pelo encontro e pela mistura de seus eflúvios, produzem muitas mudanças complicadas, pois embora o poder do Sol prevaleça no ordenamento geral da qualidade, os outros corpos celestes ajudam ou se opõem a ele em detalhes particulares, a Lua de forma mais óbvia e contínua, como por exemplo quando está nova, crescente ou cheia, e as estrelas a intervalos maiores e de forma mais obscura, como quando de seus aparecimentos, ocultações e aproximações. Se esses assuntos fossem considerados desta forma, todos julgariam que necessariamente não apenas as coisas já compostas devem ser afetadas do mesmo modo pelo movimento destes corpos celestes, mas da mesma forma a germinação e a fruição da semente deve ser moldada e conformada à qualidade própria dos céus naquele momento. Os fazendeiros e criadores de gado mais observadores, na verdade, conjeturam, a partir dos ventos que prevaleçam no momento da reprodução ou da semeadura, a qualidade do que resultará, e de forma geral vemos que as conseqüências mais importantes significadas pelas configurações mais óbvias do Sol, da Lua e das estrelas são normalmente conhecidas de antemão, mesmo por aqueles que investigam, não por meios científicos, mas somente por observação. Aquelas que têm conseqüências sobre as maiores forças e as ordens naturais mais simples, como as variações anuais das estações e dos ventos, são compreendidas mesmo por homens muito ignorantes, não, até mesmo por algumas bestas; porque o Sol é geralmente responsável por estes fenômenos. As coisas que não são de uma natureza tão geral, no entanto, são entendidas por aqueles que por necessidade se acostumaram a realizar observações, já que, por exemplo, os marinheiros conhecem os sinais especiais das tempestades e dos ventos que surgem periodicamente por meio dos aspectos da a Lua e das estrelas fixas com o Sol. No entanto, porque eles não conseguem, em sua ignorância, saber de forma precisa os momentos e os locais destes fenômenos, nem os movimentos periódicos dos planetas, que contribuem de forma importante para o efeito, acontece que eles frequentemente erram. Se, então, um homem souber de forma precisa os movimentos de todas as estrelas, do Sol, e da Lua, de forma a que nem o lugar nem o momento de nenhuma de suas configurações escapem de sua atenção, e se ele distinguiu suas naturezas em geral como o resultado de um estudo continuado prévio, e que ele possa mesmo discernir, não suas qualidades essenciais, mas apenas suas qualidades potencialmente efetivas, como o poder de aquecimento do Sol e de causar umidade da Lua, e da mesma forma com os outros, e se ele for capaz de determinar, tendo em vista todos estes dados, tanto de forma científica quanto por conjeturas sucessivas, a marca distintiva da qualidade que resulta da combinação de todos os fatores, o que o iria impedir de ser capaz de afirmar em cada ocasião as características do ar, a partir das relações dos fenômenos no momento; por exemplo, que ele esquentaria ou se tornaria mais úmido? Porque ele também não poderia, em relação a um homem individual, perceber a qualidade geral do seu temperamento a partir do ambiente no momento de seu nascimento, como por exemplo dizer que ele é assim e assim de corpo, e assim e assim de alma, e prever eventos ocasionais, utilizando o fato de que tal e tal ambiente seja condizente com tal e tal temperamento e seja favorável à prosperidade, enquanto que outro não seja tão condizente e conduza a danos? É o bastante, no entanto, com relação à possibilidade de que esse conhecimento possa ser compreendido a partir deste argumento e de similares.
As considerações seguintes podem nos levar a observar que a crítica a essa ciência com base na sua impossibilidade foi abundante, mas inválida. Em primeiro lugar, os erros daqueles que foram instruídos de forma eficiente nesta prática, e eles são muitos, como se poderia esperar em uma arte importante e multifacetada, geraram a crença de que mesmo suas previsões verdadeiras dependiam do acaso, o que é incorreto. Pois uma coisa como essa é uma impotência, não da ciência, mas daqueles que a praticam. Em segundo lugar, a maioria, visando o lucro, advoga crédito para outra arte no nome desta, e engana o vulgo, pois tem a reputação de prever muitas coisas, mesmo aquelas que não podem ser naturalmente conhecidas de antemão, enquanto que esta maioria deu oportunidade para que pessoas com maior discernimento apresentassem julgamentos igualmente desfavoráveis sobre os assuntos naturais da profecia, o que não é correto. Ocorre o mesmo com a filosofia – não necessitamos aboli-la porque há trapaceiros evidentes entre aqueles que aqueles que a professam. No entanto, é claro que mesmo que se aborde a astrologia com o espírito mais inquisitivo e legítimo possível, pode-se frequentemente errar, não pelos motivos já apresentados, mas porque pela própria natureza da coisa e pela própria fraqueza da pessoa em comparação com a magnitude de sua profissão. Pois, em geral, além do fato de que toda ciência que lida com a qualidade material de seu objeto é conjetural e não pode ser afirmada de forma absoluta, particularmente uma que é composta de diversos elementos díspares, é também verdade que as configurações antigas dos planetas, com base nas quais ligamos os aspectos similares de nossos dias aos efeitos observados pelos antigos nos deles, podem ser mais ou menos similares aos aspectos modernos, e isso, também, a intervalos longos, mas não idênticos, uma vez que o retorno idêntico de todos os corpos celestes e a Terra às mesmas posições, a menos que se sustente opiniões vãs sobre a própria habilidade de compreender e conhecer o incompreensível, ou não ocorre de maneira nenhuma ou não ocorre ao menos no período de tempo compreendido na experiência do homem; desta forma, por esta razão, suas previsões às vezes falham, devido à disparidade dos exemplos nos quais eles se baseiam. Com relação à investigação dos fenômenos atmosféricos, isso seria a única dificuldade, uma vez que não se leva em consideração outra causa além do movimento dos corpos celestes. Entretanto, em uma investigação sobre natividades e temperamentos individuais em geral, pode-se ver que há circunstâncias de grande importância e de caráter não trivial, que se juntam para causar as qualidades especiais dos que nascem. Assim, diferenças na semente exercem uma influência muito grande nos traços especiais do gênero, já que, se o ambiente e o horizonte são os mesmos, cada semente expressa prevalentemente sua própria forma, por exemplo homem, cavalo, e assim por diante, e os locais de nascimento produzem uma variação nada desprezível no que é produzido, porque se a semente é genericamente a mesma, a humana por exemplo, e as condições do ambiente são as mesmas, aqueles que nascem diferem muito, tanto no corpo quanto na alma, de acordo com as diferenças entre os países. Além disso, todas as condições mencionadas acima sendo iguais, a criação e os costumes contribuem para influenciar o modo particular no qual uma vida é vivida. A menos que cada uma dessas coisas seja examinada juntamente com as causas que são derivadas do ambiente, mesmo que se conceda a esta última a maior influência exercida (pois o ambiente é uma das causas deles serem o que são, enquanto por sua vez eles não exercem nenhuma influência sobre ele), elas podem causa muita dificuldade para aqueles que acreditam que nestes casos tudo pode ser compreendido, mesmo as coisas que não estejam completamente sob a sua jurisdição, a partir somente do movimento dos corpos celestes.
Uma vez que este seja o caso, não se deveria dispensar todo prognóstico deste tipo porque ele pode, às vezes, ser feito de maneira incorreta, uma vez que não negamos crédito à arte do piloto devido a seus muitos erros, mas como quando as questões são grandes, assim como quando são divinas, sevemos dar boas vindas ao que é possível dizer e considerá-lo suficiente. Nem, além disso, devemos, às cegas e de forma humana, exigir tudo da arte, mas ao contrário se juntar a ela na apreciação da beleza, mesmo em ocasiões em ela não possa fornecer a resposta completa; e, da mesma forma que não encontramos falha nos médicos, quando eles, ao examinar alguém, falam ao mesmo tempo da doença em si e das idiossincrasias do paciente, assim também neste caso não devemos objetar que se use como base para os cálculos a nacionalidade, o país e a criação da pessoa em questão, ou quaisquer outras qualidades acidentais existentes.
3. Que ele também é benéfico.
De uma forma um pouco resumida demonstrou-se como o prognóstico por meios astronômicos é possível, e que ele não pode ir além do que acontece no ambiente e de suas conseqüências para o homem de tais causas – ou seja, ele enfoca os surgimentos originais das faculdades e atividades da alma e do corpo, suas doenças ocasionais, suas durações por um período longo ou curto, e, além disso, todas as circunstâncias externas que têm uma conexão diretiva e natural com os dons originais da natureza, como propriedade e casamento no caso do corpo e honra e dignidades no caso da alma, e finalmente o que lhes acontece de tempos em tempos. A parte restante de nosso projeto seria investigar brevemente sobre sua utilidade, em primeiro lugar distinguindo como e com qual fim em vista nós devemos utilizar o significado da palavra utilidade. Porque, se olharmos para os bens da alma, o que poderia conduzir melhor ao bem viver, ao prazer e à satisfação em geral do que este tipo de previsão, pelo qual adquirimos uma visão completa das coisas humanas e divinas? E se olharmos para os bens corporais, tal conhecimento, melhor do que qualquer outra coisa, diria o que é conveniente e produtivo para as capacidades de cada temperamento. Mas se ele não ajuda na aquisição de riqueza, fama, e coisas afins, devemos ser capazes de dizer o mesmo de toda a filosofia, pois ela não fornece nenhuma dessas coisas por si só. Não estaríamos, no entanto, por esta razão, certos em condenar tanto a filosofia quanto esta arte, desprezando suas grandes vantagens.
Em um exame geral pareceria que aqueles que vêem um defeito na inutilidade do prognóstico não se interessam pelos assuntos mais importantes, mas apenas por isso – que o conhecimento prévio dos eventos que irão acontecer de qualquer forma é supérfluo; isso, também, é dito sem reservas e sem o devido discernimento. Pois, em primeiro lugar, devemos considerar que mesmo com eventos que necessariamente ocorrerão, sua imprevisibilidade facilmente causa pânico excessivo e alegria delirante, enquanto o conhecimento prévio acostuma e acalma a alma pela experiência de eventos distantes como se eles estivessem presentes, e a prepara para acolher com calma e serenidade o que vier. Uma segunda razão é que não devemos acreditar que eventos separados ocorram para a humanidade, como resultado da causa celestial, como se eles tivessem sido ordenados originalmente para cada pessoa por um comando divino irrevogável e destinados a acontecer sem a possibilidade de nenhuma outra causa, qualquer que seja, intervir. Ao contrário, é verdade que o movimento dos corpos celestes, com certeza, é realizado eternamente de acordo com um destino divino e imutável, enquanto que a mudança nas coisas terrenas está sujeita a um ritmo natural e mutável, que, mesmo recebendo suas causas primeiras do alto, é governado pelo acaso e pela seqüência natural. Além disso, algumas coisas acontecem à humanidade através de circunstâncias gerais e não como resultado das propensões naturais do indivíduo – por exemplo, quando os homens perecem em multidões devido à conflagração de uma peste ou cataclismo, por mudanças monstruosas e inescapáveis no ambiente, pois a causa subordinada sempre deve dar lugar à maior e mais forte; outras ocorrências, no entanto, estão de acordo com o próprio temperamento individual, através de antipatias menores e fortuitas do ambiente. Pois, se estas distinções são assim feitas, é claro que tanto no geral quanto em particular quaisquer que sejam os eventos que dependam de uma primeira causa, que seja irresistível e mais poderosa que qualquer uma que se oponha a ela, estes devem acontecer de qualquer modo; por outro lado, dos eventos que não têm esta característica, aqueles que possuem forças que lhe resistam, são facilmente evitados, enquanto aqueles que não são, seguem as causas primarias naturais, é claro, mas isso é devido à ignorância e não à necessidade de um poder superior. Deve-se observar a mesma coisa acontecendo em todos os eventos que tenham causas naturais. Pois, mesmo em se tratando de pedras, plantas, e animais, e também de feridas, acidentes e doenças, algumas são de natureza que devem agir necessariamente, outras que devem agir se nenhuma outra coisa oposta interferir. Deve-se portanto acreditar que os filósofos da natureza prevêem o que deve acontecer ao homem, tendo o conhecimento prévio desta característica, e não abordam a sua tarefa sob falsas impressões; pois algumas coisas, porque suas causas eficientes são numerosas e poderosas, são inevitáveis, mas outras pelas razões contrárias podem ser evitadas. Da mesma forma, aqueles médicos que podem reconhecer doenças sabem quais são sempre fatais e quais que admitem tratamento. No caso de eventos que podem ser modificados devemos dar crédito ao astrólogo, quando, por exemplo, ele diz que para tal e tal temperamento, com tal e tal característica do ambiente, se as proporções fundamentais diminuírem ou aumentarem, tal e tal afeição resultará. Da mesma forma, devemos acreditar no médico, quando ele diz que esta inflamação se espalhará ou causará putrefação, e no mineiro, por exemplo, quando ele diz que a magnetita atrai o ferro. Da mesma forma que cada um destes, se deixado a si mesmo pela ignorância das forças opostas, inevitavelmente se desenvolverá do modo que sua natureza original o compelir, mas nem a inflamação se espalhará ou causará putrefação, se receber tratamento preventivo, nem a magnetita atrairá o ferro, se for esfregada com alho, e estas próprias medidas repressivas também tem sua força de resistência naturalmente e devida ao destino; portanto, também nos outros casos, se acontecimentos futuros em relação ao homem não forem conhecidos, ou se eles forem conhecidos e os remédios não forem aplicados, eles necessariamente irão seguir o curso de sua natureza primária; mas se eles forem reconhecidos antes do tempo e os remédios forem providenciados, novamente completamente de acordo com a natureza e o destino, eles ou não ocorrerão de forma nenhuma ou serão menos severos. E, em geral, uma vez que esse poder é o mesmo se for aplicado a coisas consideradas universalmente ou particularmente, é de se admirar que todos acreditem na eficácia da previsão em assuntos universais, e em sua utilidade em preservar interesses particulares (pois a maior parte das pessoas admite que tem conhecimento prévio das estações, da significação das constelações, e das fases da Lua, e raciocinam com bastante antecedência para se salvaguardar, sempre obtendo meios de se resfriar para se proteger do verão e de se aquecer durante o inverno, e em geral preparando suas próprias naturezas, tendo a moderação como um objetivo; além do mais, para garantir a segurança das estações e de suas viagens marítimas eles observam os significados das estrelas fixas, e para o início da reprodução e da semeadura, os aspectos da luz da Lua quando está cheia, e ninguém nunca condena estas práticas como impossíveis ou inúteis); mas, por outro lado, quando se considera assuntos particulares e aqueles que dependem da mistura de outras qualidades – como as previsões de aumento ou diminuição, de frio ou calor, e do temperamento individual – algumas pessoas não acreditam nem que o conhecimento prévio seja possível nem que seus conselhos possam ser seguidos em alguns casos. Mesmo assim, uma vez que é óbvio que, se por acaso nos refrescarmos para contrabalançar o calor em geral, nós sofreremos menos com ele, medidas similares podem se provar eficientes contra forças particulares que aumentam este temperamento particular para uma quantidade desproporcional de calor, pois a causa deste erro é a dificuldade e a falta de familiaridade com a arte de prognosticar em particular, um motivo que em diversas outras situações gera descrédito. E, uma vez que para a grande maioria a faculdade de resistir não está associada com o prognóstico, uma vez que uma disposição tão perfeita é rara, e uma vez que a força da natureza segue o seu curso sem restrições no que diz respeito às naturezas primárias, produziu-se uma opinião de que todos os eventos futuros, sem exceção, são inevitáveis e inescapáveis.
No entanto, creio eu, de mesma forma que, com a previsão, mesmo se não inteiramente infalível, ao menos suas possibilidades merecerão a maior consideração, também no caso da prática defensiva, mesmo que não proveja um remédio para tudo, sua autoridade, em alguns casos ao menos, mesmo que poucos ou não importantes, deveriam ser bem-vindos e estimados, e considerados como aproveitáveis em um modo não usual.
Reconhecendo, aparentemente, que essas coisas são desta forma, aqueles que mais avançaram este aspecto da arte, os egípcios, uniram completamente a medicina e a predição astronômica. Pois eles nunca teriam desenvolvido certos meios de evitar, repelir ou remediar as condições universais e particulares que virão ou que já estejam presentes devido ao ambiente, se eles acreditassem que o futuro não pode ser modificado ou movido. Mas, na verdade, eles põem a faculdade de resistir por métodos ordenados naturais em segundo lugar com relação aos decretos do destino, e reconheceram na possibilidade de previsão sua faculdade útil e benéfica, através do que eles chamam de seus sistemas iatromatemáticos (astrologia médica), de modo que por meio da astronomia eles podem ter sucesso em aprender as qualidades das temperaturas subjacentes, os eventos que irão ocorrem no futuro devido ao ambiente, e suas causas especiais, escorados no fato de que sem este conhecimento quaisquer medidas de ajuda irão, na maior parte dos casos, falhar, porque não se aplicam a todos os corpos ou doenças; e, por outro lado, pelos meios da medicina, pelo seu conhecimento do que seja propriamente simpático ou antipático em cada caso, eles, na medida do possível, tomam as medidas de precaução contra as doenças que estão para se manifestar e prescrevem tratamentos infalíveis para as doenças já existentes.
Deixemos que este seja, neste ponto, nosso esboço preliminar resumidamente exposto. Devemos agora conduzir nossa discussão nos moldes de uma introdução, começando com as características de cada um dos corpos celestes em relação a seu poder ativo, de acordo com as observações físicas agregadas a eles pelos antigos, e em primeiro lugar os poderes dos planetas, do Sol e da Lua.
4. Sobre o Poder dos Planetas
Observa-se que o poder ativo da natureza essencial do Sol é aquecer e, em algum grau, secar. Isso se torna ainda mais fácil de perceber no caso do Sol do que para qualquer outro corpo celeste, devido a seu tamanho e à obviedade de suas mudanças sazonais, pois quanto mais ele se aproxima do zênite mais ele nos afeta desta forma. O poder da Lua consiste principalmente em umedecer, claramente porque ela está perto da Terra e por causa das exalações úmidas que vêm daí. Sua ação então é precisamente esta, na maior parte, amolecer e causar putrefação em corpos, mas ela também tem, moderadamente, a sua parte no poder de aquecer por causa da luz que ela recebe do Sol.
A qualidade de Saturno é principalmente de esfriar e mais raramente, secar, provavelmente porque ele está mais afastado tanto do calor do sol como das exalações úmidas da Terra. Tanto no caso de Saturno quanto no caso dos outros planetas existem poderes, também, que aparecem através da observação de seus aspectos com o Sol e com a Lua, porque alguns deles parecem modificar as condições do ambiente de uma forma, alguns de outra, por aumento ou diminuição.
A natureza de Marte é principalmente secar e queimar, em conformidade com sua coloração abrasiva e em razão da sua proximidade com o Sol, pois a esfera do Sol está localizada logo abaixo dele.
Júpiter possui uma força ativa temperada, porque seu movimento ocorre entre a influência fria de Saturno e o poder incinerador de Marte. Ele aquece e também umedece, e porque seu poder de cura é o maior em razão das esferas subjacentes, ele produz ventos fertilizantes.
Vênus tem os mesmos poderes e a mesma natureza temperada de Júpiter, mas age de forma oposta, pois ela aquece moderadamente por causa da sua proximidade do Sol, mas umedece principalmente, do mesmo modo como a Lua, por causa da quantidade da sua própria luz e porque ela se apropria das exalações da atmosfera úmida que envolve a Terra.
Mercúrio, em geral, em alguns momentos seca e absorve a umidade, porque ele nunca está muito longe, em longitude, do calor do Sol, e então umedece, porque está próximo, logo acima, da esfera da Lua, que está mais próxima da Terra; e muda rapidamente de uma ação para a outra, inspirado, por assim dizer, pela velocidade de seu movimento nas proximidades do próprio Sol.
5. Sobre os Planetas Benéficos e Maléficos
Uma vez que o que se segue é verdade, porque dois dos quatro humores são férteis e ativos, o quente e o úmido (porque todas as coisas são unidas e aumentadas por eles), e dois são destrutivos e passivos, o seco e o frio, através dos quais, mais uma vez, todas as coisas são separadas e destruídas, os antigos aceitavam dois dos planetas, Júpiter e Vênus, junto com a Lua, como benéficos por causa de sua natureza temperada e porque eles abundam no calor e na umidade, e Saturno e Marte como produzindo efeitos da natureza oposta, um por causa de seu frio excessivo e o outro por sua secura excessiva: o Sol e Mercúrio, no entanto, são considerados como possuindo ambos os poderes, porque eles possuem uma natureza comum, e juntam suas influências com quaisquer dos outros planetas com os quais eles são associados.
6. Sobre os Planetas Masculinos e Femininos.
Mais uma vez, já que há dois tipos primários de natureza, masculino e feminino, e das forças já mencionadas a da umidade é especialmente feminina – pois de uma forma geral este elemento está presente em um grau maior em todas as fêmeas, e as outras estão mais presentes nos machos, de forma acertada a visão que nos foi passada é que a Lua e Vênus são femininas, porque elas compartilham em um grau maior da umidade, e que o Sol, Saturno, Júpiter e Marte são masculinos, e Mercúrio comum aos dois gêneros, pois ele produz tanto secura quanto umidade. Dizem também que as estrelas se tornam masculinas ou femininas de acordo com seus aspectos com o Sol, pois quando elas são estrelas da manhã e precedem o Sol elas se tornam masculinas, e femininas quando são estrelas da tarde e seguem o Sol. Isso também ocorre ainda com sua posição relativa ao horizonte, pois quando elas estão em posições entre o oriente e o meio-céu, ou ainda ente o ocidente e o fundo do céu, eles se tornam masculinas porque estão orientais, mas nos dois outros quadrantes, como estrelas ocidentais, elas se tornam femininas.
7. Sobre os Planetas Diurnos e Noturnos.
De modo similar, já que dos dois intervalos mais óbvios entre aqueles que compõem o tempo, o dia é mais masculino por causa do seu calor e da sua força ativa, e a noite mais feminina por causa da sua umidade e do seu dom de repouso, a tradição em conseqüência estabeleceu que a Lua e Vênus são noturnos, o Sol e Júpiter diurnos, e Mercúrio comum do mesmo modo que antes, diurno quando ele é uma estrela da manhã e noturno quando dele é uma estrela da tarde. Eles também associaram a cada um dos séqüitos as duas estrelas destrutivas, mas não, desta vez, com base no princípio das naturezas similares, mas em seu oposto: pois, quando estrelas com a mesma características são unidas com aquelas de bom temperamento sua influência benéfica é aumentada, mas se estrelas dissimilares forem associadas com as destrutivas grande parte do seu poder de causar dano é aniquilado. Assim eles associaram Saturno, que é frio, ao calor do dia, e Marte, que é seco, à umidade da noite, pois desta forma cada um deles atinge uma boa proporção por mistura e se torna um membro efetivo do séqüito, o que concede moderação.
8. Sobre o Poder dos Aspectos com o Sol.
Agora, preste atenção, da mesma forma, de acordo com seus aspectos com o Sol, a Lua e três de outros planetas sofrem aumentos e diminuições de seus próprios poderes. Pois ao aumentar da Lua Nova para o quarto crescente a Lua é mais produtora de umidade; na sua passagem de crescente para cheia, de calor; de cheia para minguante, de secura; de minguante para a ocultação, de frio. Os planetas, no aspecto oriental, somente, são mais produtivos de umidade do nascente até a sua primeira estação, de calor da primeira estação ao nascer da tarde, de secura do nascer da tarde à segunda estação, de frio da segunda estação ao poente, e é claro que quando eles estão associados uns com os outros eles produzem muitas variações de qualidade no nosso ambiente, sendo a própria força de cada um na maior parte do tempo persistente, mas sendo modificada na quantidade pela força das estrelas que dividem a configuração.
9. Sobre o Poder das Estrelas Fixas.
Como o próximo ponto, na ordem, é relatar as naturezas das estrelas fixas, com referência a seus poderes especiais, devemos afirmar suas características observadas em uma exposição como a das naturezas dos planetas, e em primeiro lugar aquelas que ocupam as figuras do próprio zodíaco.
As estrelas na cabeça de Áries, portanto, tem um efeito como o de Marte e de Saturno, misturados; as da boca, igual ao de Mercúrio e moderadamente o de Saturno; as da pata traseira igual ao de Marte e as da cauda igual ao de Vênus.
Sobre as estrelas de Touro, as que estão ao longo da linha onde a figura é cortada têm uma temperatura como a de Vênus e em certa medida como a de Saturno; as das Plêiades, como a da Lua e a de Júpiter; das estrelas na cabeça, a mais brilhante e de certa forma avermelhada das Híades, chamada a Tocha, tem uma temperatura como a de Marte; as outras, como a de Saturno e, moderadamente, como a de Mercúrio; aquelas da ponta dos chifres, como a de Marte.
Sobre as estrelas de Gêmeos, aquelas nos pés compartilham da mesma qualidade que Mercúrio e, em um grau menos, Vênus; as estrelas brilhantes nas coxas, a mesma de Saturno; sobre as duas estrelas brilhantes nas cabeças, a da cabeça da frente tem a mesma de Mercúrio; ela também é chamada a estrela de Apolo; a da cabeça que segue a primeira, a mesma qualidade que Marte; ela também é chamada a estrela de Hércules.
Sobre as estrelas de Câncer, as duas nos olhos produzem o mesmo efeito que Mercúrio, e, em um menor grau, Marte; aquelas das patas, o mesmo que Saturno e Mercúrio; o aglomerado parecido com uma nuvem no peito, chamado de a Manjedoura, o mesmo que Marte e a Lua; e as duas de cada lado dele, que são chamadas de Asses, o mesmo que Marte e o Sol.
Das de Leão, as duas na cabeça agem da mesma forma que Saturno, e em menor grau, Marte; as três na garganta, da mesma forma que Saturno e em menor grau, Mercúrio; a estrela brilhante no coração, chamada Regulus, da mesma forma que Marte e Júpiter; aquelas nos quadris e a estrela brilhante na cauda, da mesma forma que Saturno e Vênus; e aquelas nas coxas, da mesma forma que Vênus e, em menor grau, Mercúrio.
Sobre as estrelas de Virgem, aquelas na cabeça e aquela sobre a ponta da asa do sul têm um efeito como o de Mercúrio, e, em menor grau, como o de Marte; as outras estrelas brilhantes da asa e as da guirlanda como o de Mercúrio, e em certa medida, o de Vênus; a estrela brilhante na asa do norte, chamada de Vindemiator, como o de Saturno e Mercúrio; a assim chamada Spica, como o de Vênus e em um menor grau, de Marte; aquelas nas pontas dos pés e do trem como o de Mercúrio e em um menor grau, Marte.
Sobre as estrelas das Garras do Escorpião, as que estão bem na extremidade exercem a mesma influência que Júpiter e Mercúrio; aquelas nas partes do meio o mesmo que Saturno e, em um menor grau, Marte.
Sobre as estrelas do corpo do Escorpião, as estrelas brilhantes da fronte agem da mesma forma que Marte em certo grau, Saturno; as três no corpo, sendo que a do meio é avermelhada e bastante brilhante e se chama Antares, o mesmo efeito de Marte e em algum grau, Júpiter; aquelas das juntas, o mesmo efeito de Saturno e, em algum grau, Vênus; aquelas no ferrão, o mesmo de Mercúrio e Marte; e o assim chamado aglomerado com aparência de nuvem, o mesmo de Marte e da Lua.
Sobre as estrelas em Sagitário, aquelas na ponta da sua flecha têm um efeito como o de Marte e da Lua; aquelas no arco e no ponto onde sua mão agarra o arco, como o de Júpiter e Marte; o aglomerado em sua fronte, como o do Sol e de Marte; aquelas no manto e em suas costas, como o de Júpiter e, em menor grau, de Mercúrio; aquelas em seus pés, como o de Júpiter e Saturno; o quadrado sobre a sua cauda, como o de Vênus e, em menor grau, de Saturno.
Sobre as estrelas de Capricórnio, aquelas nos chifres agem da mesma forma que Vênus, e em algum grau, Marte; aquelas na boca, como Saturno e, em algum grau, Vênus; aquelas nos pés e na barriga, como Marte e Mercúrio; e aquelas na cauda, como Saturno e Júpiter.
Sobre as estrelas em Aquário, aquelas nos ombros exercem uma influência como a de Saturno e a da Mercúrio, juntamente com aquelas do braço esquerdo e do manto; aquelas nas coxas, como a de Mercúrio em um maior grau e como a de Saturno em menor grau; aquelas no fluxo d’água, como a de Saturno e, em algum grau, como a de Júpiter.
Sobre as estrelas de Peixes, aquelas na cabeça do peixe mais ao sul agem da mesma forma que Mercúrio e de alguma forma como Saturno; aquelas no corpo, como Júpiter e Mercúrio; aquelas na cauda e na corda do sul, como Saturno, e em algum grau, Mercúrio; aquelas no corpo e na espinha dorsal do peixe do norte, como Júpiter e, em algum grau, Vênus; aquelas na parte norte da corda, como Saturno e Júpiter; e a estrela brilhante no nó, como Marte e, em algum grau, Mercúrio.
Sobre as estrelas em configurações ao norte do zodíaco, as estrelas brilhantes de Ursa Menor tem uma qualidade similar à de Saturno e, em menor grau, a de Vênus; aquelas na Ursa Maior, similar à de Marte; e o aglomerado da Coma Berenices sob a cauda do Urso, à da Lua e de Vênus; as estrelas brilhantes em Draco, à de Saturno, Marte e Júpiter; aquelas de Cepheus, à de Saturno e Júpiter: aquelas de Boötes, à de Mercúrio e de Saturno; a estrela chamada Arcturo, avermelhada brilhante, à de Júpiter e Marte; a estrela na Corona Septentrionalis, à de Vênus e Mercúrio; aquelas no Geniculator, à de Mercúrio; aquelas em Lyra, à de Vênus e Mercúrio; e da mesma forma aquelas em Cygnus. As estrelas em Cassiopeia têm os efeitos de Saturno e Vênus; aquelas em Perseus, de Júpiter e Saturno; o aglomerado no cabo da espada, de Marte e Mercúrio; a estrela brilhante em Auriga, de Marte e Mercúrio; aquelas em Ophiuchus, de Saturno e, em algum grau, Vênus; aquelas na sua serpente, de Saturno e Marte; aquelas em Sagitta, de Marte e, em algum grau, de Vênus; aquelas em Aquila, de Marte e Júpiter; aquelas em Delphinus, de Saturno e Marte; as estrelas brilhantes no Cavalo, de Marte e Mercúrio; aquelas em Andrômeda, de Vênus; aquelas no Triangulum, de Mercúrio.
Sobre as estrelas nas formações ao sul do zodíaco, a estrela brilhante na boca do Piscis Australis tem uma influência similar à de Vênus e Mercúrio; aquelas em Cetus, similar à de Saturno; sobre aquelas em Órion, as estrelas em seus ombros têm influências similares à Marte e Mercúrio; e as outras estrelas brilhantes são similares à de Júpiter e Saturno; das estrelas em Eridanus, a última brilhante tem uma influência como a de Júpiter e as outras, como a de Saturno; a estrela em Lepus, como a de Saturno e Mercúrio; das em Canis, as demais como a de Vênus, e a brilhante na boca, como a de Júpiter e, em menor grau, Marte; a estrela brilhante Procyon, como a de Mercúrio e, em menor grau, a de Marte; as estrelas brilhantes em Hydra, como a de Saturno e Vênus; aquelas em Crater, como a de Vênus, e em um menor grau, de Mercúrio; aquelas em Corvus, como a de Marte e a de Saturno; as estrelas brilhantes de Argo, como a de Saturno e Júpiter; das estrelas de Centaurus, as no corpo humano, como a de Saturno e Júpiter, e as brilhantes no corpo eqüino como a de Vênus e Júpiter; as estrelas brilhantes em Lupus, como a de Saturno e, em menor grau, a de Marte; aquelas em Ara, como a de Vênus e, em menor grau, Mercúrio; e as estrelas brilhantes em Corona Austrais, como a de Saturno e Mercúrio.
Assim, então, são as observações dos efeitos das próprias estrelas como feitas pelos nossos predecessores.
30.5.07
Guénon: sobre os números e a notação matemática
Mais uma tradução de uma tradução de René Guénon.
Sobre os números e a notação matemática
Nota à edição
Nascido en Blois, França, em 1886, René Guénon começa a publicar seus primeiros artigos na revista La Gnose quando tinha apenas 23 anos de idade. Nesta revista, dirigida por ele mesmo desde sua fundação em 1909 até seu desaparecimento em 1912, Guénon assenta as bases de seu pensamento, manifestado ao longo de mais de vinte obras, sendo que seu conjunto forma a mais profunda, rigorosa e sintética exposição da Doutrina tradicional que ocorreu em nosso século.
Diremos que o essencial dessa obra, ou seja, as idéias e os princípios de ordem metafísica e universal, estava contindo nestes primeiros artigos, como é o caso dos estudos que constituem este Caderno, que apresentamos conjuntamente sob o título “Sobre o Número e a Notação Matemática”. Se trata de “Notas sobre a Produção dos Número” e "Observações acerca da Notação Matemática”, ambos publicados em La Gnose em 1910 com o nome de Palingenius, e que formam parte do volume Mélanges, compilação póstuma de artigos escritos em diferentes períodos realizada por Ed. Gallimard em 1976. As idéias expostas em "Observações sobre a Notação Matemática" tem um desenvolvimento maior em um dos últimos livros de Guénon: Os Princípios do Cálculo Infinitesimal, de 1946.
Adiantamos ao leitor que SYMBOLOS publicará em breve um volume especialmente dedicado à vida e à obra de Guénon, quem sem dúvida alguma consideramos nosso autêntico guia intelectual.F. A.
I
NOTAS SOBRE A PRODUÇÃO DOS NÚMEROS (*)
"No princípio, antes da origem de todas as coisas, era a unidade", dizem as teogonias mais elevadas do Ocidente, aquelas que se esforçam em chegar ao Ser além de sua manifestação ternária, e que nunca se detêm na aparência universal do Binário. No entanto, as teogonias do Oriente e do Extremo Oriente dizem “Antes do princípio, inclusive antes da Unidade primordial, era o Zero”, já que sabem que além do Ser está o Não Ser, que além do manifestado está o não manifestado que é o princípio, e que o Não -Ser não é de modo algum o Nada, mas ao contrário é a Possibilidade infiita, idêntica ao Todo universal, ao mesmo tempo que é a Perfeição Absoluta e a Verdade Integral.
Segundo a Cabala, para se manifestar, o Absoluto se concentrou em um ponto infinitamente luminoso, deixando as trevas ao seu redor; esta luz nas trevas, este ponto na extensão metafísica sem limites, este nada que é tudo em um tudo que não é nada, se se pode expressar assim, é o Ser no seio do Não Ser, a Perfeição Ativa na Perfeição Passiva. O ponto luminoso é a Unidade, afirmação do Zero metafísico que se representa mediante a extensão ilimitada, imagem da Possibilidade Universal infinita. A Unidade, desde que se afirma, para se converter no centro de onde emanarão como múltiplos raios as manifestações indefinidas do Ser, está unida ao Zero que a continha desde o princípio, no estado de não manifestação; aqui aparece já o Denario em potência, que será o número perfeito, o desenvolvimento completo da Unidade primordial.
A Possibilidade total é ao mesmo tempo a Passividade universal, já que contém todas as possibilidades particulares, algumas das quais se manifestarão, passarão da potência ao ato, sob a ação do Ser-Unidade. Cada manifestação é um raio da circunferência que representa a manifestação total; e esta circunferência, cujos pontos são indefinidos em número, é ainda o Zero em relação a seu centro que é a Unidade. No entanto, a circunferência não estava em absoluto traçada no Abismo do Não-Ser, e marca somente o limite da manifestação, do âmbito do Ser no seio do Não-Ser; é assim o Zero realizado, e, pelo conjunto de sua manifestação segundo esta circunferência indefinida, a Unidade alcança seu desenvolvimento no Denário.
Por outro lado, desde a afirmação da Unidade, inclusive antes de toda manifestação, se esta Unidade se opusesse ao Zero que em princípio a contém, se veria aparecer o Binãrio no seio mesmo do Absoluto, na primeira diferenciação qie conduz à distinçao do Não-Ser e do Ser; no entanto, vimos no nosso estudo sobre o Demiugo o que é esta distinção. Indicamos então que o Ser, ou a perfeição ativa, Khien, não é nada realmente distinto do Não-Ser, ou da perfeição passiva, Khouen, e que esta distinção, ponto de partida de toda manifestação, só existe à medida em que nós mesmos a criamos, porque não podemos conceber o Não-Ser a menos que através do Ser, logo o não-manifestado através do manifestado; logo a diferenciação do Absoluto em Ser e Não-Ser expressa somente o modo em que nós nos representamos as coisas, e nada mais.
Além do mais, se se enfocam as coisas sob este aspecto, se pode dizer que o Absoluto é o princípio comum do Ser e do Não-Ser, do manifestado e do não-manifestado, mesmo que na realidade se confunda com o Não-Ser, já que este é o princípio do Ser, sendo por sua vez o princípio primeiro de toda manifestação. Logo, ao se considerar aqui o Binário, se chegaria imediatamente à presença do Ternário; no entanto, para que houvesse verdadeiramente um Ternário, ou seja, já uma manifestação, faltaria que o Absoluto fosse a Unidade primordial, e vimos que a Unidade representa unicamente o Ser, afirmação do Absoluto. É este Ser-Unidade que se manifestará na multiplicidade indefinida dos números, o que os contém todos em si, como potência de ser, e que os emanará como outros tantos submúltiplos de si mesmo; e todos os números estão compreendidos no Denário, que se realiza mediante o percurso do ciclo da manifestação total do Ser, e cuja produção consideramos a partir da Unidade primordial.
Em um estudo anterior, vimos que todos os números podem ser considerados como emanados por pares da Unidade; estes pares de números inversos ou complementários, que se podem ver como simbolizando a união dos Aeons no seio do Pleroma, existem na Unidade em estado indiferenciado ou não manifestado:
1 = 1/2 x 2 = 1/3 x 3 = 1/4 x 4 = 1/5 x 5 = . . . = 0 x ¥
Cada um destes grupos, 1/n x n, não é de modo algum distinto da unidade, e não o será a menos que se considem separadamente os dois elementos que o constituem; é então quando nasce a Dualidade, que distingue os dois princípios um do outro, de forma alguma opostos como se diz em geral, equivocadamente, mas sim complementários; ativo e passivo, positivo e negativo, masculino e feminino. No entanto, estes dois princípios coexistem na Unidade, e sua dualidade indivisível é ela mesma uma unidade secundária, reflexo da Unidade primordial; assim, junto à unidade que os contém, os dois elementos complementários constituem o Ternário, que á a primeira manifestação da Unidade, já que o dois, nascido do um, não pode existir sem que o três seja de imediato, por isto mesmo:
1 + 2 = 3.
E, assim como não podemos conceber o Não-Ser senão através do Ser, não poderemos conceber ao Ser-Unidade senão através de sua manifestação ternária, conseqüência necessária e imediata da diferenciação ou da polarização que nosso intelecto cria na Unidade. Esta manifestação ternária, sob qualquer aspecto que se considere, é sempre uma Trindade indissolúvel, ou seja, uma Tri-Unidade, já que seus três termos não são distintos em absoluto, mas são a mesma unidade concebida como contendo em si mesma os dois pólos mediante os quais se produzirá toda manifestação.
Esta polarização reaparece em seguida no Ternário, já que, se se consideram os três termos deste com existência independente, se obterá por isso mesmo o Senário, implicando um novo ternário que é o reflexo do primeiro:
1+ 2 + 3 = 6.
Este segundo ternário não tem existência real alguma por si mesmo; é em relação ao primeiro o Demiúrgo é em relação ao Logos emanador, uma imagem tenebrosa e invertida, e veremos com efeito logo a sequier que o senário é o número da criação. Devemos nos contentar por agora em observar que este número somos nós que o realizamos, à medida em que distinguimos os três termos da Tri-Unidade entre si, em vez de considerar sinteticamente a Unidade principal, independentemente de toda distinção, ou seja, de toda manifestação.
Se se considera o Ternário como manifestação da Unidade, é necessário considerar ao mesmo tempo a Unidade como não-manifestada, e então esta Unidade, somada ao Ternário, produz o Quaternáro, que se pode representar aqui pelo centro e pelos três vértices de um triângulo. Também se pode dizer que o Ternário, simbolizado por um triângulo cujos três vértices correspondem aos três primeiros números, supõe necessariamente o Quaternário, cujo primeiro termo, não expressado, é então o Zero, que na verdade não pode ser representado. Deste modo se pode, no Quaternário, considerar como primeiro termo ao Zero ou à Unidade primordial; no primeiro caso, o segundo termo será a Unidade à mediade em que esta se manifesta, e os outros dois constituirão sua dupla manifestação; no segundo caso, ao contrário, estes dois últimos, os dois elementos complementários dos quais falamos mais acima, deverão proceder logicamente ao quarto termo, que não é outro que a sua união, realizando entre eles o equilíbrio na qual se reflete a Unidade principial. Por último, se se considera o Ternário, em seu aspecto mais inferior, formado pelos dois elementos complementários e o termo que os equilibra, sendo este a união dos dois anteriores, ele participa de um e de outro, de maneira que se pode considerá-lo como duplo, e, aqui de novo, o Ternário implica imediatemente um Quaternário que é seu desenvolvimento.
De qualquer forma que se considere o Quaternário, se pode dizer que ele contém todos os números, já que, se se tomam os quatro termos como distintos, se vê que ele contém o Denário:
1 + 2 + 3 + 4 = 10.
É por isso que todas as tradições dizem: o um produziu o dois, o dois produziu o três, o três produziu todos os números; a expansão da Unidade no Quaternário realiza imediatamente sua manifestação total, que é o Denário.
O Quaternário é geometricamente representado pelo quadrado, se o consideramos em estádo estático, e pela cruz, se o consideramos em estado dinâmico; quando a cruz gira ao redor de seu centro, engendra a circunferência, que, com o centro, representa ao Denário. Isto é o que se chama a circulação do quadrante, e é a representação geométrica do fato aritmético que acabamos de enunciar; inversamente, o problema hermético da quadratura do círculo se representará mediante a divisão do círculo em quatro partes iguais por meio de dois diâmetros retangulares, e se expressará numericamente pela equação precedente escrita em sentido inverso:
10 = 1 + 2 + 3 + 4.
O Denário, considerado como formado pelo conjunto dos quatro primeiros números, é o que Pitágoras chamava a Tetraktys; o símbolo que a representava era em seu conjunto de forma ternária, compreendendo cada um dos seus lados exteriores quatro elementos, e composto de dez elementos no total.
Se o Ternário é o número que representa a primeira manifestação da Unidade principial, o Quaternário representa a expansão total, simbolizada pela cruz cujos quatro braços estão formados por duas retas indefinidas retangulares; se extendem deste modo definitivamente, orientadas em direção aos quatro pontos cardeais da indefinida circunferência pleromática do Ser, pontos que a Cabala representa pelas quatro letras do Tetragrama. O Quaternário é o número do Verbo manifestado, do Adam Kadmon, e se pode dizer que é essencialmente o número da Emanação, já que a Emanação é a manifestação do Verbo; dele derivam os outros graus da manifestação do Ser, em sucessão lógica, mediante o desenvolvimento dos números que contém em si mesmo, e cujo conjunto constitui o Denário.
Se se considera a expansão quaternária da Unidade como distinta desta mesma Unidade, esta produz, por sua própria soma, o número cinco; isto é de novo o que simboliza a cruz com seu centro e seus quatro braços. Por outro lado, ocorrerá o mesmo para cada novo número, ao se considerá-lo distinto da Unidades, mesmo que realmente não o seja de forma nenhuma, já que não é mais do que uma de suas manifestações; este número, somando-se à Unidade primordial, dará à luz ao número seguinte; tendo indicado de uma vez por todas este modo de produção sucessiva dos números, não teremos à frente que insistir mais sobre isto.
Se o centro da cruz se considera como o ponto de partida dos quatro braços, representa a Unidade primordial; se ao contrário ele é considerado unicamente como seu ponto de interseção, não representa mais do que o equilíbrio, reflexo desta Unidade. Desde este segundo ponto de vista, ele é representado cabalisticamente pela letra Shin, que, se situando no centro do tetragrama cujas quatro letras figuram sobre os quatro braços da curz, forma o nome pentagramático, sobre cuja significação não insistiremos mais aqui, querendo somente assinalar este fato de passagem. As cinco letras do pentagrama se situam nas cinco pontas da Estrela Flamígera, figura do Quinário, que simboliza de forma mais particular o Microcosmos ou o homem individual. A razão é a seguinte: se se considera o quaternário como a Emanação ou a manifestação total do Verbo, cada ser emandado, sub-múltiplo desta Emanação, se caracterizará igualmente pelo número quatro; ele se converterá em um ser individual à medida que se distinga da Unidade ou do centro emanador, e acabamos de ver que esta distinção do Quaternário com a Unidade é precisamente a gênese do Quinário.
Já falamos, em nosso estudo sobre o Demiurgo, que a distinção da qual nasce a existência individual é o ponto de partida da Criação; na verdade, esta existe na medida em que o conjunto dos seres individuais, caracterizados pelo número cinco, se considera como distinto da Unidade, o que dá nascimento ao número seis. Se pode ver este número, como já observamos anteriormente, formado por dois ternários dos quais um é o reflexo invertido do outro; isto é o que representam os dois triângulos do Selo de Salomão, símbolo do Macrocosmos ou do Mundo criado.
As coisas são distintas de nós na medida em que nós as distinguimos; na mesma medida se convertem em exteriores, e ao mesmo tempo se convertem também em distintas entre si; aparecem então como revestidas de formas, e esta Formação, que é a conseqüência imediata da Criação, se caracteriza pelo número que segue ao Senário, ou seja, o Setenário. Somente indicaremos a concordância do que acabamos de dizer com o primeiro capítulo do Gênesis: as seis fases da Criação, e o papel formador dos sete Elohim, representando o conjunto das forças naturais e simbolizados pelas sete esferas planetárias, que também se poderiam fazer corresponder aos sete primeiros números, se designando a esfera inferior, que é a da Lua, como o Mundo da Formação.
O Setenário, tal como acabamos de considerá-lo, pode ser representado, ou pelo duplo triângulo com seu centro, ou por uma estrela de sete pontas, ao redor da qual estão inscritos os signos dos sete planetas; é o símbolo das forças naturais, ou seja, do Setenário no estado dinâmico. Se o consideramos no estado estático, o poderíamos ver formado pela união de um Ternário e um Quaternário, e ele estaria então representado por um quadrado envolvido (rematado) por um triângulo; haveria muito o que dizer sobre o significado de todas estas formas geométricas, mas estas considerações nos levariam muito longe do tema do presente estudo.
A Formação conduz ao que podemos chamar a realização material, que marca para nós o limite da manifestação do Ser, e que estará então caracterizada pelo número oito. Este corresponde ao Mundo terrestre, compreendido no interiro das sete esferas planetárias, e que deve ser considerado aqui simbolizando o conjunto do Mundo material em sua totalidade; por outro lado, fica bem claro que cada Mundo não é em absoluto um lugar, mas um estado ou uma modalidade do ser. O número oito corresponde também a uma idéia de equilíbrio, porque a realização material é, como acabamos de dizer, una limitação; de algum modo um ponto de parada na distinção que nós criamos nas coisas, distinção cujo grau mede o que se designa simbolicamente como a profundidade da queda; já dissemos que a queda não é mais do que um modo de expressar esta mesma distinção, que cria a existência individual nos separando da Unidade principial.
O número oito se representa, no estado estático, por dois quadrados, um inscrito no outro, de maneira que os vértices do primeiro sejam as metades dos lados do segundo. No estado dinâmico, se representa por duas cruzes que têm o mesmo centro, de maneira que os braços de uma sejam as bissetrizes dos ângulos retos formados pelos braços da outra.
Se o número oito se soma à Unidade, forma o número nove, que, limitando assim para nós a manifestação do Ser, já que corresponde à realização material diferenciada da Unidade, estará representado pela circunferência, e designará a Multiplicidade. Já dissemos, por outro lado, que esta circunferência, cujos pontos em número indefinido são todas as manifestações formais do Ser ( não dizemos aqui todas as manifestações, mas somente as manifestações formais), pode ser vista como o Zero realizado. Com efeito, o número nove, somando-se à Unidade, forma o número dez, que resulta também da união do Zero com a Unidade, e que se representa pela circunferência e seu centro.
Por outro lado, o Novenário pode ainda ser considerado como um Ternário triplo; desde este ponto de vista, que é o ponto de vista estático, é representado por três triângulos superpostos, de maneira que cada um é o reflexo do imediatamente superior, de onde resulta que o triângulo do intermediário está invertido. Esta figuar é o símbolo dos três Mundos e de suas relações; por isto o Novenário é considerado muitas vezes como o número da hierarquia.
Por último, o Denário, correspondente à circunferência e seu centro, é a manifestação total do Ser, o desenvolvimento completo da Unidade; pode-se vê-lo então como não sendo outra coisa que esta Unidade realizada na Multiplicidade. A partir daqui, a série de números começa de novo para formar um novo ciclo:
11 = 10 + 1, 12 = 10 + 2, ... 20 = 10 + 10;
e depois vem um terceiro ciclo, e assim indefinidamente. Cada um destes ciclos se pode considerar como reproduzindo ao primeiro, mas em outro estado, ou se se preferir, em outra modalidade; eles seriam simbolizados então por outros tantos círculos situados paralelamente uns aos outros, em planos diferentes; no entanto, como na realidades não há nenhuma descontinuidade entre eles, é preciso que estes círculos não sejam fechados, de modo que o final de cada um seja ao mesmo tempo o começo do seguinte. Então já não são círculos, mas espirais sucessivas de uma hélice traçada sobre um cilindro, e estas espirais se encontram em número indefinido, sendo o próprio cilindro indefinido; cada uma destas espirais se projeta sobre um plano perpendicular ao eixo do cilindro seguindo um circulo, mas, na realidade, seu ponto de partida e seu ponto de chegada não estão no mesmo plano. Deveremos, além do mais, voltar a este tema quando, em outro estudo, connsiderarmos a representação geométrica da evolução.
Seria preciso que considerássemos agora outro modo de produção dos números, a produção pela multiplicação, e mais particularmente a multiplicação de um número por si próprio, dando lugar sucessivamente às diversas potências deste número. Mas aqui a representação geométrica nos levaria a considerações sobre as dimensões do espaço, que é preferível estudar separadamente; termos então que considerar em particular as potências sucessivas do Denário, o que nos conduzirá a enfocar sob um novo aspecto a questão dos limites do indefinido, e da passagem do indefinido ao Infinito.
Nas observações precedentes, quisemos simplesmente indicar como a produção dos números a partir da Unidade simboliza as diferentes fases da manifestação do Ser em sua sucessão lógica a partir do princípio, ou seja, do Ser mesmo, que é idêntico à Unidade; e, inclusive, se se faz intervir o Zero precedendo à Unidade primordial, se pode remontar assim além do Ser, ou seja, até o Absoluto.
Tradução para o espanhol: Alicia López Izquierdo
Sobre os números e a notação matemática
Nota à edição
Nascido en Blois, França, em 1886, René Guénon começa a publicar seus primeiros artigos na revista La Gnose quando tinha apenas 23 anos de idade. Nesta revista, dirigida por ele mesmo desde sua fundação em 1909 até seu desaparecimento em 1912, Guénon assenta as bases de seu pensamento, manifestado ao longo de mais de vinte obras, sendo que seu conjunto forma a mais profunda, rigorosa e sintética exposição da Doutrina tradicional que ocorreu em nosso século.
Diremos que o essencial dessa obra, ou seja, as idéias e os princípios de ordem metafísica e universal, estava contindo nestes primeiros artigos, como é o caso dos estudos que constituem este Caderno, que apresentamos conjuntamente sob o título “Sobre o Número e a Notação Matemática”. Se trata de “Notas sobre a Produção dos Número” e "Observações acerca da Notação Matemática”, ambos publicados em La Gnose em 1910 com o nome de Palingenius, e que formam parte do volume Mélanges, compilação póstuma de artigos escritos em diferentes períodos realizada por Ed. Gallimard em 1976. As idéias expostas em "Observações sobre a Notação Matemática" tem um desenvolvimento maior em um dos últimos livros de Guénon: Os Princípios do Cálculo Infinitesimal, de 1946.
Adiantamos ao leitor que SYMBOLOS publicará em breve um volume especialmente dedicado à vida e à obra de Guénon, quem sem dúvida alguma consideramos nosso autêntico guia intelectual.F. A.
I
NOTAS SOBRE A PRODUÇÃO DOS NÚMEROS (*)
"No princípio, antes da origem de todas as coisas, era a unidade", dizem as teogonias mais elevadas do Ocidente, aquelas que se esforçam em chegar ao Ser além de sua manifestação ternária, e que nunca se detêm na aparência universal do Binário. No entanto, as teogonias do Oriente e do Extremo Oriente dizem “Antes do princípio, inclusive antes da Unidade primordial, era o Zero”, já que sabem que além do Ser está o Não Ser, que além do manifestado está o não manifestado que é o princípio, e que o Não -Ser não é de modo algum o Nada, mas ao contrário é a Possibilidade infiita, idêntica ao Todo universal, ao mesmo tempo que é a Perfeição Absoluta e a Verdade Integral.
Segundo a Cabala, para se manifestar, o Absoluto se concentrou em um ponto infinitamente luminoso, deixando as trevas ao seu redor; esta luz nas trevas, este ponto na extensão metafísica sem limites, este nada que é tudo em um tudo que não é nada, se se pode expressar assim, é o Ser no seio do Não Ser, a Perfeição Ativa na Perfeição Passiva. O ponto luminoso é a Unidade, afirmação do Zero metafísico que se representa mediante a extensão ilimitada, imagem da Possibilidade Universal infinita. A Unidade, desde que se afirma, para se converter no centro de onde emanarão como múltiplos raios as manifestações indefinidas do Ser, está unida ao Zero que a continha desde o princípio, no estado de não manifestação; aqui aparece já o Denario em potência, que será o número perfeito, o desenvolvimento completo da Unidade primordial.
A Possibilidade total é ao mesmo tempo a Passividade universal, já que contém todas as possibilidades particulares, algumas das quais se manifestarão, passarão da potência ao ato, sob a ação do Ser-Unidade. Cada manifestação é um raio da circunferência que representa a manifestação total; e esta circunferência, cujos pontos são indefinidos em número, é ainda o Zero em relação a seu centro que é a Unidade. No entanto, a circunferência não estava em absoluto traçada no Abismo do Não-Ser, e marca somente o limite da manifestação, do âmbito do Ser no seio do Não-Ser; é assim o Zero realizado, e, pelo conjunto de sua manifestação segundo esta circunferência indefinida, a Unidade alcança seu desenvolvimento no Denário.
Por outro lado, desde a afirmação da Unidade, inclusive antes de toda manifestação, se esta Unidade se opusesse ao Zero que em princípio a contém, se veria aparecer o Binãrio no seio mesmo do Absoluto, na primeira diferenciação qie conduz à distinçao do Não-Ser e do Ser; no entanto, vimos no nosso estudo sobre o Demiugo o que é esta distinção. Indicamos então que o Ser, ou a perfeição ativa, Khien, não é nada realmente distinto do Não-Ser, ou da perfeição passiva, Khouen, e que esta distinção, ponto de partida de toda manifestação, só existe à medida em que nós mesmos a criamos, porque não podemos conceber o Não-Ser a menos que através do Ser, logo o não-manifestado através do manifestado; logo a diferenciação do Absoluto em Ser e Não-Ser expressa somente o modo em que nós nos representamos as coisas, e nada mais.
Além do mais, se se enfocam as coisas sob este aspecto, se pode dizer que o Absoluto é o princípio comum do Ser e do Não-Ser, do manifestado e do não-manifestado, mesmo que na realidade se confunda com o Não-Ser, já que este é o princípio do Ser, sendo por sua vez o princípio primeiro de toda manifestação. Logo, ao se considerar aqui o Binário, se chegaria imediatamente à presença do Ternário; no entanto, para que houvesse verdadeiramente um Ternário, ou seja, já uma manifestação, faltaria que o Absoluto fosse a Unidade primordial, e vimos que a Unidade representa unicamente o Ser, afirmação do Absoluto. É este Ser-Unidade que se manifestará na multiplicidade indefinida dos números, o que os contém todos em si, como potência de ser, e que os emanará como outros tantos submúltiplos de si mesmo; e todos os números estão compreendidos no Denário, que se realiza mediante o percurso do ciclo da manifestação total do Ser, e cuja produção consideramos a partir da Unidade primordial.
Em um estudo anterior, vimos que todos os números podem ser considerados como emanados por pares da Unidade; estes pares de números inversos ou complementários, que se podem ver como simbolizando a união dos Aeons no seio do Pleroma, existem na Unidade em estado indiferenciado ou não manifestado:
1 = 1/2 x 2 = 1/3 x 3 = 1/4 x 4 = 1/5 x 5 = . . . = 0 x ¥
Cada um destes grupos, 1/n x n, não é de modo algum distinto da unidade, e não o será a menos que se considem separadamente os dois elementos que o constituem; é então quando nasce a Dualidade, que distingue os dois princípios um do outro, de forma alguma opostos como se diz em geral, equivocadamente, mas sim complementários; ativo e passivo, positivo e negativo, masculino e feminino. No entanto, estes dois princípios coexistem na Unidade, e sua dualidade indivisível é ela mesma uma unidade secundária, reflexo da Unidade primordial; assim, junto à unidade que os contém, os dois elementos complementários constituem o Ternário, que á a primeira manifestação da Unidade, já que o dois, nascido do um, não pode existir sem que o três seja de imediato, por isto mesmo:
1 + 2 = 3.
E, assim como não podemos conceber o Não-Ser senão através do Ser, não poderemos conceber ao Ser-Unidade senão através de sua manifestação ternária, conseqüência necessária e imediata da diferenciação ou da polarização que nosso intelecto cria na Unidade. Esta manifestação ternária, sob qualquer aspecto que se considere, é sempre uma Trindade indissolúvel, ou seja, uma Tri-Unidade, já que seus três termos não são distintos em absoluto, mas são a mesma unidade concebida como contendo em si mesma os dois pólos mediante os quais se produzirá toda manifestação.
Esta polarização reaparece em seguida no Ternário, já que, se se consideram os três termos deste com existência independente, se obterá por isso mesmo o Senário, implicando um novo ternário que é o reflexo do primeiro:
1+ 2 + 3 = 6.
Este segundo ternário não tem existência real alguma por si mesmo; é em relação ao primeiro o Demiúrgo é em relação ao Logos emanador, uma imagem tenebrosa e invertida, e veremos com efeito logo a sequier que o senário é o número da criação. Devemos nos contentar por agora em observar que este número somos nós que o realizamos, à medida em que distinguimos os três termos da Tri-Unidade entre si, em vez de considerar sinteticamente a Unidade principal, independentemente de toda distinção, ou seja, de toda manifestação.
Se se considera o Ternário como manifestação da Unidade, é necessário considerar ao mesmo tempo a Unidade como não-manifestada, e então esta Unidade, somada ao Ternário, produz o Quaternáro, que se pode representar aqui pelo centro e pelos três vértices de um triângulo. Também se pode dizer que o Ternário, simbolizado por um triângulo cujos três vértices correspondem aos três primeiros números, supõe necessariamente o Quaternário, cujo primeiro termo, não expressado, é então o Zero, que na verdade não pode ser representado. Deste modo se pode, no Quaternário, considerar como primeiro termo ao Zero ou à Unidade primordial; no primeiro caso, o segundo termo será a Unidade à mediade em que esta se manifesta, e os outros dois constituirão sua dupla manifestação; no segundo caso, ao contrário, estes dois últimos, os dois elementos complementários dos quais falamos mais acima, deverão proceder logicamente ao quarto termo, que não é outro que a sua união, realizando entre eles o equilíbrio na qual se reflete a Unidade principial. Por último, se se considera o Ternário, em seu aspecto mais inferior, formado pelos dois elementos complementários e o termo que os equilibra, sendo este a união dos dois anteriores, ele participa de um e de outro, de maneira que se pode considerá-lo como duplo, e, aqui de novo, o Ternário implica imediatemente um Quaternário que é seu desenvolvimento.
De qualquer forma que se considere o Quaternário, se pode dizer que ele contém todos os números, já que, se se tomam os quatro termos como distintos, se vê que ele contém o Denário:
1 + 2 + 3 + 4 = 10.
É por isso que todas as tradições dizem: o um produziu o dois, o dois produziu o três, o três produziu todos os números; a expansão da Unidade no Quaternário realiza imediatamente sua manifestação total, que é o Denário.
O Quaternário é geometricamente representado pelo quadrado, se o consideramos em estádo estático, e pela cruz, se o consideramos em estado dinâmico; quando a cruz gira ao redor de seu centro, engendra a circunferência, que, com o centro, representa ao Denário. Isto é o que se chama a circulação do quadrante, e é a representação geométrica do fato aritmético que acabamos de enunciar; inversamente, o problema hermético da quadratura do círculo se representará mediante a divisão do círculo em quatro partes iguais por meio de dois diâmetros retangulares, e se expressará numericamente pela equação precedente escrita em sentido inverso:
10 = 1 + 2 + 3 + 4.
O Denário, considerado como formado pelo conjunto dos quatro primeiros números, é o que Pitágoras chamava a Tetraktys; o símbolo que a representava era em seu conjunto de forma ternária, compreendendo cada um dos seus lados exteriores quatro elementos, e composto de dez elementos no total.
Se o Ternário é o número que representa a primeira manifestação da Unidade principial, o Quaternário representa a expansão total, simbolizada pela cruz cujos quatro braços estão formados por duas retas indefinidas retangulares; se extendem deste modo definitivamente, orientadas em direção aos quatro pontos cardeais da indefinida circunferência pleromática do Ser, pontos que a Cabala representa pelas quatro letras do Tetragrama. O Quaternário é o número do Verbo manifestado, do Adam Kadmon, e se pode dizer que é essencialmente o número da Emanação, já que a Emanação é a manifestação do Verbo; dele derivam os outros graus da manifestação do Ser, em sucessão lógica, mediante o desenvolvimento dos números que contém em si mesmo, e cujo conjunto constitui o Denário.
Se se considera a expansão quaternária da Unidade como distinta desta mesma Unidade, esta produz, por sua própria soma, o número cinco; isto é de novo o que simboliza a cruz com seu centro e seus quatro braços. Por outro lado, ocorrerá o mesmo para cada novo número, ao se considerá-lo distinto da Unidades, mesmo que realmente não o seja de forma nenhuma, já que não é mais do que uma de suas manifestações; este número, somando-se à Unidade primordial, dará à luz ao número seguinte; tendo indicado de uma vez por todas este modo de produção sucessiva dos números, não teremos à frente que insistir mais sobre isto.
Se o centro da cruz se considera como o ponto de partida dos quatro braços, representa a Unidade primordial; se ao contrário ele é considerado unicamente como seu ponto de interseção, não representa mais do que o equilíbrio, reflexo desta Unidade. Desde este segundo ponto de vista, ele é representado cabalisticamente pela letra Shin, que, se situando no centro do tetragrama cujas quatro letras figuram sobre os quatro braços da curz, forma o nome pentagramático, sobre cuja significação não insistiremos mais aqui, querendo somente assinalar este fato de passagem. As cinco letras do pentagrama se situam nas cinco pontas da Estrela Flamígera, figura do Quinário, que simboliza de forma mais particular o Microcosmos ou o homem individual. A razão é a seguinte: se se considera o quaternário como a Emanação ou a manifestação total do Verbo, cada ser emandado, sub-múltiplo desta Emanação, se caracterizará igualmente pelo número quatro; ele se converterá em um ser individual à medida que se distinga da Unidade ou do centro emanador, e acabamos de ver que esta distinção do Quaternário com a Unidade é precisamente a gênese do Quinário.
Já falamos, em nosso estudo sobre o Demiurgo, que a distinção da qual nasce a existência individual é o ponto de partida da Criação; na verdade, esta existe na medida em que o conjunto dos seres individuais, caracterizados pelo número cinco, se considera como distinto da Unidade, o que dá nascimento ao número seis. Se pode ver este número, como já observamos anteriormente, formado por dois ternários dos quais um é o reflexo invertido do outro; isto é o que representam os dois triângulos do Selo de Salomão, símbolo do Macrocosmos ou do Mundo criado.
As coisas são distintas de nós na medida em que nós as distinguimos; na mesma medida se convertem em exteriores, e ao mesmo tempo se convertem também em distintas entre si; aparecem então como revestidas de formas, e esta Formação, que é a conseqüência imediata da Criação, se caracteriza pelo número que segue ao Senário, ou seja, o Setenário. Somente indicaremos a concordância do que acabamos de dizer com o primeiro capítulo do Gênesis: as seis fases da Criação, e o papel formador dos sete Elohim, representando o conjunto das forças naturais e simbolizados pelas sete esferas planetárias, que também se poderiam fazer corresponder aos sete primeiros números, se designando a esfera inferior, que é a da Lua, como o Mundo da Formação.
O Setenário, tal como acabamos de considerá-lo, pode ser representado, ou pelo duplo triângulo com seu centro, ou por uma estrela de sete pontas, ao redor da qual estão inscritos os signos dos sete planetas; é o símbolo das forças naturais, ou seja, do Setenário no estado dinâmico. Se o consideramos no estado estático, o poderíamos ver formado pela união de um Ternário e um Quaternário, e ele estaria então representado por um quadrado envolvido (rematado) por um triângulo; haveria muito o que dizer sobre o significado de todas estas formas geométricas, mas estas considerações nos levariam muito longe do tema do presente estudo.
A Formação conduz ao que podemos chamar a realização material, que marca para nós o limite da manifestação do Ser, e que estará então caracterizada pelo número oito. Este corresponde ao Mundo terrestre, compreendido no interiro das sete esferas planetárias, e que deve ser considerado aqui simbolizando o conjunto do Mundo material em sua totalidade; por outro lado, fica bem claro que cada Mundo não é em absoluto um lugar, mas um estado ou uma modalidade do ser. O número oito corresponde também a uma idéia de equilíbrio, porque a realização material é, como acabamos de dizer, una limitação; de algum modo um ponto de parada na distinção que nós criamos nas coisas, distinção cujo grau mede o que se designa simbolicamente como a profundidade da queda; já dissemos que a queda não é mais do que um modo de expressar esta mesma distinção, que cria a existência individual nos separando da Unidade principial.
O número oito se representa, no estado estático, por dois quadrados, um inscrito no outro, de maneira que os vértices do primeiro sejam as metades dos lados do segundo. No estado dinâmico, se representa por duas cruzes que têm o mesmo centro, de maneira que os braços de uma sejam as bissetrizes dos ângulos retos formados pelos braços da outra.
Se o número oito se soma à Unidade, forma o número nove, que, limitando assim para nós a manifestação do Ser, já que corresponde à realização material diferenciada da Unidade, estará representado pela circunferência, e designará a Multiplicidade. Já dissemos, por outro lado, que esta circunferência, cujos pontos em número indefinido são todas as manifestações formais do Ser ( não dizemos aqui todas as manifestações, mas somente as manifestações formais), pode ser vista como o Zero realizado. Com efeito, o número nove, somando-se à Unidade, forma o número dez, que resulta também da união do Zero com a Unidade, e que se representa pela circunferência e seu centro.
Por outro lado, o Novenário pode ainda ser considerado como um Ternário triplo; desde este ponto de vista, que é o ponto de vista estático, é representado por três triângulos superpostos, de maneira que cada um é o reflexo do imediatamente superior, de onde resulta que o triângulo do intermediário está invertido. Esta figuar é o símbolo dos três Mundos e de suas relações; por isto o Novenário é considerado muitas vezes como o número da hierarquia.
Por último, o Denário, correspondente à circunferência e seu centro, é a manifestação total do Ser, o desenvolvimento completo da Unidade; pode-se vê-lo então como não sendo outra coisa que esta Unidade realizada na Multiplicidade. A partir daqui, a série de números começa de novo para formar um novo ciclo:
11 = 10 + 1, 12 = 10 + 2, ... 20 = 10 + 10;
e depois vem um terceiro ciclo, e assim indefinidamente. Cada um destes ciclos se pode considerar como reproduzindo ao primeiro, mas em outro estado, ou se se preferir, em outra modalidade; eles seriam simbolizados então por outros tantos círculos situados paralelamente uns aos outros, em planos diferentes; no entanto, como na realidades não há nenhuma descontinuidade entre eles, é preciso que estes círculos não sejam fechados, de modo que o final de cada um seja ao mesmo tempo o começo do seguinte. Então já não são círculos, mas espirais sucessivas de uma hélice traçada sobre um cilindro, e estas espirais se encontram em número indefinido, sendo o próprio cilindro indefinido; cada uma destas espirais se projeta sobre um plano perpendicular ao eixo do cilindro seguindo um circulo, mas, na realidade, seu ponto de partida e seu ponto de chegada não estão no mesmo plano. Deveremos, além do mais, voltar a este tema quando, em outro estudo, connsiderarmos a representação geométrica da evolução.
Seria preciso que considerássemos agora outro modo de produção dos números, a produção pela multiplicação, e mais particularmente a multiplicação de um número por si próprio, dando lugar sucessivamente às diversas potências deste número. Mas aqui a representação geométrica nos levaria a considerações sobre as dimensões do espaço, que é preferível estudar separadamente; termos então que considerar em particular as potências sucessivas do Denário, o que nos conduzirá a enfocar sob um novo aspecto a questão dos limites do indefinido, e da passagem do indefinido ao Infinito.
Nas observações precedentes, quisemos simplesmente indicar como a produção dos números a partir da Unidade simboliza as diferentes fases da manifestação do Ser em sua sucessão lógica a partir do princípio, ou seja, do Ser mesmo, que é idêntico à Unidade; e, inclusive, se se faz intervir o Zero precedendo à Unidade primordial, se pode remontar assim além do Ser, ou seja, até o Absoluto.
Tradução para o espanhol: Alicia López Izquierdo
28.2.07
Deu na Notícia de Terça Feira
“Redução triplicaria reincidência – Chance de menor voltar ao crime pode chegar a 60%”
Uma matéria no jornal “A Notícia”, de Santa Catarina, do dia 27/02/2007 nos informa que “Dados do CONANDA [Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente] revelam que as taxas de reincidência no sistema socioeducativo (sic) são de 20%, enquanto nas penitenciárias chegam a 60%.
Experiências na Europa indicam que quanto mais cedo o adolescente ingressa no sistema penal, aumenta a chance de reincidência”.
O sujeito (a matéria não é assinada) tem que ser muito idiota – ou muito malicioso – para utilizar um dado desses contra a redução da maioridade penal.
Ora, hoje em dia, se um menor comete uma infração aos 15 e outra aos 17, ele é reincidente. Se outro comete uma infração aos 16, um crime aos 23, outro aos 26 e outro aos 30, ele NÃO é reincidente no sistema dos escoteiros do crime, porque o único dado válido é a primeira entrada.
Com a redução da maioridade penal, este anjinho passaria a ter quatro reincidências. Os dados referentes ao sistema penal são obtidos de um intervalo muito maior da vida do indivíduo.
Um erro tão grosseiro não deve ter passado despercebido pela redação. A única explicação possível é que o jornal A Notícia, em conformidade com os demais meios de comunicação defte paif, segue à risca a agendinha politicamente correta da Porcaria Totalitária.
No fim da matéria, mais duas outras pérolas.. O ex- Secretário Nacional de Segurança Pública, Luiz Eduardo Soares, com sua habitual perspicácia e seu enorme poder de análise observa que “permitir que menores de 18 anos possam ser processados pelos seus criminalmente também significa estender a área de atuação do sistema penitenciário brasileiro. ‘Todos reconhecemos que ele [sistema penitenciário] não cumpre nenhuma das tarefas constitucionais para as quais é constituído, portanto é falido’”.
Ou seja, devemos evitar que os menores infratores caiam nas garras do sistema penitenciário (isso é um ex-Secretário de InSegurança Pública que nos aconselha) porque ele é falho. Mesmo descontando o fato de ele ter a cara de pau de acusar o sistema penal como se ele não nunca tivesse tido o poder de melhorá-lo (e como se ele fosse totalmente isento de culpa); não passa pela cabeça desse senhor que um dia os menores crescem e passam a estar dentro “da área de atuação do sistema penitenciário brasileiro”? O que ele quer? Que estendamos o ECA para os maiores de idade?
Ele não deixa essa intenção explícita, a qual pareceria absurda a qualquer pessoa com mais de dois neurônios. Mas não precisa. O jornal explicita, fechando a matéria com o depoimento do juiz da infância e da juventude de Porto Alegre, Leoberto Brancher: “...[segundo o juiz] a redução da maioridade penal é equívoco histórico. Ele propôs inversão do debate ao destacar que as leis do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) são modelos de ressocialização e, por isso, deveriam ser ampliados até jovens adultos de 21 anos que tiveram (sic) crimes leves”.
Mais uma vez, essa canalha toda está em flagrante oposição ao que pensa a maioria da população brasileira; depois da matéria há um quadro mostrando opiniões sobre a redução da maioridade penas (2 contra, 9 a favor) e o resultado de uma pesquisa na internet (80% a favor, 20% contra).
Uma matéria no jornal “A Notícia”, de Santa Catarina, do dia 27/02/2007 nos informa que “Dados do CONANDA [Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente] revelam que as taxas de reincidência no sistema socioeducativo (sic) são de 20%, enquanto nas penitenciárias chegam a 60%.
Experiências na Europa indicam que quanto mais cedo o adolescente ingressa no sistema penal, aumenta a chance de reincidência”.
O sujeito (a matéria não é assinada) tem que ser muito idiota – ou muito malicioso – para utilizar um dado desses contra a redução da maioridade penal.
Ora, hoje em dia, se um menor comete uma infração aos 15 e outra aos 17, ele é reincidente. Se outro comete uma infração aos 16, um crime aos 23, outro aos 26 e outro aos 30, ele NÃO é reincidente no sistema dos escoteiros do crime, porque o único dado válido é a primeira entrada.
Com a redução da maioridade penal, este anjinho passaria a ter quatro reincidências. Os dados referentes ao sistema penal são obtidos de um intervalo muito maior da vida do indivíduo.
Um erro tão grosseiro não deve ter passado despercebido pela redação. A única explicação possível é que o jornal A Notícia, em conformidade com os demais meios de comunicação defte paif, segue à risca a agendinha politicamente correta da Porcaria Totalitária.
No fim da matéria, mais duas outras pérolas.. O ex- Secretário Nacional de Segurança Pública, Luiz Eduardo Soares, com sua habitual perspicácia e seu enorme poder de análise observa que “permitir que menores de 18 anos possam ser processados pelos seus criminalmente também significa estender a área de atuação do sistema penitenciário brasileiro. ‘Todos reconhecemos que ele [sistema penitenciário] não cumpre nenhuma das tarefas constitucionais para as quais é constituído, portanto é falido’”.
Ou seja, devemos evitar que os menores infratores caiam nas garras do sistema penitenciário (isso é um ex-Secretário de InSegurança Pública que nos aconselha) porque ele é falho. Mesmo descontando o fato de ele ter a cara de pau de acusar o sistema penal como se ele não nunca tivesse tido o poder de melhorá-lo (e como se ele fosse totalmente isento de culpa); não passa pela cabeça desse senhor que um dia os menores crescem e passam a estar dentro “da área de atuação do sistema penitenciário brasileiro”? O que ele quer? Que estendamos o ECA para os maiores de idade?
Ele não deixa essa intenção explícita, a qual pareceria absurda a qualquer pessoa com mais de dois neurônios. Mas não precisa. O jornal explicita, fechando a matéria com o depoimento do juiz da infância e da juventude de Porto Alegre, Leoberto Brancher: “...[segundo o juiz] a redução da maioridade penal é equívoco histórico. Ele propôs inversão do debate ao destacar que as leis do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) são modelos de ressocialização e, por isso, deveriam ser ampliados até jovens adultos de 21 anos que tiveram (sic) crimes leves”.
Mais uma vez, essa canalha toda está em flagrante oposição ao que pensa a maioria da população brasileira; depois da matéria há um quadro mostrando opiniões sobre a redução da maioridade penas (2 contra, 9 a favor) e o resultado de uma pesquisa na internet (80% a favor, 20% contra).
12.2.07
Mais um texto traduzido a partir da tradução em espanhol. Este é de René Guénon, que possui umas idéias bem esquisitas mas que merece ser estudado.
Ainda encontro algum original dele para traduzir.
René Guénon – Hermes
Artigo IV, 2., de Formes Tradicionelles et cycles cosmiques, Gallimard, Paris, 1970.
Ao falar, anteriormente, da tradição hermética, dizíamos que esta se refere, especificamente, não a um conhecimento de ordem metafísica, mas somente cosmológica, entendendo-se este termo, por outro lado, em sua dupla aplicação “macrocósmica” e “microcósmica”. Esta afirmação, mesmo que não seja senão a expressão estrita da verdade , não teve a sorte de agradar a alguns que, vendo o hermetismo através de sua própria fantasia, gostariam de fazer entrar nele tudo, sem distinção; é certo que mal sabem o que pode ser a metafísica pura... Seja como for, deve ficar bem claro que de nenhuma maneira tivemos a intenção de depreciar, com isto, as ciências tradicionais que pertencem ao hermetismo, nem as que lhe são correspondentes em outras formas doutrinais do Oriente e do Ocidente; mas é necessário saber pôr cada coisa em seu lugar, e estas ciências, como todo conhecimento especializado, não são, apesar de tudo, mais que secundárias e derivadas em relação aos princípios, não sendo mais do que a sua aplicação em uma ordem inferior da realidade. Só podem sustentar o contrário aqueles que quiseram atribuir à “Arte Real” a proeminência sobre a “Arte Sacerdotal”1; e, talvez, seja justamente esta, no fundo, a razão mais ou menos consciente dos protestos a que acabamos de aludir.
Sem nos preocuparmos muito mais com o que cada qual possa pensar ou dizer, pois não é nosso costume levar em conta essas opiniões individuais que não existem do ponto de vista da tradição, não nos parece inútil relatar algumas considerações novas que confirmam o que já dissemos, nos referindo de modo mais preciso ao que diz respeito a Hermes, pois pelo menos ninguém pode discutir de quem o Hermetismo toma o seu nome2. O Hermes grego possui, efetivamente, algumas características que respondem, de forma bem exata, ao que se trata no Hermetismo, e que são expressadas, de modo especial, por seu principal atributo, o caduceu, cujo simbolismo sem dúvida teremos que examinar de forma mais completa em alguma outra ocasião; neste momento, nos bastará dizer que este simbolismo se relaciona essencial e diretamente com o que podemos chamar a “alquimia humana” 3, e que concerce às propriedades do estado sutil, inclusive se estas não forem consideradas como algo mais do que o meio preparatório de uma realização superior, tais como são, na tradição hindu, as práticas equivalentes que pertencem ao Hatha-Yoga. Por outro lado, isso poderia ser transferido para a ordem cósmica, uma vez que tudo o que está no homem tem sua correspondência no mundo e vice-versa4; aqui também, e em razão desta mesma correspondência, se tratará especificamente do “mundo intermediário”, no qual se põem em execução forças cuja natureza dual está muito claramente figurada pelas duas serpentes do caduceu. Recordemos também, em relação a isto, que se representa Hermes como mensageiro dos Deuses e como seu intérprete (herméneutis), papel que, desde já, é de intermediário entre os mundos celeste e terrestre, e que além do mais tem a função de “psicopompo”, o qual, em uma ordem inferior, também se relaciona, evidentemente, com o domínio das possibilidades sutis5.
Talvez se pudesse objetar, quando se trata de hermetismo, que Hermes ocupa aqui o lugar do Thot egípcio com o qual foi identificado, e que Thot representa na verdade a sabedoria, relacionada com o sacerdócio enquanto conservador e transmissor da tradição; isso é verdade, mas, como essa assimilação não se pôde fazer sem uma razão, deve-se admitir que neste caso se deve considerar de forma mais especial um certo aspecto de Thot, correspondente a determinada parte da tradição, a que compreende os conhecimentos relacionados com o “mundo intermediário”; e, de fato, tudo o que podemos saber da antiga civilização egípcia, a partir dos vestígios que deixaram, mostra precisamente que os conhecimentos desta ordem estavam nela muito mais desenvolvidos e tinham adquirido uma importância muito mais considerável do que em qualquer outra parte. Existe, além do mais, outra semelhança, poderíamos até dizer outra equivalência, que mostra claramente que essa objeção careceria de alcance efetivo: na Índia, o planeta Mercúrio (ou Hermes) se chama Budha, nome cuja raiz significa exatamente a Sabedoria; aqui, também, é suficiente determinar a ordem na qual esta Sabedoria, que em sua essência é o princípio inspirador de todo conhecimento, deve encontrar quando se relaciona com essa função especializada6.
Em relação a esse nome, Budha, há um fato curioso a assinalar: é que, na verdade, ele é idêntico ao Odin escandinavo, Woden ou Wotan7; não é, desta forma, arbitrariamente que os romanos assimilaram este deus a seu Mercúrio e, por outro lado, nas línguas germânicas, a quarta-feira (dia de Mercúrio: Miércoles em espanhol, Mercredi em francês – N. do T.) ainda se designa hoje em dia como o dia de Odin. O que é ainda mais notável é que o mesmo nome volta a se encontrar exatamente no Votan das antigas tradições da América Central, o qual possui, além disso, os atributos de Hermes, pois ele é o Quetzalcohuatl, o “pássaro-serpente”, e a união destes dois animais simbólicos (que correspondem, respectivamente, aos elementos ar e fogo) é representada também pelas asas e as serpentes do caduceu8.
Seria necessário estar cego para não ver, em fatos deste tipo, um sinal da unidade fundamental de todas as doutrinas tradicionais; desgraçadamente, esta cegueira é demasiadamente comum em nossa época, na qual aqueles que verdadeiramente sabem ler os símbolos já são uma minoria ínfima, e onde, pelo contrário, se encontram “profanos” em demasia que se crêem qualificados para interpretar a “ciência sagrada”, a qual acomodam segundo o gosto da sua imaginação mais ou menos desordenada.
Outro ponto não menos interessante é o seguinte: na tradição islâmica, Seyidna Idris era identificado ao mesmo tempo com Hermes e com Enoc; esta assimilação dupla parece indicar uma continuidade de tradição que remontaria para além do sacerdócio egípcio, no qual ela somente haveria recolhido a herança do que Enoc representa, que se relaciona evidentemente com uma época anterior9. Ao mesmo tempo, as ciências atribuídas a Seyidna Idris e colocadas sob sua influência especial não são as ciências puramente espirituais, relacionadas com Seyidna Aissa, ou seja, com Cristo: são as ciências que podem ser qualificadas de “intermediárias”, entre as quais figuram em primeiro lugar a alquimia e a astrologia; e são estas, na verdade, as ciências que se pode chamar propriamente de “herméticas”. No entanto, aqui aparece outra consideração que, ao menos à primeira vista, se poderia ver como uma inversão bastante estranha em relação às correspondências habituais: entre os principais profetas, sempre há um, como veremos em um próximo estudo, que preside cada um dos sete céus planetários, e que é seu “Pólo” (El-Quth); pois bem, não é Seyidna Idris quem preside assim no céu de Mercúrio, mas Seyidna Aissa, e é no céu do Sol que onde Seyidna Idris preside; e, naturalmente, isso compreende a própria transposição nas correspondências astrológicas das ciências que respectivamente lhes atribuem. Isto põe uma questão muito complexa, que não poderíamos ter a pretensão de tratar aqui por inteiro; pode ser que tenhamos chance de voltar a ela, mas, no momento, nos limitaremos a algumas observações que talvez permitam dar a entrever sua solução e que, em qualquer caso, pelo menos mostrarão que há aí coisa muito diversa de uma simples confusão, e o que poderia passar por sê-lo aos olhos de um observador superficial e “exterior” repousa pelo contrário sobre razões na verdade muito profundas.
Para começar, não se trata de um caso isolado no conjunto das doutrinas tradicionais, pois é possível achar algo totalmente similar na angeologia hebraica: em geral, Miguel é o anjo do Sol e Rafael o anjo de Mercúrio, mas ocorre às vezes que estes papéis se invertem. Por outro lado, se a Miguel, enquanto representante do Metatron solar, se assimila esotericamente ao Cristo 10, Rafael é, segundo o significado de seu nome, o “curandeiro divino”, e o Cristo aparece também como “curador espiritual” e como “reparador”. Além do mais, poderiam se encontrar ainda outras relações entre o Cristo e o princípio representado por Mercúrio entre as esferas planetárias11. É certo que, entre os gregos, a medicina é atribuída a Apolo, ou seja, ao princípio solar, e a seu filho Asklépios (a quem os latinos fizeram Esculápio); no entanto, nos “livros heméticos”, Asklépios se converte no filho de Hermes, e também vale a pena assinalar que o bastão que é seu atributo tem estreitas relações simbólicas com o caduceu12. Este exemplo da medicina permite, de outro lado, se compreender como uma mesma ciência poder ter aspectos que se referem em realidades a ordens distintas, de onde aparecem correspondências igualmente diferentes, inclusive se os efeitos exteriores que se obtêm são aparentemente semelhantes, pois há a medicina puramente espiritual e “teúrgica” e também a medicina hermética ou “espagírica”; isto está em relação direta com a questão que estamos considerando e talvez explicaremos algum dia por que a medicina, do ponto de vista tradicional, era considerada essencialmente como uma ciência sacerdotal.
Por outro lado, quase sempre se encontra estabelecida uma estreita conexão entre Enoc (Seyidna Idris) e Elias (Seyidna Dhûl-Kifl), levados ambos ao Céu sem terem passado pela morte corporal13, e a tradição islâmica os situa a ambos na esfera solar. Igualmente, segundo a tradição rosacruz, Elias Artista, que preside a “Grande Obra” hermética14, reside na “Cidadela solar”, que por outra parte é propriamente a residência dos “Imortais” (no sentido dos Chirajîvîs da tradição hindu, ou seja, dos seres “dotados de longevidade”, ou cuja vida se perpetua através de toda a duração do ciclo15), e que representa um dos aspectos do “Centro do Mundo”. Tudo isto é seguramente muito digno de reflexão, e, se além disso ainda se adicionam as tradições que, um pouco por todas as partes, assimilam simbolicamente ao próprio Sol com o fruto da “Árvore da Vida”16, talvez se compreenda a relação especial que tem a influência solar com o hermetismo, à medida que este, como os “pequenos mistérios” da antiguidades, tem como fim essencial a restauração do “estado primordial” humano: não é a “Cidadela Solar” dos Rosa-Cruz a que deve “descer do Céu à Terra”, ao final do ciclo, sob a forma da “Jerusalém Celeste”, realizando a “quadratura do círculo” segundo a medida perfeita da “cana de ouro”? Tradução do francês para o Espanhol – J. M. R..
NOTAS
I –Publicado originalmente na revista Voile d’Isis, de abril de 1932.
1- Já tratamos esta questão em Autorité Spirituelle e Pouvoir Temporel – Sobre a expressão “Arte Real” que se conservou na Maçonaria, se poderá observar a curiosa semelhança que existe entre os nomes de Hermes e Hiram; isso não quer dizer, evidentemente, que ambos tenham uma origem lingüística comum, mas sua constituição não deixa de ser idêntica, e o conjunto HRM do qual eles são essencialmente formados poderia dar lugar ainda a outras relações.
2- Devemos manter que o hermetismo é sem dúvida de procedência heleno-egípcia, e que não se pode estender sem abuso esta denominação ao que, sob formas diversas, lhe corresponde em outras tradições, como tampouco se pode, por exemplo, chamar “Cabala” a uma doutrina que não fosse especificamente hebraica. Se escrevêssemos em hebraico, sem dúvida diríamos qabbalah para designar a tradição em geral, do mesmo modo que, escrevendo em árabe, chamaríamos taçawwuf a iniciação sob qualquer forma que fosse: no entanto, transportadas a outra língua, as palavras hebraicas, árabes, etc., devem ser reservadas para aquelas formas tradicionais das quais suas línguas de origem são a expressão respectiva, quaisquer que sejam por outro lado as comparações e inclusive as assimilações que possam legitimamente ser feitas; e não se pode confundir em nenhum caso uma certa ordem de conhecimento, considerado em si mesmo, com tal ou qual forma especial com a qual se haja revestido em circunstâncias históricas determinadas.
3- V. O Homem e seu devir segundo o Vêdânta, cap. XXI.
4- Como se diz nas Rasâil Ikhwân es-Safâ, “o mundo é um grande homem, e o homem é um pequeno mundo” (el-âlam insân kabir, wa el insân âlam seguir). Por outro lado é em virtude desta correspondência que uma certa realização na ordem “macrocósmica” pode acarretar, como conseqüência acidental para o ser que chegou a ela, uma realização exterior relacionada com a ordem macrocósmica”, sem que esta última se tenha buscado especialmente por ela mesma, como indicamos ao nos referirmos a certos casos de transmutações metálicas em nosso artigo anterior sobre A Tradição Hermética.
5- Astrologicamente, estas duas funções de mensageiro dos Deuses e de “psicopompo” poderiam se relacionar respectivamente com um aspecto diurno e noturno; por outro lado, também se pode encontrar nisto a correspondência entre as duas correntes ascendente e descendente que simbolizam as duas serpentes do caduceu.
6- Não se deve confundir este nome Budha com o de Buddha, designação do Shâkya-Muni, mesmo que ambos tenham evidentemente o mesmo significado radical, e mesmo que por outro lado certos atributos do Budha planetário se tenham transferido ulteriormente ao Buddha histórico, sendo este representado como “iluminado” pela irradiação deste astro, cuja essência ele haveria assim absorvido de alguma maneira em si mesmo. – Notemos e respeito disso que a mãe de Buddha se chama Mãyâ-Dêvî e que, entre os gregos e os latinos, Maia era também a mãe de Hermes ou de Mercúrio.
7- Se sabe que a mudança da b em v ou w é um fenônemo lingüístico extremamente freqüente.
8- V. a respeito deste tema nosso estudo sobre A língua dos pássaros (Capítulo VII de Símbolos Fundamentais da Ciência Sagrada), no qual fizemos notar que a serpente se opõe ou se associa à ave dependendo se lhe considera sob seu aspecto maléfico ou benéfico. Adicionamos ainda que uma figura como a da águia tendo uma serpente entre suas garras (que se encontra precisamente no México) não evoca exclusivamente a idéia de antagonismo representada, na tradição hindu, pelo combate do Gáruda contra o Nâga; ocorre, no simbolismo heráldico, que a serpente é substituída pela espada (substituição particularmente surpreendente quando esta tem a forma da espada flamígera, o que se pode comparar por outro lado com os raios que porta a águia de Júpiter) e espada, em seu significado mais elevado, representa a Sabedoria e o poder do Verbo (ver por exemplo Apocalipse 1, 16). É notável que um dos principais símbolos do Thot egípcio era o íbis, destrutor de répteis, tornando-se neste sentido símbolo do Cristo; com efeito, no caduceu de Hermes, temos a serpente sob seus dois aspectos contrários, com na figura da “anfisbena” da Idade Média (ver O Rei do Mundo, cap. II, in fine, em nota).
9- Não deveria ser concluído desta mesma assimilação que o Livro de Enoc, ou pelo menos o que se conhece por este título, deve ser considerado como constituindo parte integrante do conjunto dos “livros herméticos”? – Por outro lado, há quem diga alím disso que o profeta Idris é o mesmo que Buddha; o que se indicou mais acima mostra de forma suficiente em que sentido deve se entender esta afirmação, que se refere na realidade a Budha, o equivalente hindu de Hermes. Com efeito, não poderia se tratar aqui do Buddha histórico, cuja morte é um acontecimento conhecido, enquanto que de Idris se diz expressamente que foi transportado vivo ao Céu, o que responde bem ao Enoc bíblico.
10- Ver O Rei do Mundo, cap. III.
11- Talvez tenha que se ver aqui a origem do erro que alguns cometem ao considerar a Buddha como o novo avatâra de Vishnu; se trataria na verdade de uma manifestação relacionada com o princípio designado como o Budha planetário; neste último caso o Cristo solar seria propriamente o Cristo glorioso, ou seja, o décimo avatâra, aquele que há de vir ao fim do ciclo. – Recordemos, como curiosidade, que o mês de maio recebe seu nome de Maia, mãe de Mercúrio – de quem se diz que é uma das Plêiades-, à qual estava consagrado antigamente; pois bem, no Cristianismo, ele se converteu no “mês de Maria”, por uma assimilação, que sem dúvida não é unicamente fonética, entre Maria e Maia.
12- Ao redor do bastão de Esculápio se enrola uma só serpente, a que representa a força benéfica, pois a maléfica deve desaparecer dado que se trata do gênio da medicina. – Observamos igualmente a relação deste mesmo bastão de Esculápio, enquanto signo de cura, com o símbolo bíblico da “serpente de bronze” (ver, a respeito disto, nossso estudo sobre Sheth, capítulo XX de Símbolos Fundamentais da Ciência Sagrada).
13- Se diz deles que se hão de manifestar de novo sobre a terra no final do ciclo: são as duas “testemunhas” das quais se falam no capítulo XI do Apocalipse.
14- Ele encarna de certo modo a natureza do “fogo filosófico”, e se sabe que, segundo a narrativa bíblica, o profeta Elias foi arrebatado ao céu sobre um “carro de fogo”; isto se refere ao veículo ígneo (taijaza na tradição hindu) que, no ser humano, corresponde ao estado sutil (v. O Homem e seu devir segundo o Vêdanta, cap. XIV).
15- Ver O Homem e seu devir segundo o Vêdanta, cap. I _ Recordemos também, do ponto de vista alquímico, a correspondência do Sol com o ouro, designado pela tradição hindu como “a luz mineral”; o “ouro potável” dos hermetistas é, por outro lado, o mesmo que a “beberagem da imortalidade”, ao que também se chama “licor de ouro” no Taoísmo.
16- Ver O simbolismo da cruz, cap. IX.
Ainda encontro algum original dele para traduzir.
René Guénon – Hermes
Artigo IV, 2., de Formes Tradicionelles et cycles cosmiques, Gallimard, Paris, 1970.
Ao falar, anteriormente, da tradição hermética, dizíamos que esta se refere, especificamente, não a um conhecimento de ordem metafísica, mas somente cosmológica, entendendo-se este termo, por outro lado, em sua dupla aplicação “macrocósmica” e “microcósmica”. Esta afirmação, mesmo que não seja senão a expressão estrita da verdade , não teve a sorte de agradar a alguns que, vendo o hermetismo através de sua própria fantasia, gostariam de fazer entrar nele tudo, sem distinção; é certo que mal sabem o que pode ser a metafísica pura... Seja como for, deve ficar bem claro que de nenhuma maneira tivemos a intenção de depreciar, com isto, as ciências tradicionais que pertencem ao hermetismo, nem as que lhe são correspondentes em outras formas doutrinais do Oriente e do Ocidente; mas é necessário saber pôr cada coisa em seu lugar, e estas ciências, como todo conhecimento especializado, não são, apesar de tudo, mais que secundárias e derivadas em relação aos princípios, não sendo mais do que a sua aplicação em uma ordem inferior da realidade. Só podem sustentar o contrário aqueles que quiseram atribuir à “Arte Real” a proeminência sobre a “Arte Sacerdotal”1; e, talvez, seja justamente esta, no fundo, a razão mais ou menos consciente dos protestos a que acabamos de aludir.
Sem nos preocuparmos muito mais com o que cada qual possa pensar ou dizer, pois não é nosso costume levar em conta essas opiniões individuais que não existem do ponto de vista da tradição, não nos parece inútil relatar algumas considerações novas que confirmam o que já dissemos, nos referindo de modo mais preciso ao que diz respeito a Hermes, pois pelo menos ninguém pode discutir de quem o Hermetismo toma o seu nome2. O Hermes grego possui, efetivamente, algumas características que respondem, de forma bem exata, ao que se trata no Hermetismo, e que são expressadas, de modo especial, por seu principal atributo, o caduceu, cujo simbolismo sem dúvida teremos que examinar de forma mais completa em alguma outra ocasião; neste momento, nos bastará dizer que este simbolismo se relaciona essencial e diretamente com o que podemos chamar a “alquimia humana” 3, e que concerce às propriedades do estado sutil, inclusive se estas não forem consideradas como algo mais do que o meio preparatório de uma realização superior, tais como são, na tradição hindu, as práticas equivalentes que pertencem ao Hatha-Yoga. Por outro lado, isso poderia ser transferido para a ordem cósmica, uma vez que tudo o que está no homem tem sua correspondência no mundo e vice-versa4; aqui também, e em razão desta mesma correspondência, se tratará especificamente do “mundo intermediário”, no qual se põem em execução forças cuja natureza dual está muito claramente figurada pelas duas serpentes do caduceu. Recordemos também, em relação a isto, que se representa Hermes como mensageiro dos Deuses e como seu intérprete (herméneutis), papel que, desde já, é de intermediário entre os mundos celeste e terrestre, e que além do mais tem a função de “psicopompo”, o qual, em uma ordem inferior, também se relaciona, evidentemente, com o domínio das possibilidades sutis5.
Talvez se pudesse objetar, quando se trata de hermetismo, que Hermes ocupa aqui o lugar do Thot egípcio com o qual foi identificado, e que Thot representa na verdade a sabedoria, relacionada com o sacerdócio enquanto conservador e transmissor da tradição; isso é verdade, mas, como essa assimilação não se pôde fazer sem uma razão, deve-se admitir que neste caso se deve considerar de forma mais especial um certo aspecto de Thot, correspondente a determinada parte da tradição, a que compreende os conhecimentos relacionados com o “mundo intermediário”; e, de fato, tudo o que podemos saber da antiga civilização egípcia, a partir dos vestígios que deixaram, mostra precisamente que os conhecimentos desta ordem estavam nela muito mais desenvolvidos e tinham adquirido uma importância muito mais considerável do que em qualquer outra parte. Existe, além do mais, outra semelhança, poderíamos até dizer outra equivalência, que mostra claramente que essa objeção careceria de alcance efetivo: na Índia, o planeta Mercúrio (ou Hermes) se chama Budha, nome cuja raiz significa exatamente a Sabedoria; aqui, também, é suficiente determinar a ordem na qual esta Sabedoria, que em sua essência é o princípio inspirador de todo conhecimento, deve encontrar quando se relaciona com essa função especializada6.
Em relação a esse nome, Budha, há um fato curioso a assinalar: é que, na verdade, ele é idêntico ao Odin escandinavo, Woden ou Wotan7; não é, desta forma, arbitrariamente que os romanos assimilaram este deus a seu Mercúrio e, por outro lado, nas línguas germânicas, a quarta-feira (dia de Mercúrio: Miércoles em espanhol, Mercredi em francês – N. do T.) ainda se designa hoje em dia como o dia de Odin. O que é ainda mais notável é que o mesmo nome volta a se encontrar exatamente no Votan das antigas tradições da América Central, o qual possui, além disso, os atributos de Hermes, pois ele é o Quetzalcohuatl, o “pássaro-serpente”, e a união destes dois animais simbólicos (que correspondem, respectivamente, aos elementos ar e fogo) é representada também pelas asas e as serpentes do caduceu8.
Seria necessário estar cego para não ver, em fatos deste tipo, um sinal da unidade fundamental de todas as doutrinas tradicionais; desgraçadamente, esta cegueira é demasiadamente comum em nossa época, na qual aqueles que verdadeiramente sabem ler os símbolos já são uma minoria ínfima, e onde, pelo contrário, se encontram “profanos” em demasia que se crêem qualificados para interpretar a “ciência sagrada”, a qual acomodam segundo o gosto da sua imaginação mais ou menos desordenada.
Outro ponto não menos interessante é o seguinte: na tradição islâmica, Seyidna Idris era identificado ao mesmo tempo com Hermes e com Enoc; esta assimilação dupla parece indicar uma continuidade de tradição que remontaria para além do sacerdócio egípcio, no qual ela somente haveria recolhido a herança do que Enoc representa, que se relaciona evidentemente com uma época anterior9. Ao mesmo tempo, as ciências atribuídas a Seyidna Idris e colocadas sob sua influência especial não são as ciências puramente espirituais, relacionadas com Seyidna Aissa, ou seja, com Cristo: são as ciências que podem ser qualificadas de “intermediárias”, entre as quais figuram em primeiro lugar a alquimia e a astrologia; e são estas, na verdade, as ciências que se pode chamar propriamente de “herméticas”. No entanto, aqui aparece outra consideração que, ao menos à primeira vista, se poderia ver como uma inversão bastante estranha em relação às correspondências habituais: entre os principais profetas, sempre há um, como veremos em um próximo estudo, que preside cada um dos sete céus planetários, e que é seu “Pólo” (El-Quth); pois bem, não é Seyidna Idris quem preside assim no céu de Mercúrio, mas Seyidna Aissa, e é no céu do Sol que onde Seyidna Idris preside; e, naturalmente, isso compreende a própria transposição nas correspondências astrológicas das ciências que respectivamente lhes atribuem. Isto põe uma questão muito complexa, que não poderíamos ter a pretensão de tratar aqui por inteiro; pode ser que tenhamos chance de voltar a ela, mas, no momento, nos limitaremos a algumas observações que talvez permitam dar a entrever sua solução e que, em qualquer caso, pelo menos mostrarão que há aí coisa muito diversa de uma simples confusão, e o que poderia passar por sê-lo aos olhos de um observador superficial e “exterior” repousa pelo contrário sobre razões na verdade muito profundas.
Para começar, não se trata de um caso isolado no conjunto das doutrinas tradicionais, pois é possível achar algo totalmente similar na angeologia hebraica: em geral, Miguel é o anjo do Sol e Rafael o anjo de Mercúrio, mas ocorre às vezes que estes papéis se invertem. Por outro lado, se a Miguel, enquanto representante do Metatron solar, se assimila esotericamente ao Cristo 10, Rafael é, segundo o significado de seu nome, o “curandeiro divino”, e o Cristo aparece também como “curador espiritual” e como “reparador”. Além do mais, poderiam se encontrar ainda outras relações entre o Cristo e o princípio representado por Mercúrio entre as esferas planetárias11. É certo que, entre os gregos, a medicina é atribuída a Apolo, ou seja, ao princípio solar, e a seu filho Asklépios (a quem os latinos fizeram Esculápio); no entanto, nos “livros heméticos”, Asklépios se converte no filho de Hermes, e também vale a pena assinalar que o bastão que é seu atributo tem estreitas relações simbólicas com o caduceu12. Este exemplo da medicina permite, de outro lado, se compreender como uma mesma ciência poder ter aspectos que se referem em realidades a ordens distintas, de onde aparecem correspondências igualmente diferentes, inclusive se os efeitos exteriores que se obtêm são aparentemente semelhantes, pois há a medicina puramente espiritual e “teúrgica” e também a medicina hermética ou “espagírica”; isto está em relação direta com a questão que estamos considerando e talvez explicaremos algum dia por que a medicina, do ponto de vista tradicional, era considerada essencialmente como uma ciência sacerdotal.
Por outro lado, quase sempre se encontra estabelecida uma estreita conexão entre Enoc (Seyidna Idris) e Elias (Seyidna Dhûl-Kifl), levados ambos ao Céu sem terem passado pela morte corporal13, e a tradição islâmica os situa a ambos na esfera solar. Igualmente, segundo a tradição rosacruz, Elias Artista, que preside a “Grande Obra” hermética14, reside na “Cidadela solar”, que por outra parte é propriamente a residência dos “Imortais” (no sentido dos Chirajîvîs da tradição hindu, ou seja, dos seres “dotados de longevidade”, ou cuja vida se perpetua através de toda a duração do ciclo15), e que representa um dos aspectos do “Centro do Mundo”. Tudo isto é seguramente muito digno de reflexão, e, se além disso ainda se adicionam as tradições que, um pouco por todas as partes, assimilam simbolicamente ao próprio Sol com o fruto da “Árvore da Vida”16, talvez se compreenda a relação especial que tem a influência solar com o hermetismo, à medida que este, como os “pequenos mistérios” da antiguidades, tem como fim essencial a restauração do “estado primordial” humano: não é a “Cidadela Solar” dos Rosa-Cruz a que deve “descer do Céu à Terra”, ao final do ciclo, sob a forma da “Jerusalém Celeste”, realizando a “quadratura do círculo” segundo a medida perfeita da “cana de ouro”? Tradução do francês para o Espanhol – J. M. R..
NOTAS
I –Publicado originalmente na revista Voile d’Isis, de abril de 1932.
1- Já tratamos esta questão em Autorité Spirituelle e Pouvoir Temporel – Sobre a expressão “Arte Real” que se conservou na Maçonaria, se poderá observar a curiosa semelhança que existe entre os nomes de Hermes e Hiram; isso não quer dizer, evidentemente, que ambos tenham uma origem lingüística comum, mas sua constituição não deixa de ser idêntica, e o conjunto HRM do qual eles são essencialmente formados poderia dar lugar ainda a outras relações.
2- Devemos manter que o hermetismo é sem dúvida de procedência heleno-egípcia, e que não se pode estender sem abuso esta denominação ao que, sob formas diversas, lhe corresponde em outras tradições, como tampouco se pode, por exemplo, chamar “Cabala” a uma doutrina que não fosse especificamente hebraica. Se escrevêssemos em hebraico, sem dúvida diríamos qabbalah para designar a tradição em geral, do mesmo modo que, escrevendo em árabe, chamaríamos taçawwuf a iniciação sob qualquer forma que fosse: no entanto, transportadas a outra língua, as palavras hebraicas, árabes, etc., devem ser reservadas para aquelas formas tradicionais das quais suas línguas de origem são a expressão respectiva, quaisquer que sejam por outro lado as comparações e inclusive as assimilações que possam legitimamente ser feitas; e não se pode confundir em nenhum caso uma certa ordem de conhecimento, considerado em si mesmo, com tal ou qual forma especial com a qual se haja revestido em circunstâncias históricas determinadas.
3- V. O Homem e seu devir segundo o Vêdânta, cap. XXI.
4- Como se diz nas Rasâil Ikhwân es-Safâ, “o mundo é um grande homem, e o homem é um pequeno mundo” (el-âlam insân kabir, wa el insân âlam seguir). Por outro lado é em virtude desta correspondência que uma certa realização na ordem “macrocósmica” pode acarretar, como conseqüência acidental para o ser que chegou a ela, uma realização exterior relacionada com a ordem macrocósmica”, sem que esta última se tenha buscado especialmente por ela mesma, como indicamos ao nos referirmos a certos casos de transmutações metálicas em nosso artigo anterior sobre A Tradição Hermética.
5- Astrologicamente, estas duas funções de mensageiro dos Deuses e de “psicopompo” poderiam se relacionar respectivamente com um aspecto diurno e noturno; por outro lado, também se pode encontrar nisto a correspondência entre as duas correntes ascendente e descendente que simbolizam as duas serpentes do caduceu.
6- Não se deve confundir este nome Budha com o de Buddha, designação do Shâkya-Muni, mesmo que ambos tenham evidentemente o mesmo significado radical, e mesmo que por outro lado certos atributos do Budha planetário se tenham transferido ulteriormente ao Buddha histórico, sendo este representado como “iluminado” pela irradiação deste astro, cuja essência ele haveria assim absorvido de alguma maneira em si mesmo. – Notemos e respeito disso que a mãe de Buddha se chama Mãyâ-Dêvî e que, entre os gregos e os latinos, Maia era também a mãe de Hermes ou de Mercúrio.
7- Se sabe que a mudança da b em v ou w é um fenônemo lingüístico extremamente freqüente.
8- V. a respeito deste tema nosso estudo sobre A língua dos pássaros (Capítulo VII de Símbolos Fundamentais da Ciência Sagrada), no qual fizemos notar que a serpente se opõe ou se associa à ave dependendo se lhe considera sob seu aspecto maléfico ou benéfico. Adicionamos ainda que uma figura como a da águia tendo uma serpente entre suas garras (que se encontra precisamente no México) não evoca exclusivamente a idéia de antagonismo representada, na tradição hindu, pelo combate do Gáruda contra o Nâga; ocorre, no simbolismo heráldico, que a serpente é substituída pela espada (substituição particularmente surpreendente quando esta tem a forma da espada flamígera, o que se pode comparar por outro lado com os raios que porta a águia de Júpiter) e espada, em seu significado mais elevado, representa a Sabedoria e o poder do Verbo (ver por exemplo Apocalipse 1, 16). É notável que um dos principais símbolos do Thot egípcio era o íbis, destrutor de répteis, tornando-se neste sentido símbolo do Cristo; com efeito, no caduceu de Hermes, temos a serpente sob seus dois aspectos contrários, com na figura da “anfisbena” da Idade Média (ver O Rei do Mundo, cap. II, in fine, em nota).
9- Não deveria ser concluído desta mesma assimilação que o Livro de Enoc, ou pelo menos o que se conhece por este título, deve ser considerado como constituindo parte integrante do conjunto dos “livros herméticos”? – Por outro lado, há quem diga alím disso que o profeta Idris é o mesmo que Buddha; o que se indicou mais acima mostra de forma suficiente em que sentido deve se entender esta afirmação, que se refere na realidade a Budha, o equivalente hindu de Hermes. Com efeito, não poderia se tratar aqui do Buddha histórico, cuja morte é um acontecimento conhecido, enquanto que de Idris se diz expressamente que foi transportado vivo ao Céu, o que responde bem ao Enoc bíblico.
10- Ver O Rei do Mundo, cap. III.
11- Talvez tenha que se ver aqui a origem do erro que alguns cometem ao considerar a Buddha como o novo avatâra de Vishnu; se trataria na verdade de uma manifestação relacionada com o princípio designado como o Budha planetário; neste último caso o Cristo solar seria propriamente o Cristo glorioso, ou seja, o décimo avatâra, aquele que há de vir ao fim do ciclo. – Recordemos, como curiosidade, que o mês de maio recebe seu nome de Maia, mãe de Mercúrio – de quem se diz que é uma das Plêiades-, à qual estava consagrado antigamente; pois bem, no Cristianismo, ele se converteu no “mês de Maria”, por uma assimilação, que sem dúvida não é unicamente fonética, entre Maria e Maia.
12- Ao redor do bastão de Esculápio se enrola uma só serpente, a que representa a força benéfica, pois a maléfica deve desaparecer dado que se trata do gênio da medicina. – Observamos igualmente a relação deste mesmo bastão de Esculápio, enquanto signo de cura, com o símbolo bíblico da “serpente de bronze” (ver, a respeito disto, nossso estudo sobre Sheth, capítulo XX de Símbolos Fundamentais da Ciência Sagrada).
13- Se diz deles que se hão de manifestar de novo sobre a terra no final do ciclo: são as duas “testemunhas” das quais se falam no capítulo XI do Apocalipse.
14- Ele encarna de certo modo a natureza do “fogo filosófico”, e se sabe que, segundo a narrativa bíblica, o profeta Elias foi arrebatado ao céu sobre um “carro de fogo”; isto se refere ao veículo ígneo (taijaza na tradição hindu) que, no ser humano, corresponde ao estado sutil (v. O Homem e seu devir segundo o Vêdanta, cap. XIV).
15- Ver O Homem e seu devir segundo o Vêdanta, cap. I _ Recordemos também, do ponto de vista alquímico, a correspondência do Sol com o ouro, designado pela tradição hindu como “a luz mineral”; o “ouro potável” dos hermetistas é, por outro lado, o mesmo que a “beberagem da imortalidade”, ao que também se chama “licor de ouro” no Taoísmo.
16- Ver O simbolismo da cruz, cap. IX.
9.2.07
Titus Burckhardt - Natureza da perspectiva cosmológica
Esta tradução é minha, feita a partir da versão em espanhol; o texto original é em francês (mas o texto em espanhol dá para baixar de graça da internet, o em francês - até onde eu vi - não...)
Natureza da perspectiva cosmológica
Artigo publicado originalmente em Études Tradicionelles, edição de julho/agosto de 1948 e posteriormente incluído em Aperçus sur la conaissance sacreé, Milão, Arché, 1987. A tradução para o espanhol que utilizamos foi feita por Augustín Lopes e foi publicada no no 1 da revista Axis Mundi (Ia época), no outono de 1994.
As sete “artes liberais” da Idade Média têm por objeto disciplinas que os modernos não duvidariam em qualificar de “ciências”; tais são, por exemplo, as matemáticas, a astronomia, a dialética ou a geometria. Esta identificação entre ciência e arte, conforme à estrutura contemplativa do Trivium e do Quatrivium, se deriva da natureza fundamental da perspectiva cosmológica.
Em regra geral, os historiadores modernos não vêem na cosmologia tradicional – trate-se das doutrinas cosmológicas das civilizações antigas e orientais ou das do Ocidente medieval – mais do que ensaios infantis e titubeantes de explicar a causalidade dos fenômenos. Assim, eles sucumbem a um erro de óptica análogo ao dos espectadores que, imbuídos de um preconceito “naturalista”, julgam as obras de arte medievais segundo seus critérios de observação “exata” da natureza e de “habilidade” artística. A incompreensão moderna a respeito da arte sagrada e da cosmologia contemplativa procede dos mesmos erros. E isso não é de modo algum desmentido pelo fato de que certos estudiosos (muitas vezes os mesmos que adotam ante a cosmologia medieval ou oriental uma atitude compassiva mesclada de ironia) rendam homenagem a tais formas artísticas ou reconheçam ao artista o direito de “exagerar” certos traços de seus modelos naturais e de suprimir outros para sugerir realidades de ordem interior; o que essa tolerância demonstra é que para os modernos o simbolismo artístico possui alcance estritamente individual, psicológico ou inclusive simplesmente afetivo. Estes eruditos ignoram, evidentemente, que a eleição artística das formas, quando surge de princípios inspirados ou regularmente transmitidos, pode fazer assentir a possibilidades permanentes e inesgotáveis do Espírito, uma vez que a arte tradicional implica uma “lógica” no sentido universal do termo1. A mentalidade moderna está cega devido a seu apego aos aspectos sentimentais das formas de arte e, com freqüência, reage em função de uma herança psicológica muito particular; além disso, ela parte do preconceito de que a intuição artística e a ciência constituem dois domínios radicalmente distintos. Se fosse de outro modo, se deveria, por justiça, conceder à cosmologia o que se parece conceder à arte, a saber, o direito de se expressar por alusão e a utilizar formas sensíveis como parábolas.
No entanto, para o homem moderno toda ciência se faz suspeita desde o momento em que abandona o plano dos fatos psicológicos comprováveis, e deixa de ser verossímil desde que se desliga de uma forma de raciocínio que se baseia na idéia de uma espécie de suposta continuidade plástica da mente: como se todo o cosmos devesse estar configurado segundo o que a faculdade imaginativa tem de “material” e quantitativa. Na verdade, esta atitude representa muito mais uma limitação mental, fruto de uma atividade extremadamente unilateral e artificial, do que uma posição filosófica, pois toda ciência, por relativa ou provisória que seja, pressupõe uma correspondência necessária entre a ordem espontaneamente inerente ao espírito cognoscente, de um lado, e a compossibilidade das coisas, de outro, sem a qual não haveria nenhuma forma de verdade2. Pois bem, posto que a analogia constitutiva do macrocosmos não pode ser negada, e posto que esta analogia afirma, de ambas as partes, a unidade principial, unidade esta que é como um eixo em relação ao qual tudo se ordena, não se vê porquê o conhecimento da “natureza”, no sentido mais vasto do termo, não deveria abandonar as muletas de uma experiência mais ou menos quantitativa, e porquê toda visão intelectual “do alto” seria a princípio uma hipótese gratuita. Entretanto, os eruditos modernos têm uma verdadeira aversão contra tudo o que transcenda esta condição de “junto à terra” própria da “ciência exata”; a seus olhos, pôr em relevo o atrativo “poético” de uma doutrina é desacreditá-la como ciência. Esta desconfiança “científica” torpe e pesada em relação à grandeza e à beleza de uma concepção revela uma incompreensão total da natureza da arte primordial e da natureza mesma das coisas.
A cosmologia tradicional implica sempre um aspecto de “arte” no sentido primordial do termo: quando a ciência ultrapassa o horizonte do mundo corporal, ou quando simplesmente se considera o que neste mundo se manifesta das qualidades transcendentes, se faz impossível “registrar” o objeto do conhecimento como se registram os contornos e detalhes de um fenômeno sensível; não queremos dizer que a intelecção das realidades superiores ao mundo corporal seja imperfeita; estamos falando apenas da sua “fixação” mental e verbal; tudo o que pode se transmitir destas visões da realidade tem o caráter de chaves especulativas que ajudarão a reencontrar a “visão” sintética que se busca. Pois bem, a justa aplicação destas “chaves” à multiplicidade irisada das facetas do Cosmos dependerá do que se pode chamar de arte, uma vez que esta aplicação supõe uma certa realização espiritual ou pelo menos o domínio de certas “dimensões conceituais”.3
Quanto à ciência moderna, não só se limita, no estudo da natureza, a um de seus planos de existência – o que origina a dispersão “horizontal”, contrária ao espírito contemplativo – mas também diminui, tanto quanto pode, os conteúdos da natureza, como tratando de agarrar com mais força a “materialidade autônoma” das coisas; e este empobrecimento parcial, tanto teórico quanto tecnológico, da realidade se opõe radicalmente à natureza da arte; pois a arte não é nada sem a plenitude na unidade, sem ritmo e proporção.
Dito de outro modo, a ciência moderna é feia, de uma fealdade que acaba por deturpar a noção mesma de “realidade”4 e por se arrogar o prestígio do juízo “objetivo” sobre as coisas5; daqui vem a ironia dos modernos contra tudo o que, nas ciências tradicionais, irradia uma sensação de ingênua beleza. Pelo contrário, essa fealdade da ciência moderna lhe tira todo o valor do ponto de vista das ciências contemplativas e inspiradas, pois o objeto central destas ciências é a Unicidade de tudo o que existe, unicidade que a ciência não poderia propriamente negar – já que tudo implicitamente o afirma – mas que pode, na verdade, graças a seu método - de secção - nos impedir de “saborear”.
NOTAS:
V. Frithjof Schuon: “La question des formes d’art”, em De Unité Transcendante des religions, Paris, Du Seuil, 1979.
Cf. René Guénon: “Le Nyâya”, em Introduction générale à l’Étude dês Doctrines Hindoues, Paris, Veja, 1976, onde ele diz: “...se a idéia, na medida em que é verdadeira e adequada, participa da natureza da coisa, inversamente, a própria coisa participa também da natureza da idéia”.
Um exemplo de tal “chave” especulativa é o esquema de um horóscopo, que representa simbolicamente todas as relações entre um microcosmo humano e o macrocosmo. A interpretação do horóscopo levará consigo aplicações inumeráveis que só podem ser intuídas com certeza em virtude da “forma” única do ser, forma que horóscopo esconde e revela ao mesmo tempo.
Daqui vem o emprego na estética moderna do termo “realismo”.
Para a grande maioria dos europeus, o signo e o patrimônio da ciência são os aparatos complicados, a papelada e a atitude do cirurgião.
Natureza da perspectiva cosmológica
Artigo publicado originalmente em Études Tradicionelles, edição de julho/agosto de 1948 e posteriormente incluído em Aperçus sur la conaissance sacreé, Milão, Arché, 1987. A tradução para o espanhol que utilizamos foi feita por Augustín Lopes e foi publicada no no 1 da revista Axis Mundi (Ia época), no outono de 1994.
As sete “artes liberais” da Idade Média têm por objeto disciplinas que os modernos não duvidariam em qualificar de “ciências”; tais são, por exemplo, as matemáticas, a astronomia, a dialética ou a geometria. Esta identificação entre ciência e arte, conforme à estrutura contemplativa do Trivium e do Quatrivium, se deriva da natureza fundamental da perspectiva cosmológica.
Em regra geral, os historiadores modernos não vêem na cosmologia tradicional – trate-se das doutrinas cosmológicas das civilizações antigas e orientais ou das do Ocidente medieval – mais do que ensaios infantis e titubeantes de explicar a causalidade dos fenômenos. Assim, eles sucumbem a um erro de óptica análogo ao dos espectadores que, imbuídos de um preconceito “naturalista”, julgam as obras de arte medievais segundo seus critérios de observação “exata” da natureza e de “habilidade” artística. A incompreensão moderna a respeito da arte sagrada e da cosmologia contemplativa procede dos mesmos erros. E isso não é de modo algum desmentido pelo fato de que certos estudiosos (muitas vezes os mesmos que adotam ante a cosmologia medieval ou oriental uma atitude compassiva mesclada de ironia) rendam homenagem a tais formas artísticas ou reconheçam ao artista o direito de “exagerar” certos traços de seus modelos naturais e de suprimir outros para sugerir realidades de ordem interior; o que essa tolerância demonstra é que para os modernos o simbolismo artístico possui alcance estritamente individual, psicológico ou inclusive simplesmente afetivo. Estes eruditos ignoram, evidentemente, que a eleição artística das formas, quando surge de princípios inspirados ou regularmente transmitidos, pode fazer assentir a possibilidades permanentes e inesgotáveis do Espírito, uma vez que a arte tradicional implica uma “lógica” no sentido universal do termo1. A mentalidade moderna está cega devido a seu apego aos aspectos sentimentais das formas de arte e, com freqüência, reage em função de uma herança psicológica muito particular; além disso, ela parte do preconceito de que a intuição artística e a ciência constituem dois domínios radicalmente distintos. Se fosse de outro modo, se deveria, por justiça, conceder à cosmologia o que se parece conceder à arte, a saber, o direito de se expressar por alusão e a utilizar formas sensíveis como parábolas.
No entanto, para o homem moderno toda ciência se faz suspeita desde o momento em que abandona o plano dos fatos psicológicos comprováveis, e deixa de ser verossímil desde que se desliga de uma forma de raciocínio que se baseia na idéia de uma espécie de suposta continuidade plástica da mente: como se todo o cosmos devesse estar configurado segundo o que a faculdade imaginativa tem de “material” e quantitativa. Na verdade, esta atitude representa muito mais uma limitação mental, fruto de uma atividade extremadamente unilateral e artificial, do que uma posição filosófica, pois toda ciência, por relativa ou provisória que seja, pressupõe uma correspondência necessária entre a ordem espontaneamente inerente ao espírito cognoscente, de um lado, e a compossibilidade das coisas, de outro, sem a qual não haveria nenhuma forma de verdade2. Pois bem, posto que a analogia constitutiva do macrocosmos não pode ser negada, e posto que esta analogia afirma, de ambas as partes, a unidade principial, unidade esta que é como um eixo em relação ao qual tudo se ordena, não se vê porquê o conhecimento da “natureza”, no sentido mais vasto do termo, não deveria abandonar as muletas de uma experiência mais ou menos quantitativa, e porquê toda visão intelectual “do alto” seria a princípio uma hipótese gratuita. Entretanto, os eruditos modernos têm uma verdadeira aversão contra tudo o que transcenda esta condição de “junto à terra” própria da “ciência exata”; a seus olhos, pôr em relevo o atrativo “poético” de uma doutrina é desacreditá-la como ciência. Esta desconfiança “científica” torpe e pesada em relação à grandeza e à beleza de uma concepção revela uma incompreensão total da natureza da arte primordial e da natureza mesma das coisas.
A cosmologia tradicional implica sempre um aspecto de “arte” no sentido primordial do termo: quando a ciência ultrapassa o horizonte do mundo corporal, ou quando simplesmente se considera o que neste mundo se manifesta das qualidades transcendentes, se faz impossível “registrar” o objeto do conhecimento como se registram os contornos e detalhes de um fenômeno sensível; não queremos dizer que a intelecção das realidades superiores ao mundo corporal seja imperfeita; estamos falando apenas da sua “fixação” mental e verbal; tudo o que pode se transmitir destas visões da realidade tem o caráter de chaves especulativas que ajudarão a reencontrar a “visão” sintética que se busca. Pois bem, a justa aplicação destas “chaves” à multiplicidade irisada das facetas do Cosmos dependerá do que se pode chamar de arte, uma vez que esta aplicação supõe uma certa realização espiritual ou pelo menos o domínio de certas “dimensões conceituais”.3
Quanto à ciência moderna, não só se limita, no estudo da natureza, a um de seus planos de existência – o que origina a dispersão “horizontal”, contrária ao espírito contemplativo – mas também diminui, tanto quanto pode, os conteúdos da natureza, como tratando de agarrar com mais força a “materialidade autônoma” das coisas; e este empobrecimento parcial, tanto teórico quanto tecnológico, da realidade se opõe radicalmente à natureza da arte; pois a arte não é nada sem a plenitude na unidade, sem ritmo e proporção.
Dito de outro modo, a ciência moderna é feia, de uma fealdade que acaba por deturpar a noção mesma de “realidade”4 e por se arrogar o prestígio do juízo “objetivo” sobre as coisas5; daqui vem a ironia dos modernos contra tudo o que, nas ciências tradicionais, irradia uma sensação de ingênua beleza. Pelo contrário, essa fealdade da ciência moderna lhe tira todo o valor do ponto de vista das ciências contemplativas e inspiradas, pois o objeto central destas ciências é a Unicidade de tudo o que existe, unicidade que a ciência não poderia propriamente negar – já que tudo implicitamente o afirma – mas que pode, na verdade, graças a seu método - de secção - nos impedir de “saborear”.
NOTAS:
V. Frithjof Schuon: “La question des formes d’art”, em De Unité Transcendante des religions, Paris, Du Seuil, 1979.
Cf. René Guénon: “Le Nyâya”, em Introduction générale à l’Étude dês Doctrines Hindoues, Paris, Veja, 1976, onde ele diz: “...se a idéia, na medida em que é verdadeira e adequada, participa da natureza da coisa, inversamente, a própria coisa participa também da natureza da idéia”.
Um exemplo de tal “chave” especulativa é o esquema de um horóscopo, que representa simbolicamente todas as relações entre um microcosmo humano e o macrocosmo. A interpretação do horóscopo levará consigo aplicações inumeráveis que só podem ser intuídas com certeza em virtude da “forma” única do ser, forma que horóscopo esconde e revela ao mesmo tempo.
Daqui vem o emprego na estética moderna do termo “realismo”.
Para a grande maioria dos europeus, o signo e o patrimônio da ciência são os aparatos complicados, a papelada e a atitude do cirurgião.
1.2.07
Õ blésq blom
Estava ouvindo esse disco antigo dos Titãs, e tive uma epifania.
Finalmente encontrei uma função para os irmãos de Campos: inspirar letras bobas mas grudentas de música pop...
Bruno Tolentino não ia ser tão rude com eles, se ouvisse os Titãs.
Finalmente encontrei uma função para os irmãos de Campos: inspirar letras bobas mas grudentas de música pop...
Bruno Tolentino não ia ser tão rude com eles, se ouvisse os Titãs.
30.12.06
Conselho aos chilenos
Acabo de ler no jornal "A Notícia", em sua versão on-line, que Evo Imorales quer se aproximar dos chilenos.
A qualquer chileno que por acaso estaja lendo este blog, um conselho: Não queiram conversa com este senhor. Queiram se aproximar do povo boliviano, mas não deste mau caráter que temporariamente ocupa o posto de presidente da Bolívia. Ser "amigo", para ele, não quer dizer a mesma coisa que para o resto dos mortais. Lembrem-se do que ele está fazendo com o Brasil - com a complacência do nosso presidente, um grande amigo seu.
A qualquer chileno que por acaso estaja lendo este blog, um conselho: Não queiram conversa com este senhor. Queiram se aproximar do povo boliviano, mas não deste mau caráter que temporariamente ocupa o posto de presidente da Bolívia. Ser "amigo", para ele, não quer dizer a mesma coisa que para o resto dos mortais. Lembrem-se do que ele está fazendo com o Brasil - com a complacência do nosso presidente, um grande amigo seu.
28.12.06
Porque o Pink Floyd acabou
Estava ouvindo o álbum "The Wall", do grupo Pink Floyd, outro dia, quando percebi que na música "Mother", enquanto Roger Waters canta os versos do protagonista - ele mesmo-, David Gilmour canta as partes da "mãe".
Sabendo que: 1) O disco saiu quase todo da mente de Roger Waters, sendo provavelmente a divisão entre os dois idéia dele; 2) o disco pinta a mãe do protagonista-autor como o diabo chupando limão de cócoras, esse disco deve ter sido a gota d'água para David Glimour.
Aqui entre nós, com toda a razão.
Sabendo que: 1) O disco saiu quase todo da mente de Roger Waters, sendo provavelmente a divisão entre os dois idéia dele; 2) o disco pinta a mãe do protagonista-autor como o diabo chupando limão de cócoras, esse disco deve ter sido a gota d'água para David Glimour.
Aqui entre nós, com toda a razão.
22.12.06
Whiskeypédia - e mais Kubrick
Eu resolvi pesquizar nesse local esdrúxulo, a Wikipédia, sobre meu querido Kubrick e seus filmes. Descobri algumas informações legais, muitas lacunas e algumas informações inúteis (você sabia que o Danny de Vitto fez o Pinguim no Batman II por insistência de Jack Nicholson?). No finalzinho, fui ler o que eles escreveram sobre De Olhos Bem Fechados. Meu Deus, eles não viram o filme! Ou, se viram, estavam com muito whiskey - ou wiki- na cabeça. Bom, na verdade, pela cor e pelo teor da "análise", estavam cheios de campari com cachaça - porque o texto apresentado, além de vermelho, é brasileiríssimo.
Não tenho estômago para reler aquilo e comentar aqui. Os interessados, por favor, procurem "De Olhos Bem Fechados" na wikipédia.
Para deleite dos masoquistas que estejam passando por aqui, fica só a última frase: "A crítica central, aliada à já mencionada miopia das relações sexuais, reside na extratificação do poder e hierarquização das classes sociais".
Não tenho estômago para reler aquilo e comentar aqui. Os interessados, por favor, procurem "De Olhos Bem Fechados" na wikipédia.
Para deleite dos masoquistas que estejam passando por aqui, fica só a última frase: "A crítica central, aliada à já mencionada miopia das relações sexuais, reside na extratificação do poder e hierarquização das classes sociais".
Ainda Spartacus
Eu vi Spartacus mais uma vez. É, realmente, o filme menos "kubrickiano"dos filmes do Kubrick que eu já vi. Peter Ustinov (em uma entrevistas de 1992, constando dos extras) diz que o todo o começo do filme (a parte feita no Vale da Morte) é do outro diretor, e pode-se sentir o peso do roteirista e o do produtor/ator Kirk Douglas. Kirk queria um épico nos moldes de Ben-Hur (porque neste filme ele tinha sido preterido por Charlton Heston para fazer o protagonista); o roteirista (o nome me foge agora) era um dos 10 de Hollywood, e tinha a intenção de fazer um épico laico e pró-comunismo.
Mesmo com essa influências, o filme ainda é, inegavelmente, Kubrick. Provavelmente a intromissão de temas religiosos e morais é dele, assim como o tratamento "iniciático" dado ao treinamento dos escravos-gladiadores.
Além disso, Spartacus, ao fim e ao cabo, dificilmente pode ser usado como propaganda pró-comunista, no formato final que Kubrick deu ao filme. O que condiz com o resto da sua obra, mais interessada em outras temáticas.
PS.: Um presente que o filme dá, independente qualquer outra coisa, é o time de atores. Que refresco, nesses dias horrorosos, é rever Charles Laughton e Sir Lawrence Olivier atuando, e em papéis anatônigos! Laughton e Peter Ustinov "tricotando" sobre mulheres e contra a personagem de Olivier também é fantástico. A sinceridade, nobreza e virilidade do Spartacus de Kirk Douglas também são memoráveis- ele é perfeito para este tipo de papel (mesmo que seja inadequado para personagens mais sutis).
Mesmo com essa influências, o filme ainda é, inegavelmente, Kubrick. Provavelmente a intromissão de temas religiosos e morais é dele, assim como o tratamento "iniciático" dado ao treinamento dos escravos-gladiadores.
Além disso, Spartacus, ao fim e ao cabo, dificilmente pode ser usado como propaganda pró-comunista, no formato final que Kubrick deu ao filme. O que condiz com o resto da sua obra, mais interessada em outras temáticas.
PS.: Um presente que o filme dá, independente qualquer outra coisa, é o time de atores. Que refresco, nesses dias horrorosos, é rever Charles Laughton e Sir Lawrence Olivier atuando, e em papéis anatônigos! Laughton e Peter Ustinov "tricotando" sobre mulheres e contra a personagem de Olivier também é fantástico. A sinceridade, nobreza e virilidade do Spartacus de Kirk Douglas também são memoráveis- ele é perfeito para este tipo de papel (mesmo que seja inadequado para personagens mais sutis).
Definições de blog
Eu acho engraçado essa história, nas preferências do blog, de agente apontar filmes, livros e músicas preferidas. As minhas listas sempre mudam... Pôr no mesmo saco, também, música clássica e música popular, é meio bizarro.
As minhas preferidas do momento, por exemplo, não poderiam estar de forma nenhuma juntas: uma música intimista, individualista, como "Perfect Day" (Lou Reed mesmo já disse que a sua música é feita para ser ouvida com fones de ouvido) e a grandiosa 9a. Sinfonia (se encerrando com o Hino à Alegria), não são espécies do mesmo gênero.
Antigamente, as pessoas perguntavam umas às outras sobre seus poemas, romances, novelas ou contos preferidos... "livro" inclui até livro de receitas, ou cartilha de partido..
As minhas preferidas do momento, por exemplo, não poderiam estar de forma nenhuma juntas: uma música intimista, individualista, como "Perfect Day" (Lou Reed mesmo já disse que a sua música é feita para ser ouvida com fones de ouvido) e a grandiosa 9a. Sinfonia (se encerrando com o Hino à Alegria), não são espécies do mesmo gênero.
Antigamente, as pessoas perguntavam umas às outras sobre seus poemas, romances, novelas ou contos preferidos... "livro" inclui até livro de receitas, ou cartilha de partido..
21.12.06
revendo kubrick
Uma recente operação no nariz – o excelente doutor retirou-me um pólipo e deu um jeito no meu desvio de septo - obrigou-me a ficar na cama mais do que o normal. Aproveitei a vadiagem compulsória para rever alguns filmes: "2001", "Lolita" e "Spartacus", todos dirigidos por Stanley Kubrick. Se você que está lendo não viu algum, pare agora mesmo e vá assistir. Aproveite e alugue a coleção toda, o dono da locadora agradece. Os comentários abaixo são para quem já viu estas e outras obras do finado diretor (devo confessar que eu não vi ainda todos os filmes do Kubrick; faltam Glória Feita de Sangue, Dr. Fantástico, Barry Lyndon, O grande Golpe e A Morte Passou por Perto; são mais difíceis de achar, mas eu chego lá)
A primeira coisa que chama atenção no trabalho de Kubrick é o primor técnico. Os filmes são todos muito bem feitos, e a lista dos atores é de babar. Kubrick dirigiu Kirk Douglas em dois filmes (Glória feita de Sangue e Spartacus), Peter Sellers também em dois (Dr. Fantástico e Lolita), Jack Nicholson, Lawrence Olivier, Peter Ustinov, Shelley Winters, James Mason, Tom Cruise, Nicole Kidman, Vincent D’Onofrio, Shelley Duvall...
A segunda coisa que chama atenção é que a primeira, se não é irrelevante, é secundária. A comparação mais óbvia que eu consigo fazer é com Alfred Hitchcock. Ambos foram ousados, inovadores, de técnica apuradíssima. Ambos selecionavam a dedo seus atores. No entanto, a técnica em Hitchcock é co-diretora; sua importância é enorme. É quase impossível discutir um filme seu sem mencionar avanços técnicos ou "sacadas" geniais: a cena do chuveiro em "Psicose", a ausência de música convencional na trilha sonora em "Pássaros"... A câmera de Hitchcock é metalinguística o tempo todo (suas inevitáveis "pontas" são um bom exemplo disso).
Kubrick, por outro lado, surpreende de outra forma. Existem sutilezas e inovações técnicas em seus filmes (as cenas sem som no espaço em 2001, por exemplo), mas elas estão mais fora do caminho. O espectador pode ver o filme mais "desarmado", neste sentido.
Em compensação, a compreensão dos filmes em si exige mais. A assimilação da obra de Kubrick é comparável aos dos grandes autores da literatura mundial: Shakespeare, Dostoiévski, Camões... O quanto você tira das obras deles depende do quanto você já tem, tanto de bagagem cultural quanto de amadurecimento espiritual. Ler Dostoiévski sem ter lido Shakespeare (ou ler Shakespeare sem a Bíblia) é ler pela metade. Do mesmo modo, quando reli "Dom Casmurro", dez ou quinze anos depois de o ter feito no ensino médio, é que percebi o quanto eu não tinha entendido, simplesmente por falta de experiência.
Nenhum outro filme de Kubrick exige tanto do espectador, penso eu, do que "2001". Para que o filme – principalmente o final – faça algum sentido, a audiência tem que ter, ao menos, noções básicas de religião, história, astrologia e literatura grega. Para ficar em um exemplo simples, é bastante explícita o referência astrológica na aparição dos monolitos: (Terra –Lua – Júpiter). Nas três vezes, a câmera explora de forma bastante óbvia as posições dos astros no céu. Quem não tenha ao menos algum conhecimento do que foi dito acima, pode ainda gostar do filme, mas vai ter que aceitar muitas das coisas mostradas nele como gratuitas, ou emprestar-lhe outros sentidos.
Outra particularidade de Kubrick é que ele baseia seus filmes, invariavelmente, em livros, e até onde eu consegui ler, livros de segunda categoria; para filmá-los, no entanto, ele os transforma de forma radical e -descobri isso hoje na Wikipédia – normalmente enfurecendo os autores.
Quem estiver em dúvida, leia Lolita, de Nabokov, e depois veja o filme. Uma historinha boba sobre um pervertido e uma menina precocemente gasta se transforma, nas mãos do mestre, em um filme brilhante. É sintomático que Kubrick corte todos os antecedentes de Humbert Humbert, retirando os psicologismos baratos de Nabokov do filme e aumente enormemente as aparições e a influência de Clare Quilty.
Uma outra marca – algo que aliás, não sei de mais ninguém que tenha notado – é a sua desconfiança em relação a sociedades secretas. Elas aparecem em todos os filmes que eu vi: de forma mais explícita em Laranja Mecânica, Nascido para Matar, De Olhos bem Fechados, O Iluminado e Spartacus; de forma mais velada em 2001 e Lolita (não digo que não aparecem nos outros filmes –– mas como eu não os vi, não posso afirmar). O tratamento dado a elas é sempre respeitoso, mas nunca positivo (lembrem-se do que acontece a Gomer Pyle em Nascido para Matar e a Bill Halford em De Olhos bem Fechados, bem como a traição dos droogs em Laranja Mecânica). O valor do ser humano individual, ao contrário, é sempre exaltado: Spartacus, mesmo na cela, é mais digno do que os romanos que o aprisionam ("Eu não sou um animal!") e continua sendo após a sua liberdade (ele impede que dois romanos sejam maltratados por seus antigos escravos). O astronauta Dave, sozinho, derrota Hal. Esse valor não é esquecido mesmo nos seres humanos mais vis: o Alex DeLarge sociopata por escolha própria é mais homem que o Alex programado para ser um "bom cidadão"; mesmo o pobre Humbert, enganado e passado para trás por todos, pode matar o poderoso Quilty, porque ambos são, no fundo, seres humanos e mortais.
São esses os comentários que esses filmes me sugeriram, revendo-os na convalescência e os comparando com as lembranças dos outros. Prometo uma análise mais demorada das diferenças entre o filme e o livro "Lolita", no futuro; e prometo, também, ver os outros filmes do Kubrick e ver se minhas impressões resistem ao conjunto da obra.
A primeira coisa que chama atenção no trabalho de Kubrick é o primor técnico. Os filmes são todos muito bem feitos, e a lista dos atores é de babar. Kubrick dirigiu Kirk Douglas em dois filmes (Glória feita de Sangue e Spartacus), Peter Sellers também em dois (Dr. Fantástico e Lolita), Jack Nicholson, Lawrence Olivier, Peter Ustinov, Shelley Winters, James Mason, Tom Cruise, Nicole Kidman, Vincent D’Onofrio, Shelley Duvall...
A segunda coisa que chama atenção é que a primeira, se não é irrelevante, é secundária. A comparação mais óbvia que eu consigo fazer é com Alfred Hitchcock. Ambos foram ousados, inovadores, de técnica apuradíssima. Ambos selecionavam a dedo seus atores. No entanto, a técnica em Hitchcock é co-diretora; sua importância é enorme. É quase impossível discutir um filme seu sem mencionar avanços técnicos ou "sacadas" geniais: a cena do chuveiro em "Psicose", a ausência de música convencional na trilha sonora em "Pássaros"... A câmera de Hitchcock é metalinguística o tempo todo (suas inevitáveis "pontas" são um bom exemplo disso).
Kubrick, por outro lado, surpreende de outra forma. Existem sutilezas e inovações técnicas em seus filmes (as cenas sem som no espaço em 2001, por exemplo), mas elas estão mais fora do caminho. O espectador pode ver o filme mais "desarmado", neste sentido.
Em compensação, a compreensão dos filmes em si exige mais. A assimilação da obra de Kubrick é comparável aos dos grandes autores da literatura mundial: Shakespeare, Dostoiévski, Camões... O quanto você tira das obras deles depende do quanto você já tem, tanto de bagagem cultural quanto de amadurecimento espiritual. Ler Dostoiévski sem ter lido Shakespeare (ou ler Shakespeare sem a Bíblia) é ler pela metade. Do mesmo modo, quando reli "Dom Casmurro", dez ou quinze anos depois de o ter feito no ensino médio, é que percebi o quanto eu não tinha entendido, simplesmente por falta de experiência.
Nenhum outro filme de Kubrick exige tanto do espectador, penso eu, do que "2001". Para que o filme – principalmente o final – faça algum sentido, a audiência tem que ter, ao menos, noções básicas de religião, história, astrologia e literatura grega. Para ficar em um exemplo simples, é bastante explícita o referência astrológica na aparição dos monolitos: (Terra –Lua – Júpiter). Nas três vezes, a câmera explora de forma bastante óbvia as posições dos astros no céu. Quem não tenha ao menos algum conhecimento do que foi dito acima, pode ainda gostar do filme, mas vai ter que aceitar muitas das coisas mostradas nele como gratuitas, ou emprestar-lhe outros sentidos.
Outra particularidade de Kubrick é que ele baseia seus filmes, invariavelmente, em livros, e até onde eu consegui ler, livros de segunda categoria; para filmá-los, no entanto, ele os transforma de forma radical e -descobri isso hoje na Wikipédia – normalmente enfurecendo os autores.
Quem estiver em dúvida, leia Lolita, de Nabokov, e depois veja o filme. Uma historinha boba sobre um pervertido e uma menina precocemente gasta se transforma, nas mãos do mestre, em um filme brilhante. É sintomático que Kubrick corte todos os antecedentes de Humbert Humbert, retirando os psicologismos baratos de Nabokov do filme e aumente enormemente as aparições e a influência de Clare Quilty.
Uma outra marca – algo que aliás, não sei de mais ninguém que tenha notado – é a sua desconfiança em relação a sociedades secretas. Elas aparecem em todos os filmes que eu vi: de forma mais explícita em Laranja Mecânica, Nascido para Matar, De Olhos bem Fechados, O Iluminado e Spartacus; de forma mais velada em 2001 e Lolita (não digo que não aparecem nos outros filmes –– mas como eu não os vi, não posso afirmar). O tratamento dado a elas é sempre respeitoso, mas nunca positivo (lembrem-se do que acontece a Gomer Pyle em Nascido para Matar e a Bill Halford em De Olhos bem Fechados, bem como a traição dos droogs em Laranja Mecânica). O valor do ser humano individual, ao contrário, é sempre exaltado: Spartacus, mesmo na cela, é mais digno do que os romanos que o aprisionam ("Eu não sou um animal!") e continua sendo após a sua liberdade (ele impede que dois romanos sejam maltratados por seus antigos escravos). O astronauta Dave, sozinho, derrota Hal. Esse valor não é esquecido mesmo nos seres humanos mais vis: o Alex DeLarge sociopata por escolha própria é mais homem que o Alex programado para ser um "bom cidadão"; mesmo o pobre Humbert, enganado e passado para trás por todos, pode matar o poderoso Quilty, porque ambos são, no fundo, seres humanos e mortais.
São esses os comentários que esses filmes me sugeriram, revendo-os na convalescência e os comparando com as lembranças dos outros. Prometo uma análise mais demorada das diferenças entre o filme e o livro "Lolita", no futuro; e prometo, também, ver os outros filmes do Kubrick e ver se minhas impressões resistem ao conjunto da obra.
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